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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

Dica

Continuar ou seguir, eis a questão

Por Orlando Nunes em Dica

14 de setembro de 2018

Livros em biblioteca

Continuar ou seguir? (FOTO: Flickr/Creative Commons/CCAC North Library)

Bons dias, navegantes do MAR Jangadeiro. O blog continua, mas percebo que o verbo continuar anda em baixa no ibope. A moda agora é seguir.

“Caminhoneiros seguem parados na BR”
“Jogador segue caído no gramado”
“Candidato segue internado no Einstein”

Passei um tempo sem postar, talvez esteja ultrapassado. Devo dizer “o blog continua no Tribuna do Ceará” ou “o blog segue no Tribuna do Ceará”?

Nada disso! Sigo aquém do meu tempo, e o blog deve continuar. Sigam-me no MAR.

Português à prova. Eis a questão:

MARque a alternativa em que os vocábulos NÃO foram acentuados pela mesma regra:
(a) Óculos para míope
(b) Bônus para biquínis
(c) Fórmula do álcool
(d) Saída de veículos
(e) Monólogo de ventríloquo

Solução só na segunda. Mensagens para o marjangadeiro@gmail.com

Boa sexta, ótimo fim de semana.

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Dez dicas da série Competência 1: português profissional – texto jornalístico

Por Orlando Nunes em Dica

29 de Janeiro de 2018

1 – Cai, chuva

Evite a obviedade da construção “a chuva que caiu”. Em vez de “A chuva que caiu ontem na região”, escreva, por exemplo, “A chuva de ontem na região”, ou “A chuva que atingiu ontem a região”. Enfim, fuja sempre da “chuva que cai” (agora, se ela, surpreendentemente, começar a subir, aí sim, seja o primeiro a noticiar a novidade).

2 – Hora determinada

Observe: “A reunião ocorreu de 9h às 11h” (errado). Antes de “11h” temos, corretamente, preposição (a) + artigo (a), resultando em crase (às). Antes de “9h”, por paralelismo, deveríamos ter também preposição + artigo (de + as), resultando em “das”. Logo, “A reunião ocorreu das 9h às 11h”.

3 – Tinha uma pedra no meio do caminho

“Todas as medidas legalmente cabíveis no difícil e permanente combate à sonegação de impostos no país, têm sido e continuarão sendo tomadas pelo governo, disse o ministro.”

É sempre bom lembrar que não se separa o sujeito do predicado com vírgula. Como, no período acima, temos um exemplo de sujeito de longa extensão (ele começa em “Todos”, no início da frase, e vai até a palavra “país”), sua completa identificação foi dificultada, levando o redator a, equivocadamente, separá-lo de seu verbo com uma vírgula – retire-a.

4 – À medida que x Na medida em que

Não confunda a locução conjuntiva “à medida que” (“à proporção que”) com a locução “na medida em que” (“porque”). Obs. É equivocada a construção híbrida dessas locuções, isto é, “à medida em que” ou “na medida que”. Veja os exemplos: “Desfavoravelmente, o diálogo entre policial e sequestrador se tornava mais tenso à medida que/à proporção que o tempo passava” (certo); “Na medida em que/Porque as reivindicações da categoria não foram atendidas, a paralisação dos trabalhadores será mantida” (certo); “O interrogado se contradizia cada vez mais à medida em que falava” (errado); “De acordo com o delegado, as peças do quebra-cabeça não se encaixavam, na medida que havia muitas contradições no depoimento” (errado).

5 – Em frente a, em face de, diante de

O último vocábulo das locuções prepositivas (grupo de palavras com valor de preposição) quase sempre (em 99,99% das ocorrências, digamos) é uma preposição. Assim, em vez de “Em face os últimos acontecimentos, a reunião foi antecipada”, escreva “Em face dos últimos acontecimentos, a reunião foi antecipada”. Outro fato: a maioria dos gramáticos tradicionais desaconselham a locução “face a” em vez de “em face de”. Obs. Quando semanticamente equivale a “apesar de”, a expressão “não obstante” é locução prepositiva (a única da língua portuguesa não terminada com preposição. Ex.: “Não obstante/apesar de já ter tomado a vacina no passado, temia a viagem à cidade, considerada área de risco com muitos casos registrados de febre amarela”.

6 – O porquê das perguntas

Não leve totalmente a sério a lenda de que, para perguntas, sempre empregamos “por que separado”. Observe: “O jogador foi multado só porque chegou alguns minutos atrasado ao treino? Esse “porque” é uma conjunção causal e deve ser mesmo escrito em uma só palavra, mesmo numa frase interrogativa.

7 – Chavão

Evite os chavões dos boletins policiais (ou de quaisquer outros). Ex.: Em vez de “O grupo de homens armados efetuaram diversos disparos”, escreva, simplesmente, “O grupo de homens armados atiraram várias/diversas vezes”.

8 – Ordinais

Na indicação de artigos de lei, empregue numeral ordinal de um a nove e numeral cardinal a partir de dez. Ex.: “Segundo o artigo 5º da referida lei” (e não artigo 5). Mas… “Segundo o artigo 10 da referida lei” (e não artigo 10º).

9 – Um dos que

Dê preferência à flexão de plural do verbo seguinte à expressão “um dos que”. Ex.: “O meia-atacante foi um dos que mais se destacaram na partida de ontem”.

10 – Duração

Em tempo: sem o artigo antes dos numerais indicadores de horas, o sentido é de duração de tempo. Veja a seguinte construção: “A reunião durou de três a quatro horas” é diferente semanticamente de “A reunião durou das 3h às 4h”. Nesta segunda estrutura, com preposição e artigo, inferimos que a reunião teve duração de uma hora; no primeiro exemplo, com preposição e sem artigo, deduzimos que a reunião durou aproximadamente três ou quatro horas.

 

Até!

marjangadeiro@gmail.com

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Lava Jato: a preposição roubada

Por Orlando Nunes em Dica

20 de junho de 2016

operacao lava jato“Força-tarefa da Lava Jato quer multa de R$ 6 bi da Odebrecht”

SUBSTANTIVO COMPOSTO
Quando um substantivo se encontra com outro substantivo, dá pau, e só um hífen para separar a briga feia: força-tarefa, um substantivo composto,

PREPOSIÇÃO ROUBADA
Já a Operação Lava Jato, que está dando um banho, seria mais enxuta como Operação Lava a Jato” (algo é lavado a jatos d’água, afinal).

Na fala, contudo, “lava a jato” vira naturalmente /“lavajato”/. A força da fala, superior à da escrita, cunhou (sem trocadilho) Lava Jato.

Em todo caso, a operação da Polícia Federal é um sucesso, é Lava Jato e ninguém mexe. Que nenhum “delator premiado” me acuse de tentar barrar a dita cuja. Eu sou apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior.

Até!

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A grande chance

Por Orlando Nunes em Dica

21 de Janeiro de 2016

(FOTO: Arquivo/Tribuna do Ceará)

(FOTO: Arquivo/Tribuna do Ceará)

“Ceará tem grande chance de enfrentar 5º ano seguido de seca, prevê a Funceme”

Ops! Comentei esse assunto noutras épocas. Vale a pena ver de novo.

A palavra “chance” tem valor semântico positivo: chance de ganhar na Mega, chance de ser campeão da série C (Fortaleza, tantas vezes campeão…), chance de ir pro céu sem estágio no purgatório, etc. Então, chance de seca não cai bem. E confiemos nos profetas do sertão, chove.

Uma proposta de reescritura:

“Ceará pode enfrentar 5º ano seguido de seca, prevê Funceme”

Até!

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Previsto para… derrubar redator

Por Orlando Nunes em Dica

12 de junho de 2015

Caro redator, antes de entregar a redação ao fiscal, bote banca, revise seu texto.

Fragmento de texto:
“O filme está previsto para estrear na próxima semana em todo o Brasil”.

BOTANDO BANCA (examinadora)
Depois da expressão “previsto para”, escreva um termo de valor temporal em vez de um verbo. Assim, nada de “previsto para estrear”, “previsto para ocorrer”, “previsto para voltar”, etc. Observe as frases abaixo:

“A peça está prevista para estrear no início do próximo mês”.

Na verdade, quem está prevista é a estreia, e não a peça (já ensaiada, montada, prontinha e na ponta da língua do elenco). Então, você bota banca, e a frase fica assim:

“A estreia da peça está prevista para o início do próximo mês”.

Sacou a sequência? Vamos lá: previsto/a + para + tempo (e não verbo, que virou substantivo abstrato).

Outras frases:

“O fenômeno está previsto para ocorrer na noite deste sábado”.

Botando banca:
“A ocorrência do fenômeno está prevista para a noite deste sábado”.

Mais uma frase:

“O prefeito está previsto para voltar domingo”. (prefeito previsto, meu caro?)

Botando banca:
“A volta do prefeito está prevista para domingo”.

Lembre-se: todo redator bota banca (antes da banca examinadora oficial do Enem).
Até!

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No meio é mais caro

Por Orlando Nunes em Dica

13 de Março de 2015

Revisão de livro

Revisão de livro

Pediram-me a revisão de um livro.

Interlocutor 1: Todo cuidado é pouco.

Interlocutor 2:
É, o autor levou um ano pra escrever.

Perguntei:
Quanto tempo tenho para revisar?

Interlocutor 1:
Um fim de semana tá bom?

Interlocutor 2:
Tem muita página, mas com muita foto no meio.

Saquei:
Então é mais caro, foto no meio atrapalha muito a leitura.

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Parênteses ou colchetes, quando usá-los?

Por Orlando Nunes em Dica

10 de Janeiro de 2015

Quando (para apresentar um ponto de vista à parte, revelar um detalhe do contexto em que se deu o fato, ou para completar uma estrutura frasal de terceiros facilitando sua compreensão pelo leitor) interferimos no curso normal de um texto, podemos recorrer aos parênteses (…) ou aos colchetes […], por exemplo.

A pergunta: Tanto faz usar parênteses como colchetes?

Uma resposta, ou um conselho:

Quando o autor do texto faz a interferência no próprio texto, aconselha-se o emprego dos parênteses para destacá-la. Exemplo:

“O direito de expressar livremente um ponto de vista é assegurado por lei (é louvável que assim seja), apesar de haver gente que defenda a mordaça à opinião alheia, se divergente.”

Os parênteses, assim, destacam intervenções ou comentários de quem escreveu todo o texto.

Entretanto, quando o autor do texto faz a intervenção (um comentário, p.ex.) no texto de outrem, aconselha-se o emprego dos colchetes. Exemplo:

“Em defesa de minha tese, recorro à Constituição: ‘… é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença’ [é lamentável que existam pessoas que combatam a ferro e fogo esse direito].”

Os colchetes, assim, separam duas canetas: quem escreveu o texto entre colchetes não foi o mesmo redator do texto apresentado aqui entre aspas simples.

Simples assim.

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Redação Enem: não adianta adivinhar

Por Orlando Nunes em Dica

03 de Janeiro de 2015

– Professor, quais os temas mais quentes para a redação do Enem?

– Hoje, um deles certamente é o derretimento das calotas polares.

– E o aquecimento global?

– Quentíssimo também.

Agora, sério, uma dica de macaco veio: não dê a menor importância a palpites ou a profecias que tentam ‘acertar’ o tema da redação (do Enem ou de qualquer outra instituição).

Fundamental é aprender a selecionar, organizar e apresentar ideias. Como?

LEIA E ESCREVA todos os dias! Não falte às aulas, nem que chova em Fortaleza.

P.S.: Fique esperto, não adianta também ‘adivinhar’ na véspera da prova a competência Domínio da Norma Culta da Língua Portuguesa; janeiro é joia para recomeçar a estudar.

Até!

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Um ótimo final de ano OU fim de ano?

Por Orlando Nunes em Dica

23 de dezembro de 2014

“Tenha um ótimo final de ano.” OU “Tenha um ótimo fim de ano.”?

Resposta: a segunda frase é a culta e bela (a recomendada pelo bom velhinho).

Dica de macaco veio: só empregue “final” em vez de “fim” quando puder reescrever a frase (sem forçar a barra da serenidade) utilizando um substantivo antes da palavra “final”.

Por exemplo:

Alguém disse ou escreveu “Tenha um ótimo final de ano”. Vamos fazer o teste proposto acima. Você teria coragem, sem nenhuma dose de uísque, vinho ou cachaça, de dizer algo assim: “Amigo(a), tenha uma ótima parte final do ano”. Nas CNTPs você jamais diria isso, eu sei.

Então é porque o “final” deve ser trocado por “fim”.

Veja esta outra frase: “Minha mulher (namorada, amante, etc.) se desmanchou em choro no final do filme”. Vamos ao teste da sobriedade, pondo um substantivo antes de “final”: “Minha mulher (namorada, amante, etc.) se desmanchou em choro na parte final do filme”.

Agora sim, “na parte final do filme” soa bem, como boa música; sinal de que a frase testada estava boa com a palavra “final”. Só mais uma? “A final do torneio de damas será domingo”.

Teste: A partida final será domingo. Passou. Feliz Natal e ótimo fim de ano.

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Ordem jornalística

Por Orlando Nunes em Dica

02 de dezembro de 2014

“Justiça nega ao ex-deputado do PT João Paulo Cunha prisão domiciliar”

Na estrutura da frase jornalística, normalmente damos prioridade à ordem direta dos termos (sujeito-verbo-complemento verbal) e, a partir desta, à ordem “termo menor + termo maior”.

Na frase de referência, temos a seguinte estrutura:

sujeito (S): Justiça; objeto indireto (OI): ao ex-deputado do PT João Paulo Cunha (integra esse complemento verbal um aposto especificativo: João Paulo Cunha); objeto direto (OD): prisão domiciliar. Observe agora que o OI é bem maior que o OD.

Assim, dê preferência à seguinte ordem: S — OD (complemento menor na frase de referência) — OI (complemento maior:

“Justiça nega prisão domiciliar ao ex-deputado do PT João Paulo Cunha”

Até!

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Ordem jornalística

Por Orlando Nunes em Dica

02 de dezembro de 2014

“Justiça nega ao ex-deputado do PT João Paulo Cunha prisão domiciliar”

Na estrutura da frase jornalística, normalmente damos prioridade à ordem direta dos termos (sujeito-verbo-complemento verbal) e, a partir desta, à ordem “termo menor + termo maior”.

Na frase de referência, temos a seguinte estrutura:

sujeito (S): Justiça; objeto indireto (OI): ao ex-deputado do PT João Paulo Cunha (integra esse complemento verbal um aposto especificativo: João Paulo Cunha); objeto direto (OD): prisão domiciliar. Observe agora que o OI é bem maior que o OD.

Assim, dê preferência à seguinte ordem: S — OD (complemento menor na frase de referência) — OI (complemento maior:

“Justiça nega prisão domiciliar ao ex-deputado do PT João Paulo Cunha”

Até!