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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

Maio 2013

Formação de alianças ou de palavras na morfologia política

Por Orlando Nunes em Teste simulado

26 de Maio de 2013

Texto de apoio, ou de aliança

Dilma e Temer iniciam conversas sobre aliança

Depois das semanas turbulentas no Congresso, a presidente Dilma Rousseff e o vice, Michel Temer, tomaram a dianteira das negociações entre PT e PMDB, para garantir a aliança política em 2014.

Com base no texto acima, é correto afirmar

(A) Temer, como todo vocábulo paroxítono terminado em erre, deveria sempre trazer à mostra seu acento gráfico, por mais circunflexo que ele fosse, mas, por se tratar de uma autoridade pública de prestígio nacional, usufrui privilégios que a NGB – Nomenclatura Gramatical Brasileira não concede a um antropônimo qualquer do chamado povão.

(B)  Dilma também é uma palavra paroxítona, não o fora outro seria o seu vice, em razão da incompatibilidade do diálogo entre a primeira e a segunda pessoa do discurso do governo, que sempre exige alianças bem ajustadas aos dedos da contramão da esquerda ou da direita.

(C)   Há sempre um dígrafo nasal em aliança, muito embora, segundo Hamlet,  haja algo de podre no reino da Dinamarca. Isso (o dígrafo nasal, não o odor) faz com que o vocábulo “aliança”, formado com sete letras, tenha apenas seis fonemas, e não se trata neste caso de conta do mentiroso.

(D) Em “Congresso” o número de dígrafos nasais é maior que o de alianças orais, numa proporção de dois contra um segundo o painel eletrônico da Casa do Povo, hoje apinhada de sujeitos determinados, ora presentes, ora ocultos.

(E)  A formação de alianças ou de palavras é possível por processos de justaposição ou de aglutinação.  O vocábulo “turbulenta”, por exemplo, é uma prova morfológica de que a aliança entre elementos opostos é possível assim na terra como no Planalto: turbo (compressor PMDB) e lenta (marcha PT).

GABARITO OFICIAL: letra C, de Congresso; recurso só no Supremo.

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É só pegar o Machado

Por Orlando Nunes em Gramática

20 de Maio de 2013

Em um post recente dos “simulados” de gramática, o sintagma (conjunto) nominal “suspeita de fraude” serviu de referência para a análise sintática do termo preposicionado “de fraude”.

Conforme o GABARITO OFICIAL apresentado no final do texto, o termo em questão funciona sintaticamente como complemento nominal, e não como adjunto adnominal. Era a resposta.

Muito bem, o leitor Miguel Ferreira, de Maceió (AL), envia e-mail com uma ótima pergunta:

“Qual é a utilidade prática de saber fazer essa distinção, um escritor será melhor ou pior a depender de tal conhecimento?”

Salve, salve, Miguel Ferreira; salve, salve, Alagoas!

Considero tão importante saber fazer distinções deste gênero quanto julgo ser importante a um motorista, por exemplo, conhecer um pouco de mecânica de automóvel além de saber simplesmente dirigi-lo. Claro que sempre haverá argumentos do tipo: “Para que servem os mecânicos de carro (ou os revisores de texto)? Em outras palavras, esta tese parece dizer que aprender a dirigir um carro ou a escrever um texto é o que importa, consertá-los é tarefa para outras mãos, são outros quinhentos (talvez, mas às vezes dá para economizar uns trocados).

Não discordo integralmente deste ponto de vista, mas em parte, sim. Claro que “saber gramática” não tem nada a ver com “saber escrever”, são domínios distintos, naturalmente (de outro modo, digamos, Evanildo Bechara seria um dos melhores escritores brasileiros).

Mas, relembrando grandes profissionais, penso igualmente que um Ayrton Senna era melhor piloto porque sacava também de mecânica, e um Graciliano Ramos (salve, salve, Alagoas) era melhor escritor porque sacava também de gramática. A gramática é a faca (ferramenta); o texto, o queijo (alimento). Um escritor pode estar com a faca e o queijo às mãos.

O adjunto adnominal e o complemento nominal na prática

Qual o significado de uma frase como esta: “A solicitação de mecânico (ou de revisor) será atendida”? Resposta: depende da função sintática de mecânico (ou de revisor).

1-      Se alguém solicita mecânico (ou revisor), em “solicitação de mecânico (ou de revisor)” o termo sublinhado desempenha a função sintática de complemento nominal.

2-      Se o mecânico (ou revisor) é quem solicita algo, em “solicitação de mecânico (ou de revisor)” o termo sublinhado desempenha a função sintática de adjunto adnominal.

Estudar sintaxe pode ajudar redatores a reconstruir frases quando, p.ex., a clareza o solicita.

Certamente um escritor poderá facilmente distinguir um tijolo de um gato jogando ambos numa parede (o tijolo não mia), e imediatamente perceberá a ambiguidade possível em “solicitação de mecânico (ou de revisor)”. E claro: o próprio contexto ajudará a salvar o gato.

Contudo, Miguel, o diagnóstico sintático tem salvado do muro muitos estudantes (e, melhor ainda, muitos escritores não abrem mão de derrubar o muro, é só pegar o Machado).

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Grande abraço.

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Análise do discurso panfletário

Por Orlando Nunes em Teste simulado

17 de Maio de 2013

“Senado aprova MP dos Portos: medida vai para sanção de Dilma”

 

(A)  A frase em destaque é um exemplo claro do poder da Democracia. Em outras épocas, um sintagma como “sanção de Dilma” fatalmente seria censurado por outro poder, indiscutivelmente menos tolerante, o do DOI, que não admitia metáforas subversivas.

 

(B)  Como na maioria dos textos panfletários, observamos na frase destacada erros grosseiros de ortografia, como o emprego de inicial minúscula na grafia de antropônimos e o “ç”, em lugar do “s”. Qualquer sujeito simples escolarizado sabe que a personagem bíblica era o Sansão.

 

(C)  A sigla MP utilizada em contextos políticos exemplifica o que a ciência da linguagem humana denomina de “empréstimo linguístico”, ou seja, uso de um vocábulo próprio de outra área profissional, tribo ou comunidade carente. MP é a sigla de Mau Português no discurso de Letras.

 

(D)  Constitucionalmente, “sanção de Dilma” só faria sentido em um regime parlamentarista, em que há a separação do chefe de Estado e do chefe de governo (o homem forte ou o Sansão do governo). No presidencialismo, os dois cargos se aglutinam, isto é, Dilma “e” ou “é” o próprio Sansão.

 

(E)   Sanção (aprovação) e sansão (guindaste) são exemplos de vocábulos parônimos, que, segundo os dicionários, indicam “palavras que têm pronúncia e/ou grafia semelhante à de outra palavra”. Dessa forma, de panfletária a frase em epígrafe não tem nada, a análise do discurso é que é ruim mesmo.

 

GABARITO OFICIAL; letra E, de Executivo.

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Abraço.

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É, de esculhambação

Por Orlando Nunes em Teste simulado

13 de Maio de 2013

Post passado, o resultado.

Na “pesquisa”, deu letra E, hipótese mais bem votada: “Nada disso ocorreria se o leite fosse de cabra macho”. Obs.: a opção C foi de morrer de rir: um só voto para “Agora não adianta chorar o leite derramado”.  É isto, paciência: a voz do Tribuna é a voz de Deus.

No teste gramatical, a resposta incorreta (o gabarito, portanto)  está na opção E. Em “suspeita de fraude”, o termo preposicionado é complemento nominal, e não adjunto. Elementar, caro…

Post presente

“Intenção era votar a matéria nesta segunda-feira, mas grande parte dos deputados não chegará hoje a Brasília para a votação”

É verdadeiro afirmar

(A)   Malgrado a boa vontade dos parlamentares, é comum o número reduzido de políticos em Brasília nas segundas-feiras em razão da crise na aviação brasileira, a tal de “gripe aviária”.

(B)   A “grande parte dos deputados” se verifica na sexta-feira, quando suas excelências lotam o aeroporto para a grande partida de volta às bases, o tradicional pilequinho do fim de semana.

(C)   Em “grande parte dos deputados não chegará” revela-se uma fina figura de linguagem, a ironia, pois, ao não flexionar a forma verbal, subtende-se que nenhum deputado chegará.

(D)   Há um paradoxo em “a intenção era votar nesta segunda-feira”. Se houvesse tal disposição, a data seria outra, afinal brasileiro se acostumou com o voto obrigatório sempre aos domingos.

(E)    Em “grande parte dos deputados não chegará”, o verbo no singular concorda com o núcleo do sujeito (parte). A concordância com “deputados”, no plural, também seria correta.

GABARITO OFICIAL: letra E, de esculhambação. Mas cabe recurso, não tenho imunidade.

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Um abraço.

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Leite Formol e Língua Formal

Por Orlando Nunes em Teste simulado

10 de Maio de 2013

Antes de responder ao simulado, tire leite de pedra numa pesquisa de mercado.

NOTÍCIA – Azedou o leite

“Mais três marcas de leite têm venda suspensa por suspeita de fraude”

PESQUISA – Análise sem tática

Em sua opinião, o que acontece agora?

(A)   O governo suspende as marcas, mas não as tetas.

(B)   Se a venda for suspensa, a vaca vai pro brejo.

(C)   Agora não adianta chorar o leite derramado.

(D)   Mais vale uma teta na mão que três mutretas voando.

(E)    Nada disso ocorreria se o leite fosse de cabra macho.

 

 

NOTÍCIA – Enem de leite eu gosto

“Mais três marcas de leite têm venda suspensa por suspeita de fraude”

GRAMÁTICA – Análise sintática

Assinale a alternativa incorreta quanto à análise sintática proposta.

(A)   Na oração, o núcleo do sujeito simples é o substantivo “marcas”

(B)   O vocábulo “três” exerce a função sintática de adjunto adnominal.

(C)   O termo “por suspeita de fraude” desempenha a função de adjunto adverbial.

(D)   O circunflexo em “têm” indica a terceira pessoa do plural do presente do indicativo.

(E)    Em “suspeita de fraude”, o termo “de fraude” exerce a função de adjunto adnominal.

 

Participe do teste e concorra a um litro de formol retirado do leite apreendido.

Envie sua resposta para o e-mail marjangadeiro@gmail.com

Um abraço.

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Quem tem credibilidade?

Por Orlando Nunes em Linguística

06 de Maio de 2013

“Essa sequência de maus resultados pode levar a torcida a perder a credibilidade no time.”

Palavras e expressões podem perder ou ganhar um determinado valor semântico com o tempo. O valor de ontem não é necessariamente o de hoje, ou o de hoje é mais um valor acrescido ao de ontem.

Igualmente, o sentido pode permanecer, mudando-se apenas o emprego, o uso dado pelo falante.

Ontem, por exemplo, credibilidade era somente “a qualidade de quem é merecedor de crédito”. Assim, digamos, o Fortaleza Esporte Clube era um time de credibilidade, ou seja, merecedor do crédito dos tricolores da arquibancada.

Hoje o Leão pode continuar sendo (apesar de alguns tropeços) um time de credibilidade, mas… a questão aqui é outra.

O que vem mudando é o mando de campo, ou melhor, o “dono” da credibilidade.

A frase inicial do post antigamente (!) seria escrita somente assim: “Essa sequência de maus resultados pode levar o time a perder a credibilidade com a torcida”. Em outras palavras, o time tem “sua” credibilidade ameaçada. Dessa forma, não é a torcida que “perde a credibilidade”.

A torcida confia no time, o time tem credibilidade. Quem pode então perder a credibilidade?

Naturalmente é o time que pode perder aquilo de que dispõe, a tal credibilidade. Contudo, se é cada vez maior o número de falantes que estão mudando a direção da partida, fique de olho bem aberto.

Amanhã “a torcida pode perder a credibilidade no time”, ou seja, credibilidade passará a ser também (ou somente) a “qualidade de quem dá crédito”, em vez de indicar aquele que o merece.

O tempo e os falantes vão moldando a língua, assim tem sido a regra do jogo desde o princípio.

Quando o amanhã chegar, como um placar que muda a cada nova bola na rede, os dicionários que merecem credibilidade vão registrar o novo (ou um novo) emprego para a velha expressão ou palavra, mesmo que eu ou você não gostemos disso.

No campo linguístico, ninguém é dono da bola.

P.S. Domingo não vou mais ao Presidente Vargas, começo a desconfiar que meus amigos estão perdendo a credibilidade no meu pé-quente.

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Desafio gramatical para jornalistas

Por Orlando Nunes em Teste simulado

03 de Maio de 2013

Deixando um pouco de lado a Gramática do Absurdo, quando quatro das cinco alternativas eram “sem pé nem cabeça”, vamos agora à Gramática do Jornalista, teste em que a resposta adequada não é tão óbvia quanto as das questões anteriores, acredito. Vejamos:

Que alternativa não prescinde de correção gramatical segundo a norma culta da língua?

(A) O procurador geral da república, Roberto Gurgel, disse que os condenados do mensalão têm que se conformar com as sentenças e cumprir as penas. Os 25 réus já apresentaram suas defesas ao STF (Supremo Tribunal Federal).

(B)  O procurador geral da república, Roberto Gurgel, disse que os condenados do mensalão têm de se conformar com as sentenças e cumprir as penas. Os 25 réus já apresentaram suas defesas ao STF (Supremo Tribunal Federal).

(C)  Roberto Gurgel, procurador geral da república, disse que os condenados do mensalão têm que se conformar com as sentenças e cumprir as penas. Os 25 réus já apresentaram suas defesas ao STF (Supremo Tribunal Federal).

(D) Roberto Gurgel, procurador geral da república, disse que os condenados do mensalão têm que se conformar com as sentenças e cumprir as penas. Já apresentaram suas defesas ao STF (Supremo Tribunal Federal) os 25 réus.

(E)  O procurador geral da república, Roberto Gurgel, disse que os condenados do mensalão têm que se conformarem com as sentenças e cumprirem as penas. Os 25 réus já apresentaram suas defesas ao STF (Supremo Tribunal Federal).

RESPOSTA: alternativa E

Comentário

As alternativas A e B estão corretas. A diferença entre elas está no emprego das formas “Têm que” e “Têm de”, ambas hoje abonadas pela norma culta da língua.

A alternativa C está correta. Em relação à alternativa A, houve apenas uma inversão do aposto explicativo, “Roberto Gurgel”, em A, e “procurador geral da república”, em C.

A alternativa D está correta. A diferença desta alternativa para a anterior encontra-se no segundo período do parágrafo, quando observamos a anteposição do verbo ao sujeito.

A alternativa E está incorreta (eis o gabarito). Em “Têm que se conformar” / “Têm que cumprir, temos uma locução verbal, e a flexão ocorre no verbo auxiliar, nunca no principal (o último da sequência). Só o verbo auxiliar deve se flexionar no plural (têm).

Nota do autor: cabe recurso. Dúvidas & Divergências, estou no marjangadeiro@gmail.com

Um abraço.

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Desafio gramatical para jornalistas

Por Orlando Nunes em Teste simulado

03 de Maio de 2013

Deixando um pouco de lado a Gramática do Absurdo, quando quatro das cinco alternativas eram “sem pé nem cabeça”, vamos agora à Gramática do Jornalista, teste em que a resposta adequada não é tão óbvia quanto as das questões anteriores, acredito. Vejamos:

Que alternativa não prescinde de correção gramatical segundo a norma culta da língua?

(A) O procurador geral da república, Roberto Gurgel, disse que os condenados do mensalão têm que se conformar com as sentenças e cumprir as penas. Os 25 réus já apresentaram suas defesas ao STF (Supremo Tribunal Federal).

(B)  O procurador geral da república, Roberto Gurgel, disse que os condenados do mensalão têm de se conformar com as sentenças e cumprir as penas. Os 25 réus já apresentaram suas defesas ao STF (Supremo Tribunal Federal).

(C)  Roberto Gurgel, procurador geral da república, disse que os condenados do mensalão têm que se conformar com as sentenças e cumprir as penas. Os 25 réus já apresentaram suas defesas ao STF (Supremo Tribunal Federal).

(D) Roberto Gurgel, procurador geral da república, disse que os condenados do mensalão têm que se conformar com as sentenças e cumprir as penas. Já apresentaram suas defesas ao STF (Supremo Tribunal Federal) os 25 réus.

(E)  O procurador geral da república, Roberto Gurgel, disse que os condenados do mensalão têm que se conformarem com as sentenças e cumprirem as penas. Os 25 réus já apresentaram suas defesas ao STF (Supremo Tribunal Federal).

RESPOSTA: alternativa E

Comentário

As alternativas A e B estão corretas. A diferença entre elas está no emprego das formas “Têm que” e “Têm de”, ambas hoje abonadas pela norma culta da língua.

A alternativa C está correta. Em relação à alternativa A, houve apenas uma inversão do aposto explicativo, “Roberto Gurgel”, em A, e “procurador geral da república”, em C.

A alternativa D está correta. A diferença desta alternativa para a anterior encontra-se no segundo período do parágrafo, quando observamos a anteposição do verbo ao sujeito.

A alternativa E está incorreta (eis o gabarito). Em “Têm que se conformar” / “Têm que cumprir, temos uma locução verbal, e a flexão ocorre no verbo auxiliar, nunca no principal (o último da sequência). Só o verbo auxiliar deve se flexionar no plural (têm).

Nota do autor: cabe recurso. Dúvidas & Divergências, estou no marjangadeiro@gmail.com

Um abraço.