Crítica: 'Transformers: A Era da Extinção' é uma terrível enxaqueca disfarçada de cinema - Cinema Sinergia 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: ‘Transformers: A Era da Extinção’ é uma terrível enxaqueca disfarçada de cinema

Por Thiago Sampaio em Crítica

23 de julho de 2014

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O diretor Michael Bay visivelmente tem problemas. Na verdade, ele se assemelha a uma criança mimada, cujos superiores não conseguem impor limites e, por isso, todos ao redor sentem-se constrangidos com o estrago que ela faz ao se divertir em seu universo particular. Isso porque quando se trata da expansão da franquia “Transformers”, o que se vê é a megalomania de um ser brincando de direção e causando enxaqueca no espectador. Nesse “Transformers: A Era da Extinção” (Transformers: Age of Extinction, 2014), ele recomeça a saga com novos atores (os personagens de Shia LaBeouf e companhia não são nem citados), mas os problemas continuam os mesmos, em escala ampliada.

Na “trama”, alguns anos após o grande confronto do terceiro filme entre Autobots e Decepticons em Chicago, os gigantescos robôs alienígenas desapareceram. Eles são atualmente caçados pelos humanos, que não desejam passar por apuros novamente. Quando Cade (Mark Wahlberg), um fazendeiro entendido de engenharia, encontra um caminhão abandonado, descobre que o veículo é na verdade Optimus Prime, o líder dos Autobots. Ao ajudar a trazê-lo de volta à vida, ele e sua filha Tessa (Nicola Peltz) entram na mira das autoridades americanas e em uma guerra que pode culminar no fim da humanidade.

O primeiro “Transformers” (2007) até tinha o seu valor por trazer um ar de “Sessão da Tarde” (o menino nerd e seu carro que vira robô…) e uma nostalgia aos fãs dos brinquedos da Hasbro e da série animada dos anos 80. Mas as duas continuações foram uma overdose de excessos, em que Michael Bay destilava na tela inúmeros personagens, piadas de mal gosto e cenas de ação exageradas e difíceis de serem absolvidas. Se o terceiro, “Transformers: O Lado Oculto da Lua” (Transformers: Dark of the Moon, 2011) já foi uma ressonância magnética em um cidadão tendo um infarto, esse quarto não traz nada de novo e volta a causar as mesmas sensações desagradáveis.

O roteiro de Ehren Kruger (também do quarto filme) tenta pregar um rótulo de mistura de continuação com reboot, e a primeira hora de projeção até prende a atenção dos que apreciaram o primeiro longa-metragem. Com elenco renovado, fica aquela nostalgia de sermos reapresentados a cada famoso robô alienígena, como Optimus Prime e Bumblebee. Mesmo assim, os estereótipos de Michael Bay estão todos lá: mulheres com short minúsculo cuja função é servirem de objeto de possessão masculina, piadas enfadonhas, coadjuvantes metidos a engraçadinhos, vilões que só faltam dar risada prolongada ao final de tão ruins que são, e até orientais especialistas em artes marciais.

E se a primeira hora ainda garante algum entretenimento, não dura muito para perceber que se trata de um ilusão para mais 105 minutos de ação descerebrada e, principalmente, agonizante pela ânsia cada vez maior de Bay em trazer combates de dimensões gigantescas, com milhares de elementos em cena e diversos cortes em pequenas frações de segundo. Se no começo é até divertido ver a perseguição a Ratchet, um dos alienígenas sobreviventes desde o primeiro, depois tudo vira uma bagunça visual pra lá de cansativa.

E lembram quando disse que Michael Bay parece uma criança mimada cujos superiores não sabem impôr limites? É difícil entender pra que ele necessita de 165 minutos, sem história a ser contada, mas, algemado ao próprio ego, é incapaz de cortar o seu produto a fim de deixá-lo mais limpo e menos entediante. Sendo assim, ele arruma espaço para ressuscitar o vilão Megatron pela milionésima vez na franquia, para brincar com dezenas de batalhas em terra, outras dezenas no espaço,  e, quando se imagina que ele não tem mais o que inventar, deixa para o final os robôs que se transformam em dinossauros. Poderia soar até estiloso, se o produto já não estivesse tão patético.

Triste ver que um bom ator como Mark Wahlberg, que aqui e acolá mostra ser seletivo em suas escolhas – “Os Infiltrados” (The Departed, 2006), “O Vencedor” (The Fighter, 2011) – também aceite muita coisa descartável – “Max Payne” (idem, 2008), “Sem Dor, Sem Ganho” (Pain and Gain, 2013) -, sendo esse “Transformers 4” uma das mais difíceis de entender, tirando o alto cachê. Seu personagem, Cade Yeager, até tem alguma carga dramática, mas que nunca é levada a sério pelo espectador perante a falta de seriedade que o diretor trata os humanos nos seus filmes. E se outros bons atores como Stanley Tucci e Kelsey Grammer pagam mico em cena, a jovem Nicola Peltz, de 19 anos, é tão inexpressiva quanto suas antecessoras, Megan Fox e Rosie Huntington-Whiteley, e ainda perde no quesito beleza.

Ao final de “Transformers: A Era da Extinção”, é quase impossível não sair da sala de cinema com uma sensação de vertigem (ainda mais na exibição em IMAX), mas com o alívio de finalmente a projeção ter chegado ao fim. Mas no fim das contas, a existência tem explicação: a produção já está perto de passar da marca de US$ 1 bilhão nas bilheterias mundiais. Tendo público, não resta dúvida que essa tortura ainda vai se prolongar por mais alguns anos.

Uma dica: mantenha o Tylenol, Neosaldina ou semelhantes por garantia no bolso. Por favor!

Nota: 3,0

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Crítica: ‘Transformers: A Era da Extinção’ é uma terrível enxaqueca disfarçada de cinema

Por Thiago Sampaio em Crítica

23 de julho de 2014

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O diretor Michael Bay visivelmente tem problemas. Na verdade, ele se assemelha a uma criança mimada, cujos superiores não conseguem impor limites e, por isso, todos ao redor sentem-se constrangidos com o estrago que ela faz ao se divertir em seu universo particular. Isso porque quando se trata da expansão da franquia “Transformers”, o que se vê é a megalomania de um ser brincando de direção e causando enxaqueca no espectador. Nesse “Transformers: A Era da Extinção” (Transformers: Age of Extinction, 2014), ele recomeça a saga com novos atores (os personagens de Shia LaBeouf e companhia não são nem citados), mas os problemas continuam os mesmos, em escala ampliada.

Na “trama”, alguns anos após o grande confronto do terceiro filme entre Autobots e Decepticons em Chicago, os gigantescos robôs alienígenas desapareceram. Eles são atualmente caçados pelos humanos, que não desejam passar por apuros novamente. Quando Cade (Mark Wahlberg), um fazendeiro entendido de engenharia, encontra um caminhão abandonado, descobre que o veículo é na verdade Optimus Prime, o líder dos Autobots. Ao ajudar a trazê-lo de volta à vida, ele e sua filha Tessa (Nicola Peltz) entram na mira das autoridades americanas e em uma guerra que pode culminar no fim da humanidade.

O primeiro “Transformers” (2007) até tinha o seu valor por trazer um ar de “Sessão da Tarde” (o menino nerd e seu carro que vira robô…) e uma nostalgia aos fãs dos brinquedos da Hasbro e da série animada dos anos 80. Mas as duas continuações foram uma overdose de excessos, em que Michael Bay destilava na tela inúmeros personagens, piadas de mal gosto e cenas de ação exageradas e difíceis de serem absolvidas. Se o terceiro, “Transformers: O Lado Oculto da Lua” (Transformers: Dark of the Moon, 2011) já foi uma ressonância magnética em um cidadão tendo um infarto, esse quarto não traz nada de novo e volta a causar as mesmas sensações desagradáveis.

O roteiro de Ehren Kruger (também do quarto filme) tenta pregar um rótulo de mistura de continuação com reboot, e a primeira hora de projeção até prende a atenção dos que apreciaram o primeiro longa-metragem. Com elenco renovado, fica aquela nostalgia de sermos reapresentados a cada famoso robô alienígena, como Optimus Prime e Bumblebee. Mesmo assim, os estereótipos de Michael Bay estão todos lá: mulheres com short minúsculo cuja função é servirem de objeto de possessão masculina, piadas enfadonhas, coadjuvantes metidos a engraçadinhos, vilões que só faltam dar risada prolongada ao final de tão ruins que são, e até orientais especialistas em artes marciais.

E se a primeira hora ainda garante algum entretenimento, não dura muito para perceber que se trata de um ilusão para mais 105 minutos de ação descerebrada e, principalmente, agonizante pela ânsia cada vez maior de Bay em trazer combates de dimensões gigantescas, com milhares de elementos em cena e diversos cortes em pequenas frações de segundo. Se no começo é até divertido ver a perseguição a Ratchet, um dos alienígenas sobreviventes desde o primeiro, depois tudo vira uma bagunça visual pra lá de cansativa.

E lembram quando disse que Michael Bay parece uma criança mimada cujos superiores não sabem impôr limites? É difícil entender pra que ele necessita de 165 minutos, sem história a ser contada, mas, algemado ao próprio ego, é incapaz de cortar o seu produto a fim de deixá-lo mais limpo e menos entediante. Sendo assim, ele arruma espaço para ressuscitar o vilão Megatron pela milionésima vez na franquia, para brincar com dezenas de batalhas em terra, outras dezenas no espaço,  e, quando se imagina que ele não tem mais o que inventar, deixa para o final os robôs que se transformam em dinossauros. Poderia soar até estiloso, se o produto já não estivesse tão patético.

Triste ver que um bom ator como Mark Wahlberg, que aqui e acolá mostra ser seletivo em suas escolhas – “Os Infiltrados” (The Departed, 2006), “O Vencedor” (The Fighter, 2011) – também aceite muita coisa descartável – “Max Payne” (idem, 2008), “Sem Dor, Sem Ganho” (Pain and Gain, 2013) -, sendo esse “Transformers 4” uma das mais difíceis de entender, tirando o alto cachê. Seu personagem, Cade Yeager, até tem alguma carga dramática, mas que nunca é levada a sério pelo espectador perante a falta de seriedade que o diretor trata os humanos nos seus filmes. E se outros bons atores como Stanley Tucci e Kelsey Grammer pagam mico em cena, a jovem Nicola Peltz, de 19 anos, é tão inexpressiva quanto suas antecessoras, Megan Fox e Rosie Huntington-Whiteley, e ainda perde no quesito beleza.

Ao final de “Transformers: A Era da Extinção”, é quase impossível não sair da sala de cinema com uma sensação de vertigem (ainda mais na exibição em IMAX), mas com o alívio de finalmente a projeção ter chegado ao fim. Mas no fim das contas, a existência tem explicação: a produção já está perto de passar da marca de US$ 1 bilhão nas bilheterias mundiais. Tendo público, não resta dúvida que essa tortura ainda vai se prolongar por mais alguns anos.

Uma dica: mantenha o Tylenol, Neosaldina ou semelhantes por garantia no bolso. Por favor!

Nota: 3,0