Publicidade

MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

O segundo deputado mais bem votado

Por Orlando Nunes em Gramática

19 de outubro de 2014

Diga-me cá uma coisa, caro internauta:

O correto é falar (ou escrever) “O segundo deputado mais bem votado para a Assembleia Legislativa do Ceará foi Aderlânia Noronha” OU “A segunda deputada mais bem votada para a Assembleia Legislativa do Ceará foi Aderlânia Noronha”?

Se você respondeu algo do tipo: “Claro que a correta é a segunda frase, afinal de contas, nos referimos a uma deputada, e não a um deputado”, devo-lhe dizer que não é bem assim que a regra range em português; vamos devagar na apuração.

Não resta hoje a menor dúvida ou polêmica quanto a formas femininas como “vereadora”, “prefeita”, “deputada”, “senadora”, “ministra” (há, sim, uma discussãozinha boba a respeito da corretíssima forma “presidenta”, mas isso são outros quinhentos). A questão em análise neste post, porém, traz consigo dois traços importantes a serem levados em consideração: o de “gênero” e o de “generalidade”.

Quem fala (ou escreve) “O segundo deputado mais bem votado para a Assembleia Legislativa do Ceará foi Aderlânia Noronha” declara algo distinto daquilo que declara quem fala (ou escreve) “A segunda deputada mais bem votada para a Assembleia Legislativa do Ceará foi Aderlânia Noronha”. Vixe Maria; e agora, José?

Aviso aos navegantes do MAR: as duas estruturas estão gramaticalmente CORRETAS.

Mas…

  • a primeira frase nos informa, ao pé da letra, que, dentre os deputados eleitos (homens e mulheres) para a Assembleia Legislativa, a deputada Aderlânia Noronha foi “o segundo candidato (repito, consideram-se aqui os homens e mulheres) mais bem votado”.
  • a segunda frase nos informa (e aqui teríamos uma informação incorreta (não no âmbito da gramática, mas no da matemática)) que a parlamentar foi “a segunda deputada mais bem votada” (neste caso, são consideradas apenas as mulheres eleitas para o cargo (além de Aderlânia, e pela ordem decrescente do número de votos recebidos, a deputada Fernanda Pessoa, a deputada Augusta Brito, a deputada Laís Nunes, a deputada Mirian Sobreira, a deputada Dra. Silvana e a deputada Bethrose)).

Nesse novo contexto, deveríamos declarar (para a correção numérica do enunciado e precisão da notícia): “A segunda deputada mais bem votada para a Assembleia Legislativa do Ceará foi Fernanda Pessoa”. Resumindo, a desinência de gênero manda.

Em outras palavras, a língua portuguesa nunca foi “machista”, pelo contrário. Quando queremos ser genéricos, empregamos formas neutras, as do masculino; quando queremos especificar o sexo, utilizamos formas marcadas, as do feminino.

Em razão da marca forte do gênero feminino é que ouvimos (ou lemos), por exemplo, frases assim: “Fulano tem dois filhos, um homem e uma mulher”. Se fossem duas mulheres, ouviríamos (ou leríamos) apenas: “Fulano tem duas filhas”. É o bastante.

Em bom português, a mulher é o gênero forte. Parabéns às deputadas eleitas.

Até!

P.S. Aqui entre nós, meu irmão camarada, me responda a última: quem emprega muitos parênteses num texto pode ser também acusado da prática de nepotismo?

Publicidade aqui

O segundo deputado mais bem votado

Por Orlando Nunes em Gramática

19 de outubro de 2014

Diga-me cá uma coisa, caro internauta:

O correto é falar (ou escrever) “O segundo deputado mais bem votado para a Assembleia Legislativa do Ceará foi Aderlânia Noronha” OU “A segunda deputada mais bem votada para a Assembleia Legislativa do Ceará foi Aderlânia Noronha”?

Se você respondeu algo do tipo: “Claro que a correta é a segunda frase, afinal de contas, nos referimos a uma deputada, e não a um deputado”, devo-lhe dizer que não é bem assim que a regra range em português; vamos devagar na apuração.

Não resta hoje a menor dúvida ou polêmica quanto a formas femininas como “vereadora”, “prefeita”, “deputada”, “senadora”, “ministra” (há, sim, uma discussãozinha boba a respeito da corretíssima forma “presidenta”, mas isso são outros quinhentos). A questão em análise neste post, porém, traz consigo dois traços importantes a serem levados em consideração: o de “gênero” e o de “generalidade”.

Quem fala (ou escreve) “O segundo deputado mais bem votado para a Assembleia Legislativa do Ceará foi Aderlânia Noronha” declara algo distinto daquilo que declara quem fala (ou escreve) “A segunda deputada mais bem votada para a Assembleia Legislativa do Ceará foi Aderlânia Noronha”. Vixe Maria; e agora, José?

Aviso aos navegantes do MAR: as duas estruturas estão gramaticalmente CORRETAS.

Mas…

  • a primeira frase nos informa, ao pé da letra, que, dentre os deputados eleitos (homens e mulheres) para a Assembleia Legislativa, a deputada Aderlânia Noronha foi “o segundo candidato (repito, consideram-se aqui os homens e mulheres) mais bem votado”.
  • a segunda frase nos informa (e aqui teríamos uma informação incorreta (não no âmbito da gramática, mas no da matemática)) que a parlamentar foi “a segunda deputada mais bem votada” (neste caso, são consideradas apenas as mulheres eleitas para o cargo (além de Aderlânia, e pela ordem decrescente do número de votos recebidos, a deputada Fernanda Pessoa, a deputada Augusta Brito, a deputada Laís Nunes, a deputada Mirian Sobreira, a deputada Dra. Silvana e a deputada Bethrose)).

Nesse novo contexto, deveríamos declarar (para a correção numérica do enunciado e precisão da notícia): “A segunda deputada mais bem votada para a Assembleia Legislativa do Ceará foi Fernanda Pessoa”. Resumindo, a desinência de gênero manda.

Em outras palavras, a língua portuguesa nunca foi “machista”, pelo contrário. Quando queremos ser genéricos, empregamos formas neutras, as do masculino; quando queremos especificar o sexo, utilizamos formas marcadas, as do feminino.

Em razão da marca forte do gênero feminino é que ouvimos (ou lemos), por exemplo, frases assim: “Fulano tem dois filhos, um homem e uma mulher”. Se fossem duas mulheres, ouviríamos (ou leríamos) apenas: “Fulano tem duas filhas”. É o bastante.

Em bom português, a mulher é o gênero forte. Parabéns às deputadas eleitas.

Até!

P.S. Aqui entre nós, meu irmão camarada, me responda a última: quem emprega muitos parênteses num texto pode ser também acusado da prática de nepotismo?