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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

paroxítona

Português à prova. Eis a questão (RESPOSTA)

Por Orlando Nunes em Acentuação gráfica

17 de setembro de 2018

MARque a alternativa em que os vocábulos NÃO foram acentuados pela mesma regra:

(a) Óculos para míope                                                                                                                                                                            (b) Bônus para biquínis                                                                                                                                                                          (c) Fórmula do álcool                                                                                                                                                                              (d) Saída de veículos                                                                                                                                                                              (e) Monólogo de ventríloquo

GABARITO- Alternativa (d)

Comentário:

As palavras “saída” e “veículos” são acentuadas graficamente por regras diferentes. A primeira, pela regra dos hiatos tônicos i(is)/u(us) – juíza, faísca; saúde, balaústre. A segunda, pela regra das proparoxítonas (todas são acentuadas).

Na alternativa (b), “bônus” e “biquínis” são acentuadas pela regra das PAROXÍTONAS terminadas em i(is)/us – táxi, lápis; ônus, tônus.

As demais alternativas têm palavras acentuadas pela regra das PROPAROXÍTONAS (todas são acentuadas graficamente).

 

 

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Páscoa paroxítona

Por Orlando Nunes em Crônica

10 de Abril de 2012

Terça de estreia pós-Páscoa, três paroxítonas (palavras cuja sílaba forte, tônica, é a penúltima – TER-ça, es-TREI-a, PÁS-coa).

– Alto lá, pecador! Páscoa, paroxítona ou proparoxítona? Eis a questão:

Aqui em terra firme, digamos, juntamos as mãozinhas e rezamos docemente no plano perfeito do nível médio de ensino que Páscoa, tanto quanto coelho ou chocolate, é palavra paroxítona. Em seguida, colocamos a cabeça no travesseiro e dormimos em paz.

Quando, todavia, num belo dia de concerto de cobras, daqui a mais ou menos duzentos anos, estivermos todos em festa lá no céu (lugar também de CDFs – curiosos da fonologia), perceberemos extasiados que o buraco é mais embaixo.

Lá no andar de cima o pau quebra, porque a democracia é plena e todas as opiniões são profundamente analisadas. Então, razão sempre tem o próximo, o próximo a opinar.

Chega uma mente brilhante e diz: “Páscoa é paroxítona. Pás-coa, uma paroxítona terminada em ditongo crescente (semivogal O + vogal A), certo, Magnífico?”.

E o Magnífico responde: “Não é bem assim, Doutor do ABC. Ouvindo mais de perto, escutamos como que uma… uma proparoxítona, Pás-co-a”.

Percebeu o tamanho da encrenca?

O Doutor e o Magnífico tocam uma harpa, trocam duas farpas e concluem, uníssonos: “Deixemos de birra, ou coisa parecida. Vamos ao Supremo de uma vez por todas”.

E o Supremo borrifa água benta: “Os dois têm razão, não amolem. Manda, Mengo!”.

É assim mesmo. Nas alturas o debate é acirrado, rico. O discurso vai do plano ortográfico para o plano fonológico com a admirável leveza de um anjo. Agora, cá entre nós, de carne e osso de segunda ou terceira divisão neste paraíso infernal da Redação, graças a Deus o debate é light, com o perdão da palavra. Pás-coa é paroxítona, claro.

Na planície, o que vale para Páscoa é extensivo a todos os vocábulos com ia(ea), ie, io(eo), ua(oa), ue, uo em posição final e átona. Aqui reinam os ditongos crescentes.

Exemplos (em bold a sílaba tônica):

-bia (adjetivo), mas sa-bi-a (verbo); -rie (substantivo), mas aniversa-ri-e (verbo); sí-tio (substantivo), mas si-ti-o (verbo); -goa (substantivo), mas ma-go-a (verbo), etc.

Por isso os professores de português, pacientes, pregam a palavra: “Acentuar graficamente os vocábulos paroxítonos terminados em ditongo, e Feliz Páscoa”.

P.S.: No céu ou na terra, paroxítona é proparoxítona, não tem perdão.

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Páscoa paroxítona

Por Orlando Nunes em Crônica

10 de Abril de 2012

Terça de estreia pós-Páscoa, três paroxítonas (palavras cuja sílaba forte, tônica, é a penúltima – TER-ça, es-TREI-a, PÁS-coa).

– Alto lá, pecador! Páscoa, paroxítona ou proparoxítona? Eis a questão:

Aqui em terra firme, digamos, juntamos as mãozinhas e rezamos docemente no plano perfeito do nível médio de ensino que Páscoa, tanto quanto coelho ou chocolate, é palavra paroxítona. Em seguida, colocamos a cabeça no travesseiro e dormimos em paz.

Quando, todavia, num belo dia de concerto de cobras, daqui a mais ou menos duzentos anos, estivermos todos em festa lá no céu (lugar também de CDFs – curiosos da fonologia), perceberemos extasiados que o buraco é mais embaixo.

Lá no andar de cima o pau quebra, porque a democracia é plena e todas as opiniões são profundamente analisadas. Então, razão sempre tem o próximo, o próximo a opinar.

Chega uma mente brilhante e diz: “Páscoa é paroxítona. Pás-coa, uma paroxítona terminada em ditongo crescente (semivogal O + vogal A), certo, Magnífico?”.

E o Magnífico responde: “Não é bem assim, Doutor do ABC. Ouvindo mais de perto, escutamos como que uma… uma proparoxítona, Pás-co-a”.

Percebeu o tamanho da encrenca?

O Doutor e o Magnífico tocam uma harpa, trocam duas farpas e concluem, uníssonos: “Deixemos de birra, ou coisa parecida. Vamos ao Supremo de uma vez por todas”.

E o Supremo borrifa água benta: “Os dois têm razão, não amolem. Manda, Mengo!”.

É assim mesmo. Nas alturas o debate é acirrado, rico. O discurso vai do plano ortográfico para o plano fonológico com a admirável leveza de um anjo. Agora, cá entre nós, de carne e osso de segunda ou terceira divisão neste paraíso infernal da Redação, graças a Deus o debate é light, com o perdão da palavra. Pás-coa é paroxítona, claro.

Na planície, o que vale para Páscoa é extensivo a todos os vocábulos com ia(ea), ie, io(eo), ua(oa), ue, uo em posição final e átona. Aqui reinam os ditongos crescentes.

Exemplos (em bold a sílaba tônica):

-bia (adjetivo), mas sa-bi-a (verbo); -rie (substantivo), mas aniversa-ri-e (verbo); sí-tio (substantivo), mas si-ti-o (verbo); -goa (substantivo), mas ma-go-a (verbo), etc.

Por isso os professores de português, pacientes, pregam a palavra: “Acentuar graficamente os vocábulos paroxítonos terminados em ditongo, e Feliz Páscoa”.

P.S.: No céu ou na terra, paroxítona é proparoxítona, não tem perdão.