Crítica Archives - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica

Crítica: “Star Wars: Episódio IX – A Ascensão Skywalker” é um desfecho covarde para uma saga memorável

Por Thiago Sampaio em Crítica

27 de dezembro de 2019

Foto: Divulgação

Se tem algo que pode definir essa recente trilogia da longínqua franquia “Star Wars” é: falta de sincronia. “O Despertar da Força” (The Force Awakens, 2015) funcionou ao apelar para a nostalgia com um notório remake de “Uma Nova Esperança” (A New Hope, 1977) enquanto apresentava os novos personagens. “Os Últimos Jedi” (The Last Jedi, 2017) gerou a revolta de fãs conservadores por tomar rumos inéditos e ousados. Chegaram até, pasmem, a pedir que ele fosse retirado do cânone.

Diante do risco de desagradar os “roteiristas de internet”, este “Star Wars: Episódio IX – A Ascensão Skywalker” (Star Wars: Episode IX – The Rise of Skywalker, 2019) basicamente se resume a desfazer o que o anterior fez e a “pedir desculpas” ao “Fandom”, soando como um desfecho genérico e com pouco valor próprio.

Na trama, com o retorno do Imperador Palpatine (Ian McDiarmid), todos voltam a temer seu poder e, com isso, a Resistência toma a frente da batalha que ditará os rumos da galáxia. Treinando para ser uma completa Jedi, Rey (Daisy Ridley) ainda se encontra em conflito com seu passado e futuro, mas teme pelas respostas que pode conseguir a partir de sua complexa ligação com Kylo Ren (Adam Driver), que também se encontra em conflito pela Força.
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Crítica: “História de Um Casamento” consegue trazer beleza num processo de dor

Por Thiago Sampaio em Crítica

23 de dezembro de 2019

Foto: Divulgação

A Netlix, definitivamente, está trabalhando para chegar com força ao Oscar de 2020! Além da obra-prima “O Irlandês (The Irishman, 2019), a plataforma de streaming lançou este delicado drama “História de Um Casamento” (Marriage Story, 2019), que, mesmo sem maiores apelos comerciais além da dupla de protagonistas, certamente figura entre os melhores do ano.

Dirigido e roteirizado pelo ótimo Noah Baumbach (“A Lula e a Baleia”, 2005; “Frances Ha”, 2012), o filme aborda o processo de divórcio do casal Charlie (Adam Driver), um conhecido diretor de teatro, e Nicole (Scarlett Johansson), uma atriz que busca reconstruir a carreira. Os dois concordam em não contratar advogados, porém, os planos mudam e o acordo caminha para ser não tão pacífico como planejavam.

Pela temática, já é possível imaginar que não se trata de uma obra feliz e o cineasta transmite a sensação de existir um elefante na sala, um incômodo constante. Para isso ele constrói metáforas visuais, como a distância entre os dois no metrô separadas por uma barra de ferro; a sala vazia de Charlie; quando portas se fecham, literalmente, na sua cara; ou quando buzinas estridentes, típicas do caos de Nova York, ecoam nos seus ouvidos após receber uma notícia.
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Crítica: “Parasita” passeia por gêneros e faz crítica social com absurda precisão

Por Thiago Sampaio em Crítica

16 de dezembro de 2019

Foto: Divulgação

Não é de hoje que o diretor Bong Joon Ho (“Memórias de Um Assassino”, 2003; “O Hospedeiro”, 2006; “Okja”, 2017) insere críticas sociais disfarçadas em obras comerciais, sejam elas de terror, comédia ou aventura. Um dos maiores destaques entre a crítica internacional de 2019 e que provavelmente irá figurar entre as principais premiações de 2020, “Parasita” (Parasite, 2019) é talvez o longa em que o cineasta sul-coreano melhor aplique a sua visão de desigualdade social, transitando entre gêneros de uma maneira funcional e nada fácil. Tudo é milimetricamente planejado para ter a sua função na narrativa, tornando a produção de uma riqueza rara.

Na trama, toda a família de Kim está desempregada, vivendo num porão sujo e apertado. Uma obra do acaso faz com que o filho adolescente da família comece a dar aulas de inglês à garota da rica família Park. Fascinados com a vida luxuosa destas pessoas, pai, mãe, filho e filha elaboram um plano para se infiltrarem na burguesia, um a um. No entanto, os segredos e mentiras necessários à ascensão social custarão caro a todos.
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Crítica: “O Irlandês” é a “canção do cisne” da carreira de Martin Scorsese

Por Thiago Sampaio em Crítica

27 de novembro de 2019

Foto: Divulgação

A carreira do cineasta Martin Scorsese dispensa apresentações e qualquer elogio é redundante. Porém, ele sempre é referenciado por suas produções sobre máfia. Desde “Caminhos Perigosos” (Mean Streets, 1973), o clássico “Os Bons Companheiros” (Goodfellas, 1990), o ótimo “Cassino” (Casino, 1995), ele moldou a sua identidade. Mesmo que abordada por outro viés, como em “Os Infiltrados” (The Departed, 2006) e “O Lobo de Wall Street” (The Wolf of Wall Street, 2013), a temática de alguma forma vinha à tona.

Aos 77 anos, ele faz talvez a sua obra mais pessoal. Para tornar “O Irlandês” (The Irishman, 2019) realidade, ouviu negativas de vários estúdios até receber o aval da Netflix. De fato, produzir um longa de 3h29min de duração, orçamento que especula-se que se aproximou de U$ 170 milhões, retornando a um subgênero considerado obsoleto, era uma aposta arriscada. Mas tudo é justificado. Para além de um filme, se trata de uma espécie de releitura de toda uma carreira, agora sob o olhar de quem carrega uma bagagem pesada de experiência.
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Crítica: “Doutor Sono” encontra o difícil meio termo entre as obras de Stephen King e Stanley Kubrick

Por Thiago Sampaio em Crítica

21 de novembro de 2019

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Fazer uma continuação do clássico “O Iluminado” (The Shinning, 1980) era uma missão pra lá de ingrata. Afinal, Stephen King, autor da obra original, não fez questão alguma de esconder a sua insatisfação com a adaptação nada fiel de Stanley Kubrick. Coube ao eficiente diretor Mike Flanagan encontrar o equilíbrio de modo que agradasse o escritor e sua legião de fãs, ao mesmo tempo que mantivesse viva a memória do longa do início dos anos 80. E ainda que por vezes se mostre indeciso quanto a sua própria proposta, “Doutor Sono” (Doctor Sleep, 2019) é uma nova visita bem honesta com todos que já tiveram alguma participação naquele universo.

Na trama, ainda marcado pelo trauma que sofreu quando criança, Danny Torrance (Ewan McGregor) luta para encontrar o mínimo de paz. Vivendo em constante fuga, ele encontra Abra (Kyliegh Curran), uma adolescente com o mesmo dom extrassensorial que ele. Despertando os fantasmas do passado, o agora adulto se une a garota para combater um grupo que almeja a imortalidade se alimentando do “Brilho” que eles possuem.
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Crítica: “O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” não impede a sensação de déja-vu

Por Thiago Sampaio em Crítica

18 de novembro de 2019

Foto: Divulgação

A saga “O Exterminador do Futuro” é talvez uma das mais saturadas dos dias atuais, afinal, nada do que fora feito desde o espetacular (e ainda irretocável) segundo longa, de 1991, emplacou ou instigou os fãs por continuidade. A esperança com este sexto filme veio com o retorno de James Cameron, que readquiriu os direitos da franquia, participando do roteiro e como produtor. Junto a ele, Linda Hamilton também retorna ao elenco. O resultado de “O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” (Terminator: Dark Fate, 2019) é um filme eficiente, o terceiro melhor atrás dos dois primeiros, mas que continua com um gosto de repetição.

Na trama, mais de duas décadas após evitar o apocalipse, Sarah Connor (Hamilton) precisa proteger uma jovem chamada Dani Ramos (Natalia Reyes) de um novo exterminador (Gabriel Luna) enviado do futuro para aniquilá-las. Para isso, ela contará com a ajuda de Grace (Mackenzie Davis) e de um novo T-800 (Arnold Schwarzenegger).
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Crítica: “Bate Coração” foca em temas importantes numa abordagem leve e funcional

Por Thiago Sampaio em Crítica

07 de novembro de 2019

Foto: Divulgação

É louvável a fase atual de realizadores cearenses de audiovisual. Só em 2019, “Pacarrete”, de Allan Deberton, levou nada menos que oito kikitos no 47° Festival de Cinema de Gramado. “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, foi o longa brasileiro selecionado para tentar uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. “O Clube dos Canibais”, de Guto Parente, reafirmou o potencial para o cinema de gênero. O delicado “Bate Coração”, dirigido por Glauber Filho, vem para somar a esses bons valores, abordando uma série de temas contemporâneos e relevantes, porém, com uma estrutura de fácil apreciação do grande público.

Na trama, Sandro (André Bankoff) é um homem conquistador e preconceituoso, acostumado a uma vida de luxo. Quando sofre um ataque cardíaco, precisa urgentemente de um coração novo e recebe o transplante da travesti Isadora (Aramis Trindade), recém-falecida devido a um acidente. Enquanto se recupera, ele passa a sentir uma mudança de comportamento e passa a refletir sobre muitos valores da vida.
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Crítica: “Zumbilândia – Atire Duas Vezes” repete a fórmula do anterior…e está ótimo!

Por Thiago Sampaio em Crítica

31 de outubro de 2019

Foto: Divulgação

O primeiro “Zumbilândia” (Zombieland, 2009) veio de maneira descompromissada fazendo uma sátira das centenas de produções sobre zumbis e virou uma espécie de “novo cult“. Muito se falou sobre uma continuação, até mesmo uma série, mas a ideia acabou sendo engavetada diante da dificuldade de coincidir com a agenda dos atores (que depois dali entraram na mira do Oscar por outras produções). Eis que uma década depois, vem “Zumbilândia – Atire Duas Vezes” (Zombieland: Double Tap, 2019), reunindo o elenco e boa parte da equipe técnica do anterior. O resultado é quase uma reprise que novamente funciona dentro da proposta.

Na trama, anos depois de se unirem para atravessar o início da epidemia zumbi, Columbus (Jesse Eisenberg), Tallahassee (Woody Harrelson), Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin) seguem buscando novos lugares para habitação e sobrevivência. Quando decidem ir até a Casa Branca, acabam encontrando outros sobreviventes e percebem que novos rumos podem ser explorados.
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Crítica: “El Camino” pouco acrescenta a “Breaking Bad”, mas honra o espírito da série

Por Thiago Sampaio em Crítica

19 de outubro de 2019

Foto: Divulgação

Obs: alerta de possíveis spoilers!

Não tem como negar que “Breaking Bad” foi uma das séries mais celebradas dos últimos anos. E por puro mérito! Criada por Vince Gilligan, conseguiu abordar um contexto de degradação humana com muito humor negro, personagens cativantes e uma direção cheia de personalidade. Durou cinco temporadas, contando a história que tinha para ser contada e fechou com um final quase irretocável em 2013.

Por mais que muitos fãs tenham se empolgado com o anúncio de um filme baseado naquele universo, alguns questionaram a sua real necessidade. De fato, “El Camino: A Breaking Bad Movie” (idem, 2019), lançado pela Netflix, é um epílogo que não precisava existir. Ainda assim, é bem realizado, honra o espírito do seriado e desperta a nostalgia nos saudosistas.

Na trama, após fugir do cativeiro onde foi mantido quando sequestrado, Jesse Pinkman (Aaron Paul) inicia uma jornada em busca da própria liberdade, mas antes precisa se reconciliar com o passado, escapar da polícia, para, só então, ter seu futuro garantido.
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Crítica: “Coringa” é uma obra de arte pesada e brilhante que pode demorar a ser compreendida

Por Thiago Sampaio em Crítica

09 de outubro de 2019

Foto: Divulgação

Muitos torceram o nariz quando foi anunciado um longa solo do Coringa, sem a aparição do Batman. Os motivos são diversos, como a quebra do mistério em torno do personagem ao revelar a sua origem e a memória eternizada da brilhante performance de Heath Ledger como o vilão em “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (The Dark Knight, 2009). Aquela versão horrenda de Jared Leto no péssimo “Esquadrão Suicida” (The Suicide Squad, 2015) merece cair no esquecimento. Mas um dos fatores duvidosos era a opção por Todd Phillips (da trilogia “Se Beber, Não Case”, 2009, 2011, 2013) na direção, que tinha no currículo apenas comédias.

Um sopro de esperança veio com a escalação de Joaquin Phoenix, que não costuma pegar projetos ruins, para o papel principal. A confirmação de que não teríamos um filme qualquer veio com o prêmio do Leão de Ouro no Festival de Veneza. Rodeado de polêmicas, sendo acusado de “perigoso”, “Coringa” (Joker, 2019), de fato, não é fácil de ser digerido. Temos algo incômodo, sarcástico, que insere o espectador numa mente doentia. E por conseguir mexer com tantos sentimentos (para o bem e para o mal), temos uma obra peculiar e marcante!

Na trama, Arthur Fleck (Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência de talentos. Porém, os acontecimentos vão colocá-lo de encontro com a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne (Brett Cullen) é seu maior representante.
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Crítica: “Coringa” é uma obra de arte pesada e brilhante que pode demorar a ser compreendida

Por Thiago Sampaio em Crítica

09 de outubro de 2019

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Muitos torceram o nariz quando foi anunciado um longa solo do Coringa, sem a aparição do Batman. Os motivos são diversos, como a quebra do mistério em torno do personagem ao revelar a sua origem e a memória eternizada da brilhante performance de Heath Ledger como o vilão em “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (The Dark Knight, 2009). Aquela versão horrenda de Jared Leto no péssimo “Esquadrão Suicida” (The Suicide Squad, 2015) merece cair no esquecimento. Mas um dos fatores duvidosos era a opção por Todd Phillips (da trilogia “Se Beber, Não Case”, 2009, 2011, 2013) na direção, que tinha no currículo apenas comédias.

Um sopro de esperança veio com a escalação de Joaquin Phoenix, que não costuma pegar projetos ruins, para o papel principal. A confirmação de que não teríamos um filme qualquer veio com o prêmio do Leão de Ouro no Festival de Veneza. Rodeado de polêmicas, sendo acusado de “perigoso”, “Coringa” (Joker, 2019), de fato, não é fácil de ser digerido. Temos algo incômodo, sarcástico, que insere o espectador numa mente doentia. E por conseguir mexer com tantos sentimentos (para o bem e para o mal), temos uma obra peculiar e marcante!

Na trama, Arthur Fleck (Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência de talentos. Porém, os acontecimentos vão colocá-lo de encontro com a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne (Brett Cullen) é seu maior representante.
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