Crítica: "Annabelle 2: A Criação do Mal" supera o anterior, porém, ainda é um terror genérico - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: “Annabelle 2: A Criação do Mal” supera o anterior, porém, ainda é um terror genérico

Por Thiago Sampaio em Crítica

18 de agosto de 2017

"Annabelle" (idem, 2014) foi lançado como um spin-off de "Invocação do Mal" (The Conjuring, 2013), apadrinhado pelo diretor James Wan, com a proposta de expandir aquele universo, sem esconder o cunho de caça níquel. Apesar de execrado pela crítica, teve bom resultado, custando apenas U$ 6,5 milhões e faturando U$ 256,8 milhões pelo mundo. Uma continuação sobre a horrorosa boneca demoníaca era quase inevitável e "Annabelle 2: A Criação do Mal" (Annabelle: Creation, 2017) chega apenas três anos depois, com um resultado que, apesar de superior ao antecessor, cai nos mesmos clichês dos longas genéricos.

Foto: Divulgação

“Annabelle” (idem, 2014) foi lançado como um spin-off de “Invocação do Mal” (The Conjuring, 2013), apadrinhado pelo diretor James Wan, com a proposta de expandir aquele universo, sem esconder o cunho de caça níquel. Apesar de execrado pela crítica, teve bom retorno, custando apenas U$ 6,5 milhões e faturando U$ 256,8 milhões pelo mundo. Uma continuação sobre a horrorosa boneca demoníaca era quase inevitável e “Annabelle 2: A Criação do Mal” (Annabelle: Creation, 2017) chega apenas três anos depois, com um resultado que, apesar de superior ao antecessor, cai nos mesmos clichês dos longas genéricos.

A trama mostra a trágica morte da filha de um habilidoso artesão de bonecas. Doze anos depois, ele e sua esposa decidem, por caridade, acolher em sua casa uma freira e dezenas de meninas desalojadas de um orfanato. Atormentado pelas lembranças traumáticas, o casal ainda precisa lidar com um  demônio do passado que ressurge: Annabelle.

Na falta de história para contar após o término do longa de 2014 (que por sua vez já era um prequel de “Invocação do Mal”), a saída foi contar os fatos que antecederam àqueles. Mas o primeiro “Anabelle” já não era uma trama de origem? Havia necessidade de um prequel de um prequel? Vai entender! O roteirista Gary Dauberman retorna tentando trazer uma “origem” para tudo e fazer uma conexão com o início do filme anterior, que acaba se mostrando pra lá de sem sentido. Além disso, o “segredo”, devidamente já revelado no trailer, é explicado só no final, numa falha grave de planejamento.

O contexto em geral, da família que acolhe órfãos na casa para suprir a perda da filha em casa, soa bem mais interessante do que uma simples história de boneca amaldiçoada. O problema é que, com exceção de garota com paralisia motora Janice (a boa e promissora Talitha Bateman), os personagens não são desenvolvidos, diferente do que acontecia nos dois longas dirigidos por James Wan, em que o conceito de família era realmente convincente.

O que acaba sendo um desperdício dos veteranos Anthony LaPaglia e Miranda Otto, pois ele se limita a manter expressão fechada de quem guarda uma eterna angústia e ela passa a maior parte do tempo deitada, sem sequer mostrar o rosto. O trio de adolescentes, vivido por Philippa Coulthard, Grace Fulton e Tayler Buck, é totalmente irrelevante e o espectador torce para que elas morram o quanto antes. Até personagens que poderiam ter um passado complexo a ser explorado, como a Irmã Charlotte (Stephanie Sigman, esforçada, mas sem chance de mostrar algo mais), ficam ao relento.

Em geral, o diretor David F. Sandberg (que havia comandado o regular “Quando as Luzes se Apagam”, 2016) se confia nas artimanhas típicas do gênero: corte do som do ambiente antes de algum susto, aumentar gradativamente a trilha sonora para pregar alguma “pegadinha” em quem está prestes a pular da cadeira, figura de criança desfocada ao fundo, etc. Ele até tenta ser estiloso, como no uso do plano sequência (marca de Wan, quase padronizando o seu universo) ao apresentar o orfanato onde a trama decorre, mas se perde em tomadas aéreas totalmente desnecessárias.

O longa também não tem criatividade nas cenas de assombração, visto que a maioria são avisadas com antecedência: vemos uma cadeira adaptada para subir escadas, adolescentes brincando com o sobrenatural embaixo de um lençol, uma troca de bonecas…não precisa ser gênio para prever que alguma cena envolvendo esses detalhes vai acontecer. Sem falar em típicos personagens desprovidos de inteligência, como a criança que acaba de jogar a boneca demoníaca num poço e lá se escora quase com a cabeça para dentro ao invés de ir embora logo dali.

Mas o filme tem lá os seus bons momentos, principalmente com a caracterização de um segundo demônio, que se assemelha à forma original da freira que aparece no final de “Invocação do Mal 2” (The Conjuring 2, 2016), com uma cena visualmente legal num porão, envolvendo também um espantalho. Por sinal, Sandberg deve curtir contorções, pois não só a primeira aparição de tal monstro, mas o destino de um personagem segurando uma cruz causa agonia com eficiência. Tem também um fan-service com a boneca Anabelle real, de pano, bem diferente da que é vista nos cinema, mas que não influencia no produto em geral.

“Annabelle 2: A Criação do Mal” até se sobressai em meio a tantos filmes do gênero que surgem, tem seus momentos de destaque, mas no fim das contas, acaba caindo no lugar comum. Há ganchos para a continuidade de derivados (“A Freira” vem aí!), porém, fica a impressão de que esses sempre ficarão em posição inferior à franquia protagonizada pelo casal Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga).

Obs: há duas cenas pós-créditos!

Nota: 5,0

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Crítica: “Annabelle 2: A Criação do Mal” supera o anterior, porém, ainda é um terror genérico

Por Thiago Sampaio em Crítica

18 de agosto de 2017

"Annabelle" (idem, 2014) foi lançado como um spin-off de "Invocação do Mal" (The Conjuring, 2013), apadrinhado pelo diretor James Wan, com a proposta de expandir aquele universo, sem esconder o cunho de caça níquel. Apesar de execrado pela crítica, teve bom resultado, custando apenas U$ 6,5 milhões e faturando U$ 256,8 milhões pelo mundo. Uma continuação sobre a horrorosa boneca demoníaca era quase inevitável e "Annabelle 2: A Criação do Mal" (Annabelle: Creation, 2017) chega apenas três anos depois, com um resultado que, apesar de superior ao antecessor, cai nos mesmos clichês dos longas genéricos.

Foto: Divulgação

“Annabelle” (idem, 2014) foi lançado como um spin-off de “Invocação do Mal” (The Conjuring, 2013), apadrinhado pelo diretor James Wan, com a proposta de expandir aquele universo, sem esconder o cunho de caça níquel. Apesar de execrado pela crítica, teve bom retorno, custando apenas U$ 6,5 milhões e faturando U$ 256,8 milhões pelo mundo. Uma continuação sobre a horrorosa boneca demoníaca era quase inevitável e “Annabelle 2: A Criação do Mal” (Annabelle: Creation, 2017) chega apenas três anos depois, com um resultado que, apesar de superior ao antecessor, cai nos mesmos clichês dos longas genéricos.

A trama mostra a trágica morte da filha de um habilidoso artesão de bonecas. Doze anos depois, ele e sua esposa decidem, por caridade, acolher em sua casa uma freira e dezenas de meninas desalojadas de um orfanato. Atormentado pelas lembranças traumáticas, o casal ainda precisa lidar com um  demônio do passado que ressurge: Annabelle.

Na falta de história para contar após o término do longa de 2014 (que por sua vez já era um prequel de “Invocação do Mal”), a saída foi contar os fatos que antecederam àqueles. Mas o primeiro “Anabelle” já não era uma trama de origem? Havia necessidade de um prequel de um prequel? Vai entender! O roteirista Gary Dauberman retorna tentando trazer uma “origem” para tudo e fazer uma conexão com o início do filme anterior, que acaba se mostrando pra lá de sem sentido. Além disso, o “segredo”, devidamente já revelado no trailer, é explicado só no final, numa falha grave de planejamento.

O contexto em geral, da família que acolhe órfãos na casa para suprir a perda da filha em casa, soa bem mais interessante do que uma simples história de boneca amaldiçoada. O problema é que, com exceção de garota com paralisia motora Janice (a boa e promissora Talitha Bateman), os personagens não são desenvolvidos, diferente do que acontecia nos dois longas dirigidos por James Wan, em que o conceito de família era realmente convincente.

O que acaba sendo um desperdício dos veteranos Anthony LaPaglia e Miranda Otto, pois ele se limita a manter expressão fechada de quem guarda uma eterna angústia e ela passa a maior parte do tempo deitada, sem sequer mostrar o rosto. O trio de adolescentes, vivido por Philippa Coulthard, Grace Fulton e Tayler Buck, é totalmente irrelevante e o espectador torce para que elas morram o quanto antes. Até personagens que poderiam ter um passado complexo a ser explorado, como a Irmã Charlotte (Stephanie Sigman, esforçada, mas sem chance de mostrar algo mais), ficam ao relento.

Em geral, o diretor David F. Sandberg (que havia comandado o regular “Quando as Luzes se Apagam”, 2016) se confia nas artimanhas típicas do gênero: corte do som do ambiente antes de algum susto, aumentar gradativamente a trilha sonora para pregar alguma “pegadinha” em quem está prestes a pular da cadeira, figura de criança desfocada ao fundo, etc. Ele até tenta ser estiloso, como no uso do plano sequência (marca de Wan, quase padronizando o seu universo) ao apresentar o orfanato onde a trama decorre, mas se perde em tomadas aéreas totalmente desnecessárias.

O longa também não tem criatividade nas cenas de assombração, visto que a maioria são avisadas com antecedência: vemos uma cadeira adaptada para subir escadas, adolescentes brincando com o sobrenatural embaixo de um lençol, uma troca de bonecas…não precisa ser gênio para prever que alguma cena envolvendo esses detalhes vai acontecer. Sem falar em típicos personagens desprovidos de inteligência, como a criança que acaba de jogar a boneca demoníaca num poço e lá se escora quase com a cabeça para dentro ao invés de ir embora logo dali.

Mas o filme tem lá os seus bons momentos, principalmente com a caracterização de um segundo demônio, que se assemelha à forma original da freira que aparece no final de “Invocação do Mal 2” (The Conjuring 2, 2016), com uma cena visualmente legal num porão, envolvendo também um espantalho. Por sinal, Sandberg deve curtir contorções, pois não só a primeira aparição de tal monstro, mas o destino de um personagem segurando uma cruz causa agonia com eficiência. Tem também um fan-service com a boneca Anabelle real, de pano, bem diferente da que é vista nos cinema, mas que não influencia no produto em geral.

“Annabelle 2: A Criação do Mal” até se sobressai em meio a tantos filmes do gênero que surgem, tem seus momentos de destaque, mas no fim das contas, acaba caindo no lugar comum. Há ganchos para a continuidade de derivados (“A Freira” vem aí!), porém, fica a impressão de que esses sempre ficarão em posição inferior à franquia protagonizada pelo casal Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga).

Obs: há duas cenas pós-créditos!

Nota: 5,0