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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

Parênteses ou colchetes, quando usá-los?

Por Orlando Nunes em Dica

10 de Janeiro de 2015

Quando (para apresentar um ponto de vista à parte, revelar um detalhe do contexto em que se deu o fato, ou para completar uma estrutura frasal de terceiros facilitando sua compreensão pelo leitor) interferimos no curso normal de um texto, podemos recorrer aos parênteses (…) ou aos colchetes […], por exemplo.

A pergunta: Tanto faz usar parênteses como colchetes?

Uma resposta, ou um conselho:

Quando o autor do texto faz a interferência no próprio texto, aconselha-se o emprego dos parênteses para destacá-la. Exemplo:

“O direito de expressar livremente um ponto de vista é assegurado por lei (é louvável que assim seja), apesar de haver gente que defenda a mordaça à opinião alheia, se divergente.”

Os parênteses, assim, destacam intervenções ou comentários de quem escreveu todo o texto.

Entretanto, quando o autor do texto faz a intervenção (um comentário, p.ex.) no texto de outrem, aconselha-se o emprego dos colchetes. Exemplo:

“Em defesa de minha tese, recorro à Constituição: ‘… é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença’ [é lamentável que existam pessoas que combatam a ferro e fogo esse direito].”

Os colchetes, assim, separam duas canetas: quem escreveu o texto entre colchetes não foi o mesmo redator do texto apresentado aqui entre aspas simples.

Simples assim.

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Até as tem crase?

Por Orlando Nunes em Crase

03 de Janeiro de 2015

Texto de apoio:

“Até às 10h, nenhuma viatura da Autarquia Municipal de Trânsito esteve no local.”

Em relação ao texto de apoio, que alternativa explica adequadamente o descumprimento da competência 1 exigida na redação do Enem (domínio da norma culta da Língua portuguesa)?

(a) A AMC não trabalha antes das 10 horas, principalmente quando chove.

(b) As viaturas da AMC não dispõem de pneus apropriados para rodar na chuva.

(c) O indefinido ‘nenhuma’ não poderia ser substituído pela expressão ‘nem uma’.

(d) A forma ‘esteve’ é uma variante do vocábulo ‘estepe’, nome dado ao pneu reserva.

(e) Em ‘Até às’, o sinal grave, indicador de crase, deve ser retirado, pois, de fato, crase não há. Crase é fusão de dois AA; na frase, temos a preposição ‘até’ e o artigo ‘as’.

Gabarito: letra E, de Enem.

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Redação Enem: não adianta adivinhar

Por Orlando Nunes em Dica

03 de Janeiro de 2015

– Professor, quais os temas mais quentes para a redação do Enem?

– Hoje, um deles certamente é o derretimento das calotas polares.

– E o aquecimento global?

– Quentíssimo também.

Agora, sério, uma dica de macaco veio: não dê a menor importância a palpites ou a profecias que tentam ‘acertar’ o tema da redação (do Enem ou de qualquer outra instituição).

Fundamental é aprender a selecionar, organizar e apresentar ideias. Como?

LEIA E ESCREVA todos os dias! Não falte às aulas, nem que chova em Fortaleza.

P.S.: Fique esperto, não adianta também ‘adivinhar’ na véspera da prova a competência Domínio da Norma Culta da Língua Portuguesa; janeiro é joia para recomeçar a estudar.

Até!

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Cheio de chavões

Por Orlando Nunes em Crônica

31 de dezembro de 2014

“Lugar-comum: ideia, frase, dito, sem originalidade; banalidade, chavão” – Houaiss

Felizmente em 2014 não ouvi nem li mais aquele lugar-comum campeoníssimo que nos lembra que futebol é uma caixinha de surpresas. Acho que ele descansa em paz agora. Isso nos enche de esperança para o ano novo, pois ainda há muitos chavões no esporte bretão – e noutros campos, claro, mas me limito às quatro linhas, uma paixão nacional.

Poderiam todos os chavões, em 2015, entrar na caixinha de surpresas e partir desta para melhor. Pra começar, podíamos dar um descanso a essa mania de sempre abrir ou fechar tudo com chave de ouro, ora bolas. E, o pior, no mais das vezes, ao apagar das luzes.

Brasileiro deixa tudo pra última hora. Mas, e agora, qual será a bola da vez (outro lugar-comum de causar espécie, que também é mais um lugar-comum deslavado)? Entretanto, nem todo chavão é flagrante, há os mais discretos, que tentam driblar nossas duras críticas, como exemplifico para dirimir dúvidas: “Ele fez o que pôde e o que não pôde”.

O importante nessa historio é que, quando o juiz trilar o apito, nosso time faça as pazes com a vitória, inserido no contexto de subir de série, só assim teremos nossos estádios literalmente lotados ou tomados. Chega de passar mais um ano em brancas nuvens.

Precisamos reencontrar nosso verdadeiro futebol para o torcedor respirar aliviado. Em 2014 perdemos pontos preciosos na reta final, em jogos fáceis onde éramos francos favoritos. E não adianta tapar o sol com uma peneira, culpar o sol escaldante ou as péssimas condições do tapete verde, o jogo é jogado nas quatro linhas, são onze contra onze, não tem essa, o que tá faltando é bola… e vergonha na cara!

Ano novo, vida nova. Jogo é jogo, treino é treino. E na cartada decisiva de 2015 teremos quem sabe uma agradável surpresa, oxalá aplicando à moda da casa uma sonora senão impiedosa goleada de meio a zero no adversário, pois confiamos piamente nos sólidos conhecimentos do professor e em seu poder de fogo para, com seus relevantes serviços prestados, debelar as chamas desse pavoroso incêndio que se alastra no inferno da série C, afinal o que passou, passou e ainda há muita água pra rolar por debaixo da ponte. Agora chega de tanto chavão, de tanto lugar-comum. Aliás, só aceito mais um: Feliz Ano-Novo!

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Um ótimo final de ano OU fim de ano?

Por Orlando Nunes em Dica

23 de dezembro de 2014

“Tenha um ótimo final de ano.” OU “Tenha um ótimo fim de ano.”?

Resposta: a segunda frase é a culta e bela (a recomendada pelo bom velhinho).

Dica de macaco veio: só empregue “final” em vez de “fim” quando puder reescrever a frase (sem forçar a barra da serenidade) utilizando um substantivo antes da palavra “final”.

Por exemplo:

Alguém disse ou escreveu “Tenha um ótimo final de ano”. Vamos fazer o teste proposto acima. Você teria coragem, sem nenhuma dose de uísque, vinho ou cachaça, de dizer algo assim: “Amigo(a), tenha uma ótima parte final do ano”. Nas CNTPs você jamais diria isso, eu sei.

Então é porque o “final” deve ser trocado por “fim”.

Veja esta outra frase: “Minha mulher (namorada, amante, etc.) se desmanchou em choro no final do filme”. Vamos ao teste da sobriedade, pondo um substantivo antes de “final”: “Minha mulher (namorada, amante, etc.) se desmanchou em choro na parte final do filme”.

Agora sim, “na parte final do filme” soa bem, como boa música; sinal de que a frase testada estava boa com a palavra “final”. Só mais uma? “A final do torneio de damas será domingo”.

Teste: A partida final será domingo. Passou. Feliz Natal e ótimo fim de ano.

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Usuários Atentos do Idioma

Por Orlando Nunes em Homenagem

20 de dezembro de 2014

sss— UAI, uma equipe culta e bela

Estes são alguns dos meus amigos UAIs – Usuários Atentos do Idioma – do Tribuna do Ceará..

Para eles, de domingo a domingo, todo dia é dia útil, inclusive os feriados. E fazem uso de uma ferramenta-chave, a língua portuguesa escrita culta, para, nos 365 dias do ano, escrever a história de um povo de linguagem simples, singular e sábia: a linguagem do povo cearense.

– Língua e pressa

Verdade absoluta: não tem erro, todo jornal tem erro.

Mas há jornais que os encaram e se esforçam para reduzi-los.

O Tribuna do Ceará tem sido um deles.

– Caderno de comunicação

O blogueiro, viciado em gramática, e meus amigos UAIs aí da foto criamos o Caderno de Comunicação Tribuna do Ceará, um conjunto de normas de padronização de escrita e de atenção ao idioma português. Fazemos um controle de erros e o debatemos.

Em 2015, a atenção se intensifica.

– Post 200

Neste post, o de número 200, quero desejar um Feliz Natal a todos os UAIs; são muitos, inúmeros, não caberiam na foto: amigos, alunos e ex-alunos que costumeiramente tiram dúvidas de português pelo marjangadeiro@gmail.com.

Ao pé da letra, quem mais aprende sou eu, que passei a conviver no Tribuna não apenas com uma equipe grande, mas, principalmente, com uma grande equipe.

A todos, um 2015 de muitas conquistas e realizações, com as bênçãos d’O VERBO!

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Estrangeirismos

Por Orlando Nunes em Vocabulário

07 de dezembro de 2014

O negócio é o seguinte: estrangeirismos desnecessários não aumentam a inflação do Brasil; nem sequer arranham o intestino delgado de nosso idioma. Por que não arranham? Porque o idioma tem um sistema digestivo admiravelmente bovino: ele mastiga o palavreado, engole o troço, absorve o que é aproveitável e, em seguida, baba de volta tudo o que não presta.

E, diga-se, ninguém importa mais vocábulos dos outros que o inglês, sabia? Mas nossa língua portuguesa é tão rica que nem precisamos importar tanto. Agora, há sim um magote de palavras estrangeiras muito bem-vindas, insubstituíveis que são, diria: banner, best-seller, blitz, chip, hacker, impeachment, modem, nerd, on line, outdoor, paparazzi, rally, surf, zoom, etc.

Em todo caso, na hora de adotar um gringo, veja bem sua real imprescindibilidade.

Um exemplo fictício: vai ocorrer na terra de Alencar um encontro internacional sobre economia, digamos. Creio que, nesse contexto, um Ceará Business até desce bem.

Mas, num encontro só com tema e participantes da região, por exemplo, aqui o tal business não desce redondo. “Mas é que o mundo hoje está globalizado, brother.” Nada, mera macaquice.

Am I right? Ou isso seria xenofobia de minha parte, oxente?!

Também não dê o drible da vaca, ‘Ceará Negócios’ (o uso do cachimbo faz a boca torta), se temos um ‘Ceará em Negócios’, caso ‘Negócios do/no Ceará’ lhe pareça muito duro de vender.

Mas pare aí! Who are you, senão um zero à esquerda?

Pai é quem cria, batiza e paga a conta, meu filho. Então…

Ceará Business, Ceará Fashion, Ceará News… e nada de itálico, viu?!

— Will face, bichim?

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Ordem jornalística

Por Orlando Nunes em Dica

02 de dezembro de 2014

“Justiça nega ao ex-deputado do PT João Paulo Cunha prisão domiciliar”

Na estrutura da frase jornalística, normalmente damos prioridade à ordem direta dos termos (sujeito-verbo-complemento verbal) e, a partir desta, à ordem “termo menor + termo maior”.

Na frase de referência, temos a seguinte estrutura:

sujeito (S): Justiça; objeto indireto (OI): ao ex-deputado do PT João Paulo Cunha (integra esse complemento verbal um aposto especificativo: João Paulo Cunha); objeto direto (OD): prisão domiciliar. Observe agora que o OI é bem maior que o OD.

Assim, dê preferência à seguinte ordem: S — OD (complemento menor na frase de referência) — OI (complemento maior:

“Justiça nega prisão domiciliar ao ex-deputado do PT João Paulo Cunha”

Até!

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Tinha ou tinham duas pedras no meio do caminho?

Por Orlando Nunes em Flexão verbal

29 de novembro de 2014

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.

(No meio do caminho – Carlos Drummond de Andrade)

 

Na linguagem informal brasileira, o verbo impessoal HAVER (sinônimo de existir) é substituído pelo verbo TER. Dizemos, por exemplo, “Tem gente demais nesta sala”, em vez do culto “Há gente demais nesta sala”.

O verbo HAVER impessoal (sem sujeito) não é flexionado no plural:

Havia pessoas demais nesta sala”, e não “*Haviam pessoas demais nesta sala”.

Dessa forma, quando, coloquialmente, substituímos HAVER (= a existir) por TER. este verbo, igualmente, não será flexionado no plural. No poema de Drummond, se, em vez de uma, houvesse duas pedras no meio do caminho, teríamos os seguintes versos:

Tinha duas pedras
Tinha duas pedras no meio do caminho
No meio do caminho tinha duas pedras

Claro que essa grosseira alteração numérica nos versos do genial poeta mineiro é só para chamar a atenção do leitor para a “impessoalidade” do verbo TER (= a HAVER) neste contexto, porque uma pedra no meio do caminho já é o suficiente para simbolizar uma pedra no sapato de qualquer caminhante deste mundo de pedras.

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!.

 

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Distorções de leitura

Por Orlando Nunes em Dica

27 de novembro de 2014

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Tabacaria – Fernando Pessoa

O último verso da estrofe guia o leitor a releituras dos versos anteriores.

***

Numa avaliação de entrevistas de emprego, o contratante analisa relatório sobre pretendente a uma vaga na empresa. Um candidato, quatro entrevistadores, quatro pontos de vista.

E1 – o candidato deve ser dispensado por faltar-lhe ambição profissional
E2 – o candidato não está preparado para assumir um cargo de liderança
E3 – o candidato deve ser dispensado por sua baixíssima autoestima
E4 – o candidato sonha alto, revela grande lucidez e pé no chão; seja contratado.

O contratante, intrigado com o ponto de vista surpreendente do Entrevistador 4, admite o candidato para um período de experiência, e, não demora muito, efetiva-o funcionário.

Moral da história: são muito comuns juízos equivocados com base em distorções de leitura.

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Distorções de leitura

Por Orlando Nunes em Dica

27 de novembro de 2014

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Tabacaria – Fernando Pessoa

O último verso da estrofe guia o leitor a releituras dos versos anteriores.

***

Numa avaliação de entrevistas de emprego, o contratante analisa relatório sobre pretendente a uma vaga na empresa. Um candidato, quatro entrevistadores, quatro pontos de vista.

E1 – o candidato deve ser dispensado por faltar-lhe ambição profissional
E2 – o candidato não está preparado para assumir um cargo de liderança
E3 – o candidato deve ser dispensado por sua baixíssima autoestima
E4 – o candidato sonha alto, revela grande lucidez e pé no chão; seja contratado.

O contratante, intrigado com o ponto de vista surpreendente do Entrevistador 4, admite o candidato para um período de experiência, e, não demora muito, efetiva-o funcionário.

Moral da história: são muito comuns juízos equivocados com base em distorções de leitura.