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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

setembro 2013

É dos coroas que elas gostam mais

Por Orlando Nunes em Crônica

28 de setembro de 2013

Quem lê jornal concordará comigo, a menos que faça outra leitura dos fatos.

É, ao menos para mim, não apenas surpreendente, como também desmistificador, saber que hoje em dia,“em clima de descontração, candidatas a miss Brasil trocam coroas em hotel”, fato este inimaginável no pretérito imperfeito do subjuntivo, quando a uma miss (se a beldade sonhasse trocar dois dedos de prosa com o Silvio Santos na TV) a maior libertinagem permitida era a de tocar com a pontinha do indicador a orelha do Antoine de Saint-Exupéry, porém jamais se envolver em horda e hotel com senhores com idade para ser seu pai. Mas, aqui entre nós, eu sempre fiquei com o pé atrás diante daquela história insólita de toda miss afirmar, de pés artificialmente juntos, que era o pequeno príncipe quem dormia sempre a seu lado na cama. Não, o mundo está irremediavelmente perdido. E violento! Pois se até “Dilma lidera intenções e abre 22 pontos sobre Marina”, fica mais do que provado, de fato e de direito (penal), que violência gera violência. Além do mais, se se chegou a abrir pontos, portanto às vias de fato, então… “intenções” vírgula, meu camarada, é caso mesmo de polícia. E como está escrito com todas as letras que “polícia prende três que estavam em avião abatido”, podemos prejulgar, baseados no conhecimento de mundo que ainda nos resta, que o referido abatimento foi o calcanhar de Aquiles que levou a milícia aos criminosos, uma vez que o estado de abatimento em aeronaves não é tão comum quanto em pessoas humanas, mormente as que ocupam elevadas poltronas. Contudo, faz-se necessário a todo final feliz de qualquer história “elaborar uma proposta de solução para os problemas abordados, respeitando os valores e considerando as diversidades socioculturais”, cortando, assim, o mal pela raiz – talvez com essa linha de raciocínio na cabeça alguns “pais enviam para teste fios de cabelos dos filhos para saber se usam drogas”. Comprovada a hipótese de até a cabeleira do Zezé puxar um fumo, o melhor a fazer diante dos fatos expostos pela imprensa é depilar o couro cabeludo do moleque mal ele passe no vestibular em busca do anel de ouro, até porque vão-se os fios, ficam os filhos, mesmo pelados. Mas não se deixe enganar: na hora do aperto, em se tratando de miss, é dos coroas que elas gostam mais. Habitue seu filho a ler jornal.

Moral: jornais dizem muitas coisas, mas nada comparável à pródiga capacidade humana de não entender nada do que foi dito, ou de entender tudo, menos o que de fato foi dito.

Até!

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Idiotismo

Por Orlando Nunes em Teste simulado

21 de setembro de 2013

Bem-acomodados e relaxados alunos, apertem o cinto para um desafio verbal

Texto de apoio.

A idiotice

é infinita

O idiotismo,

infinitivo

Sobre flexões verbais, aspire a única alternativa que lhe cheirar bem:

 

(A)    Considera-se defectivo todo verbo abundante livre de uma prisão de ventre.

(B)   As flexões verbais irregulares podem provocar efeito estufa no corpo discente.

(C)   Se no princípio era o verbo, é um pecado original a ordem direta da frase.

(D)   A ABL emprega o infinitivo impessoal para imortalizar a obra, e não o acadêmico.

(E)    Conjugar o infinitivo pessoal é o que podemos chamar de um tremendo idiotismo.

 

GABARITO comentado: letra E, de Essência.

Idiotismo, segundo Houaiss:

– traço ou construção peculiar a uma determinada língua, que não se encontra na maioria dos outros idiomas (p.ex., o infinitivo pessoal do português).

As alternativas A, B, C e D têm um traço parecido, mas significado diferente: idiotice..

Até!

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Quem não pode com o pote…

Por Orlando Nunes em Teste simulado

14 de setembro de 2013

POTEPrezados alunos.

As provas de fim de ano estão em cima (da sua cabeça). Preparem-se, força!

Esta questão caiu em vestibular recente (se não me falha a memória).

Só faz quem sabe.

 

“Quem não pode com o pote não pega na rodilha.”

Sobre a máxima (não é o máximo?) acima, assinale a alternativa sustentável.

(A)   Quem não pode com o pote é um sujeito indeterminado ou inexistente.

(B)   Com a nova reforma ortográfica, “pega na rodilha” virou “segura o tchan”.

(C)   Ao pé da letra, a forma verbal “pode” é eufemística, pois o p é h: ph.

(D)  Rodilha é um pano enrolado que se põe entre a cabeça e a carga a transportar.

(E)   Quem não pode com o pote não toma bomba.

 

Para meditar antes do gabarito: Tanto equilíbrio na melhor idade, e a pior cai tão bem.

GABARITO comentado. Letra D, de ditado.

(A)   Simples. Quem não pode com o pote é um sujeito oracional (pode crer).

(B)   Macaco velho não bota a mão nesta cumbuca.

(C)   Quem marcou esta está pherrado.

(D)  Quem tem mais de quarenta (ou ao menos um dicionário) ACERTOU na cabeça.

(E)   Antigamente aluno que tomava bomba (reprovado) não entrava na academia.

 

O tempo passa rápido. Até breve!

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A pontuação e o porquê

Por Orlando Nunes em Gramática

11 de setembro de 2013

Como dissemos em posts anteriores, a vírgula sinaliza o caminho da leitura, facilitando a assimilação rápida da mensagem apresentada.

Dessa forma, cada vírgula tem um porquê, um motivo, um papel na história.

Vejamos alguns casos (noticiáriol do domingo passado, 8.9.13).

 

Goleada no Mané, no DF

“Brasil goleia Austrália em amistoso no Mané Garrincha, em Brasília.”

– vírgula separa a enumeração (sequência) de adjuntos adverbiais.

 

Depois da peia, a paz

“Após três derrotas, Fluminense reencontra a vitória diante do Bahia e respira.”

“Com torção, Felipe desfalca Flamengo.”

– vírgula marca a antecipação do adjunto adverbial

 

Advérbio intrometido merece duas vírgula

“Cape d’Agde, na França, é capital do nudismo.”

– vírgula marca a intercalação do adjunto adverbial.

 

Enumeração, vírgula

O serviço é gratuito e confere a condição dos freios, dos amortecedores, da suspensão e até a quantidade de emissão de poluentes que sai do escapamento.

– vírgula marca uma enumeração (no caso, de adjuntos adnominais).

 

Explicativa exige vírgula

O grupo, que tem como tema “Juventude que ousa lutar, constrói o projeto popular”, objetiva chamar atenção para as condições de crescente exclusão social na sociedade brasileira.

– vírgula separa a oração principal da oração adjetiva explicativa.

 

Restritiva rejeita vírgula

Vidraças de lojas e carros que estavam estacionados nos arredores da praça foram atingidos durante o conflito.

– não há vírgula, porque a oração adjetiva neste caso é restritiva, e não explicativa.

 

Distinguindo a adjetiva explicativa da adjetiva restritiva

– A adjetiva explicativa faz referência a todo o conjunto representado pelo termo antecedente.

O tema “juventude (…) popular” se refere a todo o “grupo”.

– A adjetiva restritiva se refere a parcela do conjunto representado pelo termo antecedente.

Nem todo o conjunto de carros foi atingido, isso se restringe aos que estavam estacionados nos arredores da praça.

No mais, é MAR: marjangadeiro@gmail.com

Vou indo a pé. Até!

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Vale a pena ver de novo

Por Orlando Nunes em Gramática

02 de setembro de 2013

Fragmento para análise:

“Segundo Flávia, além de técnicas complicadas, o resgate depende de fatores como o tamanho do animal, condição da maré e material necessário.”

Que tal a pontuação empregada no período acima?

Com base no que vimos no post anterior, apresentamos outra pontuação (ou pequena readaptação estrutural da frase com deslocamento de termos da oração.

Sugestão 1: retirar a vírgula depois da palavra “complicadas”:

“Segundo Flávia, além de técnicas complicadas o resgate depende de fatores como o tamanho do animal, condição da maré e material necessário.”

Sugestão 2: deslocamento de termos da oração, eliminando ambiguidade:

“Segundo Flávia, o resgate depende, além de técnicas complicadas, de fatores como o tamanho do animal, condição da maré e material necessário.”

Mais explicações, (re)veja post anterior.

Boa semana.

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Vale a pena ver de novo

Por Orlando Nunes em Gramática

02 de setembro de 2013

Fragmento para análise:

“Segundo Flávia, além de técnicas complicadas, o resgate depende de fatores como o tamanho do animal, condição da maré e material necessário.”

Que tal a pontuação empregada no período acima?

Com base no que vimos no post anterior, apresentamos outra pontuação (ou pequena readaptação estrutural da frase com deslocamento de termos da oração.

Sugestão 1: retirar a vírgula depois da palavra “complicadas”:

“Segundo Flávia, além de técnicas complicadas o resgate depende de fatores como o tamanho do animal, condição da maré e material necessário.”

Sugestão 2: deslocamento de termos da oração, eliminando ambiguidade:

“Segundo Flávia, o resgate depende, além de técnicas complicadas, de fatores como o tamanho do animal, condição da maré e material necessário.”

Mais explicações, (re)veja post anterior.

Boa semana.