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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

Crônica

Quatro entradas para não deixar um ministério

Por Orlando Nunes em Crônica

21 de Março de 2015

Se alguém chamá-lo de achacador, você tem ao menos quatro motivos para não perder a calma e apenas dois para processar o mal-educado. Pois não é que, não se sabe bem por quais mistérios da ciência política, uns 300 senão 400 parlamentares foram se enredar justamente nos dois sentidos mais cabeludos do verbete achacar?

E outra: boato ou o Cid queria abandonar o bote?

Por que não se dirigiu aos parlamentares com mais molejo, algo assim:

Salve, salve, galera, blz? Pô, vossas excelências estão putos da vida por quê? Tempestade em copo d’água! Não consultam dicionários? Vejam a entrada 1 do verbete “achacar”, foi nesse sentido que me referi a vossas excelências num bate-papo esperto com a galerinha do Pará. Para com isso, gente boa, achacar é só “aborrecer”, todos nós achacamos alguém de vez em quando, ou não é assim?

ACHACAR

1 causar aborrecimento a; molestar, desagradar

Ex.: A insistência de 300 ou 400 parlamentares por mais diálogo entre Presidência da República e Câmara dos Deputados achacava a presidenta.

Camaradas, isso é motivo para pedirem minha cabeça? Chega a ser achacador.

Certo, certo, digamos que tenha alguém aqui na Casa ainda meio cabreiro, desconfiado de haver mais caroço nesse angu. E há. Mas igualmente insuficiente para tamanha revolta da parte de vossas excelências. Passem pela entrada dois:

2 apontar defeito em; censurar, tachar; acusar

Exs.: A maioria dos parlamentares achacava o trabalho da equipe econômica.

Alguém achacou o palavreado do ministro de suicida.

Então, excelências, há algo de podre aqui? Qualé, Cunha? Relaxa, bródi.

Ah, e tem mais: quem disse cobras e lagartos só porque não compareci à primeira  convocação desta acolhedora Casa certamente desconhece a entrada de número três:

3 ter achaques; adoecer

Ex.: O então ministro da Educação faltou à primeira convocação da Câmara porque se encontrava achacado em uma cama de hospital.

É por esta e por outras, excelências, que não vejo motivo algum para a disseminação do ódio interpartidário. Mas, se ainda assim querem mesmo que eu saia, o farei à moda antiga, e direi amanhã: “Fi-lo porque qui-lo”, não sem antes entrar de quatro:

4 dar como motivo; alegar, pretextar

Ex.: achacou inicialmente problemas de saúde para não comparecer à Câmara.

Eis que o chamaram de palhaço, e ele deixa o picadeiro sem uma palavra sequer para fechar de vez as duas últimas entradas disponíveis no excelentíssimo Houaiss:

5 roubar (alguém) com ameaças, com intimidação

6 Regionalismo: Brasil. Uso: informal.

extorquir dinheiro de (alguém) [para não prender, não multar etc.]

Inversão de valores:

Por que vedar as quatro primeiras entradas para achacadores? Como a política hoje anda meio de ponta-cabeça, suspeito que uns 300 ou 400 senhores deputados, achacados de achacadores, correram a galope alto ao pai dos burros.

Mas, estropiados, deram de cara com a porta dos fundos, a entrada seis. Ainda chegaram à entrada cinco, porém se enfezaram de vez com o ministro, cujas palavras sinceras não ultrapassaram a entrada quatro, afinal o homem é bem-educado.

Enfim, Cid não saiu pela porta dos fundos. Agora, se o ex-ministro resolver morar no exterior, isso pode definitivamente achacar seu incorrigível português.

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Premium 3, vale morrer de novo?

Por Orlando Nunes em Crônica

31 de Janeiro de 2015

Refinaria é futuro do pretérito: eu refinaria, e tu? Futuro do presente: eu refinarei, todos refinaremos um dia. Refinaria, em português vulgar, equivale a “morreria duas vezes”, uma com Lula e outra com Dilma, daí o verbete “Premium 2”. Refinaria é vocábulo formado pelo prefixo latino “re”, o mesmo de “marcha à ré”, com o verbo apocalíptico “finar”, “falecer”, “morrer na praia”. A finada morreu de quê? Pressão alta, desvio de septo na camada de pré-sal. Tentaram de tudo, mas não deu em nada. O canal da mancha é aqui, e o mar morto também, morto e sepultado. Mas o Camilo vai cobrar caro pelo prejuízo da Petrobras. Tu cobras, mas ela pagaria? Pagaria é também futuro do pretérito. No presente, porém, pagaria rima é com padaria, e já estão cobrando mais caro pelo pãozinho. O cliente que disser “eu pagaria”, no futuro do pretérito, não leva o pãozinho no presente. O pão-francês “fazia” parte do café da manhã imperfeito do indicativo da maioria dos fortalezenses. Não podemos nos esquecer de que o fortalezense é antes de tudo um forte, e parte dessa energia vinha exatamente do pãozinho francês; a outra parte vem da Coelce. Como o sistema é ligado em série, o preço de tudo vai subir. E pra completar a água está evaporando, não vai dar nem para o carnaval. Mas que calor, ô, ô, ô, ô, ô, ô. Espera aí! Tiram nossa sonhada refinaria, sugam nossa decantada energia, bebem nossa limitada água… e ainda acham pouco? Pois sim, agora mandam a conta: sem carnaval nem carioquinha. Então vão tirar pão e circo? Assim não tem povo que aguente. Na verdade, palhaço nenhum aguentaria, para voltarmos ao futuro do pretérito. De todo modo, como a carne é mesmo fraca e já engataram a I e a II, se prometerem a Premium III no futuro do presente (eu refinarei… ele refinará), vale morrer de novo?

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Cheio de chavões

Por Orlando Nunes em Crônica

31 de dezembro de 2014

“Lugar-comum: ideia, frase, dito, sem originalidade; banalidade, chavão” – Houaiss

Felizmente em 2014 não ouvi nem li mais aquele lugar-comum campeoníssimo que nos lembra que futebol é uma caixinha de surpresas. Acho que ele descansa em paz agora. Isso nos enche de esperança para o ano novo, pois ainda há muitos chavões no esporte bretão – e noutros campos, claro, mas me limito às quatro linhas, uma paixão nacional.

Poderiam todos os chavões, em 2015, entrar na caixinha de surpresas e partir desta para melhor. Pra começar, podíamos dar um descanso a essa mania de sempre abrir ou fechar tudo com chave de ouro, ora bolas. E, o pior, no mais das vezes, ao apagar das luzes.

Brasileiro deixa tudo pra última hora. Mas, e agora, qual será a bola da vez (outro lugar-comum de causar espécie, que também é mais um lugar-comum deslavado)? Entretanto, nem todo chavão é flagrante, há os mais discretos, que tentam driblar nossas duras críticas, como exemplifico para dirimir dúvidas: “Ele fez o que pôde e o que não pôde”.

O importante nessa historio é que, quando o juiz trilar o apito, nosso time faça as pazes com a vitória, inserido no contexto de subir de série, só assim teremos nossos estádios literalmente lotados ou tomados. Chega de passar mais um ano em brancas nuvens.

Precisamos reencontrar nosso verdadeiro futebol para o torcedor respirar aliviado. Em 2014 perdemos pontos preciosos na reta final, em jogos fáceis onde éramos francos favoritos. E não adianta tapar o sol com uma peneira, culpar o sol escaldante ou as péssimas condições do tapete verde, o jogo é jogado nas quatro linhas, são onze contra onze, não tem essa, o que tá faltando é bola… e vergonha na cara!

Ano novo, vida nova. Jogo é jogo, treino é treino. E na cartada decisiva de 2015 teremos quem sabe uma agradável surpresa, oxalá aplicando à moda da casa uma sonora senão impiedosa goleada de meio a zero no adversário, pois confiamos piamente nos sólidos conhecimentos do professor e em seu poder de fogo para, com seus relevantes serviços prestados, debelar as chamas desse pavoroso incêndio que se alastra no inferno da série C, afinal o que passou, passou e ainda há muita água pra rolar por debaixo da ponte. Agora chega de tanto chavão, de tanto lugar-comum. Aliás, só aceito mais um: Feliz Ano-Novo!

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Sobre eleições no Fortaleza Esporte Clube: uma reanálise do discurso do “mudar tudo”

Por Orlando Nunes em Crônica

15 de novembro de 2014

Às portas das eleições para a presidência do Fortaleza Esporte Clube, sempre é bom lembrar, neste momento em que a emoção fala mais alto que a razão (momento em que “mudar tudo” é preciso), que mudar tudo pode não ser necessariamente preciso.

O futebol não é preciso!

(em futebolês, isso é dito com outras palavras: O futebol não é uma ciência exata)

Mudanças se impõem, certamente, porque é inegável que erros pontuais ocorreram, e esses erros afastaram o Fortaleza mais uma vez do indispensável acesso à série B.

Um erro fatal: ouvidos de mercador da diretoria em relação ao apelo da torcida tricolor, que pedia contratação qualificada de reservas meias-atacantes e atacantes.

(E ninguém pedia contratação para estrear nos jogos finais, sem tempo de adaptação)

Mudanças gerais, todavia, compreendendo como mudanças gerais a negação de tudo que foi construído em 2014, seria um projeto tolo, mesmo que bem-intencionado.

Eleições gerais, sim; mudanças gerais talvez não. Devem-se corrigir somente os erros.

(E nem tudo no Fortaleza está errado para ser mudado tudo)

O Fortaleza agora precisa é de união, mais do que de facção. “Quem sabe, depois do pleito, ressurja um Fortaleza unido e, das chapas concorrentes, forme-se um grupo forte de apoio ao novo presidente.” Mas, pensando bem, por que isso ocorreria agora?

Acorda, Zé! (ou À corda, Zé!)

A ocasião é propícia para a pregação de que tudo está errado no Fortaleza, de que é preciso “zerar” e começar de novo, de que a diretoria atual nada é senão “fracassada”.

Até se sugeriu, “cordialmente”, uma saída “honrosa” para os atuais diretores: “Vocês reconhecem que seu tempo passou, pedem desculpas à torcida, pegam o boné e vão embora; em troca, agradeceremos a atitude finalmente tomada e colocaremos numa sala da sede um quadro com a foto dos senhores e uma tarja: ‘Pentafracassados’”.

“Sim, porque o fato de o Fortaleza estar em 2015 na Copa do Nordeste e na Copa do Brasil não é nada, se comparado ao fracasso da não ascensão à série B do Brasileiro.’

“Sim, porque o esforço empresarial da diretoria para equilibrar administrativamente o clube não é nada, se comparado ao fracasso de não ter obtido o acesso à série B.’

“Sim, porque as contas do Fortaleza poderiam até voltar à estaca zero ou abaixo de zero, desde que o time se livrasse desses jogos infernais da série C nos cus dos judas.’

“Sim, porque a nova diretoria vai milagrosamente transformar água em vinho, vai ganhar com um novo time todos os jogos dentro e fora do estado (e do estádio).’

“Sim, porque é a nova diretoria quem vai escalar o time no mata-mata de 2015’”.

— Não conheço ninguém que um dia tenha aceitado esse modelo de “saída honrosa”.

Mas as eleições, sim, sempre são bem-vindas.

Serão eleições diferentes, mais eleitores desta vez, novas ideias e ideais. Se a opção for por “mudar tudo”, que assim seja; mas sem negação ou desprezo do que já foi feito.

Se for pra “zerar” tudo, que seja feita democraticamente a vontade da maioria dos eleitores. Eu, que não sou um, é que não começaria do zero. Meu “mudar tudo” se limitaria à contratação de um goleiro, dois meias-atacantes e dois atacantes que merecessem esse nome (cinco contratações que tornariam a diretoria pentavitoriosa.

Agora, chegada a hora de pegar o boné, que a saída seja verdadeiramente honrosa. Ganhar ou perder nas urnas é sempre melhor que entrar ou sair pela porta dos fundos.

Avante!

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No futebol, a felicidade não pode ser completa

Por Orlando Nunes em Crônica

09 de setembro de 2014

Ilustração: Moésio Fiúza

Ilustração: Moésio Fiúza

É chegada a hora do Leão beber água e do Vozão botar as barbas de molho.

O muito que Fortaleza e Ceará construíram em 2014 ainda é pouco.

Então, pé no chão pra sonhar mais alto.

Chamusca e Soares, com competência e repetência, organizaram equipes surpreendentes, haja vista não ser assim tão simples tirar leite de pedra, como se diz em Itapipoca.

Mole é atirar pedra e chorar o leite derramado.

Um CRB 3×0 Fortaleza ou um Oeste 3×1 Ceará incomoda muita gente.

Dois elefantes brancos incomodam muito mais, logo vamos entupir (em Tupi) a arena.

Estamos abalados com tudo isso, contudo não haverão (ou inverno) de nos embalar.

(1)    O sinal de alerta está aceso, sim; embora em boa hora.

(2)    O torcedor ligado está aceso, sim; ele quer é ascender.

(3)    Por A mais B.

Tem razão a emoção.

Mas fique frio que já vai esquentar. O que falta é o complemento.

E complemento não é termo essencial, mas integrante, diria o sujeito (ou o predicado).

A torcida do Leão quer urgentemente dois atacantes.

A torcida do Vozão quer urgentemente dois zagueiros.

Torcedor é cliente: tem sempre razão.

Agora muita hora nesta calma, ou vice-versa, segundo o Vasco.

Falta só a cereja, não vamos partir já o bolo!

Neste ano, sobe o Fortaleza, sobe o Ceará. Paciência!

No futebol, a felicidade não pode ser completa.

Prova do bolo: os dois subindo, pergunte a uma das torcidas:

– Está plenamente feliz, com a subida do outro?

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A frase de Chamusca

Por Orlando Nunes em Crônica

27 de julho de 2014

O zero a zero no acalorado jogo contra o Botafogo-PB pode ter acendido a brasa que faltava para o Fortaleza ascender à Série B. Essa partida revela o que fazer para deixar o inferno para trás.

Uma frase do técnico do Fortaleza Esporte Clube, Marcelo Chamusca, resume muito bem o 0X0 em casa contra o Belo paraibano nesse sábado (26): “Pecamos no fundamento finalização.

De fato, o Leão do Pici, que demonstra o muito bom trabalho da comissão técnica neste ano (defesa sólida, boa participação ofensiva pelas laterais com Cametá e Fernandinho, meio-campo combativo e com boa saída de bola para o ataque), precisa ainda evoluir num ponto.

Todo o esforço da equipe não pode ser desperdiçado na hora do leão beber água.

O empate contra o Botafogo-PB deve ser visto pelo Fortaleza como fundamental — e o será, haja vista a declaração de Chamusca na coletiva de imprensa pós-jogo — no planejamento de trabalho. “Treinamos bastante o fundamento finalização, e vamos precisar melhorar”, sintetiza o treinador. Esse é o ponto, é o que falta ao Fortaleza para, enfim, tirar os pés da série C.

As vaias para Marcelinho Paraíba na sua substituição por William foram merecidas. Isso não significa que a torcida cansou do MP 10, é preciso ter cuidado para não fazer uma leitura equivocada do episódio. A torcida só deseja o velho Marcelinho no lugar do Marcelinho velho.

O Marcelinho, entretanto, como qualquer jogador experiente e inteligente, sabe que precisa dosar energia para manter -se “vivo” durante os 90 minutos da partida. Boia e morre na praia.

Por isso, tanto o torcedor quanto a comissão técnica do Fortaleza desejam um banco mais sortido. A chegada do Erick Flores pode dar a Chamusca o poder sustentável desta frase: “Marcelinho, não precisa economizar gás, joga a todo vapor, tanto quanto puder”.

Se o MP 10 jogar 30 ou 45 minutos como jogava o velho Marcelinho, a torcida vai voltar a aplaudi-lo, pois ele merece. Até o momento, o técnico Chamusca não pôde aplicar essa frase.

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Por um dedo

Por Orlando Nunes em Crônica

09 de Maio de 2014

As eleições vão ser bem apertadas neste ano. Quem ganhar vai ser por um dedo no interior. Nas capitais é que o buraco é mais embaixo mesmo. Haja boca de urna.

Assim como as leis, no Brasil algumas filas pegam, outras não. Vai uma pegadinha aí? Vão-se os anéis, e como ficam os dedos? Se a operação mãos limpas pegar… sei não!

Fura-fila ou fura-bolo? Quem mete medo não é o tamanho da fila, é o do dedo.

 

fila

 

Masoquismo: Vão-se os dedos, fiquem os anéis.

Sadismo: Vão-se os anéis, fiquem os dedos.

 

Mas tudo passa debaixo do equador, passa boi, passa boiada, passadilma, Pasadena.

Só a Petrobras não passa, pois foi reprovada na língua pátria, “isso é uma vergonha”.

 

A Petrobras não é mais nossa desde que venderam seu acento gráfico. Hoje ela é um hibridismo, pet do inglês e obra do latim, em cearês dá em cocô de cachorro.

O petróleo é nosso. Não, agora só o pet é nosso, por empréstimo, e a coleira é importada. International collar for Pet, ou CPI da Petrobras em bom português.

Em mau; em bom teríamos Petrobrás com agudo. Vou lançar o Dicionário Político-Cearês do Português Vulgar, mande sugestão em garrafas: marjangadeiro@gmail.com.

Aí dentro: dedurando boca de urna; aliança eleitoral: união instável de Pros e Contras; iPad: cabo eleitoral de fibra; Comício: reunião pública; Eunício: reunião privada.

Voto minerva: justificativa por ausência à votação, p.ex.: “Faltou por quê?” “É que voto minerva!”; Mensalão: homem hipertenso; Papuda: SPA somente para hipertenso.

Pra fechar: Recall político: cola para lembrar a conta bancária de um candidato. Infidelidade partidária: cuba libre, uma aliança política de rum com coca-cola.

 

Mas nem só de verbetes vive o vernáculo, temos os aforismos e os aidentrismos.

No meu não: Toda grande aliança partidária deixa um anel comprometido.

Pesquisa eleitoral: Se Eunício não selar aliança será porque Izolda cela?

Voto censitário: É mais fácil um rico passar pelo buraco de uma urna do que um pobre ser eleito. Saideira: Uma gelada: Rousseff teme que uma CPI vire uma bola de Neves.

Até!

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Não verás pênalti como este

Por Orlando Nunes em Crônica

14 de dezembro de 2013

Hoje não tem língua, a portuguesa em destaque é a de desportos. Alguns cartolas estão caindo na área para criar um pênalti e salvar seu time da morte anunciada.

Estou muito feliz nesta pré-temporada. A gente não toma gol de bola parada, ao menos até começar o campeonato (não adianta tapar o sol com uma peneira).

Falando em futebol…

Era simplesmente torcedor. Torcia o tornozelo, o joelho, a coluna… Chutei o pau da barraca e virei sócio-torcedor, mas nada mudou. Resultado: já começo a torcer o nariz.

Saiu a decisão: em 2014 estou proibido de entrar em estádio. Mas recorri, e meu dermatologista reformulou sua sentença: “À noite pode, mas com filtro solar”.

Jogar futebol ao nascer da tarde no país tropical é show de bola. Meu favorito era o PES, antigo Wining Eleven. Só quando morria a tarde desligava o ar-condicionado.

A regra é clara, mas ninguém a obedece. Acho nossas leis muito brandas, senão quem marcasse um jogo de futebol para as 15 horas seria punido com uma temporada de prisão domiciliar, sem direito a banho de sol. Ora, futebol Fifa começa ao meio-dia!

Não. Cadeia no Brasil não. Isso é usar de força desproporcional, um mensalão, um papelão, um estrelão. Quem marcar jogo de futebol para as 15 horas vai ter de assistir ao jogo na arquibancada, do lado do sol, é claro, de paletó e gravata – cem cartolas.

E para todos os cem cartolas está proibida a venda não só de bebida alcoólica, mas também de água mineral, com ou sem gás, de picolé de palitinho ou de saquinho.

Boné, óculos escuros, guarda-sol ou guarda-chuva? Nem pensar – vermelho na hora.

Mas vamos falar de esquema (tático) para as quatro linhas. O melhor sistema defensivo, por exemplo, é mesmo o da seleção: uma linha de três goleiros: Júlio César, Felipão e Nero. Salvo engano, o terceiro goleiro ainda não está definido, esquenta nos bastidores o nome do guarda-valas do Botafogo – seis por meia dúzia. Melhor talvez  fosse o Fernando Henrique, um goleiro de centro, mas que se movimenta bem tanto pela esquerda quanto pela direita. No Ceará ele só não fez chover, mas vazou muito.

Três volantes de destruição e mais três de armação.

Pensando bem, esse negócio de armação é coisa de atacante brasileiro.

O atacante é um fingidor

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é pênalti

O pênalti que deveras sofre

Criança, não verás pênalti como este.

Moral da história: o Brasil é o país do fingidor.

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É dos coroas que elas gostam mais

Por Orlando Nunes em Crônica

28 de setembro de 2013

Quem lê jornal concordará comigo, a menos que faça outra leitura dos fatos.

É, ao menos para mim, não apenas surpreendente, como também desmistificador, saber que hoje em dia,“em clima de descontração, candidatas a miss Brasil trocam coroas em hotel”, fato este inimaginável no pretérito imperfeito do subjuntivo, quando a uma miss (se a beldade sonhasse trocar dois dedos de prosa com o Silvio Santos na TV) a maior libertinagem permitida era a de tocar com a pontinha do indicador a orelha do Antoine de Saint-Exupéry, porém jamais se envolver em horda e hotel com senhores com idade para ser seu pai. Mas, aqui entre nós, eu sempre fiquei com o pé atrás diante daquela história insólita de toda miss afirmar, de pés artificialmente juntos, que era o pequeno príncipe quem dormia sempre a seu lado na cama. Não, o mundo está irremediavelmente perdido. E violento! Pois se até “Dilma lidera intenções e abre 22 pontos sobre Marina”, fica mais do que provado, de fato e de direito (penal), que violência gera violência. Além do mais, se se chegou a abrir pontos, portanto às vias de fato, então… “intenções” vírgula, meu camarada, é caso mesmo de polícia. E como está escrito com todas as letras que “polícia prende três que estavam em avião abatido”, podemos prejulgar, baseados no conhecimento de mundo que ainda nos resta, que o referido abatimento foi o calcanhar de Aquiles que levou a milícia aos criminosos, uma vez que o estado de abatimento em aeronaves não é tão comum quanto em pessoas humanas, mormente as que ocupam elevadas poltronas. Contudo, faz-se necessário a todo final feliz de qualquer história “elaborar uma proposta de solução para os problemas abordados, respeitando os valores e considerando as diversidades socioculturais”, cortando, assim, o mal pela raiz – talvez com essa linha de raciocínio na cabeça alguns “pais enviam para teste fios de cabelos dos filhos para saber se usam drogas”. Comprovada a hipótese de até a cabeleira do Zezé puxar um fumo, o melhor a fazer diante dos fatos expostos pela imprensa é depilar o couro cabeludo do moleque mal ele passe no vestibular em busca do anel de ouro, até porque vão-se os fios, ficam os filhos, mesmo pelados. Mas não se deixe enganar: na hora do aperto, em se tratando de miss, é dos coroas que elas gostam mais. Habitue seu filho a ler jornal.

Moral: jornais dizem muitas coisas, mas nada comparável à pródiga capacidade humana de não entender nada do que foi dito, ou de entender tudo, menos o que de fato foi dito.

Até!

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Aumento da passagem de mulher

Por Orlando Nunes em Crônica

21 de junho de 2013

“O projeto ônibus da mulher não foi lançado ao vento. No terminal, ela pega uma grande fila, desorganizada, com tumulto. Cheguei a conclusão que poderíamos trazer um projeto que tem dado certo no México e na Indonésia, lá o índice de abuso caiu a zero. Aqui há base para que essa Casa aprove. A mulher merece ser vista com carinho e com respeito”. Tribuna do Ceará

Lei de trânsito

“A mulher merece ser vista com carinho e com respeito.”

Todavia, a mulher vista com carrinho não tem merecido respeito. Noutras palavras, mulher de respeito é a que só anda de ônibus.

Busão exclusivo para mulheres não seria o fim da picada? Vamos protestar nas ruas.

Habeas corpus já!

Endurecer sem perder a ternura jamais. Queremos o aumento da passagem de mulher nos ônibus. Quanto mais passarem, melhor para quem tem carro pequeno.

Pelos cotovelos  

Um ônibus exclusivo para mulheres é uma proposta anticonstitucional. De saída, atropela o artigo primeiro da Carta do Chofer de Coletivo. Art. 1º: “Não converse com o motorista”.

Há, contudo, outras linhas descobertas, se abrirmos a cartilha do politicamente correto.

Veia vândala

“Ela pega uma grande fila, desorganizada e com tumulto” não é uma frase ambígua, mas é machista, porque sugere sorrateira que “Ele”, o homem, pega também grande fila, naturalmente, mas não é desorganizado nem cria tumulto, predicativos do sujeito mulher.

Faremos grave

Em “cheguei a conclusão”, percebemos falta grave. Falta (acento) grave(`) para a crase.

Rola, não!

Chego à conclusão de que ônibus exclusivo não é coletivo. Pras ruas!

Queremos é o sanfonado.

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Aumento da passagem de mulher

Por Orlando Nunes em Crônica

21 de junho de 2013

“O projeto ônibus da mulher não foi lançado ao vento. No terminal, ela pega uma grande fila, desorganizada, com tumulto. Cheguei a conclusão que poderíamos trazer um projeto que tem dado certo no México e na Indonésia, lá o índice de abuso caiu a zero. Aqui há base para que essa Casa aprove. A mulher merece ser vista com carinho e com respeito”. Tribuna do Ceará

Lei de trânsito

“A mulher merece ser vista com carinho e com respeito.”

Todavia, a mulher vista com carrinho não tem merecido respeito. Noutras palavras, mulher de respeito é a que só anda de ônibus.

Busão exclusivo para mulheres não seria o fim da picada? Vamos protestar nas ruas.

Habeas corpus já!

Endurecer sem perder a ternura jamais. Queremos o aumento da passagem de mulher nos ônibus. Quanto mais passarem, melhor para quem tem carro pequeno.

Pelos cotovelos  

Um ônibus exclusivo para mulheres é uma proposta anticonstitucional. De saída, atropela o artigo primeiro da Carta do Chofer de Coletivo. Art. 1º: “Não converse com o motorista”.

Há, contudo, outras linhas descobertas, se abrirmos a cartilha do politicamente correto.

Veia vândala

“Ela pega uma grande fila, desorganizada e com tumulto” não é uma frase ambígua, mas é machista, porque sugere sorrateira que “Ele”, o homem, pega também grande fila, naturalmente, mas não é desorganizado nem cria tumulto, predicativos do sujeito mulher.

Faremos grave

Em “cheguei a conclusão”, percebemos falta grave. Falta (acento) grave(`) para a crase.

Rola, não!

Chego à conclusão de que ônibus exclusivo não é coletivo. Pras ruas!

Queremos é o sanfonado.