Crítica: "Kingsman: Serviço Secreto" é uma excelente homenagem aos filmes de espionagem - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: “Kingsman: Serviço Secreto” é uma excelente homenagem aos filmes de espionagem

Por Thiago Sampaio em Crítica

12 de Março de 2015

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Matthew Vaughn é um daqueles cineastas da nova geração que já atrai a atenção pela sua visão diferenciada dos blockbusters. Com apenas cinco filmes no currículo, ele não só mostra sua marca própria em cada produção, desde a estreia no pouco visto (e ótimo!) “Nem Tudo é o Que Parece” (2004), como parece se divertir fazendo o que faz. Passando por “Stardust: O Mistério da Estrela” (2007), ganhando fãs em “Kick-Ass: Quebrando Tudo” (2010) e se consolidando com o excelente “X-Men: Primeira Classe” (2011), ele mais uma vez acerta em cheio com essa divertida homenagem/paródia dos filmes de espionagem, “Kingsman: Serviço Secreto” (Kingsman: The Secret Service, 2015).

Sinopse

A trama apresenta o agente secreto Harry Hart (Colin Firth), que, após um erro do passado, tenta se redimir recrutando o adolescente Eggsy (Taron Egerton), um jovem com problemas de disciplina que parece perto de se tornar um criminoso. Enquanto Eggsy é submetido a um rigoroso processo de seleção para se tornar um espião, a agência tenta impedir a ascensão de Valentine (Samuel L. Jackson), um inescrupuloso cientista com planos catastróficos.

Adaptação

O diretor Matthew Vaughn se recusou a dirigir “X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido” (2014) para adaptar “The Secret Service”, uma história em quadrinhos apadrinhada por ele próprio, escrita por Mark Millar (“Kick-Ass”) e desenhada por Dave Gibbons (“Watchmen”). Mudanças foram feitas, por exemplo: na HQ, o veterano agente se chama Jack London e é tio do jovem recrutado, que por sua vez, se chama Gary London (apesar de no filme ele citar uma vez o nome original, dando a entender que Eggsy é um apelido). A agência a que eles servem originalmente não se chama Kingsman, e sim, MI6 (a mesma de James Bond). Por sinal, criativa a ideia usada no longa-metragem de todos os agentes da organização terem codinomes dos Cavaleiros da Távola Redonda, como Arthur, Lancelot, Merlin, Galahad, etc.

Mas Vaughn e a roteirista Jane Goldman, sua parceira habitual, pegaram a base da trama e foram além na adaptação. Se o cineasta de apenas 44 anos já havia dado a sua contribuição à franquia X-Men, ele optou por um caminho diferente, mas nem por isso inovador, já que a sua nova produção é um presente à todos aqueles que cresceram se divertindo com as peripécias de agentes secretos e seus apetrechos que viram armas ou assessórios para combate. Em “Kick-Ass”, ele trouxe os super-heróis para um contexto real misturando violência e humor, e agora em “Kingsman”, ele deixa de lado qualquer rastro de pé no chão, deixando as homenagens às produções de espionagem provocarem os risos por si só.

Brincando com clichês

Logo na cena de abertura, ao som de “Money for Nothing” (Dire Straits), podemos ver que o ar é de despretensão com os créditos surgindo a partir de fragmentos de um muro quebrado após o lançamento de um míssil. E tem algo mais fácil de se prever do que salvar um refém importante das mãos de bandidos logo no início? Justamente por não tentar ser algo superior ao que ele faz referência, o produto final é tão agradável.

Os clichês estão todos lá propositalmente e o cineasta brinca com os mesmos a tudo quanto tem direito: bandidos russos; planos de dominação do mundo; vilões com partes de aço pelo corpo (quem não se lembra de Jaws, o homem dos dentes de aço de 007?); apetrechos que vão de faca no sapato a um guarda-chuvas/escopeta à prova de balas; mulheres bonitas que surgem apenas para se insinuar para o protagonista; armas estilosas e movimentos artificiais durante a ação, com direito a uma imitação da pose clássica de James Bond com sua pistola por parte do agente vivido por Jack Davenport.

As referências estão espalhadas ao longo dos 129 minutos de projeção, como a brincadeira de vários espiões do cinema terem nomes com iniciais JB (James Bond, Jason Bourne, Jack Bauer), e até uma lembrança ao sapato-fone do Agente 86. E em meio ao clima leve, o diretor não perde a chance de alfinetar o tom das novas produções de espionagem (inclusive as do 007 de Daniel Craig), quando o personagem vivido por Colin Firth afirma que não aprecia os novos filmes por eles serem “sérios demais”. Para quem sente falta dos filmes estrelados por Roger Moore, que atravessava um rio pisando nas cabeças de vários jacarés (em “007 Viva e Deixe Morrer”, 1973), em “Kingsman”, até agente indo para o espaço, como em “007 Contra o Foguete da Morte” (1979), tem sua vez.

Ação eficiente

A ação também está presente em diversos momentos e, há de assumir, Matthew Vaughn entende do assunto. Desde a bem coreografada cena do resgate no início (com direito a participação especial de Mark Hamill, o eterno Luke Skywalker de “Star Wars”), os diversos momentos do treinamento/seleção de Eggsy, as lutas envolvendo a personagem Gazelle (Sofia Boutella), mantém a adrenalina do espectador ativa. Mas o ponto alto mesmo é a espetacular e violenta cena da chacina envolvendo o agente vivido por Colin Firth em uma igreja evangélica ao som do transgressor solo de “Free Bird” (Lynyrd Skynyrd)!

Veteranos em destaque

Colin Firth, acostumado a papéis dramáticos como em “O Discurso do Rei” (que rendeu a ele o Oscar de Melhor Ator em 2011) ou comédias românticas como “O Diário de Bridget Jones” e sua continuação (2001, 2004), se mostra uma grata surpresa estrelando um filme de ação, conferindo a Harry Hart o charme, o ar de respeito e bondade que exige. Se o estreante Taron Egerton faz um trabalho correto como protagonista, o experiente Samuel L. Jackson rouba a cena sempre que aparece encarnando um vilão cômico da língua presa. Os igualmente veteranos Michael Caine e Mark Strong, sempre onipresentes, conferem peso à produção.

Resultado

Passada a temporada de “filmes sérios” do Oscar, “Kingsman: Serviço Secreto” é a superprodução ideal para entretenimento. Fazendo bonito nas bilheterias e recebendo críticas positivas, uma sequencia em breve é quase que inevitável, com ou sem Matthew Vaughn. Independente disso, ele garante a vontade de rever todos os filmes clássicos que ele tanto referencia.

Nota: 9,0

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Crítica: “Kingsman: Serviço Secreto” é uma excelente homenagem aos filmes de espionagem

Por Thiago Sampaio em Crítica

12 de Março de 2015

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Matthew Vaughn é um daqueles cineastas da nova geração que já atrai a atenção pela sua visão diferenciada dos blockbusters. Com apenas cinco filmes no currículo, ele não só mostra sua marca própria em cada produção, desde a estreia no pouco visto (e ótimo!) “Nem Tudo é o Que Parece” (2004), como parece se divertir fazendo o que faz. Passando por “Stardust: O Mistério da Estrela” (2007), ganhando fãs em “Kick-Ass: Quebrando Tudo” (2010) e se consolidando com o excelente “X-Men: Primeira Classe” (2011), ele mais uma vez acerta em cheio com essa divertida homenagem/paródia dos filmes de espionagem, “Kingsman: Serviço Secreto” (Kingsman: The Secret Service, 2015).

Sinopse

A trama apresenta o agente secreto Harry Hart (Colin Firth), que, após um erro do passado, tenta se redimir recrutando o adolescente Eggsy (Taron Egerton), um jovem com problemas de disciplina que parece perto de se tornar um criminoso. Enquanto Eggsy é submetido a um rigoroso processo de seleção para se tornar um espião, a agência tenta impedir a ascensão de Valentine (Samuel L. Jackson), um inescrupuloso cientista com planos catastróficos.

Adaptação

O diretor Matthew Vaughn se recusou a dirigir “X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido” (2014) para adaptar “The Secret Service”, uma história em quadrinhos apadrinhada por ele próprio, escrita por Mark Millar (“Kick-Ass”) e desenhada por Dave Gibbons (“Watchmen”). Mudanças foram feitas, por exemplo: na HQ, o veterano agente se chama Jack London e é tio do jovem recrutado, que por sua vez, se chama Gary London (apesar de no filme ele citar uma vez o nome original, dando a entender que Eggsy é um apelido). A agência a que eles servem originalmente não se chama Kingsman, e sim, MI6 (a mesma de James Bond). Por sinal, criativa a ideia usada no longa-metragem de todos os agentes da organização terem codinomes dos Cavaleiros da Távola Redonda, como Arthur, Lancelot, Merlin, Galahad, etc.

Mas Vaughn e a roteirista Jane Goldman, sua parceira habitual, pegaram a base da trama e foram além na adaptação. Se o cineasta de apenas 44 anos já havia dado a sua contribuição à franquia X-Men, ele optou por um caminho diferente, mas nem por isso inovador, já que a sua nova produção é um presente à todos aqueles que cresceram se divertindo com as peripécias de agentes secretos e seus apetrechos que viram armas ou assessórios para combate. Em “Kick-Ass”, ele trouxe os super-heróis para um contexto real misturando violência e humor, e agora em “Kingsman”, ele deixa de lado qualquer rastro de pé no chão, deixando as homenagens às produções de espionagem provocarem os risos por si só.

Brincando com clichês

Logo na cena de abertura, ao som de “Money for Nothing” (Dire Straits), podemos ver que o ar é de despretensão com os créditos surgindo a partir de fragmentos de um muro quebrado após o lançamento de um míssil. E tem algo mais fácil de se prever do que salvar um refém importante das mãos de bandidos logo no início? Justamente por não tentar ser algo superior ao que ele faz referência, o produto final é tão agradável.

Os clichês estão todos lá propositalmente e o cineasta brinca com os mesmos a tudo quanto tem direito: bandidos russos; planos de dominação do mundo; vilões com partes de aço pelo corpo (quem não se lembra de Jaws, o homem dos dentes de aço de 007?); apetrechos que vão de faca no sapato a um guarda-chuvas/escopeta à prova de balas; mulheres bonitas que surgem apenas para se insinuar para o protagonista; armas estilosas e movimentos artificiais durante a ação, com direito a uma imitação da pose clássica de James Bond com sua pistola por parte do agente vivido por Jack Davenport.

As referências estão espalhadas ao longo dos 129 minutos de projeção, como a brincadeira de vários espiões do cinema terem nomes com iniciais JB (James Bond, Jason Bourne, Jack Bauer), e até uma lembrança ao sapato-fone do Agente 86. E em meio ao clima leve, o diretor não perde a chance de alfinetar o tom das novas produções de espionagem (inclusive as do 007 de Daniel Craig), quando o personagem vivido por Colin Firth afirma que não aprecia os novos filmes por eles serem “sérios demais”. Para quem sente falta dos filmes estrelados por Roger Moore, que atravessava um rio pisando nas cabeças de vários jacarés (em “007 Viva e Deixe Morrer”, 1973), em “Kingsman”, até agente indo para o espaço, como em “007 Contra o Foguete da Morte” (1979), tem sua vez.

Ação eficiente

A ação também está presente em diversos momentos e, há de assumir, Matthew Vaughn entende do assunto. Desde a bem coreografada cena do resgate no início (com direito a participação especial de Mark Hamill, o eterno Luke Skywalker de “Star Wars”), os diversos momentos do treinamento/seleção de Eggsy, as lutas envolvendo a personagem Gazelle (Sofia Boutella), mantém a adrenalina do espectador ativa. Mas o ponto alto mesmo é a espetacular e violenta cena da chacina envolvendo o agente vivido por Colin Firth em uma igreja evangélica ao som do transgressor solo de “Free Bird” (Lynyrd Skynyrd)!

Veteranos em destaque

Colin Firth, acostumado a papéis dramáticos como em “O Discurso do Rei” (que rendeu a ele o Oscar de Melhor Ator em 2011) ou comédias românticas como “O Diário de Bridget Jones” e sua continuação (2001, 2004), se mostra uma grata surpresa estrelando um filme de ação, conferindo a Harry Hart o charme, o ar de respeito e bondade que exige. Se o estreante Taron Egerton faz um trabalho correto como protagonista, o experiente Samuel L. Jackson rouba a cena sempre que aparece encarnando um vilão cômico da língua presa. Os igualmente veteranos Michael Caine e Mark Strong, sempre onipresentes, conferem peso à produção.

Resultado

Passada a temporada de “filmes sérios” do Oscar, “Kingsman: Serviço Secreto” é a superprodução ideal para entretenimento. Fazendo bonito nas bilheterias e recebendo críticas positivas, uma sequencia em breve é quase que inevitável, com ou sem Matthew Vaughn. Independente disso, ele garante a vontade de rever todos os filmes clássicos que ele tanto referencia.

Nota: 9,0