Crítica: "007 Contra Spectre" é um agradável retorno às raízes de James Bond - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: “007 Contra Spectre” é um agradável retorno às raízes de James Bond

Por Thiago Sampaio em Crítica

12 de novembro de 2015

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

James Bond andando dentro de um círculo, ao som da clássica música-tema de Monty Norman, seguido de um tiro em direção à câmera já virou marca da longínqua série que já dura mais de 50 anos. Vivido por Daniel Craig em quatro longas-metragens, tal vinheta é exibida no início com ele pela primeira vez em “007 Contra Spectre” (Spectre, 2015), já que em “007 – Cassino Royale” (2006) a mesma surge de maneira reformulada e em “007 – Quantum of Solace” (2008) e “007: Operação Skyfall” (2012) ela aparece no final. Mero detalhe? Não! Todo o recomeço da série foi moldado para, agora, o bom e velho espião voltar às suas origens, em um episódio que atinge os objetivos de costurar os fatos e reacender a chama da nostalgia.

Sinopse

Na trama, James Bond (Daniel Craig) vai à Cidade do México com a tarefa de eliminar Marco Sciarra (Alessandro Cremona), sem que seu chefe, M (Ralph Fiennes), tenha conhecimento. Isto faz com que Bond seja suspenso temporariamente de suas atividades e que Q (Ben Whishaw) instale em seu sangue um localizador, que permite que o governo britânico saiba sempre em que parte do planeta ele está. Apesar disto, Bond conta com a ajuda de seus colegas na organização para que possa prosseguir em sua investigação pessoal sobre a misteriosa organização chamada Spectre.

O velho e o novo juntos

Se em “Skyfall” a série já dava indícios de que o tom realista estabelecido em “Cassino Royale” (em uma onda que seguiu a influência da franquia Bourne e “Batman Begins”) era algo passageiro para o surgimento gradual do agente 007 que todos conhecem desde os anos 60, a nova produção reforça essa tendência. As referências presentes no anterior se repetem, como o carro Aston Martin, o M de sexo masculino já está estabelecido (Fiennes, ótimo como sempre), as poses típicas de James Bond, mas desta vez a narrativa se aproxima ainda mais do estilo que marcou os filmes estrelados por Sean Connery e Roger Moore. Agora, é comum o agente encontrar “do nada” um avião ou uma lancha para escapar de situações de perigo, ou desabar de uma altura considerável e cair “por acaso” sentado em um sofá, seguido de um sarcástico sorriso de canto de rosto, como se dialogasse com o espectador sobre o que aconteceu.

O Bond com personalidade em formação de “Cassino Royale” não existe mais. Ele é aquele que não perde a oportunidade de levar uma mulher para a cama e sabe que gosta do seu martíni batido e não mexido. O jovem armeiro nerd Q (Whishaw roubando a cena), desta vez com uma participação maior, também está lá para resgatar os antigos valores, trazendo divertimento ao ser questionado pelo agente se um relógio “fazia algo”, respondendo que ele “mostra as horas”. Porém, por mais que flerte com a leveza de outrora, o tom sério desta fase ainda é predominante, sempre passeando entre o novo e o velho. A marca dos quatro filmes como uma unidade é forte, de modo que os acontecimentos dos anteriores são levados à tona neste, desde as imagens nos créditos de abertura, constantes citações a cada vilão, a M vivida por Judi Dench, Vésper Lynd (personagem de Eva Green no longa de 2006) e a aparição do enigmático Mr.White (Jesper Christensen), de “Quantum of Solace”.

Roteiro irregular

Roteirizado por nada menos que oito mãos – John Logan, Neal Purvis, Robert Wade e Jez Butterworth -, a trama falha justamente por demorar a ganhar ritmo ao longo das duas horas e meia de projeção. Ao tentar justificar todos os fatos dos filmes anteriores associando como um plano grandioso da Spectre do título, a produção em muitos momentos se torna confusa, quando o grande segredo, no fim da contas não tem nada de tão secreto. Além disso, a subtrama do personagem C (o bom Andrew Scott, do seriado “Sherlock”, bem deslocado aqui), um figurão que pretende boicotar a logística da MI6, soa totalmente desnecessária, não influenciando no produto final. Algo mantido em mistério nos filmes antigos, o passado de James Bond é mais uma vez explorado, agora com revelações radicais envolvendo personagens conhecidos, o que não deixa de ser mais uma audácia positiva dessa fase.

Muito do mérito está justamente na Spectre por conta do seu vilão, Franz Oberhauser, alter-ego de um velho conhecido dos fãs: Ernst Stavro Blofeld, presente em sete filmes da franquia e também lembrado por ser parodiado como o Dr.Evil na trilogia “Austin Powers”. Sua primeira aparição já é marcante graças à impecável direção de Sam Mendes (que retorna após bom trabalho em “Skyfall”), mantendo-o com o rosto escondido sob a sombra em uma reunião de mafiosos, se sobrepondo apenas pela voz suave. Vivido por Christoph Waltz de maneira já característica, com sorriso irônico e uma calma fora do comum, ele soa ameaçador justamente pela desenvoltura contrária a sua personalidade, acompanhado do seu inseparável gato. Uma pena que ele tenha pouco tempo em cena (mal que também afetou Mads Mikkelsen e Javier Bardem, que também viveram ótimos vilões subaproveitados nos anteriores), sendo deixados de lado para personagens menos interessantes.

Bela abertura

Ação não falta no novo trabalho de Sam Mendes. E ele entrega uma das melhores cenas de abertura, com direito a um atraente plano-sequência no “Dia de los muertos”, no México, com desmoronamento e acrobacias em helicóptero. Porém, mesmo com uma das maiores explosões já vistas no cinema e perseguição com carro que solta fogo (as peripécias voltaram!), não há momentos memoráveis. Algumas passagens deixam um certo gosto de estranheza, como a luta contra o capanga vivido por Dave Bautista (de “Os Guardiões da Galáxia”, 2014), apresentado de maneira brutal na mesma reunião que o vilão principal, remetendo inclusive a estereótipos que consagraram a marca 007, porém, o personagem é descartado sem grande emoção. Pelo menos o diretor consegue criar bons climas de tensão, com silêncio predominante, como em uma cena de tortura em especial.

Craig é Bond

Conseguindo mostrar o seu diferencial em relação aos seus antecessores, Daniel Craig se firma como um dos melhores intérpretes de 007, sendo ele o principal responsável pelos sucessos dos filmes. A cara é fechada quase como uma constante, franzindo os olhos quando algo o incomoda. O seu senso de humor britânico é ácido, irônico. E esse conjunto da obra é o seu charme, fazendo do agente alguém forte, de bom coração mas difícil convívio, como Bond deve ser. Assumindo o papel de “Bond-Girl” da vez, Léa Seydoux (“Azul é a Cor Mais Quente”, 2013) faz um trabalho correto, mas sem destaque. Quem tem uma pequena participação é Monica Bellucci, que chama a atenção pela beleza onipresente aos 51 anos!

Futuro indefinido

Se Daniel Craig vai voltar para cumprir o último filme da série que tem no contrato ainda é uma incógnita, apesar das declarações de que prefere cortar os pulsos com vidro do que ser James Bond novamente. De qualquer forma, “007 Contra Spectre” parece ter sido feito sob encomenda, fechando bem um arco e abrindo possibilidades para qualquer um seguir o caminho. Superior a “Quantum of Solace” e inferior aos ótimos “Cassino Royale” e “Skyfall”, o novo longa pelo menos garante o bom entretenimento para o fãs.

Nota: 8,0

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Crítica: “007 Contra Spectre” é um agradável retorno às raízes de James Bond

Por Thiago Sampaio em Crítica

12 de novembro de 2015

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

James Bond andando dentro de um círculo, ao som da clássica música-tema de Monty Norman, seguido de um tiro em direção à câmera já virou marca da longínqua série que já dura mais de 50 anos. Vivido por Daniel Craig em quatro longas-metragens, tal vinheta é exibida no início com ele pela primeira vez em “007 Contra Spectre” (Spectre, 2015), já que em “007 – Cassino Royale” (2006) a mesma surge de maneira reformulada e em “007 – Quantum of Solace” (2008) e “007: Operação Skyfall” (2012) ela aparece no final. Mero detalhe? Não! Todo o recomeço da série foi moldado para, agora, o bom e velho espião voltar às suas origens, em um episódio que atinge os objetivos de costurar os fatos e reacender a chama da nostalgia.

Sinopse

Na trama, James Bond (Daniel Craig) vai à Cidade do México com a tarefa de eliminar Marco Sciarra (Alessandro Cremona), sem que seu chefe, M (Ralph Fiennes), tenha conhecimento. Isto faz com que Bond seja suspenso temporariamente de suas atividades e que Q (Ben Whishaw) instale em seu sangue um localizador, que permite que o governo britânico saiba sempre em que parte do planeta ele está. Apesar disto, Bond conta com a ajuda de seus colegas na organização para que possa prosseguir em sua investigação pessoal sobre a misteriosa organização chamada Spectre.

O velho e o novo juntos

Se em “Skyfall” a série já dava indícios de que o tom realista estabelecido em “Cassino Royale” (em uma onda que seguiu a influência da franquia Bourne e “Batman Begins”) era algo passageiro para o surgimento gradual do agente 007 que todos conhecem desde os anos 60, a nova produção reforça essa tendência. As referências presentes no anterior se repetem, como o carro Aston Martin, o M de sexo masculino já está estabelecido (Fiennes, ótimo como sempre), as poses típicas de James Bond, mas desta vez a narrativa se aproxima ainda mais do estilo que marcou os filmes estrelados por Sean Connery e Roger Moore. Agora, é comum o agente encontrar “do nada” um avião ou uma lancha para escapar de situações de perigo, ou desabar de uma altura considerável e cair “por acaso” sentado em um sofá, seguido de um sarcástico sorriso de canto de rosto, como se dialogasse com o espectador sobre o que aconteceu.

O Bond com personalidade em formação de “Cassino Royale” não existe mais. Ele é aquele que não perde a oportunidade de levar uma mulher para a cama e sabe que gosta do seu martíni batido e não mexido. O jovem armeiro nerd Q (Whishaw roubando a cena), desta vez com uma participação maior, também está lá para resgatar os antigos valores, trazendo divertimento ao ser questionado pelo agente se um relógio “fazia algo”, respondendo que ele “mostra as horas”. Porém, por mais que flerte com a leveza de outrora, o tom sério desta fase ainda é predominante, sempre passeando entre o novo e o velho. A marca dos quatro filmes como uma unidade é forte, de modo que os acontecimentos dos anteriores são levados à tona neste, desde as imagens nos créditos de abertura, constantes citações a cada vilão, a M vivida por Judi Dench, Vésper Lynd (personagem de Eva Green no longa de 2006) e a aparição do enigmático Mr.White (Jesper Christensen), de “Quantum of Solace”.

Roteiro irregular

Roteirizado por nada menos que oito mãos – John Logan, Neal Purvis, Robert Wade e Jez Butterworth -, a trama falha justamente por demorar a ganhar ritmo ao longo das duas horas e meia de projeção. Ao tentar justificar todos os fatos dos filmes anteriores associando como um plano grandioso da Spectre do título, a produção em muitos momentos se torna confusa, quando o grande segredo, no fim da contas não tem nada de tão secreto. Além disso, a subtrama do personagem C (o bom Andrew Scott, do seriado “Sherlock”, bem deslocado aqui), um figurão que pretende boicotar a logística da MI6, soa totalmente desnecessária, não influenciando no produto final. Algo mantido em mistério nos filmes antigos, o passado de James Bond é mais uma vez explorado, agora com revelações radicais envolvendo personagens conhecidos, o que não deixa de ser mais uma audácia positiva dessa fase.

Muito do mérito está justamente na Spectre por conta do seu vilão, Franz Oberhauser, alter-ego de um velho conhecido dos fãs: Ernst Stavro Blofeld, presente em sete filmes da franquia e também lembrado por ser parodiado como o Dr.Evil na trilogia “Austin Powers”. Sua primeira aparição já é marcante graças à impecável direção de Sam Mendes (que retorna após bom trabalho em “Skyfall”), mantendo-o com o rosto escondido sob a sombra em uma reunião de mafiosos, se sobrepondo apenas pela voz suave. Vivido por Christoph Waltz de maneira já característica, com sorriso irônico e uma calma fora do comum, ele soa ameaçador justamente pela desenvoltura contrária a sua personalidade, acompanhado do seu inseparável gato. Uma pena que ele tenha pouco tempo em cena (mal que também afetou Mads Mikkelsen e Javier Bardem, que também viveram ótimos vilões subaproveitados nos anteriores), sendo deixados de lado para personagens menos interessantes.

Bela abertura

Ação não falta no novo trabalho de Sam Mendes. E ele entrega uma das melhores cenas de abertura, com direito a um atraente plano-sequência no “Dia de los muertos”, no México, com desmoronamento e acrobacias em helicóptero. Porém, mesmo com uma das maiores explosões já vistas no cinema e perseguição com carro que solta fogo (as peripécias voltaram!), não há momentos memoráveis. Algumas passagens deixam um certo gosto de estranheza, como a luta contra o capanga vivido por Dave Bautista (de “Os Guardiões da Galáxia”, 2014), apresentado de maneira brutal na mesma reunião que o vilão principal, remetendo inclusive a estereótipos que consagraram a marca 007, porém, o personagem é descartado sem grande emoção. Pelo menos o diretor consegue criar bons climas de tensão, com silêncio predominante, como em uma cena de tortura em especial.

Craig é Bond

Conseguindo mostrar o seu diferencial em relação aos seus antecessores, Daniel Craig se firma como um dos melhores intérpretes de 007, sendo ele o principal responsável pelos sucessos dos filmes. A cara é fechada quase como uma constante, franzindo os olhos quando algo o incomoda. O seu senso de humor britânico é ácido, irônico. E esse conjunto da obra é o seu charme, fazendo do agente alguém forte, de bom coração mas difícil convívio, como Bond deve ser. Assumindo o papel de “Bond-Girl” da vez, Léa Seydoux (“Azul é a Cor Mais Quente”, 2013) faz um trabalho correto, mas sem destaque. Quem tem uma pequena participação é Monica Bellucci, que chama a atenção pela beleza onipresente aos 51 anos!

Futuro indefinido

Se Daniel Craig vai voltar para cumprir o último filme da série que tem no contrato ainda é uma incógnita, apesar das declarações de que prefere cortar os pulsos com vidro do que ser James Bond novamente. De qualquer forma, “007 Contra Spectre” parece ter sido feito sob encomenda, fechando bem um arco e abrindo possibilidades para qualquer um seguir o caminho. Superior a “Quantum of Solace” e inferior aos ótimos “Cassino Royale” e “Skyfall”, o novo longa pelo menos garante o bom entretenimento para o fãs.

Nota: 8,0