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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

dúvida

Conheça a vírgula de Oxford

Por Orlando Nunes em Dica

08 de julho de 2013

“Antes da premiação, o desfile das equipes classificadas: a verde e branca, vermelha e preto e azul.” Agora uma pergunta: Quantas equipes se classificaram? Chamem a vírgula de Oxford.

Há regras bem (?) definidas para o emprego da vírgula, sem dúvida. Por que polêmicas?

Mas toda vírgula é um aviso ao leitor: “Cuidado, alguma coisa está fora da ordem”.

A vírgula, por exemplo, informa ao leitor que o adjunto adverbial (cuja posição natural é o fim da frase) está deslocado, antecipado: “Todos os dias, tropeçamos em uma vírgula”.

Percebeu a vírgula informando que o adjunto adverbial foi deslocado de seu habitat? Na ordem normal da frase, ela não entraria na história: “Tropeçamos na vírgula todos os dias”.

Usamos vírgula também para enumerar elementos de uma série: “Comprou tinta verde, amarela, branco e azul”. Assim, temos um elenco de regras bem claras, “a regra é clara”.

Mas nem o redator nem o idioma são robôs, é preciso pensar, avaliar, clarear.

A vírgula nasceu para clarear o texto para o leitor, facilitar a leitura. Em outras palavras, isso nos obriga a pôr a clareza em primeiro lugar. A regra não deve turvar o texto.

Nasce a vírgula de Oxford

Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? Ora, sei lá! Em inglês, quem vem primeiro, o substantivo ou o adjetivo? Ora, quem vem primeiro é o segundo, o adjetivo, é claro.

Pois essa galinhagem de sempre pôr o adjetivo antes do substantivo sujou o poleiro inglês. Porém não muito, nada que impedisse a vírgula de Oxford de repor a ordem do galinheiro.

Pena no papel, range regra

Em português: política internacional e negócios (claro)

Em inglês: international politics and business (ambíguo)

A ambiguidade reside no fato de o adjetivo anteposto (na estrutura do inglês) poder ser interpretado como “política e negócios internacionais (na estrutura portuguesa).

Aqui entra em cena a vírgula de Oxford, para iluminar o breu:

Em inglês: international politics, and business (agora claro).

Que tem a ver com isso o português?

Ora, a “vírgula da clareza” também é usada por nós, pois, pois. A frase com que iniciamos o texto deste post “pede” (em nome da clareza) uma vírgula de Oxford: “Antes da premiação, o desfile das equipes classificadas: a verde e branca, vermelha e preto, e azul”. Três equipes.

Moral da história: a regra é clara, mas o usuário é complexo, superior.

Estou no marjangadeiro@gmail.com
Abraço.

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Destróier

Por Orlando Nunes em Gramática

06 de novembro de 2012

E agora? Destróier é acentuado ou não?Maria Aparecida, da cidade praiana de Aracati-CE, jogou uma garrafa no MAR (marjangadeiro@gmail.com) com uma mensagem para o blogueiro.

Ela viu num dicionário (pós-reforma ortográfica de 2009) a palavra “destróier”, com acento agudo, mas leu também numa coluna de português na internet (não diz em qual das mais de seiscentas mil existentes) que o ditongo aberto /ói/, em palavras paroxítonas (acento tônico na penúltima sílaba), perdeu o acento. E agora, José?

Resposta: É tudo verdade! Vamos explicar.

Androide é um exemplo de palavra paroxítona. Nela encontramos o ditongo aberto /ói/ na penúltima sílaba. Resultado: em 2009 o androide perdeu o acento, coitado.

Açúcar é um exemplo de palavra paroxítona terminada em R. Todas as paroxítonas com essa terminação recebem acento gráfico: hambúrguer, zíper, revólver, etc.

Voltemos ao destróier.

Nessa palavra encontramos o ditongo aberto /ói/ na penúltima sílaba. Isso é mesmo uma boa razão para o acento agudo pular fora, mergulhar nas profundas do oceano. Mas…

Destróier é palavra paroxítona terminada em R. Pronto, perde lá, ganha cá!

Assim, Maria Aparecida, entre mortos e feridos, o acento de destróier sobrevive.

Quem é do MAR não enjoa.

Dúvidas & Debates: envie sua mensagem para o marjangadeiro@gmail.com

Grande abraço!

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Destróier

Por Orlando Nunes em Gramática

06 de novembro de 2012

E agora? Destróier é acentuado ou não?Maria Aparecida, da cidade praiana de Aracati-CE, jogou uma garrafa no MAR (marjangadeiro@gmail.com) com uma mensagem para o blogueiro.

Ela viu num dicionário (pós-reforma ortográfica de 2009) a palavra “destróier”, com acento agudo, mas leu também numa coluna de português na internet (não diz em qual das mais de seiscentas mil existentes) que o ditongo aberto /ói/, em palavras paroxítonas (acento tônico na penúltima sílaba), perdeu o acento. E agora, José?

Resposta: É tudo verdade! Vamos explicar.

Androide é um exemplo de palavra paroxítona. Nela encontramos o ditongo aberto /ói/ na penúltima sílaba. Resultado: em 2009 o androide perdeu o acento, coitado.

Açúcar é um exemplo de palavra paroxítona terminada em R. Todas as paroxítonas com essa terminação recebem acento gráfico: hambúrguer, zíper, revólver, etc.

Voltemos ao destróier.

Nessa palavra encontramos o ditongo aberto /ói/ na penúltima sílaba. Isso é mesmo uma boa razão para o acento agudo pular fora, mergulhar nas profundas do oceano. Mas…

Destróier é palavra paroxítona terminada em R. Pronto, perde lá, ganha cá!

Assim, Maria Aparecida, entre mortos e feridos, o acento de destróier sobrevive.

Quem é do MAR não enjoa.

Dúvidas & Debates: envie sua mensagem para o marjangadeiro@gmail.com

Grande abraço!