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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

Fortaleza

Sobre eleições no Fortaleza Esporte Clube: uma reanálise do discurso do “mudar tudo”

Por Orlando Nunes em Crônica

15 de novembro de 2014

Às portas das eleições para a presidência do Fortaleza Esporte Clube, sempre é bom lembrar, neste momento em que a emoção fala mais alto que a razão (momento em que “mudar tudo” é preciso), que mudar tudo pode não ser necessariamente preciso.

O futebol não é preciso!

(em futebolês, isso é dito com outras palavras: O futebol não é uma ciência exata)

Mudanças se impõem, certamente, porque é inegável que erros pontuais ocorreram, e esses erros afastaram o Fortaleza mais uma vez do indispensável acesso à série B.

Um erro fatal: ouvidos de mercador da diretoria em relação ao apelo da torcida tricolor, que pedia contratação qualificada de reservas meias-atacantes e atacantes.

(E ninguém pedia contratação para estrear nos jogos finais, sem tempo de adaptação)

Mudanças gerais, todavia, compreendendo como mudanças gerais a negação de tudo que foi construído em 2014, seria um projeto tolo, mesmo que bem-intencionado.

Eleições gerais, sim; mudanças gerais talvez não. Devem-se corrigir somente os erros.

(E nem tudo no Fortaleza está errado para ser mudado tudo)

O Fortaleza agora precisa é de união, mais do que de facção. “Quem sabe, depois do pleito, ressurja um Fortaleza unido e, das chapas concorrentes, forme-se um grupo forte de apoio ao novo presidente.” Mas, pensando bem, por que isso ocorreria agora?

Acorda, Zé! (ou À corda, Zé!)

A ocasião é propícia para a pregação de que tudo está errado no Fortaleza, de que é preciso “zerar” e começar de novo, de que a diretoria atual nada é senão “fracassada”.

Até se sugeriu, “cordialmente”, uma saída “honrosa” para os atuais diretores: “Vocês reconhecem que seu tempo passou, pedem desculpas à torcida, pegam o boné e vão embora; em troca, agradeceremos a atitude finalmente tomada e colocaremos numa sala da sede um quadro com a foto dos senhores e uma tarja: ‘Pentafracassados’”.

“Sim, porque o fato de o Fortaleza estar em 2015 na Copa do Nordeste e na Copa do Brasil não é nada, se comparado ao fracasso da não ascensão à série B do Brasileiro.’

“Sim, porque o esforço empresarial da diretoria para equilibrar administrativamente o clube não é nada, se comparado ao fracasso de não ter obtido o acesso à série B.’

“Sim, porque as contas do Fortaleza poderiam até voltar à estaca zero ou abaixo de zero, desde que o time se livrasse desses jogos infernais da série C nos cus dos judas.’

“Sim, porque a nova diretoria vai milagrosamente transformar água em vinho, vai ganhar com um novo time todos os jogos dentro e fora do estado (e do estádio).’

“Sim, porque é a nova diretoria quem vai escalar o time no mata-mata de 2015’”.

— Não conheço ninguém que um dia tenha aceitado esse modelo de “saída honrosa”.

Mas as eleições, sim, sempre são bem-vindas.

Serão eleições diferentes, mais eleitores desta vez, novas ideias e ideais. Se a opção for por “mudar tudo”, que assim seja; mas sem negação ou desprezo do que já foi feito.

Se for pra “zerar” tudo, que seja feita democraticamente a vontade da maioria dos eleitores. Eu, que não sou um, é que não começaria do zero. Meu “mudar tudo” se limitaria à contratação de um goleiro, dois meias-atacantes e dois atacantes que merecessem esse nome (cinco contratações que tornariam a diretoria pentavitoriosa.

Agora, chegada a hora de pegar o boné, que a saída seja verdadeiramente honrosa. Ganhar ou perder nas urnas é sempre melhor que entrar ou sair pela porta dos fundos.

Avante!

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A frase de Chamusca

Por Orlando Nunes em Crônica

27 de julho de 2014

O zero a zero no acalorado jogo contra o Botafogo-PB pode ter acendido a brasa que faltava para o Fortaleza ascender à Série B. Essa partida revela o que fazer para deixar o inferno para trás.

Uma frase do técnico do Fortaleza Esporte Clube, Marcelo Chamusca, resume muito bem o 0X0 em casa contra o Belo paraibano nesse sábado (26): “Pecamos no fundamento finalização.

De fato, o Leão do Pici, que demonstra o muito bom trabalho da comissão técnica neste ano (defesa sólida, boa participação ofensiva pelas laterais com Cametá e Fernandinho, meio-campo combativo e com boa saída de bola para o ataque), precisa ainda evoluir num ponto.

Todo o esforço da equipe não pode ser desperdiçado na hora do leão beber água.

O empate contra o Botafogo-PB deve ser visto pelo Fortaleza como fundamental — e o será, haja vista a declaração de Chamusca na coletiva de imprensa pós-jogo — no planejamento de trabalho. “Treinamos bastante o fundamento finalização, e vamos precisar melhorar”, sintetiza o treinador. Esse é o ponto, é o que falta ao Fortaleza para, enfim, tirar os pés da série C.

As vaias para Marcelinho Paraíba na sua substituição por William foram merecidas. Isso não significa que a torcida cansou do MP 10, é preciso ter cuidado para não fazer uma leitura equivocada do episódio. A torcida só deseja o velho Marcelinho no lugar do Marcelinho velho.

O Marcelinho, entretanto, como qualquer jogador experiente e inteligente, sabe que precisa dosar energia para manter -se “vivo” durante os 90 minutos da partida. Boia e morre na praia.

Por isso, tanto o torcedor quanto a comissão técnica do Fortaleza desejam um banco mais sortido. A chegada do Erick Flores pode dar a Chamusca o poder sustentável desta frase: “Marcelinho, não precisa economizar gás, joga a todo vapor, tanto quanto puder”.

Se o MP 10 jogar 30 ou 45 minutos como jogava o velho Marcelinho, a torcida vai voltar a aplaudi-lo, pois ele merece. Até o momento, o técnico Chamusca não pôde aplicar essa frase.

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Bora, bola

Por Orlando Nunes em Redação

10 de novembro de 2012

O MAR adverte: o texto a seguir faz parte do debate entre jornalistas do Portal Jangadeiro Online sobre padronização de escrita de numerais. Em outras palavras, as recomendações apresentadas não foram colhidas por Moisés, não são dogmáticas.

Salve, Janga.

Vamos bater uma bola sobre padronização de escrita de numerais. É moleza, fácil como empurrar Onça ladeira abaixo – difícil é segurar Leão faminto ladeira acima. Hehehe!!!

O princípio geral é escrever por extenso os números de um a dez, e utilizar algarismos de 11 em diante. Esse, repito, é o “princípio geral”, poucas vezes superado – parece o Barça. Mas não embaça!

O melhor é entrar em campo com exemplos práticos.

1. Princípio geral.

O Fortaleza entra em campo no domingo com três volantes?

Em campo, 11 tricolores; na arquibancada, 20 mil.

2. Mistão

Com mil, milhão, bilhão, trilhão, usamos a forma mista quando o número é redondo ou aproximado. Misto aqui quer dizer metade algarismo, metade por extenso.

Na arquibancada, 20 mil tricolores.

Antes que me corrijam, eu o faço: não são 20 mil tricolores, não. A torcida do Ceará vem dar um apoio ao Oeste: 1,5 mil (aproximadamente) alvinegros e rubro-negros.

Na verdade, desse número, se formos exatos, 500 são corais. Ferrim, meu filho!

3. Números quebrados

A forma mista só vale para números acima de mil – redondos ou aproximados. Números quebrados são escritos sempre com algarismos (e nunca se esqueça do ponto do milhar).

Na entrada do PV, um homem foi preso com 1.111 ingressos falsificados na cueca.

4. Quem peita o princípio geral?

Claro que a prática de escrever números de um a dez por extenso merece respeito, mas quem não dribla um bom marcador de vez em quando não deve nem entrar em campo.

Olha a hora. Escreva com algarismo (mesmo para número abaixo de 11), quando o “dito cujo” servir de resposta à pergunta “(a) que horas?”, “(a) quantos minutos, segundos?”.

A dupla estreia às 10 horas, na arena montada na Praia de Iracema.

O gol foi marcado aos 5 minutos do primeiro tempo.

Fique esperto! Basta haver subtendida a palavra período para o princípio geral virar o jogo. O Pé de Vento da Piedade precisou apenas de cinco minutos para abrir o placar.

5. Bola parada

Que é isso, companheiro, boiou? Perceba que neste exemplo subtende-se a ideia de período, duração: O Pé de Vento precisou apenas [do período, do tempo] de cinco minutos para abrir o placar. Bem diferente é dizer que o gol foi marcado aos 5 minutos (em vez de duração de tempo, a ideia é pontual, a “que horas”, a “quantos minutos” aconteceu o gol? Sacou? Se não, amanhã eu volto com uma explicação “mais mole”.

Ainda há meia dúzia sobre padronização de numerais, mas depois eu conto. Agora minha mulher está me chamando para a concentração, vamos bater uma bola. Bora!

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Paralelismo: na grama e na gramática

Por Orlando Nunes em Gramática

08 de julho de 2012

O assunto hoje é paralelismo, uma convenção da língua escrita culta cuja proposta é apresentar ideias similares por meio de uma estrutura gramatical semelhante.

Vou buscar inspiração no meu Fortaleza Esporte Clube, que amarelou diante do Luverdense (será que novamente formamos um time de série B para jogar na C?).

Erro de paralelismo é erro de sintonia. Em bom (?) português, paralelismo é pôr cada macaco no seu galho. Macaco A na A, macaco B na B, macaco C na C.

Na C, mais força e menos técnica; na B, mais técnica e menos força; na A mais tudo. Mas vamos deixar a grama para entrar na gramática, ora bolas!

Erros de paralelismo

“O treinador mandou o jogador fechar o meio de campo e que iniciasse os contra-ataques da equipe.”

E aí, navegador do MAR Jangadeiro, percebeu a falta de sintonia entre as orações do período acima? Vamos analisar a jogada em câmera lenta.

O período é formado por três orações, a principal e duas subordinadas substantivas (coordenadas entre si pela conjunção coordenativa aditiva “e”).

Principal: O treinador mandou

Subordinada 1: o jogador fechar o meio de campo

Subordinada 2: que iniciasse os contra-ataques da equipe.

A falta de paralelismo está na estrutura das orações substantivas, uma reduzida (iniciada por verbo numa forma nominal, infinitivo no caso) e outra desenvolvida (iniciada por conjunção, no exemplo a subordinativa integrante “que”).

A simetria ou sintonia (paralelismo) pode ser estabelecida

1) reduzindo a segunda oração subordinada:

“O treinador mandou o jogador fechar o meio de campo e iniciar os contra-ataques da equipe.”

ou

2) desenvolvendo a primeira oração subordinada:

“O treinador mandou que o jogador fechasse o meio de campo e (que) iniciasse os contra-ataques da equipe.” Nesse caso não é necessário repetir a conjunção “que”.

É isso.

Na gramática, a sintonia vem assim. Na grama, agora, só vencendo o Papão da Curuzu. Sou um otimista, até a última rodada – do campeonato ou do chope. Até a próxima.

Um abraço.

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Paralelismo: na grama e na gramática

Por Orlando Nunes em Gramática

08 de julho de 2012

O assunto hoje é paralelismo, uma convenção da língua escrita culta cuja proposta é apresentar ideias similares por meio de uma estrutura gramatical semelhante.

Vou buscar inspiração no meu Fortaleza Esporte Clube, que amarelou diante do Luverdense (será que novamente formamos um time de série B para jogar na C?).

Erro de paralelismo é erro de sintonia. Em bom (?) português, paralelismo é pôr cada macaco no seu galho. Macaco A na A, macaco B na B, macaco C na C.

Na C, mais força e menos técnica; na B, mais técnica e menos força; na A mais tudo. Mas vamos deixar a grama para entrar na gramática, ora bolas!

Erros de paralelismo

“O treinador mandou o jogador fechar o meio de campo e que iniciasse os contra-ataques da equipe.”

E aí, navegador do MAR Jangadeiro, percebeu a falta de sintonia entre as orações do período acima? Vamos analisar a jogada em câmera lenta.

O período é formado por três orações, a principal e duas subordinadas substantivas (coordenadas entre si pela conjunção coordenativa aditiva “e”).

Principal: O treinador mandou

Subordinada 1: o jogador fechar o meio de campo

Subordinada 2: que iniciasse os contra-ataques da equipe.

A falta de paralelismo está na estrutura das orações substantivas, uma reduzida (iniciada por verbo numa forma nominal, infinitivo no caso) e outra desenvolvida (iniciada por conjunção, no exemplo a subordinativa integrante “que”).

A simetria ou sintonia (paralelismo) pode ser estabelecida

1) reduzindo a segunda oração subordinada:

“O treinador mandou o jogador fechar o meio de campo e iniciar os contra-ataques da equipe.”

ou

2) desenvolvendo a primeira oração subordinada:

“O treinador mandou que o jogador fechasse o meio de campo e (que) iniciasse os contra-ataques da equipe.” Nesse caso não é necessário repetir a conjunção “que”.

É isso.

Na gramática, a sintonia vem assim. Na grama, agora, só vencendo o Papão da Curuzu. Sou um otimista, até a última rodada – do campeonato ou do chope. Até a próxima.

Um abraço.