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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

agosto 2014

Destroier ou destróier? Aqui o Aulete eletrônico levou bomba!

Por Orlando Nunes em Manual

30 de agosto de 2014

O blog publica a terceira parte da série de textos relacionados às normas de padronização de escrita adotadas pelo Portal Tribuna do Ceará. O leitor vai poder continuar utilizando (que locução verbal, hein?!) o e-mail marjangadeiro@gmail para dúvidas, debates e desaforos (sempre dentro do padrão culto da língua).

ACENTUAÇÃO GRÁFICA – Ditongos “ei” e “oi” com timbre aberto

Com o novo Acordo Ortográfico, perdem o acento gráfico as palavras paroxítonas (acento tônico na penúltima sílaba) que apresentam os ditongos aberto /éi/ ou /ói/ na sílaba tônica.

Exemplos:

Alcaloide, alcateia, androide, apoia (verbo), apoio (verbo), asteroide, boia, celuloide, claraboia, colmeia, Coreia, debiloide, epopeia, estoico, estreia, geleia, heroica, ideia, jiboia, joia, odisseia, paranoia, paranoico, plateia, tramoia, etc.

Por isso estavam os vocábulos destacados (negrito) assim escritos no jornal:

“… traficantes estão usando produtos químicos mais eficientes, capazes de extrair de uma forma mais intensa o alcaloide da folha de coca”.

“A comissão de parlamentares que apoiam o governo se reúne hoje na Assembleia”.

“Operação alcateia desarticula esquema de corrupção em delegacia da Polícia Rodoviária Federal”.

Apoio o que for melhor para o país”, afirma deputado.

“Seleção de basquete vence rival de estreia”.

“Banda inglesa empolga plateia do Rock in Rio”.

Mas atenção

As palavras oxítonas (acento tônico na última sílaba) e os monossílabos tônicos que apresentam esses ditongos (com timbre aberto) não foram afetados pelas mudanças:

“Não sou herói, a equipe inteira foi muito guerreira”, declara atacante tricolor.

“Itabira é apenas uma fotografia na parede / Mas como dói”.

Outras palavras:

– papéis, tonéis, faróis, rói (roer), girassóis, etc.

Destroier ou destróier? Nesta, o muito útil Aulete eletrônico levou bomba

A palavra destróier, embora seja uma paroxítona que apresenta na sílaba tônica o ditongo /éi/ (timbre aberto), é acentuada graficamente. E NÃO se trata de exceção à nova regra do Acordo.

Nesse caso, o acento gráfico se justifica por outra regra preexistente, mais viva do que nunca:

“Todas as paroxítonas terminadas em R são acentuadas graficamente”.

Observação: A versão eletrônica do dicionário Aulete (http://www.aulete.com.br/), equivocadamente, registra “destroier”, sem acento gráfico, contrariando o texto oficial do Acordo e o registro correto do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.

O dicionário Houaiss (o melhor do mundo lusófono) e o Priberam (Portugal) registram corretamente o verbete DESTRÓIER (o mesmo que contratorpedeiro). É com acento.

Até!

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Quando vir a Bündchen, trema!

Por Orlando Nunes em Manual

23 de agosto de 2014

Manual de Apoio à Redação – MAR Jangadeiro

O blog prossegue a série de postagens relacionadas às normas de padronização de escrita adotadas pelo Portal Tribuna do Ceará. O leitor vai poder continuar utilizando (que locução verbal, hein?!) o e-mail marjangadeiro@gmail para dúvidas, debates e desaforos (sempre dentro do padrão culto da língua).

Karws amygos

Não é porque o novo Acordo Ortográfico oficializou em nosso alfabeto as letras k, w e y que você vai sair por aí metralhando kk, yy e ww, ou way?

Dando nome aos fylhos?

Se a escolha de sua graça for, digamos, Carlos, nada de Karlws; se Maria, por que Marya? Mas, é claro, na grafia de nome próprio estrangeiro: Lukas Podolski, é tóis!

E mais: na grafia de nome próprio de chefe ninguém mexe: Cyro, por exemplo.

As letras k, w e y têm uso específico.

Empregamo-las (eta, mano!), por exemplo:

– na escrita dos símbolos de unidades de medida: km (quilômetro), kg (quilograma), W (watt), Wh (watt-hora), yd (jarda).

– na escrita de palavras e nomes estrangeiros (e derivados): show, playground, windsurf, William Shakespeare, shakespeariano, Kafka, kafkiano.

Desse modo, nada de invenções mirabolantes, caros amigos.

Trema (ainda há), mas não muito

 O novo Acordo Ortográfico aboliu o trema (¨), sinal que se punha sobre a letra U para indicar que ela era pronunciada e átona nos grupos gue, gui; que, qui.

 “Família é resgatada após sequestro-relâmpago”

 “Mãe diz que filho ‘não era um delinquente’”

 “… a equipe se reunirá para discutir um plano de desenvolvimento econômico bilateral

para o próximo quinquênio.

 Antes e Depois do novo Acordo Ortográfico:

 Antes: agüentar, argüir, trilíngüe, cinqüenta, delinqüente, eloqüente, eqüestre, eqüino, freqüente, lingüiça, qüinqüênio, seqüência, seqüestro, tranqüilo.

 Depois: aguentar, arguir, trilíngue, cinquenta, delinquente, eloquente, equestre, equino, frequente, linguiça, quinquênio, sequência, sequestro, tranquilo.

 O trema da Gisele não caiu

 Na verdade, vos direi: nada dessa deusa cairá jamais, ela não é deste planeta.

 O trema foi abolido do mundo português; permanece, no entanto, em palavras estrangeiras e em seus derivados. Por isso, quando vir a Bündchen, trema, trema!

 Agora todo trema é gringo!

“O habilidoso Müller dá sequência à história de grandes craques alemães.”

“Relativo a Müller, mülleriano. Relativo ao escritor Günter Grass, günteriano.”

No próximo fim de semana, tem mais.

Até!

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Vamos pôr os pingos nos ii

Por Orlando Nunes em Manual

15 de agosto de 2014

Manual de Apoio à Redação – MAR Jangadeiro

O blog inicia uma série de postagens relacionadas às normas de padronização de escrita adotadas pelo Portal Tribuna do Ceará. O leitor vai poder continuar utilizando (que locução verbal, hein?!) o e-mail marjangadeiro@gmail para dúvidas, debates e desaforos (sempre dentro do padrão culto da língua).

Neste primeiro momento, o assunto será a nova Ortografia Oficial.

ALFABETO

O novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa em dezembro de 1990 por Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e, posteriormente, por Timor Leste, deu RG (oficialidade) a três letras que moravam “clandestinamente” havia algum tempo nas páginas acolhedoras dos nossos dicionários: K, W, Y.

Na prática, nada mudou! Essas três letras constavam no alfabeto até a Reforma de 1943, que as expulsou do paraíso. Mas nossos dicionários mantiveram-nas em razão de sua utilidade ou, antes, imprescindibilidade. O novo Acordo Ortográfico deu-lhes novamente carimbo oficial no abecedário velho de guerra.

Agora, com vocês, o ABC português, com todas as letras (26):

unnamed

Ilustração: Moésio Fiúza

Maiúsculas: A (á), B (bê), C (cê), D (dê), E (é), F (efe), G (gê), H (agá), I (i), J (jota), K (cá), L (ele), M (eme), N (ene), O (ó), P (pê), Q (quê), R (erre), S (esse), T (tê), U (u), V (vê), W (dáblio), X (xis), Y (ípsilon), Z (zê).

Minúsculas: (a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z)

PLURAL DAS LETRAS

 

“Vamos pôr todos os pingos nos ii.”

 

Há duas formas corretas de plural das letras.

Podemos simplesmente duplicar a letra em questão, ou, se preferirmos, empregar a marca de plural (-s) após a grafia por extenso da letra.

O a, os aa ou os ás; o b, os bb ou os bês; o c, os cc ou os cês; (…) o e, os ee ou os és; (…) o s, os ss ou os esses, etc.

No noticiário do Portal Tribuna do Ceará, use sempre a opção de duplicar a letra em relação às vogais (os aa, os ee, os ii, os oo e os uu).

Em relação às consoantes, as duas possibilidades estão livres: os bb ou bês, os hh ou agás, os ll ou eles, etc. Bom senso e bom gosto ajudam.

Exemplos:

“Escreveu um relatório minucioso, com todos os efes e erres.”

“Chama-se Meirelles, com dois ll.” (melhor que “… com dois eles”)

Próximo post: “Trema, mas não muito”.

Até!

Duas dúvidas de leitores enviadas ao marjangadeiro@gmail:

  1. Aline quer saber se, agora com o “w” e o “y” incorporados oficialmente ao alfabeto português, ficamos com sete em vez de cinco vogais.

Não, Aline. O conceito de vogal tem base na fonologia, tem a ver com “fonema”, com “som”. “Continuamos” com cinco fonemas vocálicos: /á/, /é/, /i/, /ó/ e /u/. A letra, “w”, eventualmente, representa o fonema vocálico /u/: William, por exemplo, ou o fonema consonantal /v/: Wagner, por exemplo. Já a letra “y” representa o fonema vocálico /i/: yoga, por exemplo.

  1. Raulino diz que não conhecia a possibilidade de plural de uma letra com sua duplicação, e pergunta se é mais uma “invencionice” do novo Acordo Ortográfico.

Não, Raulino, esse plural não é “novo” e nada tem a ver com o novo Acordo (meramente ortográfico). A referência ao novo Acordo Ortográfico apresentada no post só diz respeito à oficialização das letras k, w e y no alfabeto. A informação sobre flexão de número (plural das letras) é acessória, para padronização de escrita no Portal Tribuna.

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Deslocamento do adjunto adverbial para maior clareza do texto

Por Orlando Nunes em Sintaxe

11 de agosto de 2014

Texto de referência:

“O parlamentar decidiu votar favoravelmente ao projeto nesta segunda-feira.”

À primeira vista, a estruturação do período acima parece não apresentar problema algum. Mas essa estrutura deixará o leitor numa “sinuca de bico”, pois o texto é ambíguo, possibilita duas leituras distintas.

O adjunto adverbial de tempo (nesta segunda-feira) parece “agradar” a dois senhores, ou seja, pode ter como referente dois termos antecedentes, o verbo “decidir” ou o verbo “votar”.

1-      O parlamentar decidiu nesta segunda-feira que votaria favoravelmente ao projeto? ou…

2-      O parlamentar decidiu que votaria nesta segunda-feira favoravelmente ao projeto?

O texto noticioso deve ser o menos ambíguo possível, facilitando sua rápida compreensão pelo leitor. O deslocamento do adjunto adverbial de tempo (nesta segunda-feira), para aproximá-lo do termo a que se refere, seria neste caso uma boa opção visando à clareza do texto.

Reescritura

  1. No caso de o adjunto adverbial de tempo referir-se ao verbo “decidir”:

“O parlamentar decidiu nesta segunda-feira votar favoravelmente ao projeto.” Ou:

Nesta segunda-feira, o parlamentar decidiu votar favoravelmente ao projeto.”

  1. No caso de o adjunto adverbial de tempo referir-se ao verbo “votar”:

“O parlamentar decidiu votar nesta segunda-feira favoravelmente ao projeto.

Pois, pois!

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

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Como não ir para o céu por uma besteirinha de nada

Por Orlando Nunes em Pontuação

05 de agosto de 2014

Todos sabemos que “o desafortunado que separar o sujeito de seu verbo com uma vírgula não vai para o céu quando bater as botas” (para os mais novos, bater as botas tem o mesmo teor semântico de “ser deletado”, serena ou abruptamente, do planeta Terra).

Gramaticalmente, no princípio era o sujeito, não o verbo. Mas como revelar o sujeito?

A milenar perguntinha feita antes do verbo (Que/Quem é quê?) descobre praticamente qualquer sujeito na face da terra, tiro e queda, só vendo pra crer.

Isso vale para encontrar um sujeitinho mixuruca:

Frase: “Zecão fez um golaço”.

Descubra o sujeito: “Quem fez um golaço?”. Resposta: “Zecão”. Então, Zecão é o cara.

Isso vale também para encontrar um sujeito mais feladagaita:

Frase: “A simples presença em campo de um dos melhores jogadores de futebol dos últimos tempos garantiu a venda antecipada de mais da metade dos ingressos disponíveis”.

Descubra o sujeito: “Quem garantiu…?”

Resposta: “A simples presença em campo de um dos melhores jogadores de futebol dos últimos tempos”. Eis, portanto, o aloprado sujeito procurado.

É sempre bom lembrar: como não se separa o sujeito e o verbo com uma vírgula…

1-      Esta vírgula está condenada:

“A simples presença em campo de um dos melhores jogadores de futebol dos últimos tempos, garantiu a venda antecipada de mais da metade dos ingressos disponíveis”.

2-      A ausência de vírgula neste longo período vos salvará das trevas:

“A simples presença em campo de um dos melhores jogadores de futebol dos últimos tempos garantiu a venda antecipada de mais da metade dos ingressos disponíveis”.

Isto posto, você não vai perder o paraíso por uma besteirinha deste tamanho, vai?

Até!

 

 

 

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Jornalistas, não sigam Saramago

Por Orlando Nunes em Pontuação

03 de agosto de 2014

O Ocidente, ao longo dos séculos, vem desenvolvendo o sistema de pontuação da escrita.

Hoje, podemos dizer que chegamos a uma sistematização satisfatória.

Um dos meus autores inquestionáveis, José Saramago, pôs na lixeira esse esforço genial da humanidade, em nome da liberdade de expressão literária. Perfeito, mas isso é de uma lógica redacional desprezível. Jornalista, nada de “cesta edição” para as vírgulas e companhia: a pontuação é valiosa demais para a clareza da informação. E clareza é o que importa.

Arte e lógica, de fato, são independentes; assim seja.

A pontuação saramaguiana pode merecer nota dez no reino seleto da literatura, onde, enfim, reina, mas não deve servir em nada na planície medíocre da comunicação contemporânea.

Não tomem medíocre além da conta, medíocre no sentido primeiro, de mediano.

O sistema de pontuação da língua portuguesa é riquíssimo, uma luz fantástica a iluminar o terreno complexo da linguagem humana. Eis um ponto que me anima.

Um ponto que me intriga e desafia: boa parte do jornalismo impresso cearense não aprendeu ainda as noções básicas de pontuação. Tantas vezes, parece-me um Saramago perdido, não o criativo.

Creio que sei a razão. Há uma merecida atenção ao desenvolvimento estético-gráfico dos jornais. Ponto. Mas a atenção ao alinhamento da estrutura sintática da informação parece-me não ter batido à porta da Redação. E não me peçam a prova do crime, por gentileza.

Isso, por força de meu trabalho, me incomoda um pouco, ou bastante. Mas não devo me tornar entediado ou entediante; devo manter o humor, e o sério curso de Pontuação para Redatores. Simples assim, ponto final.

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

 

 

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Jornalistas, não sigam Saramago

Por Orlando Nunes em Pontuação

03 de agosto de 2014

O Ocidente, ao longo dos séculos, vem desenvolvendo o sistema de pontuação da escrita.

Hoje, podemos dizer que chegamos a uma sistematização satisfatória.

Um dos meus autores inquestionáveis, José Saramago, pôs na lixeira esse esforço genial da humanidade, em nome da liberdade de expressão literária. Perfeito, mas isso é de uma lógica redacional desprezível. Jornalista, nada de “cesta edição” para as vírgulas e companhia: a pontuação é valiosa demais para a clareza da informação. E clareza é o que importa.

Arte e lógica, de fato, são independentes; assim seja.

A pontuação saramaguiana pode merecer nota dez no reino seleto da literatura, onde, enfim, reina, mas não deve servir em nada na planície medíocre da comunicação contemporânea.

Não tomem medíocre além da conta, medíocre no sentido primeiro, de mediano.

O sistema de pontuação da língua portuguesa é riquíssimo, uma luz fantástica a iluminar o terreno complexo da linguagem humana. Eis um ponto que me anima.

Um ponto que me intriga e desafia: boa parte do jornalismo impresso cearense não aprendeu ainda as noções básicas de pontuação. Tantas vezes, parece-me um Saramago perdido, não o criativo.

Creio que sei a razão. Há uma merecida atenção ao desenvolvimento estético-gráfico dos jornais. Ponto. Mas a atenção ao alinhamento da estrutura sintática da informação parece-me não ter batido à porta da Redação. E não me peçam a prova do crime, por gentileza.

Isso, por força de meu trabalho, me incomoda um pouco, ou bastante. Mas não devo me tornar entediado ou entediante; devo manter o humor, e o sério curso de Pontuação para Redatores. Simples assim, ponto final.

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