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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

Sintaxe

Blog MAR Jangadeiro inicia série Competência 1: Gramática Aplicada ao Texto Jornalístico 2018

Por Orlando Nunes em Sintaxe

22 de Janeiro de 2018

Manual de Apoio à Redação – MAR Jangadeiro

Paralelismo sintático

“A capacidade de autocontrole emocional em um indivíduo submetido a tão precárias condições de sobrevivência talvez esteja mais relacionada à loteria genética do que a esforços pessoais.”

Competência 1 – Gramática Aplicada ao Texto Jornalístico

Análise da estrutura “…mais relacionada à loteria genética do que a esforços pessoais”.

 

– Termo regente: “relacionada”.

Termos regidos: (1) “à loteria genética” e (2) “a esforços pessoais”.

 

Observe que, em (1), temos a fusão da preposição A com o artigo A, resultando em À (crase). Entretanto, em (2), segundo termo regido, há somente a preposição A, falta o artigo (“os”, no caso) para a promoção do paralelismo sintático da estrutura (à / aos).

Copidesque

“A capacidade de autocontrole emocional em um indivíduo submetido a tão precárias condições de sobrevivência talvez esteja mais relacionada à loteria genética do que aos esforços pessoais.”

 

E o resto é MAR.

marjangadeiro@gmail.com

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Deslocamento do adjunto adverbial para maior clareza do texto

Por Orlando Nunes em Sintaxe

11 de agosto de 2014

Texto de referência:

“O parlamentar decidiu votar favoravelmente ao projeto nesta segunda-feira.”

À primeira vista, a estruturação do período acima parece não apresentar problema algum. Mas essa estrutura deixará o leitor numa “sinuca de bico”, pois o texto é ambíguo, possibilita duas leituras distintas.

O adjunto adverbial de tempo (nesta segunda-feira) parece “agradar” a dois senhores, ou seja, pode ter como referente dois termos antecedentes, o verbo “decidir” ou o verbo “votar”.

1-      O parlamentar decidiu nesta segunda-feira que votaria favoravelmente ao projeto? ou…

2-      O parlamentar decidiu que votaria nesta segunda-feira favoravelmente ao projeto?

O texto noticioso deve ser o menos ambíguo possível, facilitando sua rápida compreensão pelo leitor. O deslocamento do adjunto adverbial de tempo (nesta segunda-feira), para aproximá-lo do termo a que se refere, seria neste caso uma boa opção visando à clareza do texto.

Reescritura

  1. No caso de o adjunto adverbial de tempo referir-se ao verbo “decidir”:

“O parlamentar decidiu nesta segunda-feira votar favoravelmente ao projeto.” Ou:

Nesta segunda-feira, o parlamentar decidiu votar favoravelmente ao projeto.”

  1. No caso de o adjunto adverbial de tempo referir-se ao verbo “votar”:

“O parlamentar decidiu votar nesta segunda-feira favoravelmente ao projeto.

Pois, pois!

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

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A violenta ordem dos termos

Por Orlando Nunes em Sintaxe

12 de Abril de 2014

“ONU anuncia que Fortaleza é a sede da Copa do Mundo mais violenta.”

 

DUPLA LEITURA

A ordem dos termos na frase deve contribuir para a clareza do texto. Normalmente, a segunda leitura do redator (revisão) elimina a necessidade da segunda leitura do receptor para entender (decodificar) a mensagem.

 

A frase destacada é um bom exemplo disso.

 

QUEM É A MAIS VIOLENTA?

“ONU anuncia que Fortaleza é a sede da Copa do Mundo mais violenta.”

“ONU anuncia que Fortaleza é a sede da Copa do Mundo mais violenta.

 

A disposição dos termos da frase nos leva à compreensão de que “a Copa do Mundo” é a mais violenta; mas imediatamente entra em cena o conhecimento de mundo, que nos alerta para a possibilidade da segunda interpretação: “a sede” é a mais violenta.

 

ORDEM E PROGRESSO

“ONU anuncia que Fortaleza é a sede mais violenta da Copa do Mundo.”

 

Ao pé da letra, nem tudo é tão simples assim. Ambiguidade faz parte do jogo, o duplo sentido nem sempre é indesejado (ou o que seria do humor, do cearense, da vida?).

Ora, o leitor desvela o texto.

Se o redator (quase um deus) escreve certo por linhas tortas, é porque o leitor (quase um santo) lê certo por linhas tortas. Isso é uma verdade; relativa, mas uma verdade.

Agora, uma verdade absoluta: mais mirabolante do que a capacidade humana de “ler certo por linhas tortas” é a capacidade animalesca de “ler errado por linhas certas”.

 

Veja a prova:

 

Redação, a prova; ou Redação à prova; ou (sei lá!) Redação aprova.

Banca: Gabola (Gramática para Alunos Bem Orientados sobre Leituras Absurdas).

 

Frase de apoio:

“ONU anuncia que Fortaleza é a sede da Copa do Mundo mais violenta”

 

Com base no que está por trás, à margem e à frente do anúncio da ONU, assinale a alternativa correta segundo a norma culta da língua portuguesa do país da Copa.

(a)   Esse ponto de vista é anterior às últimas chuvas na capital registradas pela Fundação Cearense de Meteorologia – Funceme; o problema agora não é mais a sede, mas a fome, a fome de bola da Copa, conforme números do Fome Zero.

(b)   Se, de fato, tivermos a “Copa do Mundo mais violenta”, o quadro de arbitragem da Fifa vai direto pra geladeira, uma vez que a cerveja, estupidamente negada no Cearense, recebeu carta branca na Copa.

(c)    O anúncio das Nações Unidas vai ao encontro de uma bem bolada parceria do Ministério do Esporte com o Ministério do Turismo, que tem por objetivo fomentar o turismo de aventureiros de todos os países-membros da ONU.

(d)   Quem é rato de arquibancada sabe muito bem que a declaração da ONU (Organizada Não Uniformizada) não passa de orquestração mal disfarçada contra a TUF (Torcida Uniformizada do Fortaleza), com apoio da Ceará Amor.

(e)   Sem prejuízo semântico ao ponto de vista das Nações Unidas e com a vantagem de eliminação de ambiguidade, poderíamos ter esta reescritura: “ONU anuncia que Fortaleza é a sede mais violenta da Copa do Mundo”.

 

GABARITO OFICIAL: letra “e”, de elucubração.

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

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Tem sujeito que não se enxerga

Por Orlando Nunes em Sintaxe

08 de Março de 2014

“Depois de reclamar demais em campo, o árbitro finalmente expulsou o atleta.”

 

PERÍODO COMPOSTO

Temos acima um período formado por duas orações.

– oração subordinada adverbial temporal: “Depois de reclamar demais em campo”.

– oração principal: “o árbitro finalmente expulsou o atleta”.

 

LEDO ENGANO

A estrutura sintática apresentada, contudo, revela-se inadequada. Não temos dúvida quanto à identificação do sujeito da oração principal: “o árbitro”. Mas qual o sujeito da oração subordinada? Se levarmos a sério a estruturação da frase, diríamos que é também “o árbitro”.

 

QUEM É QUEM

O tal “conhecimento de mundo”, entretanto, nos avisa que não é bem assim, quem reclamava demais em campo não era o árbitro, mas o atleta. O atleta, que reclamava demais, foi expulso.

 

PERNAS TORTAS

O “defeito” sintático do período referido é que o sujeito da oração subordinada (diferente do sujeito da oração principal) não veio expresso na frase, tornando-a, no mínimo, ambígua. A estrutura dribla o leitor, levando-o a crer que o sujeito das duas orações é o mesmo.

 

REESCRITA

“Depois de o atleta reclamar demais em campo, o árbitro o expulsou”.

Ou, fazendo com que o sujeito da oração subordinada seja o mesmo da oração principal, sem, contudoa, comprometer o sentido real da informação:

“Depois de reclamar demais em campo, o atleta foi expulso pelo árbitro”

.

Nesta última construção, “o árbitro” desempenha a função sintática de “agente da passiva”.

PLACA DE ACRÉSCIMOS: 2

1-      Os árbitros de futebol vão bem melhor de agente da passiva do que como sujeito.

2-      Domingo tem Clássico-Rei: mãos frias e pés gelados sob um sol de 40 graus.

Até!

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Tem sujeito que não se enxerga

Por Orlando Nunes em Sintaxe

08 de Março de 2014

“Depois de reclamar demais em campo, o árbitro finalmente expulsou o atleta.”

 

PERÍODO COMPOSTO

Temos acima um período formado por duas orações.

– oração subordinada adverbial temporal: “Depois de reclamar demais em campo”.

– oração principal: “o árbitro finalmente expulsou o atleta”.

 

LEDO ENGANO

A estrutura sintática apresentada, contudo, revela-se inadequada. Não temos dúvida quanto à identificação do sujeito da oração principal: “o árbitro”. Mas qual o sujeito da oração subordinada? Se levarmos a sério a estruturação da frase, diríamos que é também “o árbitro”.

 

QUEM É QUEM

O tal “conhecimento de mundo”, entretanto, nos avisa que não é bem assim, quem reclamava demais em campo não era o árbitro, mas o atleta. O atleta, que reclamava demais, foi expulso.

 

PERNAS TORTAS

O “defeito” sintático do período referido é que o sujeito da oração subordinada (diferente do sujeito da oração principal) não veio expresso na frase, tornando-a, no mínimo, ambígua. A estrutura dribla o leitor, levando-o a crer que o sujeito das duas orações é o mesmo.

 

REESCRITA

“Depois de o atleta reclamar demais em campo, o árbitro o expulsou”.

Ou, fazendo com que o sujeito da oração subordinada seja o mesmo da oração principal, sem, contudoa, comprometer o sentido real da informação:

“Depois de reclamar demais em campo, o atleta foi expulso pelo árbitro”

.

Nesta última construção, “o árbitro” desempenha a função sintática de “agente da passiva”.

PLACA DE ACRÉSCIMOS: 2

1-      Os árbitros de futebol vão bem melhor de agente da passiva do que como sujeito.

2-      Domingo tem Clássico-Rei: mãos frias e pés gelados sob um sol de 40 graus.

Até!