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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

Crase

Sujeito a alteração não tem crase?

Por Orlando Nunes em Crase

04 de outubro de 2016

A frase está correta (FOTO: Divulgação)

A frase está correta (FOTO: Divulgação)

Na frase “Sujeito a alteração sem aviso prévio” não está faltando uma crase? Pergunta de Júlia M., Dionísio Torres, Fortaleza (CE).

Resposta

A frase está correta, nela não há a ocorrência de crase, que é a fusão de duas vogais idênticas. Esse A de “sujeito a” é apenas uma preposição. Para que ocorresse crase, seria necessária, além da preposição A, a presença de um artigo feminino A.

A ausência de artigo fica evidente na substituição do substantivo feminino “alteração” por um substantivo masculino (“ajuste”, por exemplo). Observe: “Sujeito a ajuste sem aviso prévio”. Se houvesse um artigo antes da palavra “ajuste”, teríamos: “Sujeito ao ajuste sem aviso prévio”. Não é o caso.

Frases corretas: “Sujeito a alteração sem aviso prévio” / “Sujeito a ajuste sem aviso prévio”.

Até!

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Até as tem crase?

Por Orlando Nunes em Crase

03 de Janeiro de 2015

Texto de apoio:

“Até às 10h, nenhuma viatura da Autarquia Municipal de Trânsito esteve no local.”

Em relação ao texto de apoio, que alternativa explica adequadamente o descumprimento da competência 1 exigida na redação do Enem (domínio da norma culta da Língua portuguesa)?

(a) A AMC não trabalha antes das 10 horas, principalmente quando chove.

(b) As viaturas da AMC não dispõem de pneus apropriados para rodar na chuva.

(c) O indefinido ‘nenhuma’ não poderia ser substituído pela expressão ‘nem uma’.

(d) A forma ‘esteve’ é uma variante do vocábulo ‘estepe’, nome dado ao pneu reserva.

(e) Em ‘Até às’, o sinal grave, indicador de crase, deve ser retirado, pois, de fato, crase não há. Crase é fusão de dois AA; na frase, temos a preposição ‘até’ e o artigo ‘as’.

Gabarito: letra E, de Enem.

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Aquilo tem crase?

Por Orlando Nunes em Crase

10 de junho de 2014

AQUILO COM CRASE

“Referia-se àquilo como se fosse a coisa mais natural do mundo.”

Todo aquele(s), aquela(s) ou aquilo substituível por a isso receberá acento indicativo de crase:

“Referia-se a isso como se fosse a coisa mais natural do mundo.”

 

AQUILO SEM CRASE

“Comentou aquilo como se fosse a coisa mais natural do mundo.”

Todo aquele(s), aquela(s) ou aquilo substituível por isso não receberá acento indicativo de crase. “Comentou isso como se fosse a coisa mais natural do mundo.”

 

MAIS DOIS EXEMPLOS

Aquilo não se faz – isso não se faz.

Àquilo prefiro isto – a isso prefiro isto.

 

Dúvidas? Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

 

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Às vezes tem crase, mas nem todas as vezes

Por Orlando Nunes em Crase

18 de Janeiro de 2014

Uma dica de “crase” trazida ao Brasil por meu amigo Pedro Álvares Cabral em 1500, mas que continua uma gatinha: quando usar o acento indicativo de crase com a expressão “as vezes”?

Com ou sem crase?

“Iracema as vezes vai à praia, mas nem todas as vezes banha-se no MAR.”

Dica de Cabral, antigo leitor do MAR: substitua a palavra feminina “vezes” por uma masculina. Se antes da palavra masculina empregada vier um “AO”, antes de “vezes” ocorrerá crase.

Em vez de “vezes”, escreverei “domingos” (ou outra palavra masculina qualquer):

“Iracema AOS domingos vai à praia, mas nem todos OS domingos banha-se no MAR.”

Conclusão: graças a navegantes como Cabral, escrevemos:

“Iracema às vezes vai à praia, mas nem todas as vezes banha-se no MAR.”

Comprove a dica relendo o título do post.

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

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É crase ou amizade?

Por Orlando Nunes em Crase

13 de Janeiro de 2014

Em relação ao emprego do acento grave indicativo de crase, analise a frase:

Todas as promoções estão “sujeitas à alteração” ou “sujeitas a alteração”?

 

Parece crase, mas não é. Ou melhor: poderia ser, se…

… o substantivo “alteração” fosse determinado, viesse com um artigo definido feminino (A).

Mas vamos por parte, Jack.

 

“As promoções estão sujeitas A alteração, sujeitas A ajuste.” Viu como aparece um A antes de “ajuste”, uma palavra masculina? Um A antes de palavra masculina pode ser “preposição”, mas nunca “artigo”. Quando um A (preposição) se encontra com outro A (artigo, normalmente, ou pronome), se prepare porque isso vai dar crase na certa.

Se faltar um dos ingredientes (A + A), contudo, não tem crase, é só amizade.

 

 Voltando à frase inicial, digamos agora que a “alteração” já seja conhecida, identificada, determinada (não se tratando, pois, de “qualquer alteração”, mas da “alteração X ou Y”, já referida no texto. Assim:

“As promoções estão sujeitas À alteração X, AO ajuste X”.

O X, aqui, restringe a alteração, e o leitor já sabe de antemão ou é informado na hora de qual alteração o texto se refere.

 

Contextualizando:

“As promoções estão sujeitas à alteração prevista no artigo segundo do parágrafo primeiro deste regulamento”, por exemplo.

 

Percebeu a diferença?

“As oportunidades estão sujeitas A alteração, sujeitas A ajuste.”

(sujeitas a uma alteração ou a um ajuste qualquer, o A é mera preposição)

 

“As oportunidades estão sujeitas À alteração X, AO ajuste X”.

(sujeitas à alteração conhecida, determinada; temos aqui preposição A + artigo A)

 

Sábado tem Cadis

Turma do curso de Português – CADIS 3: próxima aula, dia 18: CRASE.

“Do céu a terra ou do céu à terra”? Nesse caso, ocorre ou não o fenômeno da crase?

Até!

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Dimas treina à Parreira

Por Orlando Nunes em Crase

20 de Março de 2013

 

“Ex-volante Edmílson pede desculpas à Dimas Filgueiras”

 

Em língua escrita padrão formal, não usamos artigo antes de nome de pessoas. Dizemos, assim, “Dilma Rousseff visitou o Ceará”, e não “a Dilma Rousseff visitou o Ceará”.

 

Preposição A + artigo A

 

No fragmento selecionado, se fôssemos usar um artigo, este seria “O” (masculino). Noutras palavras, chance zero de crase, já que não ocorre A+A=À. Crase é matemática pura, rs.

 

Logo: “Ex-volante Edmílson pede desculpas a Dimas Filgueiras”.

 

Fique atento:

Não confundir esse caso com outro, aparentemente (aparências, nada mais) semelhante:

“Dimas Filgueiras treina à Carlos Alberto Parreira” (o Dimas, na verdade, é bem melhor).

 

Nesse caso está subentendida a palavra “moda”, “maneira”, ou seja, “Dimas Filgueiras treina à [maneira de] Carlos Alberto Parreira”. A crase, aqui, antecede ao substantivo comum, feminino e subentendido “maneira”, e não ao nome próprio “Carlos Alberto Parreira”, naturalmente.

 

É isso. Estou no marjangadeiro@gmail.com

Abraço.

 

 

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Crase: no Ceará, não tem disso não

Por Orlando Nunes em Crase

15 de setembro de 2012

Vou a ou à Antonina do Norte?.

Artigo definido anteposto a nome de cidade é tão raro quanto político corrupto na cadeia. Mas, com perdão do trocadilho, se falta artigo, ficha limpa abunda.

Quantos municípios há no Ceará? Nada mais, nada menos que 184. Quantos deles são precedidos de artigo? Caro amigo redator, salvo engano, apenas um: viva o Crato!

“O” e “A” são artigos de luxo antes de qualquer cidade do mundo, poucas os têm.

Fortaleza, e não a Fortaleza; Amontada, e não a Amontada; Antonina do Norte, e não a Antonina do Norte; Russas, Morada Nova, Missão Velha, artigo pra quê?

No Ceará, parece mesmo que só o Crato tem. E o artigo é “o”, masculino.

Uma ideia puxa outra. Ora, crase é a fusão da preposição A com outro A (o artigo feminino “a”, normalmente). Se a única cidade cearense que aceita satisfeita a anteposição de artigo é “o” Crato, qual a conclusão?

Crase: no Ceará não tem disso não. Vou a Antonina do Norte.

Atenção Redação Jangadeiro

Países não antecedidos de artigo:

Portugal, Israel, Angola, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Estados brasileiros não antecedidos de artigo:

Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

Algumas  (raras) cidades famosas antecedidas de artigo:

O Porto (Portugal), o Cairo (Egito), o Rio de Janeiro e o Recife (com ou sem).

Abraço.

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A/ À distância

Por Orlando Nunes em Crase

28 de Março de 2012

Você sabe quando usar o acento grave?

Por Orlando Nunes

– Assistiu ao jogo à distância de dois metros do campo de futebol.

– Assistiu ao jogo a distância.

Na primeira frase, como a expressão à distância vem especificada (dois metros), ocorre sempre a sinalização da crase. No segundo exemplo, sem a determinação da distância, o uso do acento grave (`) é facultativo, mas aconselhável quando desfizer ambiguidade.

A GRANDE DISTÂNCIA

– Assistiu ao jogo a grande distância, ou seja, Assistiu ao jogo a (uma) grande distância.

Neste caso, sem crase. Há subentendido o artigo indefinido “uma”.

MARCAR A/À DISTÂNCIA

Frase ambígua – Volante marcou a distância (a distância foi marcada, determinada pelo volante, ou ele marcou (o atacante adversário, por exemplo) de uma certa distância?).

Frase não ambígua – Volante marcou à distância (a marcação foi realizada mantendo-se certa distância entre marcador e marcado).

ENSINO A/À DISTÂNCIA

Ensino a distância (frase corretíssima). Agora, se quem escreve teme, digamos, que o leitor vá compreender no enunciado algo como “alguém ensina uma determinada distância a alguém”, vai optar pelo uso do acento grave, desfazendo a possibilidade de dupla interpretação: Ensino à distância. Aqui a regra tem a ver com a clareza, e o contexto em que a frase se insere, naturalmente, é decisivo na escolha do redator.

P.S. Neste dia 28 de março, saudações aos colegas revisores de texto do Brasil.

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Aquela crase

Por Orlando Nunes em Crase

22 de Fevereiro de 2012

Quarta-Feira de Cinzas é uma data pra lá de propícia para batermos um papo sobre o acento grave indicativo de crase, não conheço nada melhor para curar ressaca.

Aos fatos:

Em noventa por cento dos casos, digamos, a crase é resultado da fusão de um A preposição regida pelo verbo com um A artigo que antecede um substantivo feminino.

Em decorrência dessa estatística, não é raro ouvir aqui e ali que a crase é proibida antes de palavras masculinas. Na verdade não há proibição, mas uma situação óbvia.

Se não usamos o artigo A antes de palavras masculinas, consequentemente falta um dos ingredientes necessários para a concretização do fenômeno da crase (A+ A).

Vamos à frase (olhe a crase aí, gente, resultante da fusão da preposição A, pedida pelo verbo “voltar”, com o artigo A, que antecede a palavra “frase”) a ser analisada:

“Este ano não vai ser igual aquele que passou.”

Conforme observamos no início da coluna de hoje, faltou o acento grave, a marca gráfica da crase. Este ano não vai ser igual àquele que passou (A + A).

É bom lembrar que essa crase (àquele) não é uma exceção à “regra” da proibição de crase antes de palavras masculinas. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Diferentemente da maioria dos casos de crase que, vamos repetir, ocorre da fusão da preposição A com o artigo A. agora estamos diante de distinta fusão de AA.

A crase também ocorre quando a preposição A (esta nunca pode faltar) se encontra com o A inicial do pronome demonstrativo aquele e suas flexões (aqueles, aquela(s), aquilo).

“Os documentos apreendidos serão encaminhados àquele país”, “Fez um comentário àquilo como se fosse algo mais séria”, “Dirigiu-se àquelas pessoas só para agradecer”.

Há um modo prático de averiguar a ocorrência ou não de crase com o pronome demonstrativo “aquele” e suas flexões. Vamos a ele, portanto.

Primeiro passo: troque “aquele” (ou flexões) por “esse” (ou flexões). Segundo passo, observe se há necessidade de empregar a preposição A antes do pronome “esse”.

Se houver um A antes de “esse” (ou “esses”, “essa(s)”, “isso”), saiba que este A é uma preposição e que com o pronome “aquele” (ou flexões) ocorrerá o fenômeno da crase.

Vamos testar a dica com dois exemplos.

1 – “No carnaval estive em Guaramiranga. Posso dizer que aqueles dias serão inesquecíveis.” Agora, o primeiro passo, trocar “aquele” por “esse”:

“No carnaval estive em Guaramiranga. Posso dizer que esses dias serão inesquecíveis.” Perceba que não houve necessidade da preposição A antes do pronome “esses”.

Isso quer dizer que, na frase original, com o pronome “aqueles”, não ocorre a crase.

2 – “Quero dizer aqueles que me indicaram a serra como opção de fuga do mela-mela do litoral que estou verdadeiramente agradecido.” Vamos novamente à troca:

“Quero dizer a esses que me indicaram a serra como opção de fuga do mela-mela do litoral que estou verdadeiramente agradecido.” Observe a necessária da preposição A.

Isso quer dizer que, na frase original, com o pronome “aqueles”, ocorre a crase:

“Quero dizer àqueles que me indicaram a serra como opção de fuga do mela-mela do litoral que estou verdadeiramente agradecido”.

Em tempo: Este ano não vai ser igual àquele que passou.

E o carnaval passou. Que venha a Quaresma.

Amém.

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Aquela crase

Por Orlando Nunes em Crase

22 de Fevereiro de 2012

Quarta-Feira de Cinzas é uma data pra lá de propícia para batermos um papo sobre o acento grave indicativo de crase, não conheço nada melhor para curar ressaca.

Aos fatos:

Em noventa por cento dos casos, digamos, a crase é resultado da fusão de um A preposição regida pelo verbo com um A artigo que antecede um substantivo feminino.

Em decorrência dessa estatística, não é raro ouvir aqui e ali que a crase é proibida antes de palavras masculinas. Na verdade não há proibição, mas uma situação óbvia.

Se não usamos o artigo A antes de palavras masculinas, consequentemente falta um dos ingredientes necessários para a concretização do fenômeno da crase (A+ A).

Vamos à frase (olhe a crase aí, gente, resultante da fusão da preposição A, pedida pelo verbo “voltar”, com o artigo A, que antecede a palavra “frase”) a ser analisada:

“Este ano não vai ser igual aquele que passou.”

Conforme observamos no início da coluna de hoje, faltou o acento grave, a marca gráfica da crase. Este ano não vai ser igual àquele que passou (A + A).

É bom lembrar que essa crase (àquele) não é uma exceção à “regra” da proibição de crase antes de palavras masculinas. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Diferentemente da maioria dos casos de crase que, vamos repetir, ocorre da fusão da preposição A com o artigo A. agora estamos diante de distinta fusão de AA.

A crase também ocorre quando a preposição A (esta nunca pode faltar) se encontra com o A inicial do pronome demonstrativo aquele e suas flexões (aqueles, aquela(s), aquilo).

“Os documentos apreendidos serão encaminhados àquele país”, “Fez um comentário àquilo como se fosse algo mais séria”, “Dirigiu-se àquelas pessoas só para agradecer”.

Há um modo prático de averiguar a ocorrência ou não de crase com o pronome demonstrativo “aquele” e suas flexões. Vamos a ele, portanto.

Primeiro passo: troque “aquele” (ou flexões) por “esse” (ou flexões). Segundo passo, observe se há necessidade de empregar a preposição A antes do pronome “esse”.

Se houver um A antes de “esse” (ou “esses”, “essa(s)”, “isso”), saiba que este A é uma preposição e que com o pronome “aquele” (ou flexões) ocorrerá o fenômeno da crase.

Vamos testar a dica com dois exemplos.

1 – “No carnaval estive em Guaramiranga. Posso dizer que aqueles dias serão inesquecíveis.” Agora, o primeiro passo, trocar “aquele” por “esse”:

“No carnaval estive em Guaramiranga. Posso dizer que esses dias serão inesquecíveis.” Perceba que não houve necessidade da preposição A antes do pronome “esses”.

Isso quer dizer que, na frase original, com o pronome “aqueles”, não ocorre a crase.

2 – “Quero dizer aqueles que me indicaram a serra como opção de fuga do mela-mela do litoral que estou verdadeiramente agradecido.” Vamos novamente à troca:

“Quero dizer a esses que me indicaram a serra como opção de fuga do mela-mela do litoral que estou verdadeiramente agradecido.” Observe a necessária da preposição A.

Isso quer dizer que, na frase original, com o pronome “aqueles”, ocorre a crase:

“Quero dizer àqueles que me indicaram a serra como opção de fuga do mela-mela do litoral que estou verdadeiramente agradecido”.

Em tempo: Este ano não vai ser igual àquele que passou.

E o carnaval passou. Que venha a Quaresma.

Amém.