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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

ambiguidade

O advérbio é um bom capoeira

Por Orlando Nunes em Dica

16 de Janeiro de 2013

“A equipe que estava reescrevendo o texto ontem concluiu o trabalho.”

Quantas orações há neste período? Resposta: duas.

  1.  A equipe concluiu o trabalho (principal)
  2. que estava reescrevendo o texto (adjetiva)

A segunda pergunta do dia: a qual das duas orações pertence o advérbio “ontem”?

  1. A equipe concluiu o trabalho ontem (principal) ou
  2. que estava reescrevendo o texto ontem (adjetiva)?

Ambiguidade, eis a questão. A posição do adjunto adverbial de tempo (ontem) na frase em destaque permite dupla interpretação. A dica de hoje é: tome cuidado com a ordem dos termos da frase. O adjunto adverbial, então, é um bom capoeira; bobeou, vem rasteira.

Duas defesas, entre outras, para desfazer a ambiguidade:

  1. “A equipe que estava reescrevendo o texto concluiu o trabalho ontem.”
  2. Ontem a equipe que estava reescrevendo o texto concluiu o trabalho.”

Nas duas estruturas acima, não há dúvida de que “ontem” se refere à data de conclusão do trabalho. Mas, se “ontem” se referisse à data de reescrita do texto, como deixar clara tal informação? Vamos encerrar com duas frases para traduzir essa ideia, sem ambiguidade.

  1. “A equipe que estava reescrevendo ontem o texto concluiu o trabalho.”
  2. “A equipe que estava ontem reescrevendo o texto concluiu o trabalho.”

É isso. O adjunto adverbial é um bom capoeira, ninguém pode negar.

Contato: marjangadeiro@gmail.com

Grande abraço.

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Respostas do Desafio de Redação

Por Orlando Nunes em Redação

30 de junho de 2012

Reescreva as frases abaixo de modo a eliminar a ambiguidade do texto.

1)      A comissão que corrigia as provas ontem divulgou nota à imprensa.

Qual a ambiguidade?

– “ontem” é uma circunstância temporal (adjunto adverbial de tempo) que modifica o verbo “corrigir” ou o verbo “divulgar”?

Da forma como a frase foi estruturada.., dupla possibilidade.

Reescrita, em nome da clareza.

A comissão que corrigia ontem as provas divulgou nota à imprensa, ou, se o sentido não era esse: A comissão que corrigia as provas divulgou ontem nota à imprensa.

2)      Seu desenvolvimento nos últimos meses tem despertado a curiosidade de muitos observadores.

A que termo modifica o adjunto adverbial “nos últimos meses”? Mistério.

Seu desenvolvimento tem despertado nos últimos meses a curiosidade de muitos observadores. (“Nos últimos meses” modifica a locução verbal “tem despertado”)

Tem despertado a curiosidade de muitos observadores seu desenvolvimento nos últimos meses. (desenvolvimento [ocorrido] nos últimos meses)

3)      Fecharam a livraria do bairro que eu costumava frequentar.

Essa construção dá margem a perguntas do tipo: “Costumava frequentar o bairro ou a biblioteca?”. Claro que podemos sair pela tangente e simplesmente responder: “Os dois”. Mas, na verdade, o que está em jogo é a clareza do enunciado.

Fecharam a livraria do bairro, a qual eu costumava frequentar.

Nesse caso, o gênero distinto de bairro (masculino) e biblioteca (feminino) possibilitou a troca simples e esclarecedora do relativo que pelo relativo qual. Se os substantivos, contudo, fossem do mesmo gênero, precisaríamos de uma chacoalhada diferente, p.ex.:.

Fecharam o museu que costumava frequentar no/naquele bairro.

4)      Sendo um fascinado por contos, meu pai me trouxe Os doze parafusos.

Quem era fascinado por contos, o pai ou o filho? Sei, sei, ambos, hehe. Mas o desafio é não dar margem a ambiguidades. Vamos lá:

a)      Sendo eu um fascinado por contos, meu pai me trouxe Os doze parafusos.

b)      Sendo meu pai um fascinado por contos, ele me trouxe Os doze parafusos.

Dúvidas? marjangadeiro@gmail.com

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Filho da mãe, não; neto (ambiguidade com pronomes)

Por Orlando Nunes em Gramática

09 de Maio de 2012

Aviso aos navegantes – que expressãozinha antiquada; não, dependendo do ponto de vista, “que começo contemporâneo”, internauta, navegante, MAR Jangadeiro: fiquem atentos com os pronomes de terceira pessoa (ele e ela; seu e sua, dentre outros da classe) porque podem ser más companhias). Nada como um olho no gato e outro no peixe.

A dica é para ligar o sinal de alerta e observar com atenção se o termo a que o pronome se refere está realmente claro para o leitor, afinal de contas, é o leitor que interessa.

Em outras palavras, veja se não há ambiguidade na estrutura de frase, se não existe dupla possibilidade de interpretação. Mas vamos clarear esse mar com exemplos.

“O parlamentar disse ao colega que ele não poderia assinar o requerimento.” O leitor percebeu o tamanho da encrenca? O pronome “ele” na estrutura apresentada tanto pode fazer referência ao termo “parlamentar” como ao termo “colega”, ou seja, ambiguidade.

Apresentamos agora duas soluções, dentre outras possíveis, em nome da clareza.

Primeira possibilidade, repetindo o antecedente: “O parlamentar disse ao colega que ele, parlamentar, não poderia assinar o requerimento”. Mas o caríssimo leitor destas maltraçadas poderia se ofender com a simplicidade da “solucionática” para a “problemática” e, compreensivelmente, exigir algo menos… comezinho, digamos.

– A frase continua ambígua, já que “o colega” também deve ser parlamentar.

Segunda possibilidade, apertando a tecla delete: “O parlamentar disse ao colega que não poderia assinar o requerimento”. Ora, ora, mas era o pronome pessoal da terceira pessoa conhecido por ele que estava promovendo toda a desordem! Muito bem, como diria o genial Tchecov, “se a espingarda não vai entrar na história, tire a espingarda da sala”.

Dia das Mães e/ou das Noivas

Mais um caso confuso: “A filha vai presentear a mãe com um vestido branco, sua cor predileta”. Bem, podemos até apostar, neste mês de maio, que branca é a cor preferida da mãe em apreço, mas, e se for mesmo da filha, você põe a mão no fogo por esse “sua”? Pois ao terminar a leitura da piada, descobri que o presente da mãe era um neto.

Assim. a ambiguidade também pode ser propositada, um recurso estilístico.

Até.

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Filho da mãe, não; neto (ambiguidade com pronomes)

Por Orlando Nunes em Gramática

09 de Maio de 2012

Aviso aos navegantes – que expressãozinha antiquada; não, dependendo do ponto de vista, “que começo contemporâneo”, internauta, navegante, MAR Jangadeiro: fiquem atentos com os pronomes de terceira pessoa (ele e ela; seu e sua, dentre outros da classe) porque podem ser más companhias). Nada como um olho no gato e outro no peixe.

A dica é para ligar o sinal de alerta e observar com atenção se o termo a que o pronome se refere está realmente claro para o leitor, afinal de contas, é o leitor que interessa.

Em outras palavras, veja se não há ambiguidade na estrutura de frase, se não existe dupla possibilidade de interpretação. Mas vamos clarear esse mar com exemplos.

“O parlamentar disse ao colega que ele não poderia assinar o requerimento.” O leitor percebeu o tamanho da encrenca? O pronome “ele” na estrutura apresentada tanto pode fazer referência ao termo “parlamentar” como ao termo “colega”, ou seja, ambiguidade.

Apresentamos agora duas soluções, dentre outras possíveis, em nome da clareza.

Primeira possibilidade, repetindo o antecedente: “O parlamentar disse ao colega que ele, parlamentar, não poderia assinar o requerimento”. Mas o caríssimo leitor destas maltraçadas poderia se ofender com a simplicidade da “solucionática” para a “problemática” e, compreensivelmente, exigir algo menos… comezinho, digamos.

– A frase continua ambígua, já que “o colega” também deve ser parlamentar.

Segunda possibilidade, apertando a tecla delete: “O parlamentar disse ao colega que não poderia assinar o requerimento”. Ora, ora, mas era o pronome pessoal da terceira pessoa conhecido por ele que estava promovendo toda a desordem! Muito bem, como diria o genial Tchecov, “se a espingarda não vai entrar na história, tire a espingarda da sala”.

Dia das Mães e/ou das Noivas

Mais um caso confuso: “A filha vai presentear a mãe com um vestido branco, sua cor predileta”. Bem, podemos até apostar, neste mês de maio, que branca é a cor preferida da mãe em apreço, mas, e se for mesmo da filha, você põe a mão no fogo por esse “sua”? Pois ao terminar a leitura da piada, descobri que o presente da mãe era um neto.

Assim. a ambiguidade também pode ser propositada, um recurso estilístico.

Até.