Crítica: 'Alvo Duplo' é uma bala na cabeça - Cinema Sinergia 
Publicidade

Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: ‘Alvo Duplo’ é uma bala na cabeça

Por Thiago Sampaio em Crítica

19 de Abril de 2013

Pôster internacional de 'Alvo Duplo'

Foto: Divulgação

Antes de Sylvester Stallone voltar ao estrelato e às grandes bilheterias com Rocky Balboa (2006), Rambo IV (2008) e Os Mercenários 1 e 2 (2010 e 2012) , ele ficou preso a um limbo com filmes descartáveis, como O Implacável (2000), D-Tox (2002) e Missão Perigosa (2002). Com esse “Alvo Duplo” (Bullet to the Head, 2012), ele retorna a esse segundo escalão de produções. O título original não poderia ser mais adequado, pois a película é uma verdadeira “Bala na Cabeça” de quem assiste.

Stallone interpreta Jimmy Bobo (sim, é esse mesmo o nome…), um mercenário contratado para matar um policial corrupto e consegue completar sua missão. Mas o contratante resolve matar ele e seu parceiro, dando início a uma intensa caçada. Em paralelo, o detetive Taylor Kwon (Sung Kang), da polícia de Washington, também quer saber quem foi o responsável pela primeira morte. Os dois resolvem se unir e, mesmo pertencentes a lados opostos da lei, começam a investigação para encontrar os responsáveis.

Para começo de história, o personagem Jimmy Bobo é praticamente o mesmo Barney Ross que Stallone interpreta em “Os Mercenários”. Ambos são pagos para cumprirem missões sujas, são mal humorados, tatuados e se refugiam em um estúdio de tatuagem (até isso!). Mas a diferença entre as produções é que “Alvo Duplo” não tem aquele ar nostálgico, resgatando a áurea dos filmes de ação dos anos 90, e se leva a sério demais. O resultado final são 91 minutos entediantes e que sequer consegue divertir pelos seus defeitos.

O veterano diretor Walter Hill, que no passado já comandou várias produções de ação de qualidade, como Warriors – Selvagens da Noite (1979), Inferno Vermelho (1988) e 48 Horas 1 e 2 (1982; 1990), hoje se mostra perdido no comando de produções de segunda categoria. Ele até tenta aplicar um clima meio noir no novo projeto, sempre com fotografias escuras ou tons azulados quando as cenas se passam durante o dia. Interessante também, por exemplo, o cuidado ao mostrar as fotos reais de Stallone em diferentes fases da vida ao induzir que o seu personagem já foi preso muitas vezes. Mas ele falha ao tentar criar algum tipo de humor, seja através das ironias de Jimmy Bobo, ou na bizarra (para não dizer vergonha alheia) cena da festa à fantasia.

O roteiro do próprio Hill, baseado na desconhecida graphic novel “Du plomb dans la tête” (de Alexis Nolent), não ajuda em nada. Toda a conspiração que move os personagens de Stallone e Sung Kang (de Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio, 2006), envolvendo subornos de figurões a políticos, soa tão artificial que sequer lembramos ao longo da projeção o que está acontecendo. Detalhe que o mistério é todo mastigado pelo personagem do folclórico Christian Slater (sim, ele continua fazendo longas ruins) em sua primeira aparição, antes da metade do filme, e pronto. A porta fica aberta para a ação correr solta.

Se por um lado Stallone e Sung Kang formam uma dupla estranha e sem nenhuma química, os demais personagens são de uma irrelevância impressionante. Ninguém é preciso ser gênio para descobrir que a cúpula formada por Christian Slater, Adewale Akinnuoye-Agbaje e Brian Van Holt são apenas peças cujas funções é serem eliminados um por um. Jason Momoa (do terrível remake de Conan – O Bárbaro, 2011), que era para para ser um contraponto a Jimmy Bobo, é apenas um vilão de pouca ou nenhuma palavra, adora uma carnificina, e caça os “bonzinhos” ao longo da projeção.

Para não dizer que se trata de uma perda total, Walter Hill mostra habilidade na condução de cenas de ação brutais e violentas. Ele não poupa impacto, sem necessitar chocar. O primeiro confronto entre Sly e Momoa, dentro de um banheiro (clichê, será?) e o clímax com um inusitado combate com machados até que conseguem agradar, Além disso, ver o velho Stallone murmurando e zoando qualquer um que ouse ameaçá-lo nunca é demais para os velhos fãs. Mas ainda é pouco, muito pouco.

A verdade é que nada justifica o fato de um longa-metragem como “Alvo Duplo” chegar aos cinemas, pois muitas produções ruins de ação voltadas para o mercado home-video conseguem ser superiores. Só resta esperar que Stallone não volte a cair no caminho da mediocridade. Se a melhor solução for explorar a sua imagem resgatando os tempos que não voltam mais, que assim seja!

Que venha Os Mercenários 3…

Nota: 2,0

Publicidade aqui

Crítica: ‘Alvo Duplo’ é uma bala na cabeça

Por Thiago Sampaio em Crítica

19 de Abril de 2013

Pôster internacional de 'Alvo Duplo'

Foto: Divulgação

Antes de Sylvester Stallone voltar ao estrelato e às grandes bilheterias com Rocky Balboa (2006), Rambo IV (2008) e Os Mercenários 1 e 2 (2010 e 2012) , ele ficou preso a um limbo com filmes descartáveis, como O Implacável (2000), D-Tox (2002) e Missão Perigosa (2002). Com esse “Alvo Duplo” (Bullet to the Head, 2012), ele retorna a esse segundo escalão de produções. O título original não poderia ser mais adequado, pois a película é uma verdadeira “Bala na Cabeça” de quem assiste.

Stallone interpreta Jimmy Bobo (sim, é esse mesmo o nome…), um mercenário contratado para matar um policial corrupto e consegue completar sua missão. Mas o contratante resolve matar ele e seu parceiro, dando início a uma intensa caçada. Em paralelo, o detetive Taylor Kwon (Sung Kang), da polícia de Washington, também quer saber quem foi o responsável pela primeira morte. Os dois resolvem se unir e, mesmo pertencentes a lados opostos da lei, começam a investigação para encontrar os responsáveis.

Para começo de história, o personagem Jimmy Bobo é praticamente o mesmo Barney Ross que Stallone interpreta em “Os Mercenários”. Ambos são pagos para cumprirem missões sujas, são mal humorados, tatuados e se refugiam em um estúdio de tatuagem (até isso!). Mas a diferença entre as produções é que “Alvo Duplo” não tem aquele ar nostálgico, resgatando a áurea dos filmes de ação dos anos 90, e se leva a sério demais. O resultado final são 91 minutos entediantes e que sequer consegue divertir pelos seus defeitos.

O veterano diretor Walter Hill, que no passado já comandou várias produções de ação de qualidade, como Warriors – Selvagens da Noite (1979), Inferno Vermelho (1988) e 48 Horas 1 e 2 (1982; 1990), hoje se mostra perdido no comando de produções de segunda categoria. Ele até tenta aplicar um clima meio noir no novo projeto, sempre com fotografias escuras ou tons azulados quando as cenas se passam durante o dia. Interessante também, por exemplo, o cuidado ao mostrar as fotos reais de Stallone em diferentes fases da vida ao induzir que o seu personagem já foi preso muitas vezes. Mas ele falha ao tentar criar algum tipo de humor, seja através das ironias de Jimmy Bobo, ou na bizarra (para não dizer vergonha alheia) cena da festa à fantasia.

O roteiro do próprio Hill, baseado na desconhecida graphic novel “Du plomb dans la tête” (de Alexis Nolent), não ajuda em nada. Toda a conspiração que move os personagens de Stallone e Sung Kang (de Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio, 2006), envolvendo subornos de figurões a políticos, soa tão artificial que sequer lembramos ao longo da projeção o que está acontecendo. Detalhe que o mistério é todo mastigado pelo personagem do folclórico Christian Slater (sim, ele continua fazendo longas ruins) em sua primeira aparição, antes da metade do filme, e pronto. A porta fica aberta para a ação correr solta.

Se por um lado Stallone e Sung Kang formam uma dupla estranha e sem nenhuma química, os demais personagens são de uma irrelevância impressionante. Ninguém é preciso ser gênio para descobrir que a cúpula formada por Christian Slater, Adewale Akinnuoye-Agbaje e Brian Van Holt são apenas peças cujas funções é serem eliminados um por um. Jason Momoa (do terrível remake de Conan – O Bárbaro, 2011), que era para para ser um contraponto a Jimmy Bobo, é apenas um vilão de pouca ou nenhuma palavra, adora uma carnificina, e caça os “bonzinhos” ao longo da projeção.

Para não dizer que se trata de uma perda total, Walter Hill mostra habilidade na condução de cenas de ação brutais e violentas. Ele não poupa impacto, sem necessitar chocar. O primeiro confronto entre Sly e Momoa, dentro de um banheiro (clichê, será?) e o clímax com um inusitado combate com machados até que conseguem agradar, Além disso, ver o velho Stallone murmurando e zoando qualquer um que ouse ameaçá-lo nunca é demais para os velhos fãs. Mas ainda é pouco, muito pouco.

A verdade é que nada justifica o fato de um longa-metragem como “Alvo Duplo” chegar aos cinemas, pois muitas produções ruins de ação voltadas para o mercado home-video conseguem ser superiores. Só resta esperar que Stallone não volte a cair no caminho da mediocridade. Se a melhor solução for explorar a sua imagem resgatando os tempos que não voltam mais, que assim seja!

Que venha Os Mercenários 3…

Nota: 2,0