Crítica: ‘Círculo de Fogo’ é mais um show visual de Guillermo del Toro - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: ‘Círculo de Fogo’ é mais um show visual de Guillermo del Toro

Por Thiago Sampaio em Crítica

21 de agosto de 2013

Pôster de 'Círculo de Fogo'

Foto: Divulgação

Qualquer adulto de hoje, que cresceu durante os anos 80 e 90, certamente se divertiu muito assistindo e brincando daqueles seriados de super heróis que entravam em robôs coloridos para combater monstros gigantes. Em Círculo de Fogo (Pacific Rim, 2013), o visionário (diferente de muitos que assim se rotulam, ele merece esse adjetivo) diretor mexicano Guillermo del Toro consegue materializar com eficiência toda essa fantasia.

A trama se passa no futuro, quando criaturas monstruosas, conhecidas como Kaiju, emergem do mar e iniciam uma batalha contra os humanos. Para combatê-los, a humanidade desenvolve uma série de robôs gigantescos, os Jaegers, cada um controlado por duas pessoas através de uma conexão neural. Diante deste cenário, a última esperança é um velho robô, obsoleto, que passa a ser comandado por um antigo piloto (Charlie Hunnam) e uma aspirante (Rinko Kikuchi).

Guillermo del Toro

Antes de tudo, é preciso lembrar que Del Toro sempre transpõe em suas obras um misto de violência com fantasia infantil. Aficcionado por criaturas monstruosas, sua marca é perceptível desde o terror cult Cronos (1993) e se aperfeiçoou em Mutação (1997), Blade II – O Caçador de Vampiros (2002), Hellboy I e II (2004, 2008) e, principalmente, no excepcional O Labirinto do Fauno (2006), indicado ao Oscar de Melhor filme estrangeiro (México) e roteiro original. Contando com o maior orçamento em mãos (impressionantes U$ 190 milhões), ele faz de Círculo de Fogo a sua obra mais grandiosa. Literalmente.

Inspiração/homenagem

É fato que um filme sobre robôs gigantes lutando contra monstros pode soar sem graça demais para os mais exigentes, principalmente após as terríveis continuações de Transformers (2009, 2011). Mas o novo longa é um grande show visual, em que o cineasta destila toda a sua influência de mangás como “Neon Genesis Evangelion” e filmes de destruição japoneses, como Godzilla. Não à toa, ao fim dos créditos, ele dedica a obra a Ishirô Honda e Ray Harryhausen, nomes consagrados do gênero.

Detalhes gigantescos

Assim, o diretor consegue apresentar sequencias de ação impressionantes, com elementos de proporção gigantescas a ponto de colocar um Transformer no bolso (sem exagero!). Seja em terra, no ar ou no mar, Del Toro apresenta cenas criativas e diferentes entre si. E o mais importante: diferente da megalomania de Michael Bay, é possível entender o que acontece na telona, mesmo com os personagens utilizando um caminhão e um cruzeiro como “armas brancas”.

Guillermo del Toro gosta de detalhes. Desde o contraste entre o visual colorido do antigo robô Gipsy com os mais modernos prateados; o estilo dos monstros misturando dinossauros e animais peçonhentos (aranhas, escorpiões…); até a bem trabalhada ideia de existir uma conexão mental entre os dois pilotos tornam o projeto interessante. Isso tudo, é claro, contando com efeitos especiais impecáveis. Mas fica uma ressalva: o 3D convertido se limita, em sua maior parte, a jogar água no espectador.

Roteiro/personagens/elenco

Mas em meio a tanta grandiosidade, é preciso frisar que o roteiro, do próprio diretor ao lado de Travis Beacham (do fraco Fúria de Titãs, 2010), não deixa der ser artificial e segue todos os clichês de um blockbuster. Estão lá o galã talentoso mas temido pelo estilo imprevisível quando pilota, a colega de trabalho por quem surge um interesse, o rival arrogante (Pensou em Top Gun???), o general durão, os coadjuvantes cientistas nerds, etc. A trama é mais do que previsível, dependendo da ação para prender a atenção.

Por conta da fragilidade do roteiro, fica difícil o espectador criar empatia por algum personagem. A única exceção é a personagem Mako que, por conta do passado misterioso e da peculiar relação com o general Stacker, os atores Rinko Kikuchi (indicada ao Oscar de coadjuvante por Babel, 2006) e Idris Elba (o capitão de Prometheus, 2012) conseguem algum destaque dramático. Enquanto o protagonista Charlie Hunnam se vê engessado ao papel de herói, Robert Kazinsky não faz mais do que ser o seu algoz, até com fisionomia semelhante.

Mas através de alguns personagens, Del Toro consegue destilar seu humor característico. Charlie Day rouba a cena na pele do cômico Dr. Newton Geiszler, um cientista elétrico e viciado em “Kaijus”. Mas destaque mesmo vai para a impagável participação de Ron Pearlman, figura frequente nos filmes do diretor, como o ameaçador e caricato Hannibal Chau (nome devidamente explicado no filme), encarnando uma espécie de “bicheiro” do futuro.

Resultado

Apesar de alguns defeitos, Círculo de Fogo consegue a difícil missão de encher os olhos com um contexto que não é mais novo no cinema moderno. Em um ano de pipocões com Homem de Ferro 3, Velozes e Furiosos 6, O Homem de Aço, Wolverine: Imortal, a película figura atrás apenas de Além da Escuridão: Star Trek entre as melhores superproduções de 2013.

Nota: 8,0

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Crítica: ‘Círculo de Fogo’ é mais um show visual de Guillermo del Toro

Por Thiago Sampaio em Crítica

21 de agosto de 2013

Pôster de 'Círculo de Fogo'

Foto: Divulgação

Qualquer adulto de hoje, que cresceu durante os anos 80 e 90, certamente se divertiu muito assistindo e brincando daqueles seriados de super heróis que entravam em robôs coloridos para combater monstros gigantes. Em Círculo de Fogo (Pacific Rim, 2013), o visionário (diferente de muitos que assim se rotulam, ele merece esse adjetivo) diretor mexicano Guillermo del Toro consegue materializar com eficiência toda essa fantasia.

A trama se passa no futuro, quando criaturas monstruosas, conhecidas como Kaiju, emergem do mar e iniciam uma batalha contra os humanos. Para combatê-los, a humanidade desenvolve uma série de robôs gigantescos, os Jaegers, cada um controlado por duas pessoas através de uma conexão neural. Diante deste cenário, a última esperança é um velho robô, obsoleto, que passa a ser comandado por um antigo piloto (Charlie Hunnam) e uma aspirante (Rinko Kikuchi).

Guillermo del Toro

Antes de tudo, é preciso lembrar que Del Toro sempre transpõe em suas obras um misto de violência com fantasia infantil. Aficcionado por criaturas monstruosas, sua marca é perceptível desde o terror cult Cronos (1993) e se aperfeiçoou em Mutação (1997), Blade II – O Caçador de Vampiros (2002), Hellboy I e II (2004, 2008) e, principalmente, no excepcional O Labirinto do Fauno (2006), indicado ao Oscar de Melhor filme estrangeiro (México) e roteiro original. Contando com o maior orçamento em mãos (impressionantes U$ 190 milhões), ele faz de Círculo de Fogo a sua obra mais grandiosa. Literalmente.

Inspiração/homenagem

É fato que um filme sobre robôs gigantes lutando contra monstros pode soar sem graça demais para os mais exigentes, principalmente após as terríveis continuações de Transformers (2009, 2011). Mas o novo longa é um grande show visual, em que o cineasta destila toda a sua influência de mangás como “Neon Genesis Evangelion” e filmes de destruição japoneses, como Godzilla. Não à toa, ao fim dos créditos, ele dedica a obra a Ishirô Honda e Ray Harryhausen, nomes consagrados do gênero.

Detalhes gigantescos

Assim, o diretor consegue apresentar sequencias de ação impressionantes, com elementos de proporção gigantescas a ponto de colocar um Transformer no bolso (sem exagero!). Seja em terra, no ar ou no mar, Del Toro apresenta cenas criativas e diferentes entre si. E o mais importante: diferente da megalomania de Michael Bay, é possível entender o que acontece na telona, mesmo com os personagens utilizando um caminhão e um cruzeiro como “armas brancas”.

Guillermo del Toro gosta de detalhes. Desde o contraste entre o visual colorido do antigo robô Gipsy com os mais modernos prateados; o estilo dos monstros misturando dinossauros e animais peçonhentos (aranhas, escorpiões…); até a bem trabalhada ideia de existir uma conexão mental entre os dois pilotos tornam o projeto interessante. Isso tudo, é claro, contando com efeitos especiais impecáveis. Mas fica uma ressalva: o 3D convertido se limita, em sua maior parte, a jogar água no espectador.

Roteiro/personagens/elenco

Mas em meio a tanta grandiosidade, é preciso frisar que o roteiro, do próprio diretor ao lado de Travis Beacham (do fraco Fúria de Titãs, 2010), não deixa der ser artificial e segue todos os clichês de um blockbuster. Estão lá o galã talentoso mas temido pelo estilo imprevisível quando pilota, a colega de trabalho por quem surge um interesse, o rival arrogante (Pensou em Top Gun???), o general durão, os coadjuvantes cientistas nerds, etc. A trama é mais do que previsível, dependendo da ação para prender a atenção.

Por conta da fragilidade do roteiro, fica difícil o espectador criar empatia por algum personagem. A única exceção é a personagem Mako que, por conta do passado misterioso e da peculiar relação com o general Stacker, os atores Rinko Kikuchi (indicada ao Oscar de coadjuvante por Babel, 2006) e Idris Elba (o capitão de Prometheus, 2012) conseguem algum destaque dramático. Enquanto o protagonista Charlie Hunnam se vê engessado ao papel de herói, Robert Kazinsky não faz mais do que ser o seu algoz, até com fisionomia semelhante.

Mas através de alguns personagens, Del Toro consegue destilar seu humor característico. Charlie Day rouba a cena na pele do cômico Dr. Newton Geiszler, um cientista elétrico e viciado em “Kaijus”. Mas destaque mesmo vai para a impagável participação de Ron Pearlman, figura frequente nos filmes do diretor, como o ameaçador e caricato Hannibal Chau (nome devidamente explicado no filme), encarnando uma espécie de “bicheiro” do futuro.

Resultado

Apesar de alguns defeitos, Círculo de Fogo consegue a difícil missão de encher os olhos com um contexto que não é mais novo no cinema moderno. Em um ano de pipocões com Homem de Ferro 3, Velozes e Furiosos 6, O Homem de Aço, Wolverine: Imortal, a película figura atrás apenas de Além da Escuridão: Star Trek entre as melhores superproduções de 2013.

Nota: 8,0