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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

22 de Fevereiro de 2014

Dia a dia ou dia-a-dia?

Por Orlando Nunes em Ortografia

22 de Fevereiro de 2014

“De saltimbancos ao dia-a-dia de luxo em 100 anos” ou

“De saltimbancos ao dia a dia de luxo em 100 anos”

 

Há bem pouco tempo, nosso cotidiano era farto de hifens.

Mas, hoje em dia, os substantivos compostos formados a partir de três vocábulos perderam o traço de união, o hífen. Na verdade não houve perda, propriamente, e sim um rapa, um furto.

O novo Acordo Ortográfico é o principal suspeito. Não, minto, ele é réu confesso.

 

CASA DA MÃE JOANA

Se o que nos resta é o “dia a dia” livre dos hifens, por que não aproveitar a folga do “fim de semana” para comer “pão de ló” e “pé de moleque” na “casa da mãe joana”?

Sem hífen esses compostos ficam menos calóricos, garante a nova embalagem ortográfica.

Noutros tempos, de fato, os comensais abusavam dos pés-de-moleque e dos pães-de-ló recheados de hifens. Ignorávamos completamente o risco de vida. Atentos a isso, os imortais da academia bolaram um plano para salvar o planeta luso do pecado da gula, afinal a meta era a de um mundo mais magro, com menos palitos de dente. Então, lançaram mão do jeitinho brasileiro: aqui e agora só comeremos pães de ló e pés de moleque desifenizados. Pois, pois.

 

PRESERVANDO A NATUREZA

Mantém-se o hífen, no entanto, quando o composto designa espécie botânica ou zoológica:

copo-de-leite, fava-de-santo-inácio; andorinha-do-mar, bem-te-vi, mico-leão-dourado, etc.

 

ROLEZINHO

Se você formar um grupinho de três ou mais elementos e não se tratar de um vegetal ou de um animal, saiba que sua integridade estará ameaçada. Vão passar a mão nos seus hifens.

Ou seja: tu tens três ou mais vocábulos formando uma unidade semântica e este conjunto não indica espécie vegetal ou animal? Pois também não empregues mais o hífen. Sempre? Quase!

 

No Brasil (graças ao Volp) temos somente seis exceções à nova regra:

água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia,

à queima-roupa. Essas mantiveram o hífen, mesmo morando fora do reino vegetal ou animal.

 

Assim sendo, vamos à reescrita: “De saltimbancos ao dia a dia de luxo em 100 anos.”

 

O VOLP É LEI

Obs. Quem é esse tal de Volp, é brasileiro? É sim, e tem nome completo e tudo: Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (da Academia Brasileira de Letras). O Volp não é legal?

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

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Dia a dia ou dia-a-dia?

Por Orlando Nunes em Ortografia

22 de Fevereiro de 2014

“De saltimbancos ao dia-a-dia de luxo em 100 anos” ou

“De saltimbancos ao dia a dia de luxo em 100 anos”

 

Há bem pouco tempo, nosso cotidiano era farto de hifens.

Mas, hoje em dia, os substantivos compostos formados a partir de três vocábulos perderam o traço de união, o hífen. Na verdade não houve perda, propriamente, e sim um rapa, um furto.

O novo Acordo Ortográfico é o principal suspeito. Não, minto, ele é réu confesso.

 

CASA DA MÃE JOANA

Se o que nos resta é o “dia a dia” livre dos hifens, por que não aproveitar a folga do “fim de semana” para comer “pão de ló” e “pé de moleque” na “casa da mãe joana”?

Sem hífen esses compostos ficam menos calóricos, garante a nova embalagem ortográfica.

Noutros tempos, de fato, os comensais abusavam dos pés-de-moleque e dos pães-de-ló recheados de hifens. Ignorávamos completamente o risco de vida. Atentos a isso, os imortais da academia bolaram um plano para salvar o planeta luso do pecado da gula, afinal a meta era a de um mundo mais magro, com menos palitos de dente. Então, lançaram mão do jeitinho brasileiro: aqui e agora só comeremos pães de ló e pés de moleque desifenizados. Pois, pois.

 

PRESERVANDO A NATUREZA

Mantém-se o hífen, no entanto, quando o composto designa espécie botânica ou zoológica:

copo-de-leite, fava-de-santo-inácio; andorinha-do-mar, bem-te-vi, mico-leão-dourado, etc.

 

ROLEZINHO

Se você formar um grupinho de três ou mais elementos e não se tratar de um vegetal ou de um animal, saiba que sua integridade estará ameaçada. Vão passar a mão nos seus hifens.

Ou seja: tu tens três ou mais vocábulos formando uma unidade semântica e este conjunto não indica espécie vegetal ou animal? Pois também não empregues mais o hífen. Sempre? Quase!

 

No Brasil (graças ao Volp) temos somente seis exceções à nova regra:

água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia,

à queima-roupa. Essas mantiveram o hífen, mesmo morando fora do reino vegetal ou animal.

 

Assim sendo, vamos à reescrita: “De saltimbancos ao dia a dia de luxo em 100 anos.”

 

O VOLP É LEI

Obs. Quem é esse tal de Volp, é brasileiro? É sim, e tem nome completo e tudo: Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (da Academia Brasileira de Letras). O Volp não é legal?

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!