Crítica: "O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio" honra a franquia...mas não impede a sensação de déja-vu 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: “O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” não impede a sensação de déja-vu

Por Thiago Sampaio em Crítica

18 de novembro de 2019

Foto: Divulgação

A saga “O Exterminador do Futuro” é talvez uma das mais saturadas dos dias atuais, afinal, nada do que fora feito desde o espetacular (e ainda irretocável) segundo longa, de 1991, emplacou ou instigou os fãs por continuidade. A esperança com este sexto filme veio com o retorno de James Cameron, que readquiriu os direitos da franquia, participando do roteiro e como produtor. Junto a ele, Linda Hamilton também retorna ao elenco. O resultado de “O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” (Terminator: Dark Fate, 2019) é um filme eficiente, o terceiro melhor atrás dos dois primeiros, mas que continua com um gosto de repetição.

Na trama, mais de duas décadas após evitar o apocalipse, Sarah Connor (Hamilton) precisa proteger uma jovem chamada Dani Ramos (Natalia Reyes) de um novo exterminador (Gabriel Luna) enviado do futuro para aniquilá-las. Para isso, ela contará com a ajuda de Grace (Mackenzie Davis) e de um novo T-800 (Arnold Schwarzenegger).

O primeiro “Terminator” (1994) se tornou um cult com uma pegada quase de filme de terror e trazendo Arnold Schwarzenegger como um vilão de poucas palavras. A sequência, “O Julgamento Final” (1991), causou uma revolução no gênero ação/ficção, com efeitos especiais que até hoje soam atuais. Depois, James Cameron, diretor de ambos, se afastou por motivos judiciais. Então vieram o bom, porém esquecível, “A Rebelião das Máquinas” (2003), o megalomaníaco “A Salvação” (2009) e o péssimo “Genisys” (2015). Agora, “Destino Sombrio” vem com uma proposta de “renovação” ignorando – de novo – tudo que fora feito depois do segundo.

Mas Cameron participou só como uma espécie de consultor, dando pitacos no roteiro de David S. Goyer (“Batman Begins”,2005), Billy Ray (“Capitão Phillips”, 2013) e Justin Rhodes (“Grasroots”, 2012) e também no corte final. A direção ficou a cargo de Tim Miller, vindo de um bom trabalho em “Deadpool” (2016). Uma equipe criativa competente e percebe-se a boa intenção de fazerem algo novo, sem ignorar o que os clássicos instituíram, por mais que a lógica temporal já tenha ido para o vinagre há muito tempo.

Desta vez não há mais aquela dependência de John Connor como o futuro salvador da humanidade e não existe a Skynet, empresa responsável pela inteligência artificial que inicia a revolução das máquinas. Para deixar isso bem claro, o roteiro toma uma decisão até ousada logo nos minutos iniciais, abrindo margem para a nova realidade a ser desenvolvida. Há ideias interessantes, como o fato de outros androides terem sido enviados naquela época, em 1991, e Sarah Connor ter se tornado uma caçadora deles, ao invés de seguir só como a “genitora” de um guerrilheiro.

A ideia de que a eliminação de alguns elementos não anula a possibilidade de surgirem outros semelhantes é muito válida. Se Adolf Hitler não tivesse existido, outro poderia ter propagado tanta atrocidade. O mesmo vale para feitos positivos, casos de Gandhi, Darwin, Mandela, entre muitos outros. Então, no caso do longa, sai John Connor no papel do revolucionário e entra Dani. Sai a Skynet e entra a Legião. Pode fazer sentido, mas no terreno do entretenimento, do que adianta tentar reiniciar algo apenas mudando os nomes das peças? Então, fica a sensação de tiro no pé, pois de novo temos a mesma história.

Temos novamente um androide maligno com a missão de matar a predestinada, enquanto uma “humana aprimorada” vem também do futuro com a missão de defendê-la. No meio disso tudo, para honrar os produtos originais, Sarah Connor aparece para dar uma força para a jovem e, claro, o T-800 de Schwarzenegger numa versão remodelada que poderia perfeitamente ficar de fora da história sem prejuízos para a narrativa. Então, resta se contentar com as sequências de ação cheias de efeitos especiais que, ainda que sejam convincentes, não têm nada de novo.

Miller conduz cenas empolgantes como a primeira perseguição na rodovia (algo que já virou marca da franquia) e, principalmente, a luta em trio durante o clímax. São nos momentos em que é possível apreciar o que acontece na cena em que ele se destaca, mas, outras vezes ele parece perder a mão e Michael Bay encarna nele, apelando para inúmeros cortes em pequenos intervalos, como na confusa sequência do avião. Pelo menos o vilão Rev-9 (vivido pelo carismático Gabriel Luna) é bem estiloso, com esqueleto preto e a habilidade extra de se “duplicar”. Pode não ter o impacto que o T-1000 (vivido por Robert Patrick) teve em 91, mas certamente é um bom “upgrade”.

Melhor personagem de “Destino Sombrio”, Grace, vivida por Mackenzie Davis, rouba a cena. A ideia de trazer um híbrido entre humano e máquina não é inédita (o personagem de Sam Worthington em “A Salvação” também era assim), mas a atriz consegue imprimir carisma e força naquela heroína, se saindo bem também nas coreografias de luta. É possível torcer e temer pelo destino dela, se tornando uma forte candidata para estrelar uma franquia própria (mas façam o favor de não chamar de “Exterminador do Futuro”).

Aos 63 anos, Linda Hamilton retorna como uma Sarah Connor ainda mais durona do que em “Julgamento Final”, tornando o peso da sua presença mais marcante do que a atuação em si. Arnold continua a trazer carisma através da inexpressividade de um androide, mas aqui ele tem uma função diferente, servindo ainda mais como alívio cômico. Ele está mais “humano”, um transformação de acordo com o meio em que ele vive, algo já mostrado com a convivência com John Connor no longa de 1991.

O texto não esconde o intuito de levantar a bandeira da representatividade. A força está nas mulheres. Tanto que é criado um certo suspense para induzir que a própria Dani é a nova salvadora, ao invés de um filho que ainda viria a ter, como foi com Sarah Connor em 1984. A atriz colombiana Natalia Reyes, ainda que tímida no papel, demonstra segurança à medida que o roteiro exige dela. E como desde o início ela buscava tomar iniciativa para defender aqueles que ela quer bem, tal “revelação” não surpreende. Vale frisar que, em tempos separatistas que os Estados Unidos vivem, foi louvável a decisão de colocar uma mexicana como a predestinada e incluir inserções sobre a dificuldade para atravessar a fronteira.

Com alguns easter-eggs como as já rotineiras variações da frase “I’ll be back!” e gags sobre o figurino clássico do T-800, este “Destino Sombrio” é um episódio bastante correto que serviria como uma homenagem aos longas dirigidos por James Cameron. Mas com a intenção de iniciar uma nova trilogia, é inevitável a sensação de que estão atirando no escuro sem sucesso.

Nota: 6,5

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Crítica: “O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” não impede a sensação de déja-vu

Por Thiago Sampaio em Crítica

18 de novembro de 2019

Foto: Divulgação

A saga “O Exterminador do Futuro” é talvez uma das mais saturadas dos dias atuais, afinal, nada do que fora feito desde o espetacular (e ainda irretocável) segundo longa, de 1991, emplacou ou instigou os fãs por continuidade. A esperança com este sexto filme veio com o retorno de James Cameron, que readquiriu os direitos da franquia, participando do roteiro e como produtor. Junto a ele, Linda Hamilton também retorna ao elenco. O resultado de “O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” (Terminator: Dark Fate, 2019) é um filme eficiente, o terceiro melhor atrás dos dois primeiros, mas que continua com um gosto de repetição.

Na trama, mais de duas décadas após evitar o apocalipse, Sarah Connor (Hamilton) precisa proteger uma jovem chamada Dani Ramos (Natalia Reyes) de um novo exterminador (Gabriel Luna) enviado do futuro para aniquilá-las. Para isso, ela contará com a ajuda de Grace (Mackenzie Davis) e de um novo T-800 (Arnold Schwarzenegger).

O primeiro “Terminator” (1994) se tornou um cult com uma pegada quase de filme de terror e trazendo Arnold Schwarzenegger como um vilão de poucas palavras. A sequência, “O Julgamento Final” (1991), causou uma revolução no gênero ação/ficção, com efeitos especiais que até hoje soam atuais. Depois, James Cameron, diretor de ambos, se afastou por motivos judiciais. Então vieram o bom, porém esquecível, “A Rebelião das Máquinas” (2003), o megalomaníaco “A Salvação” (2009) e o péssimo “Genisys” (2015). Agora, “Destino Sombrio” vem com uma proposta de “renovação” ignorando – de novo – tudo que fora feito depois do segundo.

Mas Cameron participou só como uma espécie de consultor, dando pitacos no roteiro de David S. Goyer (“Batman Begins”,2005), Billy Ray (“Capitão Phillips”, 2013) e Justin Rhodes (“Grasroots”, 2012) e também no corte final. A direção ficou a cargo de Tim Miller, vindo de um bom trabalho em “Deadpool” (2016). Uma equipe criativa competente e percebe-se a boa intenção de fazerem algo novo, sem ignorar o que os clássicos instituíram, por mais que a lógica temporal já tenha ido para o vinagre há muito tempo.

Desta vez não há mais aquela dependência de John Connor como o futuro salvador da humanidade e não existe a Skynet, empresa responsável pela inteligência artificial que inicia a revolução das máquinas. Para deixar isso bem claro, o roteiro toma uma decisão até ousada logo nos minutos iniciais, abrindo margem para a nova realidade a ser desenvolvida. Há ideias interessantes, como o fato de outros androides terem sido enviados naquela época, em 1991, e Sarah Connor ter se tornado uma caçadora deles, ao invés de seguir só como a “genitora” de um guerrilheiro.

A ideia de que a eliminação de alguns elementos não anula a possibilidade de surgirem outros semelhantes é muito válida. Se Adolf Hitler não tivesse existido, outro poderia ter propagado tanta atrocidade. O mesmo vale para feitos positivos, casos de Gandhi, Darwin, Mandela, entre muitos outros. Então, no caso do longa, sai John Connor no papel do revolucionário e entra Dani. Sai a Skynet e entra a Legião. Pode fazer sentido, mas no terreno do entretenimento, do que adianta tentar reiniciar algo apenas mudando os nomes das peças? Então, fica a sensação de tiro no pé, pois de novo temos a mesma história.

Temos novamente um androide maligno com a missão de matar a predestinada, enquanto uma “humana aprimorada” vem também do futuro com a missão de defendê-la. No meio disso tudo, para honrar os produtos originais, Sarah Connor aparece para dar uma força para a jovem e, claro, o T-800 de Schwarzenegger numa versão remodelada que poderia perfeitamente ficar de fora da história sem prejuízos para a narrativa. Então, resta se contentar com as sequências de ação cheias de efeitos especiais que, ainda que sejam convincentes, não têm nada de novo.

Miller conduz cenas empolgantes como a primeira perseguição na rodovia (algo que já virou marca da franquia) e, principalmente, a luta em trio durante o clímax. São nos momentos em que é possível apreciar o que acontece na cena em que ele se destaca, mas, outras vezes ele parece perder a mão e Michael Bay encarna nele, apelando para inúmeros cortes em pequenos intervalos, como na confusa sequência do avião. Pelo menos o vilão Rev-9 (vivido pelo carismático Gabriel Luna) é bem estiloso, com esqueleto preto e a habilidade extra de se “duplicar”. Pode não ter o impacto que o T-1000 (vivido por Robert Patrick) teve em 91, mas certamente é um bom “upgrade”.

Melhor personagem de “Destino Sombrio”, Grace, vivida por Mackenzie Davis, rouba a cena. A ideia de trazer um híbrido entre humano e máquina não é inédita (o personagem de Sam Worthington em “A Salvação” também era assim), mas a atriz consegue imprimir carisma e força naquela heroína, se saindo bem também nas coreografias de luta. É possível torcer e temer pelo destino dela, se tornando uma forte candidata para estrelar uma franquia própria (mas façam o favor de não chamar de “Exterminador do Futuro”).

Aos 63 anos, Linda Hamilton retorna como uma Sarah Connor ainda mais durona do que em “Julgamento Final”, tornando o peso da sua presença mais marcante do que a atuação em si. Arnold continua a trazer carisma através da inexpressividade de um androide, mas aqui ele tem uma função diferente, servindo ainda mais como alívio cômico. Ele está mais “humano”, um transformação de acordo com o meio em que ele vive, algo já mostrado com a convivência com John Connor no longa de 1991.

O texto não esconde o intuito de levantar a bandeira da representatividade. A força está nas mulheres. Tanto que é criado um certo suspense para induzir que a própria Dani é a nova salvadora, ao invés de um filho que ainda viria a ter, como foi com Sarah Connor em 1984. A atriz colombiana Natalia Reyes, ainda que tímida no papel, demonstra segurança à medida que o roteiro exige dela. E como desde o início ela buscava tomar iniciativa para defender aqueles que ela quer bem, tal “revelação” não surpreende. Vale frisar que, em tempos separatistas que os Estados Unidos vivem, foi louvável a decisão de colocar uma mexicana como a predestinada e incluir inserções sobre a dificuldade para atravessar a fronteira.

Com alguns easter-eggs como as já rotineiras variações da frase “I’ll be back!” e gags sobre o figurino clássico do T-800, este “Destino Sombrio” é um episódio bastante correto que serviria como uma homenagem aos longas dirigidos por James Cameron. Mas com a intenção de iniciar uma nova trilogia, é inevitável a sensação de que estão atirando no escuro sem sucesso.

Nota: 6,5