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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

Maio 2014

Colocações públicas

Por Orlando Nunes em Dica

20 de Maio de 2014

ADIAR

“A data da reunião foi novamente adiada.”

O evento é adiado, e não propriamente a data. Esta é mudada, alterada, trocada, enfim, por outra. Reescritura: “A data da reunião foi novamente mudada”.

E, se fizermos questão da palavra adiada: “A reunião foi novamente adiada”.

COLOCAR

“Eu gostaria de fazer uma colocação.”

Você do MAR Jangadeiro não vai mais “fazer colocação” nenhuma em um debate, conferência ou reunião. Sempre que desejar expor seu ponto de vista, opte por “fazer uma observação”, “fazer um comentário”, etc. Fazer colocação é outra coisa, evite fazê-lo em público.

Até!

 

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Mais informações X Outras informações

Por Orlando Nunes em Dica

17 de Maio de 2014

“Depois do intervalo, mais informações”

Ao ser pronunciado (Rádio ou TV), o pronome indefinido “mais” pode “soar” como “más”:

“Depois do intervalo, más informações”.

Nos veículos de comunicação citados, dê preferência ao pronome “outras” ou ao adjetivo “novas”.

“Depois do intervalo, outras informações.” / “Depois do intervalo, novas informações.”

Na escrita (Portal), contudo, o pronome “mais” pode ser também empregado: “mais informações, outras informações, novas informações na página tal”, por exemplo. Mas evite sempre  o adjetivo “maiores” qualificando o substantivo informações. No Rádio, TV ou Portal, nada de “maiores informações”. Neste caso, não está em pauta o tamanho da notícia.

Até!

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Em todo jogo, o conjunto da obra entra em campo

Por Orlando Nunes em Dica

16 de Maio de 2014

Aproveitando a onda de protestos pré-Copa do Mundo, continuo minha caminhada pacífica contra os jargões no jornalismo. Alvo de hoje: o tal “conjunto da obra”.

“O time não esteve bem no primeiro tempo, é verdade, mas melhorou consideravelmente no segundo. Merece uma nota sete pelo conjunto da obra.”

Esse “conjunto da obra” em comentário de futebol é pior que uma sinfonia de vuvuzelas. Empregar a expressão uma vez perdida… vá lá, e de preferência depois dos 40 do segundo tempo. Mas já estão se valendo dela como primeiro comentário:

“Estádio cheio, o campo é bom, os dois times precisando da vitória, jogo de seis pontos, enfim, no conjunto da obra, acho que temos tudo para um bom jogo hoje.”

Dica: ao estilo gato-escaldado, o melhor a fazer é enterrar o conjunto da obra.

Abaixo o jargão!

Até!

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Deficit e superavit: sem acento

Por Orlando Nunes em Etimologia

14 de Maio de 2014

Os vocábulos latinos deficit e superavit, até o novo acordo ortográfico, eram “aportuguesados” no Brasil com um acento gráfico na sílaba tônica: déficit e superávit.

Mas esse era um aportuguesamento torto. Foge do padrão gráfico do português vocábulos terminados com a letra “t”. Que fez o novo acordo? O mais simples, não inventou; temos de volta o passado. Deficit e superavit sem o acento gráfico, segundo a forma latina. E mais: (1) trata-se de substantivos de dois números: o/os deficit; o/os superavit (sem “-s” depois do “t”; (2) o mesmo vale para o/os habitat. Assim seja!.

Até!

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Defender que x Defender alga

Por Orlando Nunes em Dica

12 de Maio de 2014

Olá, portal, todo cuidado com o verbo “defender”. Evite depois dele, por exemplo, o emprego da conjunção integrante “que”. Você pode trocá-la por um substantivo.

Em vez de

“O ministro defende que os preços sejam mantidos”, escreva:

“O ministro defende a manutenção dos preços”.

Em vez de

“O advogado defende que o réu cumpra prisão domiciliar”, escreva:

“O advogado defende o cumprimento de prisão domiciliar pelo réu”.

 

Enfim, prefira a estrutura “alguém defende algo” à estrutura “Alguém defende que”.

 

Até!

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Aeroporto ou aeroporto?

Por Orlando Nunes em Dica

11 de Maio de 2014

Vamos relembrar. Em 2012, o portal debateu, votou e bateu o martelo: o substantivo comum que integra a formação de um nome próprio será grafado com inicial maiúscula.

Desse modo, teremos, por exemplo: “O Aeroporto Internacional Pinto Martins tem agora um ‘puxadinho’ que é uma beleza, só vendo para crer”. A vogal inicial do substantivo comum aeroporto foi grafada em caixa-alta porque faz parte de um nome próprio.

Nas referências genéricas, letra inicial do substantivo comum em caixa-baixa:

“O aeroporto de Fortaleza tem um ‘puxadinho’ que é uma beleza, só vendo para crer.”

Até!

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Efetuar disparos ou atirar?

Por Orlando Nunes em Dica

10 de Maio de 2014

Dica de ouro… não, menos (me empolguei), dica de prata para o jornalismo policial. Moçada, vamos tentar se livrar dos jargões policiais na informação jornalística, nunca é tarde para recomeçar. Por exemplo: em vez de “Fulano efetuou n disparos”, digamos ou escrevamos simplesmente: “Fulano atirou n vezes” (acredite, isso mata que é uma beleza). Mate o jargão. Só o jargão. Viva a paz, SEMPRE!

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Por um dedo

Por Orlando Nunes em Crônica

09 de Maio de 2014

As eleições vão ser bem apertadas neste ano. Quem ganhar vai ser por um dedo no interior. Nas capitais é que o buraco é mais embaixo mesmo. Haja boca de urna.

Assim como as leis, no Brasil algumas filas pegam, outras não. Vai uma pegadinha aí? Vão-se os anéis, e como ficam os dedos? Se a operação mãos limpas pegar… sei não!

Fura-fila ou fura-bolo? Quem mete medo não é o tamanho da fila, é o do dedo.

 

fila

 

Masoquismo: Vão-se os dedos, fiquem os anéis.

Sadismo: Vão-se os anéis, fiquem os dedos.

 

Mas tudo passa debaixo do equador, passa boi, passa boiada, passadilma, Pasadena.

Só a Petrobras não passa, pois foi reprovada na língua pátria, “isso é uma vergonha”.

 

A Petrobras não é mais nossa desde que venderam seu acento gráfico. Hoje ela é um hibridismo, pet do inglês e obra do latim, em cearês dá em cocô de cachorro.

O petróleo é nosso. Não, agora só o pet é nosso, por empréstimo, e a coleira é importada. International collar for Pet, ou CPI da Petrobras em bom português.

Em mau; em bom teríamos Petrobrás com agudo. Vou lançar o Dicionário Político-Cearês do Português Vulgar, mande sugestão em garrafas: marjangadeiro@gmail.com.

Aí dentro: dedurando boca de urna; aliança eleitoral: união instável de Pros e Contras; iPad: cabo eleitoral de fibra; Comício: reunião pública; Eunício: reunião privada.

Voto minerva: justificativa por ausência à votação, p.ex.: “Faltou por quê?” “É que voto minerva!”; Mensalão: homem hipertenso; Papuda: SPA somente para hipertenso.

Pra fechar: Recall político: cola para lembrar a conta bancária de um candidato. Infidelidade partidária: cuba libre, uma aliança política de rum com coca-cola.

 

Mas nem só de verbetes vive o vernáculo, temos os aforismos e os aidentrismos.

No meu não: Toda grande aliança partidária deixa um anel comprometido.

Pesquisa eleitoral: Se Eunício não selar aliança será porque Izolda cela?

Voto censitário: É mais fácil um rico passar pelo buraco de uma urna do que um pobre ser eleito. Saideira: Uma gelada: Rousseff teme que uma CPI vire uma bola de Neves.

Até!

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País pobre é país sem privada

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

06 de Maio de 2014

A ira e o furor das arquibancadas vem matando o país do futebol.

Quando o sujeito composto é formado por núcleos sinônimos, ou quase sinônimos (sinônimos perfeitos, Pelé e Coutinho, são mitos), o verbo pode não se flexionar.

A ira e o furor vem matando
Tomamos os núcleos do sujeito composto (ira e furor) como sinônimos, e a locução verbal vem matando foi mantida em sua forma singular.

A estrutura de plural também seria possível:
A ira e o furor das arquibancadas vêm matando o país do futebol.
Note a marca plural no verbo auxiliar vêm (ele vem; eles vêm).

Qual a estrutura preferida nesse caso, verbo na forma singular ou plural? Várias gramáticas tradicionais (elas têm como referência textos de bons escritores) registram que a concordância preferencial é a que mantém o verbo sem flexão, no singular.

Mas país pobre é país sem privada

Tínhamos um futebol singular, como a concordância verbal de grandes escritores. Sobrou a fúria plural de micróbios torcedores.

A ira e o furor das arquibancadas vêm matando o país do futebol.

E “corre” pro mato, que o jogo é de campeonato. Uma merda!

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Assistir ao x Assistir o

Por Orlando Nunes em Regência

04 de Maio de 2014

Não dá para estudar um idioma com “espírito matemático”.

Em se tratando de língua, um mais um pode não ser sempre dois.

Exemplo prático disso encontramos em regência (verbal ou nominal), quando o que foi um dia, pode não ser mais hoje, ou amanhã talvez.

 

Regência padrão do verbo assistir:

quando equivale semanticamente a “ver”, “presenciar”, o verbo assistir é transitivo indireto e rege a preposição A, ou seja:

“quem assiste, assiste a…”.

 

Assim, pela norma culta, “assistimos AO jogo”, embora a maior parte (99,9 por cento) da torcida hoje, no estádio ou diante da TV, insista:

“Assistimos O jogo”, “Assistimos um jogão”

(em vez de “Assistimos ao jogo” / “Assistimos a um jogão”).

 

Resultado:

Não demora (?), assistir o jogo vence a peleja também no campo oficial da língua padrão. No dia a dia, essa regência já é hexacampeã antes mesmo da Copa.“Assistir o” está virando o jogo a olhos vistos.

 

Olho no lance: em concurso público, no vestibular, na redação do Enem e do Portal Tribuna do Ceará (na grande imprensa em geral), a regência padrão ainda é assistir ao jogo/à partida, não pise na bola.

 

Mas a regência é dinâmica:

Certamente um neto, ao ser informado de que seu avô falava “assisti AO jogo”, não conterá o riso: “Meu vô era meio ruim da bola”.

 

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

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Assistir ao x Assistir o

Por Orlando Nunes em Regência

04 de Maio de 2014

Não dá para estudar um idioma com “espírito matemático”.

Em se tratando de língua, um mais um pode não ser sempre dois.

Exemplo prático disso encontramos em regência (verbal ou nominal), quando o que foi um dia, pode não ser mais hoje, ou amanhã talvez.

 

Regência padrão do verbo assistir:

quando equivale semanticamente a “ver”, “presenciar”, o verbo assistir é transitivo indireto e rege a preposição A, ou seja:

“quem assiste, assiste a…”.

 

Assim, pela norma culta, “assistimos AO jogo”, embora a maior parte (99,9 por cento) da torcida hoje, no estádio ou diante da TV, insista:

“Assistimos O jogo”, “Assistimos um jogão”

(em vez de “Assistimos ao jogo” / “Assistimos a um jogão”).

 

Resultado:

Não demora (?), assistir o jogo vence a peleja também no campo oficial da língua padrão. No dia a dia, essa regência já é hexacampeã antes mesmo da Copa.“Assistir o” está virando o jogo a olhos vistos.

 

Olho no lance: em concurso público, no vestibular, na redação do Enem e do Portal Tribuna do Ceará (na grande imprensa em geral), a regência padrão ainda é assistir ao jogo/à partida, não pise na bola.

 

Mas a regência é dinâmica:

Certamente um neto, ao ser informado de que seu avô falava “assisti AO jogo”, não conterá o riso: “Meu vô era meio ruim da bola”.

 

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!