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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

junho 2013

Uma só bala de borracha. Vai que é mole!

Por Orlando Nunes em Teste simulado

27 de junho de 2013

O leitor há de encontrar certa ambiguidade na frase abaixo:

“Parece que atacam os manifestantes”.

Vamos lá, creio que haja duas interpretações possíveis para o enunciado.

(1) provável interpretação do manifestante:

Os manifestantes estão sendo atacados.

(2) provável interpretação da polícia:

Os manifestantes atacam.

 

Na prática, o redator, percebendo a possibilidade de duplo sentido, busca uma estrutura que se manifeste de modo mais pacífico (sem pedra ou bala de borracha).

Por exemplo:  

“Parece que os manifestantes estão sendo atacados.” (estrutura não ambígua)

“Parece que os manifestantes estão atacando.” (estrutura não ambígua)

Mas vida de estudante não é fácil, há muito concurso público baderneiro que adora tocar fogo na casa de palha dos outros. Fique pois o senhor com as barbas de molho.

Vamos fazer um teste para saber se seus olhos estão preparados para uma lufada de gás lacrimogêneo? Não tema, a prova é pacífica e você só gastará um dedo de prosa.

Mão na massa

Revolucionário leitor, digamos que você só tenha uma bala de borracha para dispersar a multidão de dúvidas à sua frente e “matar” a questão proposta. Vai que é mole!

Questão para estudante protestante, ou melhor, manifestante.

Elimine a ambiguidade da frase abaixo utilizando uma só tecla do seu computador. O sentido desejado exige “os manifestantes” como sujeito da oração subordinada.

“Parece que atacam os manifestantes.”

 

GABARITO COMENTADO

Solução (vinagre antigás lacrimogêneo. Não chore, é para o seu bem.):

Oração principal: Parece

Sujeito: oração seguinte

Oração subordinada substantiva subjetiva: que atacam os manifestantes.

Sujeito: os manifestantes

 

Resolução, eliminando a ambiguidade com uma só tecla:

“Parece que atacam, os manifestantes.”

 

Comentário: Simples assim. Diante da exigência do comando da questão de dispersar a ambiguidade do enunciado utilizando apenas uma tecla (a solitária bala de borracha), o sujeito simples e posposto ao verbo foi separado do predicado com uma vírgula.

 

PS: Ao argumento de que esta vírgula ocupa uma posição sintaticamente proibida, lanço mão da tropa de choque que defende o uso da vírgula como recurso de clareza do enunciado (essa tese tem defensores ilustres, doutores em Língua Portuguesa).

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

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Aumento da passagem de mulher

Por Orlando Nunes em Crônica

21 de junho de 2013

“O projeto ônibus da mulher não foi lançado ao vento. No terminal, ela pega uma grande fila, desorganizada, com tumulto. Cheguei a conclusão que poderíamos trazer um projeto que tem dado certo no México e na Indonésia, lá o índice de abuso caiu a zero. Aqui há base para que essa Casa aprove. A mulher merece ser vista com carinho e com respeito”. Tribuna do Ceará

Lei de trânsito

“A mulher merece ser vista com carinho e com respeito.”

Todavia, a mulher vista com carrinho não tem merecido respeito. Noutras palavras, mulher de respeito é a que só anda de ônibus.

Busão exclusivo para mulheres não seria o fim da picada? Vamos protestar nas ruas.

Habeas corpus já!

Endurecer sem perder a ternura jamais. Queremos o aumento da passagem de mulher nos ônibus. Quanto mais passarem, melhor para quem tem carro pequeno.

Pelos cotovelos  

Um ônibus exclusivo para mulheres é uma proposta anticonstitucional. De saída, atropela o artigo primeiro da Carta do Chofer de Coletivo. Art. 1º: “Não converse com o motorista”.

Há, contudo, outras linhas descobertas, se abrirmos a cartilha do politicamente correto.

Veia vândala

“Ela pega uma grande fila, desorganizada e com tumulto” não é uma frase ambígua, mas é machista, porque sugere sorrateira que “Ele”, o homem, pega também grande fila, naturalmente, mas não é desorganizado nem cria tumulto, predicativos do sujeito mulher.

Faremos grave

Em “cheguei a conclusão”, percebemos falta grave. Falta (acento) grave(`) para a crase.

Rola, não!

Chego à conclusão de que ônibus exclusivo não é coletivo. Pras ruas!

Queremos é o sanfonado.

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Artigo e crase têm hora

Por Orlando Nunes em Dica

09 de junho de 2013

“A ação ocorrerá no viaduto da Raul Barbosa, que estará momentaneamente fechado no próximo domingo, entre 8 e 10h.”

Bom exemplo para comentarmos a necessidade ou não do emprego de artigos antes dos numerais relacionados a “horas”.

ARTIGO

Usar ou não o artigo antes do numeral faz toda a diferença, senão vejamos.

Se o viaduto vai ficar fechado “entre 8 e 10 horas”, como está escrito acima, isso quer dizer que o trânsito por ele estará impossibilitado durante um bom tempo.

Como assim, bródi?

Caso a interdição se inicie às 8 horas, por exemplo, a reabertura do viaduto ao trânsito normal não ocorrerá antes das 16 horas, ou seja, oito horas depois.

Vixemaria, bichim!!!

Se o viaduto vai ficar fechado entre as 8h e as 10h, com artigo antes dos numerais, a coisa muda e os motoristas agradecem. Isso quer dizer que o fechamento ao trânsito normal durará somente duas horas, das 8 às 10 horas da manhã (menos mau, não?).

CRASE

Por que “entre as 8h e as 10h” não empreguei o acento indicativo de crase, mas o fiz em “das 8h às 10h”? Elementar, caro redator: crase é fusão. Mas vamos devagar.

1. “das 8h” – das = de (preposição) + as (artigo).

1.1 “às 10h” – às = a (preposição) + as (artigo), logo a+as =às (fenômeno da crase, fusão de dois “aa”, um é preposição e outro, artigo.

2. “entre as 8h” – entre (preposição) + as (artigo), não há fusão de dois “aa”, ou seja, não ocorre o fenômeno da crase.

2.1 O mesmo fato observamos aqui antes do numeral 10, em que o “as” que o antecede é apenas um artigo (a preposição “entre” vem elíptica, subentendida).

Assim, às 10h (com crase) equivalente a “A + AS 10h”; mas entre as 10h (sem crase), porque temos ENTRE + AS 10h.

 

Pois, pois.
Estou no marjangadeiro@gmail.com

Abs!

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As três ex-feras do governo

Por Orlando Nunes em Teste simulado

02 de junho de 2013

Texto de apoio

“Não estou dizendo aqui que a culpa pela violência é antes de tudo das vítimas dela. Não, não é isso. Digo apenas que nos habituamos a ser passivos, a acreditar em propagandas oficiais, a não criticar, a procurar relações de clientela; nos afeiçoamos à ideia de um dia precisarmos de um contato no governo.”

Do Blog do Wanfil.

Baseado no texto acima é possível afirmar, sem incorrer em extrapolação textual:

(A) Ao afirmar “Não estou dizendo aqui que a culpa pela violência é antes de tudo das vítimas”, o jornalista precavidamente considera que a culpa das vítimas vem mesmo é a posteriori, e não a priori.

(B)  Em “Não, não é isso”, a repetição do advérbio de negação confere valor positivo ao enunciado, porque o segundo “não” nega o primeiro, dando à frase, em outras palavras, o sentido de “Sim, é isso mesmo que estou dizendo”.

(C)  Em “nos habituamos a ser passivos”, o blogueiro Wanfil manda pesado e perde a compostura, adotando um discurso de cunho sociossexual, aludindo metaforicamente  ao fato de o povo estar sempre por baixo.

(D) O vocábulo “ideia” foi grafado à portuguesa, segundo às novas regras, sem o acento gráfico – cá, entre nós, brasileiro é que não pode ver  um ditongo aberto, como éi e ói, por exemplo, que vai logo metendo o bedelho: mocréia, jibóia.

(E)  “Procurar relações de clientela” é um modo relativamente seguro de não se deixar contaminar pela promiscuidade inevitável dos contatos imediatos e sem preservativos com as três ex-feras do governo: fulano, beltrano e sicrano.

GABARITO OFICIAL: D, de decoro. Nota: questão anulada por falta de decoro.

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Um abraço.

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As três ex-feras do governo

Por Orlando Nunes em Teste simulado

02 de junho de 2013

Texto de apoio

“Não estou dizendo aqui que a culpa pela violência é antes de tudo das vítimas dela. Não, não é isso. Digo apenas que nos habituamos a ser passivos, a acreditar em propagandas oficiais, a não criticar, a procurar relações de clientela; nos afeiçoamos à ideia de um dia precisarmos de um contato no governo.”

Do Blog do Wanfil.

Baseado no texto acima é possível afirmar, sem incorrer em extrapolação textual:

(A) Ao afirmar “Não estou dizendo aqui que a culpa pela violência é antes de tudo das vítimas”, o jornalista precavidamente considera que a culpa das vítimas vem mesmo é a posteriori, e não a priori.

(B)  Em “Não, não é isso”, a repetição do advérbio de negação confere valor positivo ao enunciado, porque o segundo “não” nega o primeiro, dando à frase, em outras palavras, o sentido de “Sim, é isso mesmo que estou dizendo”.

(C)  Em “nos habituamos a ser passivos”, o blogueiro Wanfil manda pesado e perde a compostura, adotando um discurso de cunho sociossexual, aludindo metaforicamente  ao fato de o povo estar sempre por baixo.

(D) O vocábulo “ideia” foi grafado à portuguesa, segundo às novas regras, sem o acento gráfico – cá, entre nós, brasileiro é que não pode ver  um ditongo aberto, como éi e ói, por exemplo, que vai logo metendo o bedelho: mocréia, jibóia.

(E)  “Procurar relações de clientela” é um modo relativamente seguro de não se deixar contaminar pela promiscuidade inevitável dos contatos imediatos e sem preservativos com as três ex-feras do governo: fulano, beltrano e sicrano.

GABARITO OFICIAL: D, de decoro. Nota: questão anulada por falta de decoro.

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Um abraço.