Crítica: "Coringa" é uma obra de arte pesada e brilhante que pode demorar a ser compreendida 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: “Coringa” é uma obra de arte pesada e brilhante que pode demorar a ser compreendida

Por Thiago Sampaio em Crítica

09 de outubro de 2019

Foto: Divulgação

Muitos torceram o nariz quando foi anunciado um longa solo do Coringa, sem a aparição do Batman. Os motivos são diversos, como a quebra do mistério em torno do personagem ao revelar a sua origem e a memória eternizada da brilhante performance de Heath Ledger como o vilão em “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (The Dark Knight, 2009). Aquela versão horrenda de Jared Leto no péssimo “Esquadrão Suicida” (The Suicide Squad, 2015) merece cair no esquecimento. Mas um dos fatores duvidosos era a opção por Todd Phillips (da trilogia “Se Beber, Não Case”, 2009, 2011, 2013) na direção, que tinha no currículo apenas comédias.

Um sopro de esperança veio com a escalação de Joaquin Phoenix, que não costuma pegar projetos ruins, para o papel principal. A confirmação de que não teríamos um filme qualquer veio com o prêmio do Leão de Ouro no Festival de Veneza. Rodeado de polêmicas, sendo acusado de “perigoso”, “Coringa” (Joker, 2019), de fato, não é fácil de ser digerido. Temos algo incômodo, sarcástico, que insere o espectador numa mente doentia. E por conseguir mexer com tantos sentimentos (para o bem e para o mal), temos uma obra peculiar e marcante!

Na trama, Arthur Fleck (Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência de talentos. Porém, os acontecimentos vão colocá-lo de encontro com a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne (Brett Cullen) é seu maior representante.

De cara, há de reconhecer a ousadia do estúdio em permitir a realização de algo que vai na contramão dos filmes baseados em quadrinhos de hoje. Não tem ação, nem ganchos para a construção de um universo compartilhado, nem cena pós-créditos e só alguns leves easter-eggs. Temos uma obra fechada, focada por completo no processo de construção do personagem, com uma condução lenta que remete a filmes de Martin Scorsese, como “Taxi Driver” (1977) e “O Rei da Comédia” (1982), influências mais do que nítidas (e não à toa a participação de Robert De Niro, protagonista de ambos, aqui).

Assim, é louvável os muitos detalhes da direção de Phillips, conferindo um ar vintage, como uma produção dos anos 70, utilizando a logo antiga da Warner Bros., créditos com fonte estilizada, fotografia com tons dessaturados. Tudo para criar um contraponto naquela Gotham City que não tem nada de charmosa. Ela é suja ao extremo, repleta de sacos de lixo e ratos enormes (com o devido contexto da greve dos lixeiros), paredes pichadas, metrô sucateado, fumaça de cigarro como o ar natural. As pessoas são intolerantes. Sentem prazer em praticar bullying com os considerados “mais fracos” e uma minoria com poder é esperança para a população através da política. Não tem nada de engraçado.

São muitas simbologias aplicadas pelo cineasta, desde uma flor que “chora” após um espancamento no prólogo, o uso da luz do dia para a sensação de liberdade gradual do protagonista, como ao chutar a porta do local de trabalho ou o olhar pela janela logo após fazer uma vítima. Também brinca muito com rimas visuais, como quando Arthur Fleck está apático na janela de um ônibus, diferente da expressão dele na janela de outro veículo lá pelos minutos finais. Exemplo mais explícito é o da escadaria perto de onde mora, onde antes subia sob uma fotografia escura e sem nenhum ânimo, contrapondo na cena que marca o “nascimento” do Palhaço do Crime, numa fabulosa sequência que provavelmente já nasce clássica.

Por mais que Todd Phillips beba da fonte de Scorsese, é bonito o cuidado dele ao aplicar cores gradativamente com o processo de libertação do personagem, transitando do verde escuro para os tons de amarelo, até se render ao vermelho da violência – incluindo o figurino. A trilha sonora, pela islandesa Hildur Guðnadóttir, contribui para atenuar a agonia através do som do violoncelo, como se tivesse ecoando na cabeça dele. As canções também são magistrais, captando cada etapa do seu estado de espírito, como “That’s Life” (Frank Sinatra), “Smile” (Jimmy Durante), “Rock And Roll Part II” (Gary Glitter) e “White Room” (Cream).

À medida que Arthur só quebra a cara, sem o menor sinal de empatia ao seu redor, o diretor consegue imergir tal inquietação no espectador. Por isso, é inevitável criar identificação com ele, fazendo parte da proposta trazer a percepção para o seu ponto de vista. Responsável também pelo roteiro ao lado de Scott Silver (“O Vencedor”, 2010), ele coloca todas as opressões de Gotham para fomentar os dramas de Fleck, incluindo o atendimento com uma assistente social da rede pública que trabalha no modo automático e o serviço ainda é cortado pela prefeitura.

Mas a “culpa” não é só dos outros. O próprio palhaço frustrado é cheio de perturbações que vão desde a ausência de uma figura paterna, passando pela mãe debilitada cuja sanidade é questionável. Ele toma nada menos que sete remédios controlados! E cresce num submundo com dificuldade de socializar e, para completar, tem um distúrbio que o faz rir em momentos aleatórios, principalmente quando está ansioso. A narrativa aplicada por Todd, por muitas vezes, materializa momentos que existem apenas na imaginação de Arthur, artimanha que rende alguns plot-twists na história e ainda deixa muitas perguntas sem respostas sobre o que pode ser real ou não.

Aí onde entra o brilhantismo da atuação de Joaquin Phoenix, se consolidando como um dos melhores atores da atualidade. Além de ter perdido muito peso para papel a ponto de vermos os ossos (algo semelhante com o que Christian Bale fez em “O Operário”, 2014), ele testa diversos tipos de risadas, captando a sua agonia. Às vezes ele ri para tentar se inserir no contexto, outras muitas vezes explode em risos quando a situação é perturbadora. E quando as pessoas realmente acham graça de uma piada, ele não.

O ator capta o preceito de uma figura totalmente deslocada da sociedade. Para além da postura curvada, sua performance corporal é brilhante, incluindo coreografias de “danças” lentas em momentos distintos (tanto num cenário imundo como em outro de consagração) – o seu encantamento para com a desenvoltura de Charlie Chaplin em “Tempos Modernos” (1936) é bastante sincero. Ele consegue transmitir ingenuidade, às vezes até com ar afeminado, porém, sempre fica claro que a sua versão do Coringa é alguém que não consegue encontrar a própria consciência, tampouco o seu lugar no mundo.

O seu Coringa é melhor do que o do Heath Ledger? Não. Eles são diferentes. No caso daquele de 2009, ele já estava estabelecido. O falecido ator deu um show imprimindo humor, carisma e psicopatia. O Arthur de Phoenix ainda não é o “Joker”. Ele está em construção. Ainda não é aquele agente do caos que “só quer ver o circo pegar fogo”, a ponto de incendiar uma pilha de dinheiro. Fleck, no fundo, ainda é humano e tem os gatilhos para se tornar a personificação de quem se diverte com a violência. E para simplesmente se manter vivo, ele assume a própria insanidade e o instinto assassino.

O elenco de coadjuvantes é todo correto, ainda que todos sirvam de suporte para Phoenix que, literalmente, aparece da primeira à última cena. O veterano Robert De Niro, ainda que contido, tem a presença necessária para um apresentador de talk show conhecido pelo bom humor, mas que sabe ter o controle da situação diante do imprevisível. Zazie Beetz (de “Deadpool 2”, 2018), como o possível interesse amoroso do protagonista, se mantém na linha tênue da simpatia por educação com desespero.

Afinal, é um filme que pode despertar a violência? É algo relativo, e, sim, questionável. E se “Laranja Mecânica” (1971), “Clube da Luta” (1999) ou o próprio “Taxi Driver” tivessem sido lançados em tempos de redes sociais flamejantes? Afinal, tais produções não estimulam as pessoas a agirem da mesma maneira brutal. Elas jogam na tela contextos tóxicos que existem no nosso mundo, despertando a reflexão. Esse também é um papel da arte e algo semelhante é feito em “Coringa”.

Estamos diante de um personagem ficcional, com os holofotes para si pela sua fama existente há oito décadas. O que é construído aqui, acompanhamos pela sua visão doente, carecendo da consciência de quem assiste de que não existe nada de heroico em seus atos e eles não devem ser vangloriados. O próprio roteiro trata de deixar o seu recado quando Arthur escreve em letras tortas que “A pior parte de se ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não tivesse”.

Hoje o politicamente correto tem uma força bem maior do que há algum tempo (e o momento justifica, afinal, temos figuras polarizadoras como Donald Trump e Jair Bolsonaro como presidentes de nações) e o roteiro de Phillips trata de desenhar que “vocês escolhem o que é engraçado ou não”. Essa fala é do próprio protagonista, mas o diretor trata de arremessar tal subversão com uma cena envolvendo um anão. Não deveria ser engraçado, mas o povo deve gargalhar, quase encarnando o Coringa, um monstro repugnante.

“Coringa” é um contundente estudo de personagem que não soa agradável, indo além de um entretenimento passageiro. E por conseguir jogar para a tela uma realidade violenta que permeia o mundo, nos transportando para aquela mente em que nada parece óbvio e racional, é digno de aplausos. O filme, o ator e todo o trabalho da equipe de produção merecem tais palmas. Não o personagem!

Nota: 9,5

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Crítica: “Coringa” é uma obra de arte pesada e brilhante que pode demorar a ser compreendida

Por Thiago Sampaio em Crítica

09 de outubro de 2019

Foto: Divulgação

Muitos torceram o nariz quando foi anunciado um longa solo do Coringa, sem a aparição do Batman. Os motivos são diversos, como a quebra do mistério em torno do personagem ao revelar a sua origem e a memória eternizada da brilhante performance de Heath Ledger como o vilão em “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (The Dark Knight, 2009). Aquela versão horrenda de Jared Leto no péssimo “Esquadrão Suicida” (The Suicide Squad, 2015) merece cair no esquecimento. Mas um dos fatores duvidosos era a opção por Todd Phillips (da trilogia “Se Beber, Não Case”, 2009, 2011, 2013) na direção, que tinha no currículo apenas comédias.

Um sopro de esperança veio com a escalação de Joaquin Phoenix, que não costuma pegar projetos ruins, para o papel principal. A confirmação de que não teríamos um filme qualquer veio com o prêmio do Leão de Ouro no Festival de Veneza. Rodeado de polêmicas, sendo acusado de “perigoso”, “Coringa” (Joker, 2019), de fato, não é fácil de ser digerido. Temos algo incômodo, sarcástico, que insere o espectador numa mente doentia. E por conseguir mexer com tantos sentimentos (para o bem e para o mal), temos uma obra peculiar e marcante!

Na trama, Arthur Fleck (Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência de talentos. Porém, os acontecimentos vão colocá-lo de encontro com a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne (Brett Cullen) é seu maior representante.

De cara, há de reconhecer a ousadia do estúdio em permitir a realização de algo que vai na contramão dos filmes baseados em quadrinhos de hoje. Não tem ação, nem ganchos para a construção de um universo compartilhado, nem cena pós-créditos e só alguns leves easter-eggs. Temos uma obra fechada, focada por completo no processo de construção do personagem, com uma condução lenta que remete a filmes de Martin Scorsese, como “Taxi Driver” (1977) e “O Rei da Comédia” (1982), influências mais do que nítidas (e não à toa a participação de Robert De Niro, protagonista de ambos, aqui).

Assim, é louvável os muitos detalhes da direção de Phillips, conferindo um ar vintage, como uma produção dos anos 70, utilizando a logo antiga da Warner Bros., créditos com fonte estilizada, fotografia com tons dessaturados. Tudo para criar um contraponto naquela Gotham City que não tem nada de charmosa. Ela é suja ao extremo, repleta de sacos de lixo e ratos enormes (com o devido contexto da greve dos lixeiros), paredes pichadas, metrô sucateado, fumaça de cigarro como o ar natural. As pessoas são intolerantes. Sentem prazer em praticar bullying com os considerados “mais fracos” e uma minoria com poder é esperança para a população através da política. Não tem nada de engraçado.

São muitas simbologias aplicadas pelo cineasta, desde uma flor que “chora” após um espancamento no prólogo, o uso da luz do dia para a sensação de liberdade gradual do protagonista, como ao chutar a porta do local de trabalho ou o olhar pela janela logo após fazer uma vítima. Também brinca muito com rimas visuais, como quando Arthur Fleck está apático na janela de um ônibus, diferente da expressão dele na janela de outro veículo lá pelos minutos finais. Exemplo mais explícito é o da escadaria perto de onde mora, onde antes subia sob uma fotografia escura e sem nenhum ânimo, contrapondo na cena que marca o “nascimento” do Palhaço do Crime, numa fabulosa sequência que provavelmente já nasce clássica.

Por mais que Todd Phillips beba da fonte de Scorsese, é bonito o cuidado dele ao aplicar cores gradativamente com o processo de libertação do personagem, transitando do verde escuro para os tons de amarelo, até se render ao vermelho da violência – incluindo o figurino. A trilha sonora, pela islandesa Hildur Guðnadóttir, contribui para atenuar a agonia através do som do violoncelo, como se tivesse ecoando na cabeça dele. As canções também são magistrais, captando cada etapa do seu estado de espírito, como “That’s Life” (Frank Sinatra), “Smile” (Jimmy Durante), “Rock And Roll Part II” (Gary Glitter) e “White Room” (Cream).

À medida que Arthur só quebra a cara, sem o menor sinal de empatia ao seu redor, o diretor consegue imergir tal inquietação no espectador. Por isso, é inevitável criar identificação com ele, fazendo parte da proposta trazer a percepção para o seu ponto de vista. Responsável também pelo roteiro ao lado de Scott Silver (“O Vencedor”, 2010), ele coloca todas as opressões de Gotham para fomentar os dramas de Fleck, incluindo o atendimento com uma assistente social da rede pública que trabalha no modo automático e o serviço ainda é cortado pela prefeitura.

Mas a “culpa” não é só dos outros. O próprio palhaço frustrado é cheio de perturbações que vão desde a ausência de uma figura paterna, passando pela mãe debilitada cuja sanidade é questionável. Ele toma nada menos que sete remédios controlados! E cresce num submundo com dificuldade de socializar e, para completar, tem um distúrbio que o faz rir em momentos aleatórios, principalmente quando está ansioso. A narrativa aplicada por Todd, por muitas vezes, materializa momentos que existem apenas na imaginação de Arthur, artimanha que rende alguns plot-twists na história e ainda deixa muitas perguntas sem respostas sobre o que pode ser real ou não.

Aí onde entra o brilhantismo da atuação de Joaquin Phoenix, se consolidando como um dos melhores atores da atualidade. Além de ter perdido muito peso para papel a ponto de vermos os ossos (algo semelhante com o que Christian Bale fez em “O Operário”, 2014), ele testa diversos tipos de risadas, captando a sua agonia. Às vezes ele ri para tentar se inserir no contexto, outras muitas vezes explode em risos quando a situação é perturbadora. E quando as pessoas realmente acham graça de uma piada, ele não.

O ator capta o preceito de uma figura totalmente deslocada da sociedade. Para além da postura curvada, sua performance corporal é brilhante, incluindo coreografias de “danças” lentas em momentos distintos (tanto num cenário imundo como em outro de consagração) – o seu encantamento para com a desenvoltura de Charlie Chaplin em “Tempos Modernos” (1936) é bastante sincero. Ele consegue transmitir ingenuidade, às vezes até com ar afeminado, porém, sempre fica claro que a sua versão do Coringa é alguém que não consegue encontrar a própria consciência, tampouco o seu lugar no mundo.

O seu Coringa é melhor do que o do Heath Ledger? Não. Eles são diferentes. No caso daquele de 2009, ele já estava estabelecido. O falecido ator deu um show imprimindo humor, carisma e psicopatia. O Arthur de Phoenix ainda não é o “Joker”. Ele está em construção. Ainda não é aquele agente do caos que “só quer ver o circo pegar fogo”, a ponto de incendiar uma pilha de dinheiro. Fleck, no fundo, ainda é humano e tem os gatilhos para se tornar a personificação de quem se diverte com a violência. E para simplesmente se manter vivo, ele assume a própria insanidade e o instinto assassino.

O elenco de coadjuvantes é todo correto, ainda que todos sirvam de suporte para Phoenix que, literalmente, aparece da primeira à última cena. O veterano Robert De Niro, ainda que contido, tem a presença necessária para um apresentador de talk show conhecido pelo bom humor, mas que sabe ter o controle da situação diante do imprevisível. Zazie Beetz (de “Deadpool 2”, 2018), como o possível interesse amoroso do protagonista, se mantém na linha tênue da simpatia por educação com desespero.

Afinal, é um filme que pode despertar a violência? É algo relativo, e, sim, questionável. E se “Laranja Mecânica” (1971), “Clube da Luta” (1999) ou o próprio “Taxi Driver” tivessem sido lançados em tempos de redes sociais flamejantes? Afinal, tais produções não estimulam as pessoas a agirem da mesma maneira brutal. Elas jogam na tela contextos tóxicos que existem no nosso mundo, despertando a reflexão. Esse também é um papel da arte e algo semelhante é feito em “Coringa”.

Estamos diante de um personagem ficcional, com os holofotes para si pela sua fama existente há oito décadas. O que é construído aqui, acompanhamos pela sua visão doente, carecendo da consciência de quem assiste de que não existe nada de heroico em seus atos e eles não devem ser vangloriados. O próprio roteiro trata de deixar o seu recado quando Arthur escreve em letras tortas que “A pior parte de se ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não tivesse”.

Hoje o politicamente correto tem uma força bem maior do que há algum tempo (e o momento justifica, afinal, temos figuras polarizadoras como Donald Trump e Jair Bolsonaro como presidentes de nações) e o roteiro de Phillips trata de desenhar que “vocês escolhem o que é engraçado ou não”. Essa fala é do próprio protagonista, mas o diretor trata de arremessar tal subversão com uma cena envolvendo um anão. Não deveria ser engraçado, mas o povo deve gargalhar, quase encarnando o Coringa, um monstro repugnante.

“Coringa” é um contundente estudo de personagem que não soa agradável, indo além de um entretenimento passageiro. E por conseguir jogar para a tela uma realidade violenta que permeia o mundo, nos transportando para aquela mente em que nada parece óbvio e racional, é digno de aplausos. O filme, o ator e todo o trabalho da equipe de produção merecem tais palmas. Não o personagem!

Nota: 9,5