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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

sujeito

Como não ir para o céu por uma besteirinha de nada

Por Orlando Nunes em Pontuação

05 de agosto de 2014

Todos sabemos que “o desafortunado que separar o sujeito de seu verbo com uma vírgula não vai para o céu quando bater as botas” (para os mais novos, bater as botas tem o mesmo teor semântico de “ser deletado”, serena ou abruptamente, do planeta Terra).

Gramaticalmente, no princípio era o sujeito, não o verbo. Mas como revelar o sujeito?

A milenar perguntinha feita antes do verbo (Que/Quem é quê?) descobre praticamente qualquer sujeito na face da terra, tiro e queda, só vendo pra crer.

Isso vale para encontrar um sujeitinho mixuruca:

Frase: “Zecão fez um golaço”.

Descubra o sujeito: “Quem fez um golaço?”. Resposta: “Zecão”. Então, Zecão é o cara.

Isso vale também para encontrar um sujeito mais feladagaita:

Frase: “A simples presença em campo de um dos melhores jogadores de futebol dos últimos tempos garantiu a venda antecipada de mais da metade dos ingressos disponíveis”.

Descubra o sujeito: “Quem garantiu…?”

Resposta: “A simples presença em campo de um dos melhores jogadores de futebol dos últimos tempos”. Eis, portanto, o aloprado sujeito procurado.

É sempre bom lembrar: como não se separa o sujeito e o verbo com uma vírgula…

1-      Esta vírgula está condenada:

“A simples presença em campo de um dos melhores jogadores de futebol dos últimos tempos, garantiu a venda antecipada de mais da metade dos ingressos disponíveis”.

2-      A ausência de vírgula neste longo período vos salvará das trevas:

“A simples presença em campo de um dos melhores jogadores de futebol dos últimos tempos garantiu a venda antecipada de mais da metade dos ingressos disponíveis”.

Isto posto, você não vai perder o paraíso por uma besteirinha deste tamanho, vai?

Até!

 

 

 

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Tem sujeito que não se enxerga

Por Orlando Nunes em Sintaxe

08 de Março de 2014

“Depois de reclamar demais em campo, o árbitro finalmente expulsou o atleta.”

 

PERÍODO COMPOSTO

Temos acima um período formado por duas orações.

– oração subordinada adverbial temporal: “Depois de reclamar demais em campo”.

– oração principal: “o árbitro finalmente expulsou o atleta”.

 

LEDO ENGANO

A estrutura sintática apresentada, contudo, revela-se inadequada. Não temos dúvida quanto à identificação do sujeito da oração principal: “o árbitro”. Mas qual o sujeito da oração subordinada? Se levarmos a sério a estruturação da frase, diríamos que é também “o árbitro”.

 

QUEM É QUEM

O tal “conhecimento de mundo”, entretanto, nos avisa que não é bem assim, quem reclamava demais em campo não era o árbitro, mas o atleta. O atleta, que reclamava demais, foi expulso.

 

PERNAS TORTAS

O “defeito” sintático do período referido é que o sujeito da oração subordinada (diferente do sujeito da oração principal) não veio expresso na frase, tornando-a, no mínimo, ambígua. A estrutura dribla o leitor, levando-o a crer que o sujeito das duas orações é o mesmo.

 

REESCRITA

“Depois de o atleta reclamar demais em campo, o árbitro o expulsou”.

Ou, fazendo com que o sujeito da oração subordinada seja o mesmo da oração principal, sem, contudoa, comprometer o sentido real da informação:

“Depois de reclamar demais em campo, o atleta foi expulso pelo árbitro”

.

Nesta última construção, “o árbitro” desempenha a função sintática de “agente da passiva”.

PLACA DE ACRÉSCIMOS: 2

1-      Os árbitros de futebol vão bem melhor de agente da passiva do que como sujeito.

2-      Domingo tem Clássico-Rei: mãos frias e pés gelados sob um sol de 40 graus.

Até!

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Ouvia-a cantar

Por Orlando Nunes em Gramática

02 de Fevereiro de 2013

Quando os verbos mandar, deixar, fazer (causativos); ver, ouvir, sentir (sensitivos) vêm seguidos de verbo no infinitivo, não há nesta estrutura uma locução (conjunto) verbal.

Assim, o verbo causativo ou sensitivo pertence a uma oração e o infinitivo a outra.

O pronome oblíquo átono (o, a, lo, la, no, na,me, te, nos, etc.) que acompanhar um desses seis verbos (e sinônimos) funcionará sintaticamente como sujeito do infinitivo.

– Oh, sujeito, conhece a Margareth Menezes?

Ouvi-a cantar. Uma joia.

No exemplo acima, os verbos ouvir e cantar não pertencem à mesma oração (não há locução verbal, portanto); a oração principal é “Ouvi”, e a subordinada é “a cantar”. O “a” (pronome pessoal oblíquo átono) desempenha a função de sujeito do verbo no infinitivo (cantar).

Olho no lance:

Excêntrico (raro, incomum?) é o caso em que o pronome oblíquo “lhe”, acompanhando um dos seis verbos supracitados, faz as vezes de sujeito do infinitivo.

Nesse contexto, basta que o infinitivo apresente um objeto direto (complemento verbal não necessariamente preposicionado) para o “lhe” tornar-se, cheio de graça, sujeito da história.

História esta, diga-se de passagem, explicada com todas as letras em qualquer gramática do singular professor Evanildo Bechara.

História esta, diga-se também, excelente para relembrar um mestre que faz muita falta.

Veja o vídeo.

É isso. Dúvidas: marjangadeiro@gmail.com

Um abraço.

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Não saque a arma no salão

Por Orlando Nunes em Gramática

24 de Abril de 2012

Não se mova, adjunto!

Há certos ambientes sintáticos em que a vírgula não é convidada a entrar, mas frequentemente as páginas de jornais trazem notícias com a intrusa dentro da festa.

O ambiente: advérbio – verbo – sujeito.

Como costumamos sabiamente pôr vírgula para marcar o deslocamento do adjunto adverbial, cuja posição-chave é no fim da frase, não damos trégua a qualquer dinâmica.

O adjunto saiu de sua casa, sacamos a arma, fechamos os olhos e apertamos o gatilho.

Mas vamos devagar, que o santo é de barro. Às análises:

“A CGU publicará uma portaria nesta terça-feira”

Estrutura sintática sem vírgula, porque os termos da oração estão em sua ordem natural, direta: sujeito–verbo–complemento–adjunto adverbial (sujeito: A CGU; verbo: publicará; complemento verbal: uma portaria; adjunto adverbial: nesta terça-feira).

“Nesta terça-feira, a CGU publicará uma portaria.”

O adjunto adverbial foi deslocado para o início da frase, e essa modificação da ordem sintática tradicional apresenta-se adequadamente marcada por uma vírgula.

“Nesta terça-feira será publicada uma portaria pela CGU.” 

Aqui a porca torce o rabo (e esconde a vírgula). O adjunto foi deslocado para a primeira posição na frase e sacamos a automática. Mas, em vez do sujeito, salta a nossa frente o heroico verbo. Nesse caso, os experientes xerifes de plantão nos aconselham:

– Não abra fogo, não aperte o gatilho, guarde a vírgula no coldre.

Outros exemplos da estrutura sem vírgula advérbio + verbo + sujeito: 

– Domingo não se viu uma excelente arbitragem.
– Entre a boa torcida escondem-se os vândalos.
– Nos últimos minutos do jogo ocorreu um pênalti.

Pois, pois. Vírgula pra que te quero!?

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Não saque a arma no salão

Por Orlando Nunes em Gramática

24 de Abril de 2012

Não se mova, adjunto!

Há certos ambientes sintáticos em que a vírgula não é convidada a entrar, mas frequentemente as páginas de jornais trazem notícias com a intrusa dentro da festa.

O ambiente: advérbio – verbo – sujeito.

Como costumamos sabiamente pôr vírgula para marcar o deslocamento do adjunto adverbial, cuja posição-chave é no fim da frase, não damos trégua a qualquer dinâmica.

O adjunto saiu de sua casa, sacamos a arma, fechamos os olhos e apertamos o gatilho.

Mas vamos devagar, que o santo é de barro. Às análises:

“A CGU publicará uma portaria nesta terça-feira”

Estrutura sintática sem vírgula, porque os termos da oração estão em sua ordem natural, direta: sujeito–verbo–complemento–adjunto adverbial (sujeito: A CGU; verbo: publicará; complemento verbal: uma portaria; adjunto adverbial: nesta terça-feira).

“Nesta terça-feira, a CGU publicará uma portaria.”

O adjunto adverbial foi deslocado para o início da frase, e essa modificação da ordem sintática tradicional apresenta-se adequadamente marcada por uma vírgula.

“Nesta terça-feira será publicada uma portaria pela CGU.” 

Aqui a porca torce o rabo (e esconde a vírgula). O adjunto foi deslocado para a primeira posição na frase e sacamos a automática. Mas, em vez do sujeito, salta a nossa frente o heroico verbo. Nesse caso, os experientes xerifes de plantão nos aconselham:

– Não abra fogo, não aperte o gatilho, guarde a vírgula no coldre.

Outros exemplos da estrutura sem vírgula advérbio + verbo + sujeito: 

– Domingo não se viu uma excelente arbitragem.
– Entre a boa torcida escondem-se os vândalos.
– Nos últimos minutos do jogo ocorreu um pênalti.

Pois, pois. Vírgula pra que te quero!?