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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

Concordância verbal

Esgotaram-se ou esgotou-se um milhão de ingressos?

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

01 de dezembro de 2016

Duas frases novinhas do noticiário nacional para revermos uma velha questão: a concordância (verbal e nominal) com a palavra MILHÃO.

Concordância verbal

“Esgotaram-se, em menos de 24 horas, um milhão de ingressos para os cem shows do artista na Europa.”

Temos na frase acima um caso de verbo anteposto ao sujeito (verbo + sujeito). Na ordem direta (sujeito + verbo), escreveríamos “Um milhão de ingressos … esgotou-se ou esgotaram-se”.

Nessa segunda estrutura (ordem direta), portanto, há dupla possibilidade de concordância verbal. O verbo pode concordar com o núcleo do sujeito, no singular (um milhão esgotou-se), ou concordar com o termo especificador do núcleo do sujeito (um milhão de ingressos esgotaram-se), por atratividade (concordância do verbo com o termo mais próximo).

Entretanto, na primeira estrutura (verbo + sujeito), a concordância verbal deve ser feita com o núcleo do sujeito, quer na concordância lógica (gramatical), quer na concordância atrativa, pois o verbo agora está mais próximo do núcleo do sujeito do que de seu especificador.

Reescritura:

“Esgotou-se, em menos de 24 horas, um milhão de ingressos para os cem shows do artista na Europa.”

Concordância nominal

“Mais de duas milhões de pessoas assinaram o projeto de iniciativa popular.”

Milhão, já comentamos isso noutros posts, é vocábulo masculino. Assim, em vez de “duas milhões”, deveríamos ter na frase acima “dois milhões”. O desvio de concordância se dá em razão de o redator fazer concordar o numeral (duas) com o substantivo feminino “pessoas”. Contudo, “dois” é, nesse caso, determinante do vocábulo masculino “milhão”.

Reescritura:

“Mais de dois milhões de pessoas assinaram o projeto de iniciativa popular.”

Até!

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Augusta Casa de Irene

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

28 de junho de 2016

(FOTO: Divulgação)

(FOTO: Divulgação)

“Cabe a cada um dos deputados desta augusta Casa certas obrigações inerentes ao escorreito desempenho da atividade parlamentar”.

Há um erro no período acima, identificado em uma das alternativas abaixo.

É CORRETO afirmar que…

(A) a Casa não é de Augusta, e sim de Irene;

(B) “obrigações” é vocábulo aplicável ao eleitor, pois deputados só têm “direitos”;

(C) “inerentes” é a negativa prefixal da política parassintética de empregar “parentes”;

(D) “escorreito” é escorrego ou desvio de conduta de um prefeito, não de deputado;

(E) há um erro de concordância verbal no período, o resto é blá-blá-blá.

GABARITO: E (se você errou essa, cabe recurso, ou seja, retorno ao cursinho).

Comentário: Sem “rapapés”, o que se quis dizer, simplesmente, foi isto: “Certas obrigações CABEM (e não “cabe”, como está escrito no período destacado) a cada um dos deputados…”.

Reescritura: “Cabem a cada um dos deputados desta augusta Casa certas obrigações inerentes ao escorreito desempenho da atividade parlamentar.”

Até!

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A pronúncia do têm

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

10 de junho de 2016

(FOTO: Flickr/Creative Commons/Pedro Ribeiro Simões)

(FOTO: Flickr/Creative Commons/Pedro Ribeiro Simões)

Na escrita, a terceira pessoa do plural do presente do indicativo do verbo TER é assinalada com um acento circunflexo: Ele/Ela TEM um plano; Eles/Elas TÊM um plano.

Esse acento diferencial de plural NADA tem a ver com a pronúncia ou FALA.

Assim, FALAMOS (pronúncia) /Eles ou Elas TEM um plano/, e não /… TEEM um plano /.

Até!

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Português para extraterrestres

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

25 de Abril de 2016

(FOTO: Divulgação)

(FOTO: Divulgação)

“Depois da aparição de objetos voadores não identificados (OVNIs), fatos estranhos começaram a haver na misteriosa cidadezinha do sertão cearense.”

Em relação ao fragmento de texto acima, é correto afirmar:

(A) Está adequado à norma culta da língua portuguesa

(B) Há um erro de regência verbal

(C) Há um erro de concordância nominal

(D) Há um erro de regência nominal

(E) Há um erro de concordância verbal

GABARITO: E

COMENTÁRIO: O verbo “haver”, quando sinônimo de “existir”, “ocorrer” ou “acontecer”, é impessoal (sem sujeito), não é flexionado no plural. Ex.: “Houve (e não *houveram) fatos estranhos”. Há um erro de concordância verbal na frase analisada. O verbo auxiliar da locução verbal não deve ser flexionado no plural. Em vez de “começaram a haver”, o correto seria “começou a haver”, pois o verbo principal da locução (haver) sendo impessoal “transmite” sua impessoalidade ao verbo auxiliar (começou). Na frase, “fatos estranhos” é o objeto direto, e não sujeito (começou a haver fatos estranhos). A inversão dos termos (OD + Verbo) dificulta a análise sintática, e “fatos estranhos” parece ser o sujeito, MAS NÃO É!

Reescritura:

“Depois da aparição de objetos voadores não identificados (OVNIs), fatos estranhos começou a haver na misteriosa cidadezinha do sertão cearense.”

Até!

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Os dois milhões de pessoas

Por Orlando Nunes em Concordância verbal, Sem categoria

10 de Março de 2016

Manual de Apoio à Redação – MAR Jangadeiro

“Das 2,4 milhões de pessoas convidadas pelo Facebook, 234 mil já confirmaram presença.”

Milhão, vocábulo de gênero masculino, deve vir determinado por artigo (ou outro determinante) também masculino: “os dois milhões de pessoas”, “estes dois milhões de pessoas”, “todos os dois milhões de pessoas”, e não “*as duas milhões de pessoas”, “*estas duas milhões de pessoas”, “*todas as duas milhões de pessoas”.

Ajuste

Dos 2,4 milhões de pessoas convidadas pelo Facebook, 234 mil já confirmaram presença.”

Até!

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Um milhão atrai um verbo?

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

24 de Fevereiro de 2016

(ILUSTRAÇÃO: Divulgação)

(ILUSTRAÇÃO: Divulgação)

Um milhão de mulheres participou OU participaram…”?

Quando a palavra “milhão” (núcleo do sujeito de uma frase) vem especificada por um termo no plural, ocorrem duas possibilidades de concordância verbal: verbo no singular, concordando com o núcleo singular, ou verbo no plural, concordando atrativamente com o especificador plural (termo mais próximo).

Passa a vista:

Mais de um milhão de mulheres participou da manifestação em todo o Brasil.”

Mais de um milhão de mulheres participaram da manifestação em todo o Brasil.”

Olho aberto:

E se, na frase acima, o verbo viesse antes do núcleo do sujeito (milhão), deveríamos empregar o singular ou o plural?

Veja só:

Participou (ou ‘Participaram’?) da manifestação, em todo o Brasil, mais de um milhão de mulheres.”

Recomenda-se aos redatores neste caso o emprego do verbo no singular. Por quê?

Primeiro: concordância lógica (gramatical): o verbo concorda com o núcleo do sujeito (‘milhão’, no caso).

Segundo: concordância atrativa (com o termo mais próximo): observe que, com a inversão dos termos da frase, o verbo (‘participar’, no caso) está mais próximo do núcleo do sujeito (milhão) que do termo especificador (‘de mulheres’).

Logo, “Participou da manifestação um milhão de mulheres…”.

marjangadeiro@gmail.com

Até!

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… é eu!

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

22 de novembro de 2014

“Homem encontra dinheiro e faz campanha na TV Jangadeiro para achar o dono. É você?”

— É eu!

— É nóis!

Não é nada disso. Quase todos dirão, conforme a norma culta: “Sou eu”, “Somos nós”.

Mas há um caso especial de concordância do verbo SER que dá no “… é eu / … é nós”.

Veja:

Concordância verbal: verbo SER entre pronomes pessoais

Quando o verbo SER vem entre dois pronomes pessoais, concordará com o primeiro:

“Ele não É eu”.

“Ele não É nós”.

O SER é mesmo um verbo riquíssimo em matéria de concordância.

A propósito, o homem que encontrou dinheiro e fez campanha na TV para encontrar o dono é um exemplo de que SER vale mais do que TER. É fácil encontrar gente assim, concorda?

Até!

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A maioria dos brasileiros confia ou confiam que não ficará ou ficarão sem emprego?

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

18 de julho de 2014

“Maioria dos brasileiros confia que não ficará sem emprego, segundo pesquisa.”

No post anterior, vimos a possibilidade de flexionar ou não o verbo na concordância com números percentuais (24% do torcedor brasileiro prefere/preferem Tite no comando da seleção). Essas duas estruturas de frase, uma com o verbo no singular e outra com o verbo no plural, também são adequadas na concordância do verbo com o sujeito formado por expressões partitivas (a maioria de, boa parte de, etc.) seguidas de um termo especificador no plural, como no fragmento selecionado acima.

Dessa maneira, são construções gramaticalmente corretas:

“Maioria dos brasileiros confia que não ficará sem emprego, segundo pesquisa.”

“Maioria dos brasileiros confiam que não ficarão sem emprego, segundo pesquisa.”

Sempre bom lembrar

A inversão do termo especificador (dos brasileiros) para o início da frase nos leva jornalisticamente à preferência pela concordância lógica com o núcleo do sujeito:

“Dos brasileiros, a maioria confia que não ficará sem emprego, segundo pesquisa.”

Confiar só com preposição?

“Quem confia, confia EM…”, certo? O verbo da oração principal (confia), como vimos, rege a preposição “em”. Dizem os sábios (Evanildo Bechara, por exemplo) que a preposição pode vir subentendida ou expressa antes da conjunção integrante “que”, conectora de uma oração subordinada substantiva (aquela substituível pelo demonstrativo ISTO). Trocando esse blá-blá-blá em miúdos, são adequadas as frases:

“Maioria dos brasileiros confia que não ficará sem emprego, segundo pesquisa.”

“Maioria dos brasileiros confia em que não ficará sem emprego, segundo pesquisa.”

Observe: “Maioria dos brasileiros confia nisto”.(com o demonstrativo isto substituindo a oração, provo que ela é mesmo uma oração subordinada substantiva).

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

 

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24% do torcedor prefere ou preferem Tite?

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

17 de julho de 2014

Concordância verbal com percentuais

“Segundo pesquisa, 24% do torcedor brasileiro prefere Tite no comando da seleção.”

A concordância verbal pode ser feita com base no número percentual (24%) ou com o termo especificador (do torcedor brasileiro). A segunda possibilidade é a preferida da maioria dos jornais brasileiros. Assim, são frases gramaticalmente corretas:

“Segundo pesquisa, 24% do torcedor brasileiro prefere Tite no comando da seleção.”

“Segundo pesquisa, 24% do torcedor brasileiro preferem Tite no comando da seleção.”

Olho no lance

“Do torcedor brasileiro, 24% preferem Tite no comando da seleção.”

Observe que, com o deslocamento (e afastamento do verbo) do termo especificador para o início da frase, a preferida é a concordância lógica com o número percentual.

Até!

 

 

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País pobre é país sem privada

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

06 de Maio de 2014

A ira e o furor das arquibancadas vem matando o país do futebol.

Quando o sujeito composto é formado por núcleos sinônimos, ou quase sinônimos (sinônimos perfeitos, Pelé e Coutinho, são mitos), o verbo pode não se flexionar.

A ira e o furor vem matando
Tomamos os núcleos do sujeito composto (ira e furor) como sinônimos, e a locução verbal vem matando foi mantida em sua forma singular.

A estrutura de plural também seria possível:
A ira e o furor das arquibancadas vêm matando o país do futebol.
Note a marca plural no verbo auxiliar vêm (ele vem; eles vêm).

Qual a estrutura preferida nesse caso, verbo na forma singular ou plural? Várias gramáticas tradicionais (elas têm como referência textos de bons escritores) registram que a concordância preferencial é a que mantém o verbo sem flexão, no singular.

Mas país pobre é país sem privada

Tínhamos um futebol singular, como a concordância verbal de grandes escritores. Sobrou a fúria plural de micróbios torcedores.

A ira e o furor das arquibancadas vêm matando o país do futebol.

E “corre” pro mato, que o jogo é de campeonato. Uma merda!

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País pobre é país sem privada

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

06 de Maio de 2014

A ira e o furor das arquibancadas vem matando o país do futebol.

Quando o sujeito composto é formado por núcleos sinônimos, ou quase sinônimos (sinônimos perfeitos, Pelé e Coutinho, são mitos), o verbo pode não se flexionar.

A ira e o furor vem matando
Tomamos os núcleos do sujeito composto (ira e furor) como sinônimos, e a locução verbal vem matando foi mantida em sua forma singular.

A estrutura de plural também seria possível:
A ira e o furor das arquibancadas vêm matando o país do futebol.
Note a marca plural no verbo auxiliar vêm (ele vem; eles vêm).

Qual a estrutura preferida nesse caso, verbo na forma singular ou plural? Várias gramáticas tradicionais (elas têm como referência textos de bons escritores) registram que a concordância preferencial é a que mantém o verbo sem flexão, no singular.

Mas país pobre é país sem privada

Tínhamos um futebol singular, como a concordância verbal de grandes escritores. Sobrou a fúria plural de micróbios torcedores.

A ira e o furor das arquibancadas vêm matando o país do futebol.

E “corre” pro mato, que o jogo é de campeonato. Uma merda!