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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

ditongo

Vogal x Semivogal, a pegada final

Por Orlando Nunes em Gramática

17 de Fevereiro de 2013

Olá, gente boa. Depois da pegação, não vá beijar a lona.

Primeiro round

Desafio do post  Pegadinha de português pós-pegação:

“Quantas palavras do gênero feminino terminadas pela vogal O você conhece?”

Pois a pegadinha estava numa só palavra: VOGAL.

Alguns leitores (agradeço a participação de todos) que enviaram sugestões para aumentarmos a lista anterior (formada pelos vocábulos libido, tribo, moto e foto) desconsideraram um detalhe importante: vogal e semivogal não são a mesma coisa.

Parece japonês, né? Mas não é!

Exemplos sugeridos por leitores:

A cançãO

A confusãO

A dispersãO

A exatidãO

A inflaçãO

A intoxicaçãO

(…)

Toda essa lista tangencia o desafio proposto, mas não acerta o alvo.

Mas por quê?

 

Segundo round

Exatamente porque nenhuma das palavras citadas termina por VOGAL. A letra O final nesses exemplos representa uma semivogal (presente no ditongo ão da última sílaba).

Só lembrando:

– toda sílaba tem uma única vogal.

– a letra A sempre representa vogal, nunca semivogal.

– ditongo crescente: sequência (na mesma sílaba) de uma semivogal e uma vogal:

sá-biA, sé-riA, sé-riE, nódoa (as semivogais sempre têm o som de /i/ ou de /u/.

– ditongo decrescente: sequência (na mesma sílaba) de uma vogal e uma semivogal:

sa-bÃo, pAi, mÃe (as semivogais sempre têm o som de /i/ ou de /u/.

 

Terceiro round

Isto posto, vamos analisar uma das palavras da lista acima: canção.

CAN-ÇÃO (duas sílabas)

A (vogal da primeira sílaba, não existe sílaba sem vogal)

A (vogal da segunda sílaba, o A nunca representa semivogal)

O (não pode haver duas vogais na mesma sílaba, a letra O representa aqui uma semivogal, que, apoiada à vogal A, forma um ditongo decrescente)

Assim, todos os exemplos acima são de palavras do gênero feminino (passam no primeiro teste), porém terminadas pela semivogal O (não passam no segundo teste, que exigia uma terminação com a VOGAL O, e não com a semivogal O).

 

Quarto round (os vencedores)

Contudo, a lista ganhou dois reforços:

A logO (redução de logomarca) – sugestão de Marcela Pires (Bezerros-PE).

A lotO (redução de loteria) – sugestão de Wilson Oliveira (Gurupi-TO).

Perceba que nas duas últimas sugestões a letra O só pode ser vogal (não existe sílaba sem vogal, né, japa?!): lo-to; lo-go.

Entendeu por que o desafio era mais difícil que passar no teste do bafômetro na volta do carnaval? São RARÍSSIMAS as palavras femininas terminadas pela vogal “o”.

Em nossa lista, agora com seis aves raras, só duas não são reduções de palavras maiores: tribo e libido.

O barco segue, estou no marjangadeiro@gmail.com

Um abraço!

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Páscoa paroxítona

Por Orlando Nunes em Crônica

10 de Abril de 2012

Terça de estreia pós-Páscoa, três paroxítonas (palavras cuja sílaba forte, tônica, é a penúltima – TER-ça, es-TREI-a, PÁS-coa).

– Alto lá, pecador! Páscoa, paroxítona ou proparoxítona? Eis a questão:

Aqui em terra firme, digamos, juntamos as mãozinhas e rezamos docemente no plano perfeito do nível médio de ensino que Páscoa, tanto quanto coelho ou chocolate, é palavra paroxítona. Em seguida, colocamos a cabeça no travesseiro e dormimos em paz.

Quando, todavia, num belo dia de concerto de cobras, daqui a mais ou menos duzentos anos, estivermos todos em festa lá no céu (lugar também de CDFs – curiosos da fonologia), perceberemos extasiados que o buraco é mais embaixo.

Lá no andar de cima o pau quebra, porque a democracia é plena e todas as opiniões são profundamente analisadas. Então, razão sempre tem o próximo, o próximo a opinar.

Chega uma mente brilhante e diz: “Páscoa é paroxítona. Pás-coa, uma paroxítona terminada em ditongo crescente (semivogal O + vogal A), certo, Magnífico?”.

E o Magnífico responde: “Não é bem assim, Doutor do ABC. Ouvindo mais de perto, escutamos como que uma… uma proparoxítona, Pás-co-a”.

Percebeu o tamanho da encrenca?

O Doutor e o Magnífico tocam uma harpa, trocam duas farpas e concluem, uníssonos: “Deixemos de birra, ou coisa parecida. Vamos ao Supremo de uma vez por todas”.

E o Supremo borrifa água benta: “Os dois têm razão, não amolem. Manda, Mengo!”.

É assim mesmo. Nas alturas o debate é acirrado, rico. O discurso vai do plano ortográfico para o plano fonológico com a admirável leveza de um anjo. Agora, cá entre nós, de carne e osso de segunda ou terceira divisão neste paraíso infernal da Redação, graças a Deus o debate é light, com o perdão da palavra. Pás-coa é paroxítona, claro.

Na planície, o que vale para Páscoa é extensivo a todos os vocábulos com ia(ea), ie, io(eo), ua(oa), ue, uo em posição final e átona. Aqui reinam os ditongos crescentes.

Exemplos (em bold a sílaba tônica):

-bia (adjetivo), mas sa-bi-a (verbo); -rie (substantivo), mas aniversa-ri-e (verbo); sí-tio (substantivo), mas si-ti-o (verbo); -goa (substantivo), mas ma-go-a (verbo), etc.

Por isso os professores de português, pacientes, pregam a palavra: “Acentuar graficamente os vocábulos paroxítonos terminados em ditongo, e Feliz Páscoa”.

P.S.: No céu ou na terra, paroxítona é proparoxítona, não tem perdão.

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Páscoa paroxítona

Por Orlando Nunes em Crônica

10 de Abril de 2012

Terça de estreia pós-Páscoa, três paroxítonas (palavras cuja sílaba forte, tônica, é a penúltima – TER-ça, es-TREI-a, PÁS-coa).

– Alto lá, pecador! Páscoa, paroxítona ou proparoxítona? Eis a questão:

Aqui em terra firme, digamos, juntamos as mãozinhas e rezamos docemente no plano perfeito do nível médio de ensino que Páscoa, tanto quanto coelho ou chocolate, é palavra paroxítona. Em seguida, colocamos a cabeça no travesseiro e dormimos em paz.

Quando, todavia, num belo dia de concerto de cobras, daqui a mais ou menos duzentos anos, estivermos todos em festa lá no céu (lugar também de CDFs – curiosos da fonologia), perceberemos extasiados que o buraco é mais embaixo.

Lá no andar de cima o pau quebra, porque a democracia é plena e todas as opiniões são profundamente analisadas. Então, razão sempre tem o próximo, o próximo a opinar.

Chega uma mente brilhante e diz: “Páscoa é paroxítona. Pás-coa, uma paroxítona terminada em ditongo crescente (semivogal O + vogal A), certo, Magnífico?”.

E o Magnífico responde: “Não é bem assim, Doutor do ABC. Ouvindo mais de perto, escutamos como que uma… uma proparoxítona, Pás-co-a”.

Percebeu o tamanho da encrenca?

O Doutor e o Magnífico tocam uma harpa, trocam duas farpas e concluem, uníssonos: “Deixemos de birra, ou coisa parecida. Vamos ao Supremo de uma vez por todas”.

E o Supremo borrifa água benta: “Os dois têm razão, não amolem. Manda, Mengo!”.

É assim mesmo. Nas alturas o debate é acirrado, rico. O discurso vai do plano ortográfico para o plano fonológico com a admirável leveza de um anjo. Agora, cá entre nós, de carne e osso de segunda ou terceira divisão neste paraíso infernal da Redação, graças a Deus o debate é light, com o perdão da palavra. Pás-coa é paroxítona, claro.

Na planície, o que vale para Páscoa é extensivo a todos os vocábulos com ia(ea), ie, io(eo), ua(oa), ue, uo em posição final e átona. Aqui reinam os ditongos crescentes.

Exemplos (em bold a sílaba tônica):

-bia (adjetivo), mas sa-bi-a (verbo); -rie (substantivo), mas aniversa-ri-e (verbo); sí-tio (substantivo), mas si-ti-o (verbo); -goa (substantivo), mas ma-go-a (verbo), etc.

Por isso os professores de português, pacientes, pregam a palavra: “Acentuar graficamente os vocábulos paroxítonos terminados em ditongo, e Feliz Páscoa”.

P.S.: No céu ou na terra, paroxítona é proparoxítona, não tem perdão.