Crítica: 'O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro' repete antigos erros - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: ‘O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro’ repete antigos erros

Por Thiago Sampaio em Crítica

05 de Maio de 2014

Pôster de 'O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro'

Pôster de ‘O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro’ – Foto: Divulgação

Bastaram cinco anos, intervalo entre “Homem-Aranha 3” (Spider-Man 3, 2007) e “O Espetacular Homem-Aranha” (The Amazing Spider-Man, 2012), para a Sony Pictures enterrar a antiga franquia do aracnídeo da Marvel e recomeçá-la do zero em um reboot. Motivo para isso foram as muitas críticas negativas ao terceiro filme, em que prevaleceram os excessos e atropelos no roteiro. O problema é que nesse segundo capítulo da nova saga, “O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro” (The Amazing Spider-Man 2, 2014), os realizadores demonstram não terem aprendido com os próprios erros e voltam a tropeçar nas próprias ambições, entregando uma aventura promissora, porém, irregular.

A trama

A história traz de volta Peter Parker (Andrew Garfield) já acostumado a ser o Homem-Aranha, escondendo a identidade secreta da tia May (Sally Field) enquanto combate o crime. O adolescente continua preocupado com o fantasma da promessa feita ao pai de Gwen Stacy (Emma Stone) de que se afastaria dela para protegê-la, mesmo insistindo no namoro. Ao mesmo tempo ele precisa lidar com o retorno de um velho amigo, Harry Osborn (Dane DeHaan), e o surgimento de um vilão poderoso: Electro (Jamie Foxx). Além disso, o segredo sobre os seus falecidos pais voltam à tona, fazendo-o investigar o passado.

Humor e ação eficientes

Apesar da recepção variada dos fãs e das críticas, “O Espetacular Homem-Aranha” conseguiu com eficiência o trabalho de reinserir o herói no mundo do cinema, com mudanças pontuais em relação à franquia anterior e trabalhando melhor o lado jovial do personagem central. E nessa continuação, o roteiro de Alex Kurtzman, Roberto Orci, Jeff Pinkner e James Vanderbilt (sim, quatro pessoas, um mal sinal) consegue trabalhar bem a evolução dele: o humor sarcástico quando está com o uniforme está mais aguçado do que nunca, assim como a relação entre Peter Parker e Gwen Stacy está mais madura, levando em conta o fato de os adolescentes estarem migrando para a fase adulta e com responsabilidades maiores (no caso dele, nem se fala).

No quesito ação, o diretor Marc Webb (“500 Dias com Ela”) continua a comandar cenas grandiosas e convincentes, voltando a utilizar com eficiência as câmeras em primeira pessoa durante os voos do herói pela cidade e o recurso do 3D (sim, ele e a tecnologia IMAX fazem uma grande diferença), sempre com cores bem vivas. Curiosamente, o destaque maior é a sequencia de abertura que não conta com o Homem-Aranha, e sim, uma emocionante fuga em um avião envolvendo os pais de Peter Parker. O primeiro combate do aracnídeo contra Electro, até o sufocante duelo contra outro velho conhecido vilão, com direito a uma boa reforçada na carga dramática no clímax, também não deixam a desejar em nada.

Exageros e superficialidade

Os principais problemas de “Homem-Aranha 3”, em 2007, foram justamente em o produtor Avi Arad e cia. pensarem muito à frente do que se podia, preenchendo os 139 minutos com inúmeras subtramas não aprofundadas, personagens jogados aleatoriamente e vilões demais para tempo de menos. Agora, a situação é bem semelhante. Vamos começar pelas várias coincidências: Peter descobre totalmente por acaso que o filho do dono da Oscorp é Harry Osborn, um amigo de infância que não via há anos. Na mesma empresa trabalha Gwen, a sua namorada, e também Max Dillon, o futuro vilão Electro. O jovem busca descobrir sobre o seu pai, que por sinal, tinha uma ligação direta com Norman Osborn (participação de Chris Cooper), o dono da Oscorp, pai de Harry, e que por tabela tudo leva à origem dos seus poderes. Ufa!

Um dos fatores do enfraquecimento desta continuação é o fato de Electro ser um vilão pra lá de sem graça. Além do visual exagerado e os poderes elétricos desinteressantes, o roteiro não favoreceu em nada ao ator Jamie Foxx por desenhá-lo como um nerd estereotipado, fã do Homem-Aranha, e que se revolta após o acidente que o tornou “mutante” apenas porque…queria atenção. E mais um vez, vilões são jogados na tela de forma forçada. O Duende-Verde surge em cena faltando cerca de 15 minutos para o fim, com um visual bem mais estiloso do que na franquia original, mostrando que poderia render bem mais se tivesse maior destaque. Um terceiro malfeitor, Rhino (participação rápida e divertida de Paul Giamatti), aparece apenas para a cena final e o seu papel – perdão pelo spoiler – é apenas levar uma tampa de bueiro na cara!!! É sério!!!

Com a ação e o próprio vilão Electro deixados de lado em boa parte da projeção para abordar a busca de Peter pelo segredo dos seus pais e a sua relação com Gwen, a produção até promete enriquecer dramaticamente, porém, decepciona quando vemos que tal “revelação” é uma bobagem. Além disso, a relação de Peter com Harry Osborn soa tão superficial que tira o impacto da transformação do segundo. A própria motivação do novo vilão em destruir o herói – a recusa durante uma conversa formal do Homem-Aranha em doar o seu sangue para curá-lo de uma doença genética – não ajuda em nada. E o que falar da personagem Felicia (Felicity Jones)? A “Gata Negra” dos quadrinhos surge apenas como uma secretária, promovida pelo chefe adolescente porque achou ela bonitinha, e repentinamente demonstra saber os segredos que nem o mais alto escalão da empresa sabe.

Elenco correto

Alheio a megalomania dos produtores e roteiristas, Andrew Garfield continua se mostrando um excelente Peter Parker (ainda melhor do que Tobey Magüire), captando o ar ingênuo do jovem nerd apaixonado, mas com muita malícia quando está sob o alter ego do Homem-Aranha. Emma Stone, por sua vez, sobra em carisma e beleza na pele de Gwen Stacy, mostrando ótima química com o protagonista (os atores namoram na vida real). Por outro lado, Dane DeHaan até se esforça para trazer a Harry Osborn o ar de adolescente riquinho mas de bom coração (algo que James Franco não conseguia), mas é prejudicado pela pouco atenção do roteiro. Sally Field mais uma vez está eficiente na pele da Tia May, trazendo um forte ar maternal à personagem.

Futuro duvidoso

É entendível parte dos excessos de “O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro”, principalmente com a inclusão de vilões na reta final, já que o plano do estúdio é incluir o Sexteto Sinistro no terceiro episódio, com direito a um spin-off (filme isolado com os malfeitores). Ampliar os horizontes é uma ideia válida e deve empolgar os fãs mais radicais, mas se analisarmos a segunda parte como um filme isolado, a impressão é de que tudo é uma correria de olho em algo maior. E se com três vilões tudo pareceu uma loucura, é de ser temer o que será feito com seis!

Nota: 5,0

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Crítica: ‘O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro’ repete antigos erros

Por Thiago Sampaio em Crítica

05 de Maio de 2014

Pôster de 'O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro'

Pôster de ‘O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro’ – Foto: Divulgação

Bastaram cinco anos, intervalo entre “Homem-Aranha 3” (Spider-Man 3, 2007) e “O Espetacular Homem-Aranha” (The Amazing Spider-Man, 2012), para a Sony Pictures enterrar a antiga franquia do aracnídeo da Marvel e recomeçá-la do zero em um reboot. Motivo para isso foram as muitas críticas negativas ao terceiro filme, em que prevaleceram os excessos e atropelos no roteiro. O problema é que nesse segundo capítulo da nova saga, “O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro” (The Amazing Spider-Man 2, 2014), os realizadores demonstram não terem aprendido com os próprios erros e voltam a tropeçar nas próprias ambições, entregando uma aventura promissora, porém, irregular.

A trama

A história traz de volta Peter Parker (Andrew Garfield) já acostumado a ser o Homem-Aranha, escondendo a identidade secreta da tia May (Sally Field) enquanto combate o crime. O adolescente continua preocupado com o fantasma da promessa feita ao pai de Gwen Stacy (Emma Stone) de que se afastaria dela para protegê-la, mesmo insistindo no namoro. Ao mesmo tempo ele precisa lidar com o retorno de um velho amigo, Harry Osborn (Dane DeHaan), e o surgimento de um vilão poderoso: Electro (Jamie Foxx). Além disso, o segredo sobre os seus falecidos pais voltam à tona, fazendo-o investigar o passado.

Humor e ação eficientes

Apesar da recepção variada dos fãs e das críticas, “O Espetacular Homem-Aranha” conseguiu com eficiência o trabalho de reinserir o herói no mundo do cinema, com mudanças pontuais em relação à franquia anterior e trabalhando melhor o lado jovial do personagem central. E nessa continuação, o roteiro de Alex Kurtzman, Roberto Orci, Jeff Pinkner e James Vanderbilt (sim, quatro pessoas, um mal sinal) consegue trabalhar bem a evolução dele: o humor sarcástico quando está com o uniforme está mais aguçado do que nunca, assim como a relação entre Peter Parker e Gwen Stacy está mais madura, levando em conta o fato de os adolescentes estarem migrando para a fase adulta e com responsabilidades maiores (no caso dele, nem se fala).

No quesito ação, o diretor Marc Webb (“500 Dias com Ela”) continua a comandar cenas grandiosas e convincentes, voltando a utilizar com eficiência as câmeras em primeira pessoa durante os voos do herói pela cidade e o recurso do 3D (sim, ele e a tecnologia IMAX fazem uma grande diferença), sempre com cores bem vivas. Curiosamente, o destaque maior é a sequencia de abertura que não conta com o Homem-Aranha, e sim, uma emocionante fuga em um avião envolvendo os pais de Peter Parker. O primeiro combate do aracnídeo contra Electro, até o sufocante duelo contra outro velho conhecido vilão, com direito a uma boa reforçada na carga dramática no clímax, também não deixam a desejar em nada.

Exageros e superficialidade

Os principais problemas de “Homem-Aranha 3”, em 2007, foram justamente em o produtor Avi Arad e cia. pensarem muito à frente do que se podia, preenchendo os 139 minutos com inúmeras subtramas não aprofundadas, personagens jogados aleatoriamente e vilões demais para tempo de menos. Agora, a situação é bem semelhante. Vamos começar pelas várias coincidências: Peter descobre totalmente por acaso que o filho do dono da Oscorp é Harry Osborn, um amigo de infância que não via há anos. Na mesma empresa trabalha Gwen, a sua namorada, e também Max Dillon, o futuro vilão Electro. O jovem busca descobrir sobre o seu pai, que por sinal, tinha uma ligação direta com Norman Osborn (participação de Chris Cooper), o dono da Oscorp, pai de Harry, e que por tabela tudo leva à origem dos seus poderes. Ufa!

Um dos fatores do enfraquecimento desta continuação é o fato de Electro ser um vilão pra lá de sem graça. Além do visual exagerado e os poderes elétricos desinteressantes, o roteiro não favoreceu em nada ao ator Jamie Foxx por desenhá-lo como um nerd estereotipado, fã do Homem-Aranha, e que se revolta após o acidente que o tornou “mutante” apenas porque…queria atenção. E mais um vez, vilões são jogados na tela de forma forçada. O Duende-Verde surge em cena faltando cerca de 15 minutos para o fim, com um visual bem mais estiloso do que na franquia original, mostrando que poderia render bem mais se tivesse maior destaque. Um terceiro malfeitor, Rhino (participação rápida e divertida de Paul Giamatti), aparece apenas para a cena final e o seu papel – perdão pelo spoiler – é apenas levar uma tampa de bueiro na cara!!! É sério!!!

Com a ação e o próprio vilão Electro deixados de lado em boa parte da projeção para abordar a busca de Peter pelo segredo dos seus pais e a sua relação com Gwen, a produção até promete enriquecer dramaticamente, porém, decepciona quando vemos que tal “revelação” é uma bobagem. Além disso, a relação de Peter com Harry Osborn soa tão superficial que tira o impacto da transformação do segundo. A própria motivação do novo vilão em destruir o herói – a recusa durante uma conversa formal do Homem-Aranha em doar o seu sangue para curá-lo de uma doença genética – não ajuda em nada. E o que falar da personagem Felicia (Felicity Jones)? A “Gata Negra” dos quadrinhos surge apenas como uma secretária, promovida pelo chefe adolescente porque achou ela bonitinha, e repentinamente demonstra saber os segredos que nem o mais alto escalão da empresa sabe.

Elenco correto

Alheio a megalomania dos produtores e roteiristas, Andrew Garfield continua se mostrando um excelente Peter Parker (ainda melhor do que Tobey Magüire), captando o ar ingênuo do jovem nerd apaixonado, mas com muita malícia quando está sob o alter ego do Homem-Aranha. Emma Stone, por sua vez, sobra em carisma e beleza na pele de Gwen Stacy, mostrando ótima química com o protagonista (os atores namoram na vida real). Por outro lado, Dane DeHaan até se esforça para trazer a Harry Osborn o ar de adolescente riquinho mas de bom coração (algo que James Franco não conseguia), mas é prejudicado pela pouco atenção do roteiro. Sally Field mais uma vez está eficiente na pele da Tia May, trazendo um forte ar maternal à personagem.

Futuro duvidoso

É entendível parte dos excessos de “O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro”, principalmente com a inclusão de vilões na reta final, já que o plano do estúdio é incluir o Sexteto Sinistro no terceiro episódio, com direito a um spin-off (filme isolado com os malfeitores). Ampliar os horizontes é uma ideia válida e deve empolgar os fãs mais radicais, mas se analisarmos a segunda parte como um filme isolado, a impressão é de que tudo é uma correria de olho em algo maior. E se com três vilões tudo pareceu uma loucura, é de ser temer o que será feito com seis!

Nota: 5,0