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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

outubro 2013

Todo idioma é osso duro de roer

Por Orlando Nunes em Gramática

27 de outubro de 2013

Uma pergunta difícil de responder:

Hoje, Brasil adentro (aí dentro, em cearês), os candidatos a uma vaga na universidade terão pela frente uma prova fácil de resolver ou uma prova fácil de se resolver?

A sequência preferida pelo fantasma da norma culta da língua escrita é esta:

adjetivo–preposição–infinitivo, em lugar da estrutura de carne e osso (e gordura) adjetivo–preposição–SE–infinitivo.

Domingos Paschoal Cegalla não me deixa mentir:

“É dispensável o pronome SE em expressões desse tipo”, caro marujo.

 

Vejamos alguns exemplos ancorados na praia do presente.

 

– Mar calmo de navegar – língua culta escrita.

– Mar calmo de se navegar – língua (culta) falada.

 

– Casa boa de morar – língua culta escrita.

– Casa boa de se morar – língua (culta) falada.

 

– Assuntos difíceis de comentar – língua culta escrita.

– Assuntos difíceis de se comentar  – língua (culta) falada.

 

– Atitudes raras de ver – língua culta escrita.

– Atitudes raras de se ver – língua (culta) falada.

 

Culto com SE

Por que digo que o “se”, considerado dispensável pelo Professor Paschoal (entre outros gramáticos) é de emprego culto? Pois muito bem, escute aí uma coisa.

Basta ouvir (muitas vezes até ler) as pessoas cultas de hoje (advogados, jornalistas, médicos, professores, etc.). Elas falam assim, e onde há fumaça, há fogo também.

Mas nada de pensar que as novas gerações vão acabar assassinando a gramática. Pura viagem. Quando esses pensamentos apocalípticos começarem a queimar seus miolos, entre numa biblioteca de sua cidade, encare um livro antigo (séc. 18, 19?!) e o leia (ao menos algumas páginas). Você verá que, se há de fato um viés homicida integrado à linguagem dos novos usuários do idioma, tudo não passa, na verdade, de praxe bem antiga. Uma coisa, porém, é tiro e queda: desde Adão e Eva, que falavam pelos cotovelos (não havia chat e sexo era proibido), o usuário sempre morre pela língua, que sobrevive para contar a história. É que todo idioma é osso duro de (se) roer.

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

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Com Ciro não tem vírgula

Por Orlando Nunes em Teste simulado

19 de outubro de 2013

A redação do Enem vem aí, não tropece na vírgula.

Leia o texto de apoio e entre na briga por uma vaga na academia.

Segundo o secretário estadual da Saúde, Ciro Gomes, “Isso foi manipulado, é um assunto de maio passado, por um procurador da República, irresponsável, politiqueiro, que será processado pelo governador Cid Gomes”, afirmou.

Sobre o emprego de vírgulas no fragmento acima, é CORRETO afirmar:

(A)   O nome próprio “Ciro Gomes” vem entre vírgulas para demarcar o distanciamento entre o autor e a personagem da notícia, técnica esta conhecida como imparcialidade jornalística.

(B)   O trecho entre aspas, que registra a fala do secretário, não deveria apresentar uma vírgula sequer, pois o discurso direto livre de Ciro Gomes prescinde de toda pausa ou pontuação.

(C)   A ciência linguística demonstra que a vírgula não é propriamente um recurso sintático de organização e clareza do texto, mas um sinal de pausa da fala representado na escrita pelo microdesenho de um gatilho; a arma é a língua.

(D)  A vírgula depois do vocábulo “manipulado” demonstra claramente que, neste ponto da fala, o secretário embargou a voz e fez uma leve pausa no discurso antes de disparar a sua eloquente metralhadora giratória.

(E)   A vírgula utilizada depois do vocábulo República é inadequada, porque não devemos empregar esse sinal de pontuação antes do primeiro ou depois do último item de uma série.

GABARITO OFICIAL

Seguindo pelo caminho iluminado da sintaxe, a resposta correta está na alternativa E. Caso haja algum recurso, entretanto, acredito que os procuradores só encontrem uma luz no fim do túnel escuro da semântica.

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

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Fecho aspas antes ou depois do ponto final?

Por Orlando Nunes em Dica

05 de outubro de 2013

Uma dúvida recorrente: quando a oração vem entre aspas, o sinal de pontuação final deve anteceder o fechamento de aspas ou vir depois dele?

Em outras palavras, qual a melhor pontuação para o segundo período do fragmento abaixo?

(A)   Em 5 de outubro de 1988, Ulysses Guimarães discursou no encerramento dos trabalhos da Assembleia Constituinte. “Declaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil”.

ou

(B)   Em 5 de outubro de 1988, Ulysses Guimarães discursou no encerramento dos trabalhos da Assembleia Constituinte. “Declaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil.”

 

DICA: Quando inicio o período com aspas, devo encerrá-lo com elas também. Assim, no caso do fragmento selecionado, a pontuação preferida está na alternativa B. Mas veja também esta:

 

(C)   Em 5 de outubro de 1988, Ulysses Guimarães discursou no encerramento dos trabalhos da Assembleia Constituinte: “Declaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil”.

No exemplo C, o ponto final vem adequadamente depois do fechamento de aspas, porque encerra período não iniciado com elas (Em 5 de outubro de…). Neste caso, observe, abrimos aspas “no meio do caminho”, depois de dois-pontos, e não depois de ponto. Isso é uma regra do Olimpo? Não, é uma prática da comunicação contemporânea.

Dúvidas, estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

 

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Fecho aspas antes ou depois do ponto final?

Por Orlando Nunes em Dica

05 de outubro de 2013

Uma dúvida recorrente: quando a oração vem entre aspas, o sinal de pontuação final deve anteceder o fechamento de aspas ou vir depois dele?

Em outras palavras, qual a melhor pontuação para o segundo período do fragmento abaixo?

(A)   Em 5 de outubro de 1988, Ulysses Guimarães discursou no encerramento dos trabalhos da Assembleia Constituinte. “Declaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil”.

ou

(B)   Em 5 de outubro de 1988, Ulysses Guimarães discursou no encerramento dos trabalhos da Assembleia Constituinte. “Declaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil.”

 

DICA: Quando inicio o período com aspas, devo encerrá-lo com elas também. Assim, no caso do fragmento selecionado, a pontuação preferida está na alternativa B. Mas veja também esta:

 

(C)   Em 5 de outubro de 1988, Ulysses Guimarães discursou no encerramento dos trabalhos da Assembleia Constituinte: “Declaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil”.

No exemplo C, o ponto final vem adequadamente depois do fechamento de aspas, porque encerra período não iniciado com elas (Em 5 de outubro de…). Neste caso, observe, abrimos aspas “no meio do caminho”, depois de dois-pontos, e não depois de ponto. Isso é uma regra do Olimpo? Não, é uma prática da comunicação contemporânea.

Dúvidas, estou no marjangadeiro@gmail.com

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