Crítica: "O Irlandês" é a "canção do cisne" da carreira de Martin Scorsese 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: “O Irlandês” é a “canção do cisne” da carreira de Martin Scorsese

Por Thiago Sampaio em Crítica

27 de novembro de 2019

Foto: Divulgação

A carreira do cineasta Martin Scorsese dispensa apresentações e qualquer elogio é redundante. Porém, ele sempre é referenciado por suas produções sobre máfia. Desde “Caminhos Perigosos” (Mean Streets, 1973), o clássico “Os Bons Companheiros” (Goodfellas, 1990), o ótimo “Cassino” (Casino, 1995), ele moldou a sua identidade. Mesmo que abordada por outro viés, como em “Os Infiltrados” (The Departed, 2006) e “O Lobo de Wall Street” (The Wolf of Wall Street, 2013), a temática de alguma forma vinha à tona.

Aos 77 anos, ele faz talvez a sua obra mais pessoal. Para tornar “O Irlandês” (The Irishman, 2019) realidade, ouviu negativas de vários estúdios até receber o aval da Netflix. De fato, produzir um longa de 3h29min de duração, orçamento que especula-se que se aproximou de U$ 170 milhões, retornando a um subgênero considerado obsoleto, era uma aposta arriscada. Mas tudo é justificado. Para além de um filme, se trata de uma espécie de releitura de toda uma carreira, agora sob o olhar de quem carrega uma bagagem pesada de experiência.

Na trama, Frank Sheeran (Robert De Niro) é um veterano de guerra cheio de condecorações que passa a conciliar a vida de caminhoneiro com a de assassino de aluguel da máfia. Promovido a líder sindical, ele se torna amigo pessoal de Jimmy Hoffa (Al Pacino), o mais famoso ex-presidente da associação.

Nessa empreitada, Scorsese reuniu os velhos parceiros Robert De Niro e Joe Pesci (saindo da aposentadoria), que se juntam a Al Pacino, que até então nunca havia trabalhado com o diretor (logo ele, o astro da trilogia “O Poderoso Chefão”, 1972, 1974, 1990!). E esse sentimento permeia o longa: um misto de nostalgia com o desejo de realizar algo sob nova perspectiva, como se fosse isso que faltasse para coroar sua trajetória.

Inspirado no livro “I Heard You Paint Houses” (“Ouvi que Você Pinta Casas), escrito pelo advogado Charles Brandt, o roteiro de Steven Zaillan (que havia trabalhado com o Martin em “Gangues de Nova York”, 2002) em nenhum momento tenta trazer um relato fiel, uma história “baseada em fatos reais”. Trata-se de uma livre construção de personagens que existiram, num exercício de resgate de memórias durante a velhice. Algo que vai de encontro com o trabalho do próprio Scorsese.

Toda aquela romantização dos mafiosos, o encanto que Henry Hill (vivido por Ray Liotta) tinha em “Os Bons Companheiros” ao adentrar naquele mundo, dá vez a melancolia. As questões sobre família, fidelidade, favores, estão tudo lá. Mas as consequências dos atos ao longo dos anos têm um peso muito maior. Será que tais dívidas de honra eram sempre pagas sem maiores danos no futuro? Para isso, o diretor passeia por diferentes épocas, dando o tempo de projeção que ele julga necessário, justamente para o espectador sentir a passagem dos anos. Se soa monótono, para os personagens que estão ali é muito mais sofrido.

O resgate saudosista das fases da vida nos é jogada diretamente sob o ponto de vista de Frank Sheeran. Logo na abertura, um travelling de câmera mostra um idoso numa cadeira de rodas, com um chamativo anel de ouro, até revelar De Niro com maquiagem envelhecida, se revelando o narrador. Pulando para um flashback, conferimos ele e o amigo Russell Bufalino (Pesci) a caminho de um casamento, acompanhados das esposas que só têm autonomia para pedir para fumar, algumas características típicas do gênero. Com um aceno de cabeça, o protagonista aponta para um lugar no meio da estrada onde eles se conheceram.

Através de rejuvenescimento digital que até causa algum estranhamento inicial (mais pela distopia nas vozes de atores mais velhos do que pelos efeitos especiais, que são bem eficientes), seguimos o crescimento gradativo de Frank no mundo do crime – interessante que por mais que o seu caráter seja colocado na balança, o diretor deixa a sua essência bem clara numa rápida e forte cena que mostra ele na Segunda Guerra Mundial. Ao passo em que Russell o adota como sua “cria”, a amizade se fortalece. Relação que vem se tornar cada vez mais delicada com a aproximação do maioral Jimmy Hoffa com Frank e as respectivas famílias. Os muitos elementos que os circulam servem para bagunçar os laços desse trio cada vez mais.

Mas se por um lado o cineasta deixa clara a sensação de impotência e solidão durante a terceira idade, como se toda força de outrora tivesse sido em vão, ele parece lidar com bom humor com alguns clichês que ele próprio ajudou a fomentar. A já rotineira imagem de De Niro pisando na cabeça de alguém se repete, mas de maneira bem mais desconjuntada. Sequências como o acúmulo de armas no rio ou a demora para escolher o revólver para cometer um crime (com a devida narração descritiva em off) deixam clara a ironia, trazendo até uma certa leveza.

Enquanto isso, diálogos tiram sarro de maneira explícita de certos padrões, como quando Hoffa ironiza que “todo mundo se chama Tony” (ele mesmo viveu Tony Montana em “Scarface”, 1983), ou um comediante de stand up comedy faz graça da fama dos italianos. Ao surgimento de cada novo personagem, letreiros surgem na tela apontando o seu destino nada feliz. Já a trilha sonora de Robbie Robertson (cuja primeira parceria foi em “Touro Indomável”, 1980) remete a amargura do jazz dos anos 50 e 60, bem tradicionais destas produções e, num certo momento, nem teme em reproduzir as notas iniciais da canção tema de “O Poderoso Chefão”, dirigido por Francis Ford Coppola, o outro expoente maior deste nicho.

Cada plano utilizado por Scorsese, cada elemento em cena, tem a sua importância ou significado, como uma porta do quarto entreaberta deixada por Hoffa ou os olhares de cada um numa cena de enterro. Os enquadramentos utilizados por ele numa certa festa onde estão reunidos os maiores figurões da máfia (incluindo Harvey Keitel, outro velho conhecido do cineasta, em participação pequena, mas relevante) tem semelhança com a Última Ceia. A reconstituição da época, mesclando imagens e reais e outras gravadas, como as eleições do presidente John F. Kennedy, tudo é de uma riqueza admirável perante mínimos detalhes.

Atuando no modo automático nos últimos anos, Robert De Niro, aos 76 anos, entrega aqui a sua melhor atuação desde “Cabo do Medo” (Cape of Fear, 1991). Ele consegue transitar com muita facilidade do ameaçador para o semblante de alguém decepcionado, e por vezes agoniado, com a própria vida. A omissão da verdade traz a ele uma culpa que tira a sua vitalidade e o veterano capta isso com maestria. Num momento em que ele precisa fazer um telefonema, ele dá um show particular.

Sem atuar desde 2010, Joe Pesci, também aos 76 anos, literalmente sai da sua zona de conforto. Aqui ele encarna alguém bem diferente do que os mafiosos sanguinários, afetados e nervosos que estava acostumado. O seu Russell Bufalino é alguém sempre sereno, com tom de voz palpável. Por mais que seja um articulador de inúmeros atos criminosos, é possível, pasmem, criar empatia com ele, por mais ameaçador que ele seja. Uma breve cena em que ele aparece com a camisa suja de sangue é silenciosa, como se simbolizasse a transição de proposta adotada por Martin Scorsese.

Quem fica responsável por encarnar essa figura de pavio curto é Al Pacino, aos 79 anos. Se o tom extravagante soava como overacting em diversas produções irrelevantes, aqui se encaixa perfeitamente como Jimmy Hoffa, alguém que passa total convicção do que diz e facilmente domina situações apenas através do seu discurso. Ao mesmo tempo, é alguém extremamente orgulhoso, que prefere partir para a briga do que dar o braço a torcer, mas se mostra um ser sincero para com aqueles que quer bem. Essa figura misteriosa e complexa que era Hoffa ganha uma interpretação mais do que honrosa.

Mas a personagem mais forte talvez seja Peggy Sheeran, uma das filhas de Frank. Desde pequena (vivida por Lucy Gallina), a menina era calada e introvertida, como se vivesse com medo das possíveis reações do seu pai. Diferente das outras pessoas, ela percebia que havia algo de errado com ele e seus amigos, algo simbolizado nas constantes tentativas frustradas de Russ Bufalino se aproximar dela. Quando crescida, o incômodo só aumenta. E a produção se dá ao luxo de colocar uma atriz conhecida como Anna Paquin para ter apenas duas curtas falas, mas suficientes para mostrar a sua forte percepção. Ela não precisa de discursos moralistas. Sua atuação através do olhar e dos pequenos gestos são mais contundentes do que várias palavras.

Antes do lançamento na plataforma de streaming, o longa estreou em alguns cinemas em circuito restrito para angariar indicações ao Oscar. Algo que inevitavelmente irá acontecer e tudo que vier será merecido, como Melhor Filme, Diretor, Ator (De Niro), Ator Coadjuvante (tanto Pacino como Pesci), Roteiro Adaptado, Montagem, Fotografia, Direção de Arte e talvez até Efeitos Especiais. Afinal, é cansativo? Vale assistir pausadamente na Netflix? Depende do público! Quem consegue adentrar no brilhante universo de Martin Scorsese e comprar a ideia de que cada minuto é importante para a narrativa (principalmente no terceiro ato), terá uma experiência muito rica.

“O Irlandês” é uma obra que já nasce clássica. É um exemplar que reconhece que até os gênios envelhecem. Mas enxergar a passagem do tempo e fazer uma reflexão sobre toda uma vida sob o olhar mais maduro é um exercício que, definitivamente, não é para qualquer um.

Nota: 10

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Crítica: “O Irlandês” é a “canção do cisne” da carreira de Martin Scorsese

Por Thiago Sampaio em Crítica

27 de novembro de 2019

Foto: Divulgação

A carreira do cineasta Martin Scorsese dispensa apresentações e qualquer elogio é redundante. Porém, ele sempre é referenciado por suas produções sobre máfia. Desde “Caminhos Perigosos” (Mean Streets, 1973), o clássico “Os Bons Companheiros” (Goodfellas, 1990), o ótimo “Cassino” (Casino, 1995), ele moldou a sua identidade. Mesmo que abordada por outro viés, como em “Os Infiltrados” (The Departed, 2006) e “O Lobo de Wall Street” (The Wolf of Wall Street, 2013), a temática de alguma forma vinha à tona.

Aos 77 anos, ele faz talvez a sua obra mais pessoal. Para tornar “O Irlandês” (The Irishman, 2019) realidade, ouviu negativas de vários estúdios até receber o aval da Netflix. De fato, produzir um longa de 3h29min de duração, orçamento que especula-se que se aproximou de U$ 170 milhões, retornando a um subgênero considerado obsoleto, era uma aposta arriscada. Mas tudo é justificado. Para além de um filme, se trata de uma espécie de releitura de toda uma carreira, agora sob o olhar de quem carrega uma bagagem pesada de experiência.

Na trama, Frank Sheeran (Robert De Niro) é um veterano de guerra cheio de condecorações que passa a conciliar a vida de caminhoneiro com a de assassino de aluguel da máfia. Promovido a líder sindical, ele se torna amigo pessoal de Jimmy Hoffa (Al Pacino), o mais famoso ex-presidente da associação.

Nessa empreitada, Scorsese reuniu os velhos parceiros Robert De Niro e Joe Pesci (saindo da aposentadoria), que se juntam a Al Pacino, que até então nunca havia trabalhado com o diretor (logo ele, o astro da trilogia “O Poderoso Chefão”, 1972, 1974, 1990!). E esse sentimento permeia o longa: um misto de nostalgia com o desejo de realizar algo sob nova perspectiva, como se fosse isso que faltasse para coroar sua trajetória.

Inspirado no livro “I Heard You Paint Houses” (“Ouvi que Você Pinta Casas), escrito pelo advogado Charles Brandt, o roteiro de Steven Zaillan (que havia trabalhado com o Martin em “Gangues de Nova York”, 2002) em nenhum momento tenta trazer um relato fiel, uma história “baseada em fatos reais”. Trata-se de uma livre construção de personagens que existiram, num exercício de resgate de memórias durante a velhice. Algo que vai de encontro com o trabalho do próprio Scorsese.

Toda aquela romantização dos mafiosos, o encanto que Henry Hill (vivido por Ray Liotta) tinha em “Os Bons Companheiros” ao adentrar naquele mundo, dá vez a melancolia. As questões sobre família, fidelidade, favores, estão tudo lá. Mas as consequências dos atos ao longo dos anos têm um peso muito maior. Será que tais dívidas de honra eram sempre pagas sem maiores danos no futuro? Para isso, o diretor passeia por diferentes épocas, dando o tempo de projeção que ele julga necessário, justamente para o espectador sentir a passagem dos anos. Se soa monótono, para os personagens que estão ali é muito mais sofrido.

O resgate saudosista das fases da vida nos é jogada diretamente sob o ponto de vista de Frank Sheeran. Logo na abertura, um travelling de câmera mostra um idoso numa cadeira de rodas, com um chamativo anel de ouro, até revelar De Niro com maquiagem envelhecida, se revelando o narrador. Pulando para um flashback, conferimos ele e o amigo Russell Bufalino (Pesci) a caminho de um casamento, acompanhados das esposas que só têm autonomia para pedir para fumar, algumas características típicas do gênero. Com um aceno de cabeça, o protagonista aponta para um lugar no meio da estrada onde eles se conheceram.

Através de rejuvenescimento digital que até causa algum estranhamento inicial (mais pela distopia nas vozes de atores mais velhos do que pelos efeitos especiais, que são bem eficientes), seguimos o crescimento gradativo de Frank no mundo do crime – interessante que por mais que o seu caráter seja colocado na balança, o diretor deixa a sua essência bem clara numa rápida e forte cena que mostra ele na Segunda Guerra Mundial. Ao passo em que Russell o adota como sua “cria”, a amizade se fortalece. Relação que vem se tornar cada vez mais delicada com a aproximação do maioral Jimmy Hoffa com Frank e as respectivas famílias. Os muitos elementos que os circulam servem para bagunçar os laços desse trio cada vez mais.

Mas se por um lado o cineasta deixa clara a sensação de impotência e solidão durante a terceira idade, como se toda força de outrora tivesse sido em vão, ele parece lidar com bom humor com alguns clichês que ele próprio ajudou a fomentar. A já rotineira imagem de De Niro pisando na cabeça de alguém se repete, mas de maneira bem mais desconjuntada. Sequências como o acúmulo de armas no rio ou a demora para escolher o revólver para cometer um crime (com a devida narração descritiva em off) deixam clara a ironia, trazendo até uma certa leveza.

Enquanto isso, diálogos tiram sarro de maneira explícita de certos padrões, como quando Hoffa ironiza que “todo mundo se chama Tony” (ele mesmo viveu Tony Montana em “Scarface”, 1983), ou um comediante de stand up comedy faz graça da fama dos italianos. Ao surgimento de cada novo personagem, letreiros surgem na tela apontando o seu destino nada feliz. Já a trilha sonora de Robbie Robertson (cuja primeira parceria foi em “Touro Indomável”, 1980) remete a amargura do jazz dos anos 50 e 60, bem tradicionais destas produções e, num certo momento, nem teme em reproduzir as notas iniciais da canção tema de “O Poderoso Chefão”, dirigido por Francis Ford Coppola, o outro expoente maior deste nicho.

Cada plano utilizado por Scorsese, cada elemento em cena, tem a sua importância ou significado, como uma porta do quarto entreaberta deixada por Hoffa ou os olhares de cada um numa cena de enterro. Os enquadramentos utilizados por ele numa certa festa onde estão reunidos os maiores figurões da máfia (incluindo Harvey Keitel, outro velho conhecido do cineasta, em participação pequena, mas relevante) tem semelhança com a Última Ceia. A reconstituição da época, mesclando imagens e reais e outras gravadas, como as eleições do presidente John F. Kennedy, tudo é de uma riqueza admirável perante mínimos detalhes.

Atuando no modo automático nos últimos anos, Robert De Niro, aos 76 anos, entrega aqui a sua melhor atuação desde “Cabo do Medo” (Cape of Fear, 1991). Ele consegue transitar com muita facilidade do ameaçador para o semblante de alguém decepcionado, e por vezes agoniado, com a própria vida. A omissão da verdade traz a ele uma culpa que tira a sua vitalidade e o veterano capta isso com maestria. Num momento em que ele precisa fazer um telefonema, ele dá um show particular.

Sem atuar desde 2010, Joe Pesci, também aos 76 anos, literalmente sai da sua zona de conforto. Aqui ele encarna alguém bem diferente do que os mafiosos sanguinários, afetados e nervosos que estava acostumado. O seu Russell Bufalino é alguém sempre sereno, com tom de voz palpável. Por mais que seja um articulador de inúmeros atos criminosos, é possível, pasmem, criar empatia com ele, por mais ameaçador que ele seja. Uma breve cena em que ele aparece com a camisa suja de sangue é silenciosa, como se simbolizasse a transição de proposta adotada por Martin Scorsese.

Quem fica responsável por encarnar essa figura de pavio curto é Al Pacino, aos 79 anos. Se o tom extravagante soava como overacting em diversas produções irrelevantes, aqui se encaixa perfeitamente como Jimmy Hoffa, alguém que passa total convicção do que diz e facilmente domina situações apenas através do seu discurso. Ao mesmo tempo, é alguém extremamente orgulhoso, que prefere partir para a briga do que dar o braço a torcer, mas se mostra um ser sincero para com aqueles que quer bem. Essa figura misteriosa e complexa que era Hoffa ganha uma interpretação mais do que honrosa.

Mas a personagem mais forte talvez seja Peggy Sheeran, uma das filhas de Frank. Desde pequena (vivida por Lucy Gallina), a menina era calada e introvertida, como se vivesse com medo das possíveis reações do seu pai. Diferente das outras pessoas, ela percebia que havia algo de errado com ele e seus amigos, algo simbolizado nas constantes tentativas frustradas de Russ Bufalino se aproximar dela. Quando crescida, o incômodo só aumenta. E a produção se dá ao luxo de colocar uma atriz conhecida como Anna Paquin para ter apenas duas curtas falas, mas suficientes para mostrar a sua forte percepção. Ela não precisa de discursos moralistas. Sua atuação através do olhar e dos pequenos gestos são mais contundentes do que várias palavras.

Antes do lançamento na plataforma de streaming, o longa estreou em alguns cinemas em circuito restrito para angariar indicações ao Oscar. Algo que inevitavelmente irá acontecer e tudo que vier será merecido, como Melhor Filme, Diretor, Ator (De Niro), Ator Coadjuvante (tanto Pacino como Pesci), Roteiro Adaptado, Montagem, Fotografia, Direção de Arte e talvez até Efeitos Especiais. Afinal, é cansativo? Vale assistir pausadamente na Netflix? Depende do público! Quem consegue adentrar no brilhante universo de Martin Scorsese e comprar a ideia de que cada minuto é importante para a narrativa (principalmente no terceiro ato), terá uma experiência muito rica.

“O Irlandês” é uma obra que já nasce clássica. É um exemplar que reconhece que até os gênios envelhecem. Mas enxergar a passagem do tempo e fazer uma reflexão sobre toda uma vida sob o olhar mais maduro é um exercício que, definitivamente, não é para qualquer um.

Nota: 10