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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

Myrson e o mapa da mina

Por Orlando Nunes em Entrevista

10 de junho de 2015

O blog Manual de Apoio à Redação – MAR Jangadeiro passou uma temporada no estaleiro para ajustes técnicos e agora retorna ao habitat. Até outubro, nosso assunto será Redação para o Enem. Eu e a jornalista Vivian Carneiro vamos trazer do MAR dicas de redação, entrevistas com educadores, professores, alunos… Então, se você vai fazer o Enem 2015…

… todo dia é dia útil para estudar: sábado, domingo, feriado. Quem é do MAR não enjoa.

Para começar muito bem, conversamos com um professor nota mil: Myrson Lima.

Myrson LimaFortalezense e torcedor do Fortaleza (Lima é o melhor professor de português do estado; o Leão, o melhor time), Myrson é um apaixonado pelo idioma português. Tem mais de 20 anos de experiência como docente, é autor do livro O Essencial do Português – Para Concursos e Vestibulares, da editora ABC, já na sétima edição (esse livro é uma delícia). Myrson Lima é um dos fundadores da Academia Cearense da Língua Portuguesa (criada em 1977) e ocupa a cadeira de número 14 da instituição. Nesta primeira edição do blog agora voltado para a redação o Enem, temos a honra de contar com a participação dessa fera. Lima é um Leão.

Leia a entrevista e, se vai fazer a redação do Enem, siga o mapa da mina.

 

ENTREVISTA: Professor Myrson Lima

Título: pôr ou não pôr, eis a questão

Myrson Lima: Não se aconselha o uso de título ao texto. Basta formular bem a tese no primeiro parágrafo, evitando-se o risco de uma escolha inadequada do título. Saiba, porém, que no Enem, o título é opcional e, se formulado no lugar adequado logo acima do texto, conta como linha escrita.

Características dos parágrafos de Introdução, Desenvolvimento e Conclusão na redação do Enem.

Myrson Lima: O texto deve ser subdividido em parágrafos. Na divisão, o primeiro parágrafo é para a Introdução e o último para a Conclusão.

Antes da Introdução, faça seu projeto de redação. Reflita sobre o tema proposto pela Comissão do Vestibular, comum a todos os candidatos, leia os textos motivadores, para compreender melhor o que está sendo solicitado e elabore, no primeiro parágrafo, a sua tese, o seu ponto de vista. A tese naturalmente deve ser relacionada ao tema proposto pela Comissão. A tese ocupa-se de algo que precisa ser corrigido ou melhorado. Para isso, na Conclusão (último parágrafo do texto), devem constar as propostas de intervenção.

No Desenvolvimento, apresentam-se os argumentos para a defesa da tese exposta no primeiro parágrafo. Se forem dois argumentos, deverá haver dois parágrafos; três argumentos, três parágrafos; quatro argumentos, quatro parágrafos.

Não se esqueça de que cada parágrafo só pode conter uma ideia forte (tópico frasal), obedecendo ao projeto elaborado antes da escrita do texto.

Cada argumento deve responder à pergunta por quê? Aqui você deve convencer o leitor a concordar com a sua tese, porquanto o texto é dissertativo-argumentativo.

Para desenvolver os argumentos, pode-se lançar mão de estratégias argumentativas (dados estatísticos, pesquisas, fatos comprováveis, citações ou depoimentos, alusões históricas, comparações entre fatos, situações, épocas ou lugares distintos).

A Conclusão (último parágrafo) é o local para a apresentação das propostas de intervenção para o problema estudado. Devem ser coerentes com os argumentos do desenvolvimento, bem como concretas, específicas, viáveis, consistentes. Responda à pergunta: o que é possível fazer?

Textos de apoio (vale uma “copiadinha”?)

Myrson Lima: Leia com atenção a proposta da redação dada pela Comissão do Vestibular e os textos motivadores para compreender bem o que está sendo solicitado. A transcrição ou a cópia, mesmo parcial, porém, dos textos acarretará desconsideração do número de linhas transcritas.

Evite também ficar preso às ideias desenvolvidas nos textos vinculados à proposta de redação, uma vez que foram apresentadas apenas para despertar a reflexão sobre o tema e não para limitar a criatividade.

Por essa razão, na sua preparação remota para a sua Prova de Redação, deve-se fazer um banco de ideias, procurando atualizar-se acerca dos temas possíveis, como assuntos sociais, econômicos e políticos do momento. Para isso, aconselha-se a leitura de blogs específicos sobre o Enem, de textos e editoriais dos principais jornais e revistas e a audição de comentários radiofônicos e televisivos sobre assuntos da atualidade.

Obrigado, professor Myrson.

É isso, navegador do MAR.

Até!

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Se sai o Vaccari, a vírgula também sai

Por Orlando Nunes em Pontuação

18 de Abril de 2015

Há apostos (aberto, rima com impostos) especificativos e apostos de valor explicativo. Os do segundo grupo vêm assinalados com vírgula(s); os do primeiro, não.

Com exemplos não é complicado, como pode parecer à primeira vista.

Vejamos esta frase:

“A presidente da República, Dilma Rousseff, enfrenta talvez a pior crise de seu governo”.

Ora, se Dilma Rousseff vem entre vírgulas, não é por intriga da oposição (embora haja quem jure de pés juntos que seja por isso), mas porque é, no contexto do fragmento acima, um aposto de valor explicativo.

Quando o aposto representa a totalidade do conjunto sugerido pelo termo antecedente (presidente da República do Brasil, no caso), ele é de natureza “explicativa”. Detalhe: esse tipo de aposto sempre vem assinalado por vírgula(s).

“O governador do estado do Ceará, Camilo Santana, disse que…”

“O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, disse que…”

Agora atenção para não ser pego (ou pegado) de calça curta:

“A prisão do ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, João Vaccari Netto, ofuscou a mobilização que próceres da sigla vinham fazendo contra o Projeto de Lei 4.330”.

Perceba que “João Vaccari Netto”, no contexto acima, seleciona apenas uma parte dos membros do conjunto representado pelo termo antecedente (ex-tesoureiro do PT). Vaccari não é o único ex-tesoureiro do partido.

Então, o aposto aqui especifica um membro de um grupo maior, é um “aposto especificativo”, nunca assinalado com vírgula(s).

Reescritura do fragmento de texto:

“A prisão do ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores João Vaccari Netto ofuscou a mobilização que próceres da sigla vinham fazendo contra o Projeto de Lei 4.330”.

Até!

 

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Quatro entradas para não deixar um ministério

Por Orlando Nunes em Crônica

21 de Março de 2015

Se alguém chamá-lo de achacador, você tem ao menos quatro motivos para não perder a calma e apenas dois para processar o mal-educado. Pois não é que, não se sabe bem por quais mistérios da ciência política, uns 300 senão 400 parlamentares foram se enredar justamente nos dois sentidos mais cabeludos do verbete achacar?

E outra: boato ou o Cid queria abandonar o bote?

Por que não se dirigiu aos parlamentares com mais molejo, algo assim:

Salve, salve, galera, blz? Pô, vossas excelências estão putos da vida por quê? Tempestade em copo d’água! Não consultam dicionários? Vejam a entrada 1 do verbete “achacar”, foi nesse sentido que me referi a vossas excelências num bate-papo esperto com a galerinha do Pará. Para com isso, gente boa, achacar é só “aborrecer”, todos nós achacamos alguém de vez em quando, ou não é assim?

ACHACAR

1 causar aborrecimento a; molestar, desagradar

Ex.: A insistência de 300 ou 400 parlamentares por mais diálogo entre Presidência da República e Câmara dos Deputados achacava a presidenta.

Camaradas, isso é motivo para pedirem minha cabeça? Chega a ser achacador.

Certo, certo, digamos que tenha alguém aqui na Casa ainda meio cabreiro, desconfiado de haver mais caroço nesse angu. E há. Mas igualmente insuficiente para tamanha revolta da parte de vossas excelências. Passem pela entrada dois:

2 apontar defeito em; censurar, tachar; acusar

Exs.: A maioria dos parlamentares achacava o trabalho da equipe econômica.

Alguém achacou o palavreado do ministro de suicida.

Então, excelências, há algo de podre aqui? Qualé, Cunha? Relaxa, bródi.

Ah, e tem mais: quem disse cobras e lagartos só porque não compareci à primeira  convocação desta acolhedora Casa certamente desconhece a entrada de número três:

3 ter achaques; adoecer

Ex.: O então ministro da Educação faltou à primeira convocação da Câmara porque se encontrava achacado em uma cama de hospital.

É por esta e por outras, excelências, que não vejo motivo algum para a disseminação do ódio interpartidário. Mas, se ainda assim querem mesmo que eu saia, o farei à moda antiga, e direi amanhã: “Fi-lo porque qui-lo”, não sem antes entrar de quatro:

4 dar como motivo; alegar, pretextar

Ex.: achacou inicialmente problemas de saúde para não comparecer à Câmara.

Eis que o chamaram de palhaço, e ele deixa o picadeiro sem uma palavra sequer para fechar de vez as duas últimas entradas disponíveis no excelentíssimo Houaiss:

5 roubar (alguém) com ameaças, com intimidação

6 Regionalismo: Brasil. Uso: informal.

extorquir dinheiro de (alguém) [para não prender, não multar etc.]

Inversão de valores:

Por que vedar as quatro primeiras entradas para achacadores? Como a política hoje anda meio de ponta-cabeça, suspeito que uns 300 ou 400 senhores deputados, achacados de achacadores, correram a galope alto ao pai dos burros.

Mas, estropiados, deram de cara com a porta dos fundos, a entrada seis. Ainda chegaram à entrada cinco, porém se enfezaram de vez com o ministro, cujas palavras sinceras não ultrapassaram a entrada quatro, afinal o homem é bem-educado.

Enfim, Cid não saiu pela porta dos fundos. Agora, se o ex-ministro resolver morar no exterior, isso pode definitivamente achacar seu incorrigível português.

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As ou Os milhares de lojas?

Por Orlando Nunes em Gramática

14 de Março de 2015

Pergunta da semana: o milhar ou a milhar?

“As milhares de lojas de toda a região serão beneficiadas com nova linha de crédito.”

Há algum reparo a fazer na frase acima (não de ordem econômica, mas de ordem gramatical)? Há sim. Milhar é um substantivo masculino e, desse modo, acompanha-o um artigo (ou outro determinante) também masculino, embora, no dia a dia, perguntemos cheios de zoológica esperança: “Que bicho deu hoje, qual foi A milhar?”.

Há uma tese pouco conhecida fora da academia que atribui a falta de sorte da maioria dos apostadores nos jogos de azar aos desvios frequentes da norma culta do idioma.

Assim, se escrevêssemos, por exemplo, Megassena (em vez de Mega-Sena), ou se perguntássemos “Qual foi O milhar de hoje?”, a sorte no jogo de azar seria consideravelmente ampliada. Claro que aqui também há os que não apostam um centavo neste negócio, nesta tese, e eu os respeito muito, porque igualmente não sou um grande apostador (jogo mais nas dezenas, quando muito nas centenas, só pra não ser obrigado a perguntar contrariado ao cidadão comum da mesa: “Qual foi O milhar de hoje?”. Ele certamente imaginaria que eu fosse um bom alemão de português ruim).

Mas, voltando à frase principal em questão, o adequado seria dizer ou escrever: “Os milhares de lojas de toda a região serão beneficiadas com nova linha de crédito.”.

Mais exemplos de acordo com a norma culta da língua portuguesa:

Os milhares de crianças da cidades serão vacinadas”.

Dois milhares de mulheres da comunidade farão exames preventivos hoje”.

É isso aí. E, para fechar a conta: assim como “milhar”, também são masculinos (devendo, portanto, ser acompanhado de determinantes masculinos) “milhão”, “bilhão”, “trilhão”. Um exemplo: OS milhões de dúvidas estão diminuindo, uma a uma.

Até!

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No meio é mais caro

Por Orlando Nunes em Dica

13 de Março de 2015

Revisão de livro

Revisão de livro

Pediram-me a revisão de um livro.

Interlocutor 1: Todo cuidado é pouco.

Interlocutor 2:
É, o autor levou um ano pra escrever.

Perguntei:
Quanto tempo tenho para revisar?

Interlocutor 1:
Um fim de semana tá bom?

Interlocutor 2:
Tem muita página, mas com muita foto no meio.

Saquei:
Então é mais caro, foto no meio atrapalha muito a leitura.

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Esticando a baladeira

Por Orlando Nunes em Vocabulário

07 de Março de 2015

Pego no pé de lugares comuns? Absolutamente.

Não abro mão de puxar-lhes as orelhas, somente.

Creio até que sempre há espaço para o lugar comum num bate-papo informal.

Mas na informação de jornal… penso que não.

Quem já não ouviu ou leu, por exemplo, algo como: “Fulano teceu críticas a Sicrano”.

Parece (a quem?) não satisfazer a contida forma (jornalística?) “Fulano criticou Sicrano”.

E esticam a baladeira (ao máximo, preferencialmente):

“Fulano teceu severas críticas a Sicrano”.

É pouco, estica mais a liga: “Fulano teceu duras e severas críticas a Sicrano”.

Agora sim, deu até para sentir o cheiro forte da borracha. Viva a baladeira!

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Médico legal ou médico-legal?

Por Orlando Nunes em Flexão nominal

07 de Fevereiro de 2015

Pergunta da semana:

É médico legal ou médico-legal?

Médico legal é o que não cobra consulta.

Agora, médico-legal (com hífen) é um adjetivo composto: Instituto Médico-Legal, por exemplo.

Do mesmo modo, temos: departamento médico-cirúrgico, departamentos médico-cirúrgicos; clínica médico-dentária, clínicas médico-dentárias; unidade médico-hospitalar, unidades médico-hospitalares, etc. Perceba que a variação de gênero (feminino) e número (plural) só ocorre no último elemento do adjetivo composto.

Observação: os substantivos compostos correspondentes são grafados também com hífen, mas a flexão genérica e numérica ocorre em ambos os elementos.

O médico-legista acaba de chegar. Os médicos-legistas acabam de chegar.

A médica-cirurgiã fez ótimo trabalho. As médicas-cirurgiãs fizeram ótimo trabalho.

Legal!

Revisão de texto: médico legal não é bem o que não cobra consulta, mas o que cobra e não recebe da rede. O Brasil não está sendo legal com os médicos não.

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Premium 3, vale morrer de novo?

Por Orlando Nunes em Crônica

31 de Janeiro de 2015

Refinaria é futuro do pretérito: eu refinaria, e tu? Futuro do presente: eu refinarei, todos refinaremos um dia. Refinaria, em português vulgar, equivale a “morreria duas vezes”, uma com Lula e outra com Dilma, daí o verbete “Premium 2”. Refinaria é vocábulo formado pelo prefixo latino “re”, o mesmo de “marcha à ré”, com o verbo apocalíptico “finar”, “falecer”, “morrer na praia”. A finada morreu de quê? Pressão alta, desvio de septo na camada de pré-sal. Tentaram de tudo, mas não deu em nada. O canal da mancha é aqui, e o mar morto também, morto e sepultado. Mas o Camilo vai cobrar caro pelo prejuízo da Petrobras. Tu cobras, mas ela pagaria? Pagaria é também futuro do pretérito. No presente, porém, pagaria rima é com padaria, e já estão cobrando mais caro pelo pãozinho. O cliente que disser “eu pagaria”, no futuro do pretérito, não leva o pãozinho no presente. O pão-francês “fazia” parte do café da manhã imperfeito do indicativo da maioria dos fortalezenses. Não podemos nos esquecer de que o fortalezense é antes de tudo um forte, e parte dessa energia vinha exatamente do pãozinho francês; a outra parte vem da Coelce. Como o sistema é ligado em série, o preço de tudo vai subir. E pra completar a água está evaporando, não vai dar nem para o carnaval. Mas que calor, ô, ô, ô, ô, ô, ô. Espera aí! Tiram nossa sonhada refinaria, sugam nossa decantada energia, bebem nossa limitada água… e ainda acham pouco? Pois sim, agora mandam a conta: sem carnaval nem carioquinha. Então vão tirar pão e circo? Assim não tem povo que aguente. Na verdade, palhaço nenhum aguentaria, para voltarmos ao futuro do pretérito. De todo modo, como a carne é mesmo fraca e já engataram a I e a II, se prometerem a Premium III no futuro do presente (eu refinarei… ele refinará), vale morrer de novo?

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Gols e travessões duplos

Por Orlando Nunes em Pontuação

24 de Janeiro de 2015

 

“Tricolor do Pici empatou na rodada inaugural da competição, longe de casa – em Iguatu, e estreou no Estádio Presidente Vargas no domingo”

Como estou mesmo na arquibancada, vou soltar um palavrão: pontuação parentética.

Essa expressão abrange o conceito de vírgulas, parênteses ou travessões duplos. Isso significa dizer que, no contexto de pontuação parentética, se empregamos a primeira vírgula, o primeiro parêntese ou o primeiro travessão, temos de concluir a pontuação com idêntico sinal (outra vírgula, outro parêntese ou outro travessão. Em outras palavras, ajoelhou, tem de rezar. É o caso do fragmento acima, entre aspas.

O termo “em Iguatu” tem à sua esquerda um travessão, e, à sua direita, uma vírgula.

Ninguém agrada a dois senhores; então, resta-nos uma de três alternativas:

  1. empregar travessões duplos

“Tricolor do Pici empatou na rodada inaugural da competição, longe de casa – em Iguatu – e estreou no Estádio Presidente Vargas no domingo”

  1. empregar vírgulas duplas

“Tricolor do Pici empatou na rodada inaugural da competição, longe de casa, em Iguatu, e estreou no Estádio Presidente Vargas no domingo”

  1. empregar parênteses duplos

“Tricolor do Pici empatou na rodada inaugural da competição, longe de casa (em Iguatu) e estreou no Estádio Presidente Vargas no domingo”

É isso. E, para completar, no meio da semana o Fortaleza tomou gols duplos em Juazeiro.

Paciência, as coisas hão de melhorar, inclusive nossa pontuação na tabela, seja ela parentética ou não.

 

 

 

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É correto usar vírgula antes de etc.?

Por Orlando Nunes em Pontuação

17 de Janeiro de 2015

Nesta semana me perguntaram se podemos usar vírgula antes do etc.

Antes de mim, alguém respondeu, taxativo: “Não”.

Em seguida, respondi: “Podemos”. Não era uma resposta para ser “do contra”, mas é que, conhecendo a defesa dos que condenam a vírgula antes do etc. e a defesa dos que a empregam, me alinho à segunda corrente. E digo por quê. A seguir, uma brevíssima análise do assunto.

O etc. é a abreviatura (de uso internacional) da expressão latina et cetera, que significa “e outras coisas da mesma espécie”, “e o resto”.

Então, se a abreviatura etc. traduz-se por “e outras coisas”, não caberia a vírgula antes dela, diriam alguns, pois a conjunção “e” elimina essa possibilidade.

Quem não emprega a vírgula antes do etc., portanto, ancora sua tese em fundamentos de natureza etimológica, ou seja, vai buscar na origem da forma as razões de sua escolha.

Entretanto, se formos sempre seguir ao pé da letra os valores semânticos originais de uma forma, também não utilizaremos o etc., por exemplo, para encerrar uma enumeração de pessoas, tendo em vista que, originalmente, et cetera diz respeito a “coisas”.

Escritores importantes, clássicos e modernos, sabiamente “ignoraram” a origem do etc.

Na verdade, as línguas são avessas à fôrma, ao gesso, ao concreto armado – evoluem.

No caso em discussão neste post, a tese mais evoluída, a meu ver, é a defendida por mestres como Celso Pedro Luft, por exemplo, para quem a pontuação do etc. deve ser a mesma empregada para os demais itens da enumeração: vírgula, ponto e vírgula ou mesmo ponto.

Vejamos exemplos de pontuação do etc. colhidos do “Grande Manual de Ortografia Globo”, do incomparável Luft:

– Comprou livros, revistas, cadernos, etc. (vírgula antes do etc.)

– Palavras que se escrevem com RR e SS: carro, narrar; excesso, remessa; etc. (ponto e vírgula)

– Levantar cedo. Respirar o ar puro da manhã. Fazer ginástica. Etc. (ponto).

É isso. Podemos usar vírgula antes do etc.? Sim, podemos.

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É correto usar vírgula antes de etc.?

Por Orlando Nunes em Pontuação

17 de Janeiro de 2015

Nesta semana me perguntaram se podemos usar vírgula antes do etc.

Antes de mim, alguém respondeu, taxativo: “Não”.

Em seguida, respondi: “Podemos”. Não era uma resposta para ser “do contra”, mas é que, conhecendo a defesa dos que condenam a vírgula antes do etc. e a defesa dos que a empregam, me alinho à segunda corrente. E digo por quê. A seguir, uma brevíssima análise do assunto.

O etc. é a abreviatura (de uso internacional) da expressão latina et cetera, que significa “e outras coisas da mesma espécie”, “e o resto”.

Então, se a abreviatura etc. traduz-se por “e outras coisas”, não caberia a vírgula antes dela, diriam alguns, pois a conjunção “e” elimina essa possibilidade.

Quem não emprega a vírgula antes do etc., portanto, ancora sua tese em fundamentos de natureza etimológica, ou seja, vai buscar na origem da forma as razões de sua escolha.

Entretanto, se formos sempre seguir ao pé da letra os valores semânticos originais de uma forma, também não utilizaremos o etc., por exemplo, para encerrar uma enumeração de pessoas, tendo em vista que, originalmente, et cetera diz respeito a “coisas”.

Escritores importantes, clássicos e modernos, sabiamente “ignoraram” a origem do etc.

Na verdade, as línguas são avessas à fôrma, ao gesso, ao concreto armado – evoluem.

No caso em discussão neste post, a tese mais evoluída, a meu ver, é a defendida por mestres como Celso Pedro Luft, por exemplo, para quem a pontuação do etc. deve ser a mesma empregada para os demais itens da enumeração: vírgula, ponto e vírgula ou mesmo ponto.

Vejamos exemplos de pontuação do etc. colhidos do “Grande Manual de Ortografia Globo”, do incomparável Luft:

– Comprou livros, revistas, cadernos, etc. (vírgula antes do etc.)

– Palavras que se escrevem com RR e SS: carro, narrar; excesso, remessa; etc. (ponto e vírgula)

– Levantar cedo. Respirar o ar puro da manhã. Fazer ginástica. Etc. (ponto).

É isso. Podemos usar vírgula antes do etc.? Sim, podemos.