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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

pontuação

Dez dicas da série Competência 1: português profissional – texto jornalístico

Por Orlando Nunes em Dica

29 de Janeiro de 2018

1 – Cai, chuva

Evite a obviedade da construção “a chuva que caiu”. Em vez de “A chuva que caiu ontem na região”, escreva, por exemplo, “A chuva de ontem na região”, ou “A chuva que atingiu ontem a região”. Enfim, fuja sempre da “chuva que cai” (agora, se ela, surpreendentemente, começar a subir, aí sim, seja o primeiro a noticiar a novidade).

2 – Hora determinada

Observe: “A reunião ocorreu de 9h às 11h” (errado). Antes de “11h” temos, corretamente, preposição (a) + artigo (a), resultando em crase (às). Antes de “9h”, por paralelismo, deveríamos ter também preposição + artigo (de + as), resultando em “das”. Logo, “A reunião ocorreu das 9h às 11h”.

3 – Tinha uma pedra no meio do caminho

“Todas as medidas legalmente cabíveis no difícil e permanente combate à sonegação de impostos no país, têm sido e continuarão sendo tomadas pelo governo, disse o ministro.”

É sempre bom lembrar que não se separa o sujeito do predicado com vírgula. Como, no período acima, temos um exemplo de sujeito de longa extensão (ele começa em “Todos”, no início da frase, e vai até a palavra “país”), sua completa identificação foi dificultada, levando o redator a, equivocadamente, separá-lo de seu verbo com uma vírgula – retire-a.

4 – À medida que x Na medida em que

Não confunda a locução conjuntiva “à medida que” (“à proporção que”) com a locução “na medida em que” (“porque”). Obs. É equivocada a construção híbrida dessas locuções, isto é, “à medida em que” ou “na medida que”. Veja os exemplos: “Desfavoravelmente, o diálogo entre policial e sequestrador se tornava mais tenso à medida que/à proporção que o tempo passava” (certo); “Na medida em que/Porque as reivindicações da categoria não foram atendidas, a paralisação dos trabalhadores será mantida” (certo); “O interrogado se contradizia cada vez mais à medida em que falava” (errado); “De acordo com o delegado, as peças do quebra-cabeça não se encaixavam, na medida que havia muitas contradições no depoimento” (errado).

5 – Em frente a, em face de, diante de

O último vocábulo das locuções prepositivas (grupo de palavras com valor de preposição) quase sempre (em 99,99% das ocorrências, digamos) é uma preposição. Assim, em vez de “Em face os últimos acontecimentos, a reunião foi antecipada”, escreva “Em face dos últimos acontecimentos, a reunião foi antecipada”. Outro fato: a maioria dos gramáticos tradicionais desaconselham a locução “face a” em vez de “em face de”. Obs. Quando semanticamente equivale a “apesar de”, a expressão “não obstante” é locução prepositiva (a única da língua portuguesa não terminada com preposição. Ex.: “Não obstante/apesar de já ter tomado a vacina no passado, temia a viagem à cidade, considerada área de risco com muitos casos registrados de febre amarela”.

6 – O porquê das perguntas

Não leve totalmente a sério a lenda de que, para perguntas, sempre empregamos “por que separado”. Observe: “O jogador foi multado só porque chegou alguns minutos atrasado ao treino? Esse “porque” é uma conjunção causal e deve ser mesmo escrito em uma só palavra, mesmo numa frase interrogativa.

7 – Chavão

Evite os chavões dos boletins policiais (ou de quaisquer outros). Ex.: Em vez de “O grupo de homens armados efetuaram diversos disparos”, escreva, simplesmente, “O grupo de homens armados atiraram várias/diversas vezes”.

8 – Ordinais

Na indicação de artigos de lei, empregue numeral ordinal de um a nove e numeral cardinal a partir de dez. Ex.: “Segundo o artigo 5º da referida lei” (e não artigo 5). Mas… “Segundo o artigo 10 da referida lei” (e não artigo 10º).

9 – Um dos que

Dê preferência à flexão de plural do verbo seguinte à expressão “um dos que”. Ex.: “O meia-atacante foi um dos que mais se destacaram na partida de ontem”.

10 – Duração

Em tempo: sem o artigo antes dos numerais indicadores de horas, o sentido é de duração de tempo. Veja a seguinte construção: “A reunião durou de três a quatro horas” é diferente semanticamente de “A reunião durou das 3h às 4h”. Nesta segunda estrutura, com preposição e artigo, inferimos que a reunião teve duração de uma hora; no primeiro exemplo, com preposição e sem artigo, deduzimos que a reunião durou aproximadamente três ou quatro horas.

 

Até!

marjangadeiro@gmail.com

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Se sai o Vaccari, a vírgula também sai

Por Orlando Nunes em Pontuação

18 de Abril de 2015

Há apostos (aberto, rima com impostos) especificativos e apostos de valor explicativo. Os do segundo grupo vêm assinalados com vírgula(s); os do primeiro, não.

Com exemplos não é complicado, como pode parecer à primeira vista.

Vejamos esta frase:

“A presidente da República, Dilma Rousseff, enfrenta talvez a pior crise de seu governo”.

Ora, se Dilma Rousseff vem entre vírgulas, não é por intriga da oposição (embora haja quem jure de pés juntos que seja por isso), mas porque é, no contexto do fragmento acima, um aposto de valor explicativo.

Quando o aposto representa a totalidade do conjunto sugerido pelo termo antecedente (presidente da República do Brasil, no caso), ele é de natureza “explicativa”. Detalhe: esse tipo de aposto sempre vem assinalado por vírgula(s).

“O governador do estado do Ceará, Camilo Santana, disse que…”

“O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, disse que…”

Agora atenção para não ser pego (ou pegado) de calça curta:

“A prisão do ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, João Vaccari Netto, ofuscou a mobilização que próceres da sigla vinham fazendo contra o Projeto de Lei 4.330”.

Perceba que “João Vaccari Netto”, no contexto acima, seleciona apenas uma parte dos membros do conjunto representado pelo termo antecedente (ex-tesoureiro do PT). Vaccari não é o único ex-tesoureiro do partido.

Então, o aposto aqui especifica um membro de um grupo maior, é um “aposto especificativo”, nunca assinalado com vírgula(s).

Reescritura do fragmento de texto:

“A prisão do ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores João Vaccari Netto ofuscou a mobilização que próceres da sigla vinham fazendo contra o Projeto de Lei 4.330”.

Até!

 

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É correto usar vírgula antes de etc.?

Por Orlando Nunes em Pontuação

17 de Janeiro de 2015

Nesta semana me perguntaram se podemos usar vírgula antes do etc.

Antes de mim, alguém respondeu, taxativo: “Não”.

Em seguida, respondi: “Podemos”. Não era uma resposta para ser “do contra”, mas é que, conhecendo a defesa dos que condenam a vírgula antes do etc. e a defesa dos que a empregam, me alinho à segunda corrente. E digo por quê. A seguir, uma brevíssima análise do assunto.

O etc. é a abreviatura (de uso internacional) da expressão latina et cetera, que significa “e outras coisas da mesma espécie”, “e o resto”.

Então, se a abreviatura etc. traduz-se por “e outras coisas”, não caberia a vírgula antes dela, diriam alguns, pois a conjunção “e” elimina essa possibilidade.

Quem não emprega a vírgula antes do etc., portanto, ancora sua tese em fundamentos de natureza etimológica, ou seja, vai buscar na origem da forma as razões de sua escolha.

Entretanto, se formos sempre seguir ao pé da letra os valores semânticos originais de uma forma, também não utilizaremos o etc., por exemplo, para encerrar uma enumeração de pessoas, tendo em vista que, originalmente, et cetera diz respeito a “coisas”.

Escritores importantes, clássicos e modernos, sabiamente “ignoraram” a origem do etc.

Na verdade, as línguas são avessas à fôrma, ao gesso, ao concreto armado – evoluem.

No caso em discussão neste post, a tese mais evoluída, a meu ver, é a defendida por mestres como Celso Pedro Luft, por exemplo, para quem a pontuação do etc. deve ser a mesma empregada para os demais itens da enumeração: vírgula, ponto e vírgula ou mesmo ponto.

Vejamos exemplos de pontuação do etc. colhidos do “Grande Manual de Ortografia Globo”, do incomparável Luft:

– Comprou livros, revistas, cadernos, etc. (vírgula antes do etc.)

– Palavras que se escrevem com RR e SS: carro, narrar; excesso, remessa; etc. (ponto e vírgula)

– Levantar cedo. Respirar o ar puro da manhã. Fazer ginástica. Etc. (ponto).

É isso. Podemos usar vírgula antes do etc.? Sim, podemos.

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Tinha um dois-pontos no meio do caminho

Por Orlando Nunes em Pontuação

28 de outubro de 2014

“A Polícia Rodoviária fiscalizará: motoristas, motociclistas e até ciclistas.”

Um dois-pontos não deve separar o complemento de um verbo. Na frase acima, à direita do dois-pontos, temos o complemento verbal denominado de “objeto direto”. Assim como não separamos com pontuação o “sujeito” do “verbo”, também não devemos separar o complemento verbal (objeto direto, objeto indireto) do verbo.

Reescrita:

“A Polícia Rodoviária fiscalizará motoristas, motociclistas e até ciclistas.”

Observação: o dois-pontos estaria adequado se a estrutura tivesse um objeto antes do sinal de pontuação: “A Polícia Rodoviária fiscalizará todo condutor de veículo: motoristas, motociclistas e até ciclistas”. Agora, depois do dois-pontos, temos um aposto enumerativo (termo acessório), e não mais um complemento verbal (termo integrante da frase).

Até!

 

 

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Jornalistas, não sigam Saramago

Por Orlando Nunes em Pontuação

03 de agosto de 2014

O Ocidente, ao longo dos séculos, vem desenvolvendo o sistema de pontuação da escrita.

Hoje, podemos dizer que chegamos a uma sistematização satisfatória.

Um dos meus autores inquestionáveis, José Saramago, pôs na lixeira esse esforço genial da humanidade, em nome da liberdade de expressão literária. Perfeito, mas isso é de uma lógica redacional desprezível. Jornalista, nada de “cesta edição” para as vírgulas e companhia: a pontuação é valiosa demais para a clareza da informação. E clareza é o que importa.

Arte e lógica, de fato, são independentes; assim seja.

A pontuação saramaguiana pode merecer nota dez no reino seleto da literatura, onde, enfim, reina, mas não deve servir em nada na planície medíocre da comunicação contemporânea.

Não tomem medíocre além da conta, medíocre no sentido primeiro, de mediano.

O sistema de pontuação da língua portuguesa é riquíssimo, uma luz fantástica a iluminar o terreno complexo da linguagem humana. Eis um ponto que me anima.

Um ponto que me intriga e desafia: boa parte do jornalismo impresso cearense não aprendeu ainda as noções básicas de pontuação. Tantas vezes, parece-me um Saramago perdido, não o criativo.

Creio que sei a razão. Há uma merecida atenção ao desenvolvimento estético-gráfico dos jornais. Ponto. Mas a atenção ao alinhamento da estrutura sintática da informação parece-me não ter batido à porta da Redação. E não me peçam a prova do crime, por gentileza.

Isso, por força de meu trabalho, me incomoda um pouco, ou bastante. Mas não devo me tornar entediado ou entediante; devo manter o humor, e o sério curso de Pontuação para Redatores. Simples assim, ponto final.

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Até!

 

 

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A pontuação e o porquê

Por Orlando Nunes em Gramática

11 de setembro de 2013

Como dissemos em posts anteriores, a vírgula sinaliza o caminho da leitura, facilitando a assimilação rápida da mensagem apresentada.

Dessa forma, cada vírgula tem um porquê, um motivo, um papel na história.

Vejamos alguns casos (noticiáriol do domingo passado, 8.9.13).

 

Goleada no Mané, no DF

“Brasil goleia Austrália em amistoso no Mané Garrincha, em Brasília.”

– vírgula separa a enumeração (sequência) de adjuntos adverbiais.

 

Depois da peia, a paz

“Após três derrotas, Fluminense reencontra a vitória diante do Bahia e respira.”

“Com torção, Felipe desfalca Flamengo.”

– vírgula marca a antecipação do adjunto adverbial

 

Advérbio intrometido merece duas vírgula

“Cape d’Agde, na França, é capital do nudismo.”

– vírgula marca a intercalação do adjunto adverbial.

 

Enumeração, vírgula

O serviço é gratuito e confere a condição dos freios, dos amortecedores, da suspensão e até a quantidade de emissão de poluentes que sai do escapamento.

– vírgula marca uma enumeração (no caso, de adjuntos adnominais).

 

Explicativa exige vírgula

O grupo, que tem como tema “Juventude que ousa lutar, constrói o projeto popular”, objetiva chamar atenção para as condições de crescente exclusão social na sociedade brasileira.

– vírgula separa a oração principal da oração adjetiva explicativa.

 

Restritiva rejeita vírgula

Vidraças de lojas e carros que estavam estacionados nos arredores da praça foram atingidos durante o conflito.

– não há vírgula, porque a oração adjetiva neste caso é restritiva, e não explicativa.

 

Distinguindo a adjetiva explicativa da adjetiva restritiva

– A adjetiva explicativa faz referência a todo o conjunto representado pelo termo antecedente.

O tema “juventude (…) popular” se refere a todo o “grupo”.

– A adjetiva restritiva se refere a parcela do conjunto representado pelo termo antecedente.

Nem todo o conjunto de carros foi atingido, isso se restringe aos que estavam estacionados nos arredores da praça.

No mais, é MAR: marjangadeiro@gmail.com

Vou indo a pé. Até!

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Vírgula existe para ajudar, nunca para atrapalhar

Por Orlando Nunes em Gramática

26 de agosto de 2013

“Segundo informação do Ministério do Turismo, hoje, o estado do Ceará investe R$ 273,4 milhões em 398 obras.”

A estrutura acima apresenta uma sequência de adjuntos adverbiais – Segundo informação do Ministério do Turismo (1) e hoje (2) – deslocados para o início da frase.

Gatos escaldados, sacamos das vírgulas e disparamos.

A pontuação utilizada, porém, suscita certa ambiguidade: o advérbio “hoje” parece referir-se ao momento em que foi dada a informação pelo Ministério do Turismo, quando, na verdade, algo nos diz (o tal “conhecimento de mundo”?) que não é bem assim. Em outras palavras, qual a interpretação adequada do período em análise?

  1.  “O Ministério do Turismo informou hoje…”.
  2. “O estado do Ceará investe hoje…”.

A informação pretendida era a de número 2, logo há problema de pontuação (ou de estruturação da frase). Vamos consertar isso. Duas soluções possíveis, dentre outras:

  1. “Segundo informação do Ministério do Turismo, o estado do Ceará investe hoje R$ 273,4 milhões em 398 obras.” (aproximação do advérbio ao verbo)
  2. “Segundo informação do Ministério do Turismo, hoje o estado do Ceará investe R$ 273,4 milhões em 398 obras. (supressão da vírgula após o advérbio).

Lembre-se: vírgula serve para sinalizar a leitura adequada, nunca para dificultá-la.

Boa semana.

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Vírgula de enumeração e concordância nominal

Por Orlando Nunes em Dica

19 de agosto de 2013

“A Jamaica venceu a prova de revezamento 4×100 m masculino no Mundial de Atletismo, em Moscou, na Rússia.”

Um passo além do princípio geral de não pontuar os termos da oração dispostos na ordem direta (sujeito-verbo-complemento verbal-adjunto adverbial): uma sequência de dois ou mais adjuntos adverbiais será separada por vírgula(s).

A frase-modelo apresenta os seguintes termos na ordem direta:

Sujeito: A Jamaica
Verbo transitivo direto: venceu
Objeto direto: a prova de revezamento 4×100 m masculino
Adjunto adverbial 1: no Mundial de Atletismo
Adjunto adverbial 2: em Moscou
Adjunto adverbial 3: na Rússia

Analisando a pontuação

Até o primeiro adjunto adverbial, nenhuma vírgula foi utilizada, pois os termos estão na ordem direta, ordem normal da frase – não há necessidade de nenhum “aviso” ao leitor..
Os adjuntos adverbiais seguintes (2 e 3) são separados por vírgulas – apesar de a ordem direta não ter sido alterada – por causa da estrutura de enumeração, da sequência de termos de mesmo valor sintático na frase – as enumerações acompanham-se de vírgulas.

Analisando a concordância

Aproveitando o embalo da corrida: com quem concorda o adjetivo “masculino” na frase destacada acima (A Jamaica venceu a prova de revezamento 4×100 m masculino)?

Resposta: com o substantivo masculino “revezamento”. Ou seja, revezamento 4×100 m masculino. Trata-se, no entanto, de uma concordância medalha de bronze, Uma dica de ouro para o portal: nas estruturas formadas por substantivo + termo preposicionado, prefira a concordância com o núcleo (substantivo que precede a preposição).

Exemplos:

“A seleção cearense masculina de basquete”, em vez de
“A seleção cearense de basquete masculino”.
“A prova de revezamento 4×100 m masculina”, ou
“A prova masculina de revezamento 4×100 m, em vez de
“A prova de revezamento 4×100 m masculino

É isso, vamos correr. Boa semana.
Até!

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As frases simples do papa (pontuação 2)

Por Orlando Nunes em Gramática

29 de julho de 2013

No post anterior, dissemos que a pontuação “é penta”. Fazíamos alusão a cinco estruturas de frase simples (um sujeito e um verbo) que dão origem a qualquer engenharia frasal produzida ou que venhamos a produzir em língua portuguesa padrão culto escrito.

A pontuação na linguagem escrita nada mais é do que um aviso ao leitor de que a ordem direta dos termos da frase, com a qual todos nós leitores já nos acostumamos, foi estrategicamente alterada. Em outras palavras, a pontuação organiza, sinaliza, ilumina a frase.

Aonde vamos

Durante a série de textos Pontuação: É penta! (a pontuação passo a passo), vamos empregar as cinco estruturas de frase simples, modificá-las ou combiná-las, de modo a criar os mais diversos ambientes contextuais de uso dos sinais de pontuação de nosso idioma – vírgula, ponto e vírgula, travessão, dois-pontos, ponto de exclamação, etc.

Inicialmente, aproveitando o noticiário de cobertura da bem-vinda visita do papa Francisco ao Brasil, vamos apresentar rapidamente cada uma das cinco estruturas da frase simples.

Modelo 1 – sujeito–verbo (S–V)

O tempo passa. / A vida segue. / A Igreja cresce.

– A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

Como a vírgula sinaliza ao leitor que algo importante subverte a ordem tradicional da frase, se usássemos uma vírgula nas estruturas acima (*O tempo, passa / *A vida, segue / *A Igreja, cresce), estaríamos pondo pedras no meio do caminho, dificultando a leitura normal do texto.

Modelo 2 – sujeito–verbo–objeto direto (S–V–Od)

O papa visitou o Brasil. / O papa convocou os jovens. / O papa abençoou o povo brasileiro.

– A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

O objeto direto é o complemento verbal cuja ligação com o verbo (transitivo direto) é feita sem a necessidade de uma preposição (a, de, em, para, com, por).

Modelo 3 – sujeito–verbo–objeto indireto (S–V–Oind)

A Igreja precisa de vocês. / Mais de 3 milhões de pessoas assistiram à celebração da missa.

– A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

O objeto indireto é o complemento verbal cuja ligação com o verbo (transitivo indireto) é feita necessariamente com uma preposição (a, de, em, para, com, por).

Modelo 4 – sujeito–verbo–objeto direto e objeto indireto (S–V–Od e Oind)

O papa dá recado aos jovens. / O papa agradeceu o carinho ao povo brasileiro.

– A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

Modelo 5 – sujeito–verbo de ligação–predicativo (S–VLig–Pvo)

A Cidade Maravilhosa [é linda] / [está linda] / [parece linda] / [ficou linda] / [continua linda]

– A ordem é direta, logo não há necessidade de nenhum sinal de pontuação entre os termos.

Atenção, jovens do Brasil

As cinco estruturas acima são consideradas modelos não porque sejam as mais frequentes em qualquer texto escrito em língua portuguesa, e sim por serem a fonte de toda estrutura frasal.

Tudo que escrevemos tem uma dessas cinco arquiteturas, ou se trata de modificação (inversão da ordem dos termos, por exemplo) ou de combinação dos vários modelos apresentados.

Em tempo: qualquer um dos cinco modelos de frase pode vir acrescido de um adjunto adverbial, termo que ocupará a última posição na frase (na ordem direta), especificando uma circunstância relacionada ao processo verbal: modo, tempo, lugar, entre outras.

Exemplos

O tempo passa rapidamente. / O papa abençoou o povo brasileiro na missa dominical. / A Igreja precisa da criatividade de vocês sempre. / Papa dá recado aos jovens na Praia de Copacabana. / A Cidade Maravilhosa parece mais linda neste domingo.

Vamos em paz

Apresentados os cinco modelos de frase simples em sua ordem direta (S-V-O [adj. Adv.]), iniciaremos na próxima segunda-feira os primeiros casos de emprego da vírgula: (1) com o deslocamento do adjunto adverbial e (2) com a introdução de elementos intercalados.

Até!

 

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Pontuação: É penta!

Por Orlando Nunes em Gramática

25 de julho de 2013

Salve, navegante do MAR Jangadeiro. Iniciamos neste post uma série de textos dedicada ao estudo da pontuação, o flagelo de muitos redatores. Contudo, ninguém é mais flagelado que o próprio leitor diante de um texto que tropeça nas vírgulas e nos demais sinais de pontuação.

Vírgula não é oxigênio

Creio que a maior parte dos leitores já deve ter tido contato com o alerta de algum professor de português a respeito da desvinculação entre pausa respiratória e vírgula. É isso mesmo, a vírgula é um sinal de pontuação associado meramente à estrutura sintática da frase, relaxe.

Onde há ordem, não há vírgula

Em português, há uma ordem tradicional de disposição dos termos da frase. Leitores que somos, já nos acostumamos a essa ordem, também conhecida por ordem direta. Quando dispomos os termos da frase segundo essa ordem tradicional, deixamos as vírgulas de molho.

Ordem e Progresso

Brasileiras e brasileiros, eis os termos perfilados segundo a tradição de nossa pátria, a língua portuguesa é nossa pátria: sujeito – verbo – complemento verbal (objeto direto e/ou indireto).

Assim sendo, não separe com uma vírgula o sujeito do verbo.

Assim sendo, não separe com uma vírgula o verbo do objeto.

Você sabia?

Você sabe quantas frases tem um jornal, um jornal parrudo daqueles de domingo? Claro que você tem mais o que fazer do que contar as frases do jornal num domingo de sol. Mas eu não tenho e contei para você, leitor dileto do MAR Jangadeiro. Vou contar para você agora, já.

Um jornal de domingo tem cinco frases, igual àquele jornal magrinho da segunda-feira. Tudo que escrevemos, aliás, não passa de cinco frases (isso não é uma hipérbole às avessas, um jeitinho brasileiro de não torturar ou um pau de arara de algodão-doce – é tudo verdade).

Se formos rigorosos, encontraremos seis frases. Mas a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), diplomática e didática, não comprou a briga e reconhece somente cinco filhos, cinco frases. O resto é mar e lenda.

Penso, logo...

Então, dileto, para aprender a pontuar, você precisa dominar apenas cinco estruturas de frase. É isso que vamos fazer na série Pontuação: É penta! Senta, que vamos começar.

Toda segunda-feira, publicamos um post do penta, a pontuação passo a passo. Começa dia 29.

Concluiremos bem antes do hexa de 2014, e ponto final.

Até!

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Pontuação: É penta!

Por Orlando Nunes em Gramática

25 de julho de 2013

Salve, navegante do MAR Jangadeiro. Iniciamos neste post uma série de textos dedicada ao estudo da pontuação, o flagelo de muitos redatores. Contudo, ninguém é mais flagelado que o próprio leitor diante de um texto que tropeça nas vírgulas e nos demais sinais de pontuação.

Vírgula não é oxigênio

Creio que a maior parte dos leitores já deve ter tido contato com o alerta de algum professor de português a respeito da desvinculação entre pausa respiratória e vírgula. É isso mesmo, a vírgula é um sinal de pontuação associado meramente à estrutura sintática da frase, relaxe.

Onde há ordem, não há vírgula

Em português, há uma ordem tradicional de disposição dos termos da frase. Leitores que somos, já nos acostumamos a essa ordem, também conhecida por ordem direta. Quando dispomos os termos da frase segundo essa ordem tradicional, deixamos as vírgulas de molho.

Ordem e Progresso

Brasileiras e brasileiros, eis os termos perfilados segundo a tradição de nossa pátria, a língua portuguesa é nossa pátria: sujeito – verbo – complemento verbal (objeto direto e/ou indireto).

Assim sendo, não separe com uma vírgula o sujeito do verbo.

Assim sendo, não separe com uma vírgula o verbo do objeto.

Você sabia?

Você sabe quantas frases tem um jornal, um jornal parrudo daqueles de domingo? Claro que você tem mais o que fazer do que contar as frases do jornal num domingo de sol. Mas eu não tenho e contei para você, leitor dileto do MAR Jangadeiro. Vou contar para você agora, já.

Um jornal de domingo tem cinco frases, igual àquele jornal magrinho da segunda-feira. Tudo que escrevemos, aliás, não passa de cinco frases (isso não é uma hipérbole às avessas, um jeitinho brasileiro de não torturar ou um pau de arara de algodão-doce – é tudo verdade).

Se formos rigorosos, encontraremos seis frases. Mas a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), diplomática e didática, não comprou a briga e reconhece somente cinco filhos, cinco frases. O resto é mar e lenda.

Penso, logo...

Então, dileto, para aprender a pontuar, você precisa dominar apenas cinco estruturas de frase. É isso que vamos fazer na série Pontuação: É penta! Senta, que vamos começar.

Toda segunda-feira, publicamos um post do penta, a pontuação passo a passo. Começa dia 29.

Concluiremos bem antes do hexa de 2014, e ponto final.

Até!