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português - MAR Jangadeiro

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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

português

Sujeito a alteração não tem crase?

Por Orlando Nunes em Crase

04 de outubro de 2016

A frase está correta (FOTO: Divulgação)

A frase está correta (FOTO: Divulgação)

Na frase “Sujeito a alteração sem aviso prévio” não está faltando uma crase? Pergunta de Júlia M., Dionísio Torres, Fortaleza (CE).

Resposta

A frase está correta, nela não há a ocorrência de crase, que é a fusão de duas vogais idênticas. Esse A de “sujeito a” é apenas uma preposição. Para que ocorresse crase, seria necessária, além da preposição A, a presença de um artigo feminino A.

A ausência de artigo fica evidente na substituição do substantivo feminino “alteração” por um substantivo masculino (“ajuste”, por exemplo). Observe: “Sujeito a ajuste sem aviso prévio”. Se houvesse um artigo antes da palavra “ajuste”, teríamos: “Sujeito ao ajuste sem aviso prévio”. Não é o caso.

Frases corretas: “Sujeito a alteração sem aviso prévio” / “Sujeito a ajuste sem aviso prévio”.

Até!

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Português para extraterrestres

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

25 de Abril de 2016

(FOTO: Divulgação)

(FOTO: Divulgação)

“Depois da aparição de objetos voadores não identificados (OVNIs), fatos estranhos começaram a haver na misteriosa cidadezinha do sertão cearense.”

Em relação ao fragmento de texto acima, é correto afirmar:

(A) Está adequado à norma culta da língua portuguesa

(B) Há um erro de regência verbal

(C) Há um erro de concordância nominal

(D) Há um erro de regência nominal

(E) Há um erro de concordância verbal

GABARITO: E

COMENTÁRIO: O verbo “haver”, quando sinônimo de “existir”, “ocorrer” ou “acontecer”, é impessoal (sem sujeito), não é flexionado no plural. Ex.: “Houve (e não *houveram) fatos estranhos”. Há um erro de concordância verbal na frase analisada. O verbo auxiliar da locução verbal não deve ser flexionado no plural. Em vez de “começaram a haver”, o correto seria “começou a haver”, pois o verbo principal da locução (haver) sendo impessoal “transmite” sua impessoalidade ao verbo auxiliar (começou). Na frase, “fatos estranhos” é o objeto direto, e não sujeito (começou a haver fatos estranhos). A inversão dos termos (OD + Verbo) dificulta a análise sintática, e “fatos estranhos” parece ser o sujeito, MAS NÃO É!

Reescritura:

“Depois da aparição de objetos voadores não identificados (OVNIs), fatos estranhos começou a haver na misteriosa cidadezinha do sertão cearense.”

Até!

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Porque junto também faz perguntas?

Por Orlando Nunes em Gramática

02 de Fevereiro de 2016

(Ilustração: Divulgação)

(Ilustração: Divulgação)

Sabia que “porque junto” (uma só palavra) também faz perguntas?

Se não, talvez você seja a milionésima vítima desta enganosa dicazinha:

“por que separado usamos em perguntas, e porque junto nas respostas”.

Na verdade, nem sempre funciona assim. Observe o seguinte diálogo extraído (não confundir com “ex-traído”, aquele que votou enganado, mas não vota mais) de um debate entre um situacionista e um oposicionista do Planalto:

Situacionista (com a mão direita sobre a Bíblia): “Camarada, o Brasil vive uma crise econômica PORQUE a economia no mundo também vai mal”.

Oposicionista (incrédulo como um pobre diabo): “Pelo amor de Deus, Excelência, se o Brasil vive esta crise toda, então é PORQUE a economia no mundo vai mal?”

Viu?!

O oposicionista faz uma pergunta (com direito a ponto de interrogação e tudo) lançando mão de um “porque” junto (uma só palavra).

Isso não é intriga da oposição, é somente uma conjunção.

Sim, uma conjunção causal (= pois), e não um advérbio interrogativo (por que).

O oposicionista se valeu de uma pergunta retórica (aquela que, no fundo monetário gramatical, dispensa resposta) para dizer, com outras palavras e ao pé da letra:

“Então Vossa Excelência tem, com o devido respeito, a cara de pau de afirmar que o Brasil vive esta crise toda PORQUE/POIS o mundo também a vive?”.

É tudo verdade!

Até podemos discordar do discurso da esquerda ou da direita. Mas, como diz o ditado, o porquê unido jamais será vencido. Por que, hein? Será porque assim Deus quis?

Até!

marjangadeiro@gmail.com

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Veja por que voo sem acento não é voo cego

Por Orlando Nunes em Nova Ortografia

08 de Janeiro de 2016

'Voo' perdeu o acento na nova regra gramatical (FOTO: Divulgação)

‘Voo’ perdeu o acento na nova regra gramatical (FOTO: Divulgação)

Desde 1º de janeiro de 2016, finalmente, o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa está valendo para gregos e troianos em todo o Brasil.

Hoje, um post sobre duas palavrinhas cujo acento gráfico foi para o espaço: voo e veem.

Vejamos por que voo (e veem) sem acento não é voo cego, pois voar é preciso.

É verdade que, mesmo depois do período de adaptação (2009 a 2015), uma fase para melhor empurrar o acordo goela abaixo do usuário do idioma, quase todos no país do petrolão é nosso ainda estranham (estranhamos) grafias como “voo” e “veem”, dentre outras.

Trata-se, porém, de uma questão de costume, estávamos habituados com o acento gráfico dessas palavras, e, sabemos, o que os olhos veem, o coração sente (ou seria diferente?).

Mas no fundo está tudo certo agora com voo e veem, ou melhor, tudo acertado. Ora, desde 1943 não sabíamos que as paroxítonas terminadas em O ou EM dispensam o acento?

Homem cego: sem acento porque não se acentuam paroxítonas terminadas em O (cego) ou EM (homem). Por que então acentuar as paroxítonas voo e veem?

Só para criar uma regra especial de hiato? Ora, vamos economizar, o tempo é de crise.

Até.

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Vendeu pra burro, muito inteligente

Por Orlando Nunes em Gramática

08 de outubro de 2014

Aposto que você um dia já separou o aposto com um ponto.

Veja esta frase:

“O deputado reeleito é natural de Lavras da Mangabeira. Uma pequena e aprazível cidade do interior do Ceará”.

Então, camarada, já ouviu falar em frase fragmentada?

Se não, releia o enunciado acima, ele é um bom exemplo disso. Vamos lá, percebeu que há um ponto no meio do caminho de Lavras da Mangabeira? Nunca se esqueça disso.

Afinal, o que é uma frase não fragmentada?

É um enunciado que contém duas partes: um sujeito e um predicado.

Assim, não resta dúvida de que em “O deputado reeleito é natural de Lavras da Mangabeira” temos uma frase bem-comportada. Sujeito: O deputado reeleito; predicado: é natural de Lavras da Mangabeira. Agora, em “Uma pequena e aprazível cidade do interior do Ceará”, onde está o sujeito? Onde está o verbo?

Não há, não temos aí uma frase, mas um fragmento dela, no caso um aposto.

Um aposto se refere a um nome à sua esquerda e dele vem separado por vírgula, não por ponto. Essa pseudofrase é, aqui, um aposto explicativo – “explica” Lavras da Mangabeira.

Reescritura: se no meio do caminho tinha (havia, como dizem os gramáticos) um ponto, agora tem (como dizem os poetas) uma vírgula. Esta é a pontuação jornalística adequada:

“O deputado reeleito é natural de Lavras da Mangabeira, uma pequena e aprazível cidade do interior do Ceará”.

Detalhe: no texto publicitário, é muito comum o emprego de “frases fragmentadas”: um ponto separando um aposto, um adjunto, etc. Utilizadas com criatividade, elas (frases fragmentadas) possibilitam valor expressivo inegável. Contudo, utilizadas desastradamente, vão vender gato por lebre; vão quebrar a unidade da frase, vão quebrar o pau da barraca.

Não dá pra lavar as mãos, é preciso saber onde pôr os pés, onde pôr os pontos.

Crianças, não façam isso em casa

Exemplo de boa (a meu ver) frase fragmentada na publicidade (anúncio adaptado).

Observo que há nela erro de estruturação (não deve ser imitada na redação do Enem, por exemplo). O desvio gramatical, contudo, foi calculado, consciente, “estudado”.

Anúncio de revista
Videoaulas Exatas.
Falamos sua língua: Matemática.
Fique ligado.
Nossos professores dão aula na sala.
Da sua casa.

Quantos engraçadinhos de plantão não devem ter comentado: “Ainda bem que não é curso de português”. Sim, porque o termo “Da sua casa” é adjunto de “sala” (núcleo do sintagma), e quem já viu separar o adjunto de seu núcleo por um ponto? Eu já vi. Às vezes cumpre uma missão, ou mais de uma.

Vejamos algumas do anúncio publicitário acima:

– nossa língua é a matemática, o português é o que você usa em casa mesmo.

– o termo “Da sua casa”, isolado e em um corpo maior que o do restante do texto, chamava atenção (destacava) para o “conforto” de o aluno “não precisar sair de casa para estudar (matemática)”.

– Entre “descrição” e “discrição”, o texto publicitário marca a primeira alternativa quase sempre (o desvio intencional do padrão gramatical pode ser útil, se apreciado com moderação).

– Veja em um dicionário os verbetes “eficácia” e “eficiência”.

– O curso de matemática anunciado vendeu pra burro (pra inteligente também, a maioria).

Até!

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País pobre é país sem privada

Por Orlando Nunes em Concordância verbal

06 de Maio de 2014

A ira e o furor das arquibancadas vem matando o país do futebol.

Quando o sujeito composto é formado por núcleos sinônimos, ou quase sinônimos (sinônimos perfeitos, Pelé e Coutinho, são mitos), o verbo pode não se flexionar.

A ira e o furor vem matando
Tomamos os núcleos do sujeito composto (ira e furor) como sinônimos, e a locução verbal vem matando foi mantida em sua forma singular.

A estrutura de plural também seria possível:
A ira e o furor das arquibancadas vêm matando o país do futebol.
Note a marca plural no verbo auxiliar vêm (ele vem; eles vêm).

Qual a estrutura preferida nesse caso, verbo na forma singular ou plural? Várias gramáticas tradicionais (elas têm como referência textos de bons escritores) registram que a concordância preferencial é a que mantém o verbo sem flexão, no singular.

Mas país pobre é país sem privada

Tínhamos um futebol singular, como a concordância verbal de grandes escritores. Sobrou a fúria plural de micróbios torcedores.

A ira e o furor das arquibancadas vêm matando o país do futebol.

E “corre” pro mato, que o jogo é de campeonato. Uma merda!

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Conheça a vírgula de Oxford

Por Orlando Nunes em Dica

08 de julho de 2013

“Antes da premiação, o desfile das equipes classificadas: a verde e branca, vermelha e preto e azul.” Agora uma pergunta: Quantas equipes se classificaram? Chamem a vírgula de Oxford.

Há regras bem (?) definidas para o emprego da vírgula, sem dúvida. Por que polêmicas?

Mas toda vírgula é um aviso ao leitor: “Cuidado, alguma coisa está fora da ordem”.

A vírgula, por exemplo, informa ao leitor que o adjunto adverbial (cuja posição natural é o fim da frase) está deslocado, antecipado: “Todos os dias, tropeçamos em uma vírgula”.

Percebeu a vírgula informando que o adjunto adverbial foi deslocado de seu habitat? Na ordem normal da frase, ela não entraria na história: “Tropeçamos na vírgula todos os dias”.

Usamos vírgula também para enumerar elementos de uma série: “Comprou tinta verde, amarela, branco e azul”. Assim, temos um elenco de regras bem claras, “a regra é clara”.

Mas nem o redator nem o idioma são robôs, é preciso pensar, avaliar, clarear.

A vírgula nasceu para clarear o texto para o leitor, facilitar a leitura. Em outras palavras, isso nos obriga a pôr a clareza em primeiro lugar. A regra não deve turvar o texto.

Nasce a vírgula de Oxford

Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? Ora, sei lá! Em inglês, quem vem primeiro, o substantivo ou o adjetivo? Ora, quem vem primeiro é o segundo, o adjetivo, é claro.

Pois essa galinhagem de sempre pôr o adjetivo antes do substantivo sujou o poleiro inglês. Porém não muito, nada que impedisse a vírgula de Oxford de repor a ordem do galinheiro.

Pena no papel, range regra

Em português: política internacional e negócios (claro)

Em inglês: international politics and business (ambíguo)

A ambiguidade reside no fato de o adjetivo anteposto (na estrutura do inglês) poder ser interpretado como “política e negócios internacionais (na estrutura portuguesa).

Aqui entra em cena a vírgula de Oxford, para iluminar o breu:

Em inglês: international politics, and business (agora claro).

Que tem a ver com isso o português?

Ora, a “vírgula da clareza” também é usada por nós, pois, pois. A frase com que iniciamos o texto deste post “pede” (em nome da clareza) uma vírgula de Oxford: “Antes da premiação, o desfile das equipes classificadas: a verde e branca, vermelha e preto, e azul”. Três equipes.

Moral da história: a regra é clara, mas o usuário é complexo, superior.

Estou no marjangadeiro@gmail.com
Abraço.

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Ser ou estar, eis a questão

Por Orlando Nunes em Crônica

14 de dezembro de 2012

A dúvida: Ser ou não ser, perguntava-se Hamlet, de Shakespeare. A certeza: Não sou, estou, concluíram os políticos brasileiros.

No princípio era o verbo ser. O estar no mundo veio depois.

Meu cunhado Maia é um filósofo. Talvez devesse dizer, seguindo uma forma em alta, Maia está filósofo. Pois muito bem, no último domingo – na verdade penúltimo, uma vez que temos mais um antes do 21 de dezembro – o cunhado me revelou o calendário dos Maias.

Segundo o dito cujo, as pessoas, de modo geral, têm profunda dificuldade de interpretar os fatos, os dados, os dedos, as mãos, as cartas, ou qualquer outro jogo de azar.

Ao pé da letra, a Terra não vai para o buraco neste vinte e um vindouro. O que revela o calendário da família do Maia não passa de uma figura de linguagem, o povo ignaro é que transforma toda metáfora em uma hipérbole, em um exagero de expressão.

Tempestade em copo d’água. Alguma coisa está mesmo fora da ordem e vai, qualquer calendário paia registra isso, pros quintos dos infernos, mas não é ainda o fim da picada.

Alerto todavia os que pensam que tudo que diz o Maia é filosofia barata: o risco de vida ou de morte inerente a tal pensamento é algo que deve ser levado em conta por quem não quer pagar o pato. O mundo acaba dia 21, sim senhor, pode anotar. Mas não para todo o mundo.

O mundo vai acabar somente para algumas pessoas. A primeira pessoa do presente do indicativo do verbo ser, por exemplo, essa está com os dias contados.

O Executivo enviou a mensagem, e o Legislativo aprovou por unanimidade.

Se alguém ainda não captou o espírito de corpo, experimente então desrespeitar um político qualquer chamando-o de vereador, deputado, senador, ministro, presidente ou presidenta.

Quem o fizer ouvirá a réplica na hora:

“Não sou vereador, estou vereador; não sou deputado, estou deputado; não sou senador, estou senador; não sou ministro, estou ministro; não sou presidente, estou presidenta”.

Os políticos provam com todas as letras que é possível sim filosofar em bom português.

Filosofar é preciso, politicar não. Noutros tempos, se a questão era ser ou não ser, creditava-se ou debitava-se a pulga atrás da orelha a um determinado sujeito shakespeariano, e estávamos conversados. Mas o mundo não para, a linguagem não para.

A língua é viva, assim como os políticos.

A questão semântica agora, no Parlamento ou em Palácio, é saber quem paga a conta no fim da história – não vamos falar aqui das continhas de fim de semana na Suíça, de fim de mês no meretrício, nem mesmo nas da mega da virada, afinal político não é pessoa de primeira.

Ele é de terceira do singular, logo não vai se acabar no dia 21, segundo o calendário do Maia.

Diálogos impertinentes

“A conta, senhor vereador, senhor deputado, senhor senador, senhor ministro, senhor e senhora presidente.”

“Alto lá! Não sou vereador, não sou deputado, não sou senador, não sou ministro, não sou presidente – apenas estou.”

É essa a filosofia evoluída, não resta a menor dúvida.

Ser ou não ser já era. O ser morreu. Hoje o que resta é o não ser.

Estar é o sinônimo filosófico do não ser, do não estar nem aí, ou aqui, ou ali, a nefasta negação da onipresença sagrada e sacramentada.

Era uma vez… Ali Babá e os Quarenta Ladrões. Era, não é mais. Não sou Ali, estou Ali, eis um álibi. Não são quarenta ladrões (quantos são?), eram, estavam, simplesmente, inocentemente.

“Vossa Excelência é um corrupto!”

Essa é uma frase inadequada em se tratando de linguagem evoluída, culta. Em bom português o que temos hoje é “Vossa Excelência está corrupto!”

O calendário, ou código do Maia, o filósofo

Era uma vez um estudioso do idioma que ouvia da boca dos falantes mais cultos de uma aldeia um plural singular. O estudioso acompanhava o discurso de um político de palácio.

“Estamos muito feliz com o andar da carruagem”, “Estamos muito contente com a viagem do presidente”, “Estamos meio puto com essa maldita dor de dente”, gemia o imprudente.

As gerações mais antigas achavam que aquilo era o fim do mundo. Mas o estudioso disse não haver problema algum, aquilo tudo era só o “plural da modéstia”, uma … silepse de número.

Pois sim, misturando alhos com bugalhos, o “estou isso”, em lugar do “sou isso”, também veste a túnica branca e incorruptível da falsa modéstia.

“Ora, pare com isso, eu lá sou um ministro, apenas estou ministro, no fundo sou igualzinho a você, ou seja, um nada, um servidor.”

“Tu és pó. A única coisa que tu és, e não estás ainda, é pó.”

“Somos pó, cheiramos pó, vendemos pó, fazemos a marcha do pó, votaremos no pó, voltaremos ao pó.”

“Data venia, Excelência!”

“Estou Excelência, eu sou tu amanhã. Estamos entendidos?”

“Mas de quem é a conta da bomba que está em minha mão?”

“Disseste bem, está. Não é conta, está conta. Esta bomba não é da nossa conta, não faça um réveillon em copo d’água. Estamos em festa.”

“Então, não temos quem pague a conta, não é, Excelência?”

“Eu não sou, eu estou. Quite.”

Moral da história: estar é um modo do ser não pagar o pato. Eis a questão.

Ao menos essa é a leitura politicamente correta cunhada no calendário do Maia.

Boas festas!

 

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Para o quê?

Por Orlando Nunes em Gramática

25 de outubro de 2012

O MAR adverte: o fonema inicial do radical português é… imexível (boa palavra).

Boa parte da imprensa brasileira, no entanto, levou gato por lebre – copiou uma forma torta do inglês e perdeu a cabeça: lascou uma tal de paralimpíada, um tal de paralímpico, que se alastra na velocidade de um superatleta, de um superpateta.

Cadê o antivírus? Acuda, Houaiss!

Em português, quando juntamos um prefixo a um radical, ocorre o seguinte:

Para- + elétrico = paraelétrico (o radical, eletric– não perde fonema; por isso não temos *paralétrico).

Para- + estatal = paraestatal, e não *parestatal.

Para- + encéfalo = parencéfalo (quem perde fonema, como sempre, é o prefixo, jamais a parte inicial do radical: por isso não temos *parancéfalo).

Para- + odontia = parodontia (quem perde fonema é, de novo, o prefixo, nunca o radical; por isso não temos *paradontia).

Para- + olimpíada = paraolimpíada, e não +paralimpíada.

Obs. O símbolo * significa “deleta, doidim”.

Meus amigos, um comitê olímpico nacional (ou internacional) chega com o narizinho arrebitado e manda o Houaiss, o Aulete, o Aurélio, os brasileiros, enfim, dobrarem a língua? Ora, mas que menino, diria algum parlamentar letrado. Faça isso não, viu?!

Abraço.

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Caça-Rato caixa-alta

Por Orlando Nunes em Ortografia

17 de outubro de 2012

“Flávio Caça-rato tentou uma bicicleta em que o árbitro marcou, corretamente, jogo perigoso.”

– O substantivo composto acima faz parte do nome próprio, por isso deve ser escrito com letras maiúsculas.

Mas atenção: sendo o composto um nome próprio, todos os elementos serão iniciados por letra maiúscula, e não só o primeiro.

“Flávio Caça-Rato tentou uma bicicleta em que o árbitro marcou, corretamente, jogo perigoso.”

Observe ainda: “em que” equivale a “na qual”, um pronome relativo.

Casa “em que” moro / Casa “na qual” moro; Cidade “em que” nasci / Cidade “na qual” nasci.

Se fizéssemos a substituição no trecho em destaque, teríamos: “Flávio Caça-Rato tentou uma bicicleta na qual o árbitro marcou, corretamente, jogo perigoso”.

Com a substituição parece ficar mais claro que algo está meio… ambíguo.

Vejamos:

… bicicleta em que o árbitro marcou jogo perigoso / … bicicleta na qual o árbitro marcou jogo perigoso. Mas o árbitro não marcou jogo perigoso na bicicleta, sabemos.

Se quiséssemos mesmo usar um pronome relativo nessa estrutura, poderíamos ter, por exemplo:

“Flávio Caça-Rato tentou uma bicicleta a qual/que, corretamente, foi considerada jogo perigoso pelo árbitro”.

Mas há uma pedalada mais simples, sem o relativo.

“Flávio Caça-Rato tentou uma bicicleta, e o árbitro marcou, corretamente, jogo perigoso.” A conjunção “e” trouxe mais harmonia ao meio-campo, quero crer.

Nada contra os relativos, mas…

Pronome relativo às vezes é jogo perigoso, principalmente quando precedido de preposição. Pronomes relativos, além de bicicletas, adoram carrinhos e rasteiras.

Até!

Participe: dúvidas & debates, marjangadeiro@gmail.com

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Caça-Rato caixa-alta

Por Orlando Nunes em Ortografia

17 de outubro de 2012

“Flávio Caça-rato tentou uma bicicleta em que o árbitro marcou, corretamente, jogo perigoso.”

– O substantivo composto acima faz parte do nome próprio, por isso deve ser escrito com letras maiúsculas.

Mas atenção: sendo o composto um nome próprio, todos os elementos serão iniciados por letra maiúscula, e não só o primeiro.

“Flávio Caça-Rato tentou uma bicicleta em que o árbitro marcou, corretamente, jogo perigoso.”

Observe ainda: “em que” equivale a “na qual”, um pronome relativo.

Casa “em que” moro / Casa “na qual” moro; Cidade “em que” nasci / Cidade “na qual” nasci.

Se fizéssemos a substituição no trecho em destaque, teríamos: “Flávio Caça-Rato tentou uma bicicleta na qual o árbitro marcou, corretamente, jogo perigoso”.

Com a substituição parece ficar mais claro que algo está meio… ambíguo.

Vejamos:

… bicicleta em que o árbitro marcou jogo perigoso / … bicicleta na qual o árbitro marcou jogo perigoso. Mas o árbitro não marcou jogo perigoso na bicicleta, sabemos.

Se quiséssemos mesmo usar um pronome relativo nessa estrutura, poderíamos ter, por exemplo:

“Flávio Caça-Rato tentou uma bicicleta a qual/que, corretamente, foi considerada jogo perigoso pelo árbitro”.

Mas há uma pedalada mais simples, sem o relativo.

“Flávio Caça-Rato tentou uma bicicleta, e o árbitro marcou, corretamente, jogo perigoso.” A conjunção “e” trouxe mais harmonia ao meio-campo, quero crer.

Nada contra os relativos, mas…

Pronome relativo às vezes é jogo perigoso, principalmente quando precedido de preposição. Pronomes relativos, além de bicicletas, adoram carrinhos e rasteiras.

Até!

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