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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

infinitivo pessoal

Futuro x Infinitivo

Por Orlando Nunes em Gramática

20 de Maio de 2012

Diz a sabedoria popular que “quem vê cara não vê coração”. O mesmo acontece quando nos deparamos com uma forma verbal no futuro do subjuntivo e no infinitivo pessoal.

Veja, por exemplo, as formas do futuro do subjuntivo do verbo cantar (ou as de qualquer outro verbo regular) e compare-as com as do infinitivo pessoal.

Futuro do subjuntivo: cantar, cantares, cantar, cantarmos, cantardes, cantarem. Infinitivo pessoal: cantar, cantares, cantar, cantarmos, cantardes, cantarem.

Viu só? É Ctrl c, Ctrl v, tudo japonês, né?

Como diferenciar esses irmãos gêmeos? A diferença é que o futuro do subjuntivo vem regido por conjunção (normalmente “quando” ou “se”), advérbio ou pronome relativo.

Quando eu soltar a minha voz, por favor me entenda.”

Se você não cantar agora, o público não perdoará.”

“Farei como determinares.”

“A casa em que ela cantar sempre estará cheia de fãs.”

 

O infinitivo, por sua vez, pode ser regido por preposição:

Ao soltar a minha voz, você me entenderá.”

Para cantar agora, ela exige mil coisas absurdas.”

Sem lutares, a vitória é improvável.”

“Chegou a hora de essa gente mostrar seu valor.”

ou vir sem preposição:

Navegar é preciso.”

Viver não é preciso.”

“Convém chegares mais cedo.”

Se o amigo leitor é um redator preocupado apenas com a forma e o sentido das palavras, pode preventivamente parar por aqui, porque agora vamos começar a botar banca.

Banca examinadora.  

Na frase “Não encontrava palavras com que se expressar”, o verbo destacado está no futuro do subjuntivo ou no infinitivo pessoal? Sinuca de bico, caro vestibulando.

Todo mundo sabe que banca de vestibular adora uma casca de banana, e o aluno inseguro, preso à prova da regência, pode facilmente escorregar.

Identificando o pronome relativo na frase em análise, o candidato a uma vaga na academia pode pensar que o verbo “expressar” esteja no futuro do subjuntivo – vai dar com os burros n’água, e a vaca lamentavelmente pode ir para o brejo.

Dica de hoje: como distinguir dois japoneses gêmeos num piscar de olhos.

Sabemos que as formas do futuro do subjuntivo e do infinitivo pessoal dos verbos regulares são semelhantes. A melhor maneira, portanto, para distinguir os dois tempos numa frase qualquer apresentada no vestibular ou concurso público é por meio da substituição do verbo regular por um que aprese irregularidade no futuro do subjuntivo.

Apresento a seguir uma pequena lista de verbos-curinga para auxiliá-lo na distinção entre um gato e um tijolo. Não precisa memorizar todos, guarde consigo três ou quatro desses verbos e verá que infinitivo pessoal e futuro do subjuntivo são dois bichanos.

Verbos da primeira conjugação (os que apresentam terminação em –ar) como dar e estar, formam o futuro do subjuntivo irregularmente: der e estiver, respectivamente.

Verbos da segunda conjugação (terminação -er) como caber, dizer, fazer, haver, poder, pôr, querer, saber, ser, ter, trazer e ver, formam o futuro do subjuntivo irregularmente: couber, disser, fizer, houver, puder, puser, quiser, souber, for, tiver, trouxer e vir..

Verbos da terceira conjugação (terminação –ir) como ir e vir, formam o futuro do subjuntivo irregularmente: for e vier.

Se você não percebeu ainda que está com a faca e o queijo na mão, mantenha um olho no peixe e outro no gato. Chegou a hora da onça beber água, vamos matar a charada.

“Não encontrava palavras com que se expressar.

A banca queria saber se o verbo “expressar” na frase acima foi usado no futuro do subjuntivo ou no infinitivo pessoal. Não vou ser levado pela primeira impressão.

Para responder, pego um verbo qualquer da lista apresentada acima. Escolho, por exemplo, o verbo “dizer”. Sei que esse verbo, se estiver no futuro do subjuntivo, terá a forma irregular disser “Não encontrava palavras com que dizer” ou “Não encontrava palavras com que disser”? Claro que não cabe aqui a forma disser, mas sim dizer.

Com esse teste, posso afirmar que o verbo “expressar” na frase original está no infinitivo, assim como estaria “dizer”, a forma verbal usada para distinção.

Outro exemplo:

“Quem o encontrar será recompensado.”

Quero saber se o verbo “encontrar” está no infinitivo pessoal ou no futuro do subjuntivo. Faço a substituição por um verbo-curinga da lista apresentada.

“Quem o fizer (não cabe a forma fazer) será recompensado.”

Logo, “encontrar”, na frase original, encontra-se no futuro do subjuntivo, assim como “fizer”, forma esta não correspondente à do infinitivo. É isso. Vou ver o mar. Abraço.

Mande sua dúvida por e-mail: marjangadeiro@gmail.com

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Futuro x Infinitivo

Por Orlando Nunes em Gramática

20 de Maio de 2012

Diz a sabedoria popular que “quem vê cara não vê coração”. O mesmo acontece quando nos deparamos com uma forma verbal no futuro do subjuntivo e no infinitivo pessoal.

Veja, por exemplo, as formas do futuro do subjuntivo do verbo cantar (ou as de qualquer outro verbo regular) e compare-as com as do infinitivo pessoal.

Futuro do subjuntivo: cantar, cantares, cantar, cantarmos, cantardes, cantarem. Infinitivo pessoal: cantar, cantares, cantar, cantarmos, cantardes, cantarem.

Viu só? É Ctrl c, Ctrl v, tudo japonês, né?

Como diferenciar esses irmãos gêmeos? A diferença é que o futuro do subjuntivo vem regido por conjunção (normalmente “quando” ou “se”), advérbio ou pronome relativo.

Quando eu soltar a minha voz, por favor me entenda.”

Se você não cantar agora, o público não perdoará.”

“Farei como determinares.”

“A casa em que ela cantar sempre estará cheia de fãs.”

 

O infinitivo, por sua vez, pode ser regido por preposição:

Ao soltar a minha voz, você me entenderá.”

Para cantar agora, ela exige mil coisas absurdas.”

Sem lutares, a vitória é improvável.”

“Chegou a hora de essa gente mostrar seu valor.”

ou vir sem preposição:

Navegar é preciso.”

Viver não é preciso.”

“Convém chegares mais cedo.”

Se o amigo leitor é um redator preocupado apenas com a forma e o sentido das palavras, pode preventivamente parar por aqui, porque agora vamos começar a botar banca.

Banca examinadora.  

Na frase “Não encontrava palavras com que se expressar”, o verbo destacado está no futuro do subjuntivo ou no infinitivo pessoal? Sinuca de bico, caro vestibulando.

Todo mundo sabe que banca de vestibular adora uma casca de banana, e o aluno inseguro, preso à prova da regência, pode facilmente escorregar.

Identificando o pronome relativo na frase em análise, o candidato a uma vaga na academia pode pensar que o verbo “expressar” esteja no futuro do subjuntivo – vai dar com os burros n’água, e a vaca lamentavelmente pode ir para o brejo.

Dica de hoje: como distinguir dois japoneses gêmeos num piscar de olhos.

Sabemos que as formas do futuro do subjuntivo e do infinitivo pessoal dos verbos regulares são semelhantes. A melhor maneira, portanto, para distinguir os dois tempos numa frase qualquer apresentada no vestibular ou concurso público é por meio da substituição do verbo regular por um que aprese irregularidade no futuro do subjuntivo.

Apresento a seguir uma pequena lista de verbos-curinga para auxiliá-lo na distinção entre um gato e um tijolo. Não precisa memorizar todos, guarde consigo três ou quatro desses verbos e verá que infinitivo pessoal e futuro do subjuntivo são dois bichanos.

Verbos da primeira conjugação (os que apresentam terminação em –ar) como dar e estar, formam o futuro do subjuntivo irregularmente: der e estiver, respectivamente.

Verbos da segunda conjugação (terminação -er) como caber, dizer, fazer, haver, poder, pôr, querer, saber, ser, ter, trazer e ver, formam o futuro do subjuntivo irregularmente: couber, disser, fizer, houver, puder, puser, quiser, souber, for, tiver, trouxer e vir..

Verbos da terceira conjugação (terminação –ir) como ir e vir, formam o futuro do subjuntivo irregularmente: for e vier.

Se você não percebeu ainda que está com a faca e o queijo na mão, mantenha um olho no peixe e outro no gato. Chegou a hora da onça beber água, vamos matar a charada.

“Não encontrava palavras com que se expressar.

A banca queria saber se o verbo “expressar” na frase acima foi usado no futuro do subjuntivo ou no infinitivo pessoal. Não vou ser levado pela primeira impressão.

Para responder, pego um verbo qualquer da lista apresentada acima. Escolho, por exemplo, o verbo “dizer”. Sei que esse verbo, se estiver no futuro do subjuntivo, terá a forma irregular disser “Não encontrava palavras com que dizer” ou “Não encontrava palavras com que disser”? Claro que não cabe aqui a forma disser, mas sim dizer.

Com esse teste, posso afirmar que o verbo “expressar” na frase original está no infinitivo, assim como estaria “dizer”, a forma verbal usada para distinção.

Outro exemplo:

“Quem o encontrar será recompensado.”

Quero saber se o verbo “encontrar” está no infinitivo pessoal ou no futuro do subjuntivo. Faço a substituição por um verbo-curinga da lista apresentada.

“Quem o fizer (não cabe a forma fazer) será recompensado.”

Logo, “encontrar”, na frase original, encontra-se no futuro do subjuntivo, assim como “fizer”, forma esta não correspondente à do infinitivo. É isso. Vou ver o mar. Abraço.

Mande sua dúvida por e-mail: marjangadeiro@gmail.com