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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

Candidatos, cuidado com as adjetivas

Por Orlando Nunes em Pontuação

12 de outubro de 2014

Candidatos e candidatas, ao abrirem a boca, muito cuidado com as chamadas “orações adjetivas”. Elas se acomodam em dois partidos bem parecidos, o PAE e o PAR – Partido das Adjetivas Explicativas e Partido das Adjetivas Restritivas, respectivamente.

Onde mora o perigo? Ele mora na escrita; mais precisamente, nas vírgulas.

Digamos que um candidato ou candidata, no clamor da campanha e tomado(a) pelo mal súbito da sinceridade, declare solenemente, com todas as letras:

“Os políticos do partido que são corruptos devem ser julgados pelo povo no dia da eleição”.

Admitamos, seria uma declaração não só sincera, mas também corajosa.

A sinceridade está no fundo d’alma do político (todo político mergulha de corpo e alma numa campanha; logo, todo político deve ter alma); a coragem está na escolha do modo indicativo (“são”, e não “sejam”). Veja que é confiar demais na habilidade de pontuação de um jornalista.

No dia seguinte à declaração, o político senta à mesa para o café da manhã e abre o jornal:

O candidato X disse ontem que “os políticos do partido, que são corruptos, devem ser julgados pelo povo no dia da eleição”. O candidato se engasgará com pão, pontuação e café com leite.

Admitamos também que não houve má-fé do jornalista ao pôr a oração adjetiva entre vírgulas, transformando a restritiva em explicativa. Foi tudo uma questão de pressa, “língua e pressa”.

O fato é que, com as vírgulas desastradas, todos os políticos do partido viraram farinha do mesmo saco, todos se tornaram corruptos – uma generalização perversa e, o pior, segundo o jornal, proveniente da boca de um membro do partido em questão. Só direito de resposta?!

Candidato(a), para não correr o risco, quando usar uma adjetiva restritiva em sua fala, por segurança, empregue o modo subjuntivo, pois não há adjetiva explicativa com esse modo.

Veja:

“Os políticos do partido que sejam corruptos devem ser julgados pelo povo no dia da eleição”.

Aqui não cabem vírgulas traiçoeiras, pode abrir o jornal ou a revista sem medo.

Até!

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Candidatos, cuidado com as adjetivas

Por Orlando Nunes em Pontuação

12 de outubro de 2014

Candidatos e candidatas, ao abrirem a boca, muito cuidado com as chamadas “orações adjetivas”. Elas se acomodam em dois partidos bem parecidos, o PAE e o PAR – Partido das Adjetivas Explicativas e Partido das Adjetivas Restritivas, respectivamente.

Onde mora o perigo? Ele mora na escrita; mais precisamente, nas vírgulas.

Digamos que um candidato ou candidata, no clamor da campanha e tomado(a) pelo mal súbito da sinceridade, declare solenemente, com todas as letras:

“Os políticos do partido que são corruptos devem ser julgados pelo povo no dia da eleição”.

Admitamos, seria uma declaração não só sincera, mas também corajosa.

A sinceridade está no fundo d’alma do político (todo político mergulha de corpo e alma numa campanha; logo, todo político deve ter alma); a coragem está na escolha do modo indicativo (“são”, e não “sejam”). Veja que é confiar demais na habilidade de pontuação de um jornalista.

No dia seguinte à declaração, o político senta à mesa para o café da manhã e abre o jornal:

O candidato X disse ontem que “os políticos do partido, que são corruptos, devem ser julgados pelo povo no dia da eleição”. O candidato se engasgará com pão, pontuação e café com leite.

Admitamos também que não houve má-fé do jornalista ao pôr a oração adjetiva entre vírgulas, transformando a restritiva em explicativa. Foi tudo uma questão de pressa, “língua e pressa”.

O fato é que, com as vírgulas desastradas, todos os políticos do partido viraram farinha do mesmo saco, todos se tornaram corruptos – uma generalização perversa e, o pior, segundo o jornal, proveniente da boca de um membro do partido em questão. Só direito de resposta?!

Candidato(a), para não correr o risco, quando usar uma adjetiva restritiva em sua fala, por segurança, empregue o modo subjuntivo, pois não há adjetiva explicativa com esse modo.

Veja:

“Os políticos do partido que sejam corruptos devem ser julgados pelo povo no dia da eleição”.

Aqui não cabem vírgulas traiçoeiras, pode abrir o jornal ou a revista sem medo.

Até!