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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

29 de julho de 2013

As frases simples do papa (pontuação 2)

Por Orlando Nunes em Gramática

29 de julho de 2013

No post anterior, dissemos que a pontuação “é penta”. Fazíamos alusão a cinco estruturas de frase simples (um sujeito e um verbo) que dão origem a qualquer engenharia frasal produzida ou que venhamos a produzir em língua portuguesa padrão culto escrito.

A pontuação na linguagem escrita nada mais é do que um aviso ao leitor de que a ordem direta dos termos da frase, com a qual todos nós leitores já nos acostumamos, foi estrategicamente alterada. Em outras palavras, a pontuação organiza, sinaliza, ilumina a frase.

Aonde vamos

Durante a série de textos Pontuação: É penta! (a pontuação passo a passo), vamos empregar as cinco estruturas de frase simples, modificá-las ou combiná-las, de modo a criar os mais diversos ambientes contextuais de uso dos sinais de pontuação de nosso idioma – vírgula, ponto e vírgula, travessão, dois-pontos, ponto de exclamação, etc.

Inicialmente, aproveitando o noticiário de cobertura da bem-vinda visita do papa Francisco ao Brasil, vamos apresentar rapidamente cada uma das cinco estruturas da frase simples.

Modelo 1 – sujeito–verbo (S–V)

O tempo passa. / A vida segue. / A Igreja cresce.

– A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

Como a vírgula sinaliza ao leitor que algo importante subverte a ordem tradicional da frase, se usássemos uma vírgula nas estruturas acima (*O tempo, passa / *A vida, segue / *A Igreja, cresce), estaríamos pondo pedras no meio do caminho, dificultando a leitura normal do texto.

Modelo 2 – sujeito–verbo–objeto direto (S–V–Od)

O papa visitou o Brasil. / O papa convocou os jovens. / O papa abençoou o povo brasileiro.

– A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

O objeto direto é o complemento verbal cuja ligação com o verbo (transitivo direto) é feita sem a necessidade de uma preposição (a, de, em, para, com, por).

Modelo 3 – sujeito–verbo–objeto indireto (S–V–Oind)

A Igreja precisa de vocês. / Mais de 3 milhões de pessoas assistiram à celebração da missa.

– A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

O objeto indireto é o complemento verbal cuja ligação com o verbo (transitivo indireto) é feita necessariamente com uma preposição (a, de, em, para, com, por).

Modelo 4 – sujeito–verbo–objeto direto e objeto indireto (S–V–Od e Oind)

O papa dá recado aos jovens. / O papa agradeceu o carinho ao povo brasileiro.

– A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

Modelo 5 – sujeito–verbo de ligação–predicativo (S–VLig–Pvo)

A Cidade Maravilhosa [é linda] / [está linda] / [parece linda] / [ficou linda] / [continua linda]

– A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

Atenção, jovens do Brasil

As cinco estruturas acima são consideradas modelos não porque sejam as mais frequentes em qualquer texto escrito em língua portuguesa, e sim por serem a fonte de toda estrutura frasal.

Tudo que escrevemos tem uma dessas cinco arquiteturas, ou se trata de modificação (inversão da ordem dos termos, por exemplo) ou de combinação dos vários modelos apresentados.

Em tempo: qualquer um dos cinco modelos de frase pode vir acrescido de um adjunto adverbial, termo que ocupará a última posição na frase (na ordem direta), especificando uma circunstância relacionada ao processo verbal: modo, tempo, lugar, entre outras.

Exemplos

O tempo passa rapidamente. / O papa abençoou o povo brasileiro na missa dominical. / A Igreja precisa da criatividade de vocês sempre. / Papa dá recado aos jovens na Praia de Copacabana. / A Cidade Maravilhosa parece mais linda neste domingo.

Vamos em paz

Apresentados os cinco modelos de frase simples em sua ordem direta (S-V-O [adj. Adv.]), iniciaremos na próxima segunda-feira os primeiros casos de emprego da vírgula: (1) com o deslocamento do adjunto adverbial e (2) com a introdução de elementos intercalados.

Até!

 

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As frases simples do papa (pontuação 2)

Por Orlando Nunes em Gramática

29 de julho de 2013

No post anterior, dissemos que a pontuação “é penta”. Fazíamos alusão a cinco estruturas de frase simples (um sujeito e um verbo) que dão origem a qualquer engenharia frasal produzida ou que venhamos a produzir em língua portuguesa padrão culto escrito.

A pontuação na linguagem escrita nada mais é do que um aviso ao leitor de que a ordem direta dos termos da frase, com a qual todos nós leitores já nos acostumamos, foi estrategicamente alterada. Em outras palavras, a pontuação organiza, sinaliza, ilumina a frase.

Aonde vamos

Durante a série de textos Pontuação: É penta! (a pontuação passo a passo), vamos empregar as cinco estruturas de frase simples, modificá-las ou combiná-las, de modo a criar os mais diversos ambientes contextuais de uso dos sinais de pontuação de nosso idioma – vírgula, ponto e vírgula, travessão, dois-pontos, ponto de exclamação, etc.

Inicialmente, aproveitando o noticiário de cobertura da bem-vinda visita do papa Francisco ao Brasil, vamos apresentar rapidamente cada uma das cinco estruturas da frase simples.

Modelo 1 – sujeito–verbo (S–V)

O tempo passa. / A vida segue. / A Igreja cresce.

– A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

Como a vírgula sinaliza ao leitor que algo importante subverte a ordem tradicional da frase, se usássemos uma vírgula nas estruturas acima (*O tempo, passa / *A vida, segue / *A Igreja, cresce), estaríamos pondo pedras no meio do caminho, dificultando a leitura normal do texto.

Modelo 2 – sujeito–verbo–objeto direto (S–V–Od)

O papa visitou o Brasil. / O papa convocou os jovens. / O papa abençoou o povo brasileiro.

– A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

O objeto direto é o complemento verbal cuja ligação com o verbo (transitivo direto) é feita sem a necessidade de uma preposição (a, de, em, para, com, por).

Modelo 3 – sujeito–verbo–objeto indireto (S–V–Oind)

A Igreja precisa de vocês. / Mais de 3 milhões de pessoas assistiram à celebração da missa.

– A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

O objeto indireto é o complemento verbal cuja ligação com o verbo (transitivo indireto) é feita necessariamente com uma preposição (a, de, em, para, com, por).

Modelo 4 – sujeito–verbo–objeto direto e objeto indireto (S–V–Od e Oind)

O papa dá recado aos jovens. / O papa agradeceu o carinho ao povo brasileiro.

– A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

Modelo 5 – sujeito–verbo de ligação–predicativo (S–VLig–Pvo)

A Cidade Maravilhosa [é linda] / [está linda] / [parece linda] / [ficou linda] / [continua linda]

– A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

Atenção, jovens do Brasil

As cinco estruturas acima são consideradas modelos não porque sejam as mais frequentes em qualquer texto escrito em língua portuguesa, e sim por serem a fonte de toda estrutura frasal.

Tudo que escrevemos tem uma dessas cinco arquiteturas, ou se trata de modificação (inversão da ordem dos termos, por exemplo) ou de combinação dos vários modelos apresentados.

Em tempo: qualquer um dos cinco modelos de frase pode vir acrescido de um adjunto adverbial, termo que ocupará a última posição na frase (na ordem direta), especificando uma circunstância relacionada ao processo verbal: modo, tempo, lugar, entre outras.

Exemplos

O tempo passa rapidamente. / O papa abençoou o povo brasileiro na missa dominical. / A Igreja precisa da criatividade de vocês sempre. / Papa dá recado aos jovens na Praia de Copacabana. / A Cidade Maravilhosa parece mais linda neste domingo.

Vamos em paz

Apresentados os cinco modelos de frase simples em sua ordem direta (S-V-O [adj. Adv.]), iniciaremos na próxima segunda-feira os primeiros casos de emprego da vírgula: (1) com o deslocamento do adjunto adverbial e (2) com a introdução de elementos intercalados.

Até!