Crítica: "Zumbilândia - Atire Duas Vezes" repete a fórmula do anterior...e está ótimo! 
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Cinema Sinergia

por Thiago Sampaio

Crítica: “Zumbilândia – Atire Duas Vezes” repete a fórmula do anterior…e está ótimo!

Por Thiago Sampaio em Crítica

31 de outubro de 2019

Foto: Divulgação

O primeiro “Zumbilândia” (Zombieland, 2009) veio de maneira descompromissada fazendo uma sátira das centenas de produções sobre zumbis e virou uma espécie de “novo cult“. Muito se falou sobre uma continuação, até mesmo uma série, mas a ideia acabou sendo engavetada diante da dificuldade de coincidir com a agenda dos atores (que depois dali entraram na mira do Oscar por outras produções). Eis que uma década depois, vem “Zumbilândia – Atire Duas Vezes” (Zombieland: Double Tap, 2019), reunindo o elenco e boa parte da equipe técnica do anterior. O resultado é quase uma reprise que novamente funciona dentro da proposta.

Na trama, anos depois de se unirem para atravessar o início da epidemia zumbi, Columbus (Jesse Eisenberg), Tallahassee (Woody Harrelson), Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin) seguem buscando novos lugares para habitação e sobrevivência. Quando decidem ir até a Casa Branca, acabam encontrando outros sobreviventes e percebem que novos rumos podem ser explorados.

Quase todos do longa de 2009 retornaram, como os roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick (que depois participaram dos dois “Deadpool”, 2016, 2018) e o diretor Ruben Fleischer (que fez o péssimo “Venom”, 2018, que apesar dos pesares, fez sucesso nas bilheterias). A novidade foi o duvidoso Dave Callaham (que vai escrever o roteiro de “Mulher-Maravilha 1984”, 2020). Em geral, esta continuação tem o seguinte objetivo: seguir uma trajetória de A até B (a busca dos personagens pela Little Rock) e, no meio do caminho, abrir brechas para piadas aleatórias.

Um dos fatores que fizeram aquele filme de 2009 agradável foi o total descompromisso com a seriedade e aqui tudo se repete. Já abrimos com créditos de novo ao som de “Master of Puppets”, do Metallica, instigando a empolgação e nostalgia. Junto a isso, a narração em off de Jesse Eisenberg que já chega quebrando a “quarta parede” e deixando claro para o espectador que tudo se trata de um filme, agradecendo pela preferência em meio a tantas produções sobre zumbis.

Ruben Fleischer, já familiarizado com aquela estrutura dos letreiros surgindo na tela para “materializar” as conversas internas dos personagens, aqui tem ainda maior liberdade. Há mais tiradas com as “regras de sobrevivência” no apocalipse, brincadeiras com os “tipos” de zumbis (como Homer e T-800) e inserções nonsense como o prêmio de “Morte do Ano”.

Claramente a intenção é criar “esquetes” com pouca intenção de desenvolver personagens ou trazer novos caminhos para a narrativa. Em um caso, eles estão procurando por um novo veículo, enfrentam ali os zumbis, mas acabam voltando para o mesmo carro de antes. Em outro, há uma despedida de um personagem dos demais, mas a direção nem tenta criar algum drama ali, afinal, ele volta poucos minutos depois.

Ainda assim, há momentos interessantes como a ação num plano sequência com os devidos cortes disfarçados pelas colunas da casa, com toques de humor indo na linha do desenho “Tom & Jerry”. Há piadas novas funcionais, principalmente uma envolvendo o Uber, uma zoada com “The Walking Dead”, entre muitas outras referências a produtos da cultura pop. Melhor acontece quando surgem espécies de “espelhos” dos protagonistas, vividos por Luke Wilson e Thomas Middleditch, beirando o hilário.

Daquele quarteto, apenas Little Rock não é a mesma por motivos óbvios, visto que antes era uma criança de 13 anos e agora é uma adulta com a curiosidade natural da nova etapa da vida. Inclusive, o seu contato com o hippie “Berkeley” (Avan Jogia) rende alguns bons risos envolvendo músicas de Bob Dylan e Lynyrd Skynyrd. Porém, nada que exija tanta da atuação dela. Muito menos da irmã dela, Wichita, vivida por uma Emma Stone desgostosa diante de um roteiro que não deu a ela a devida importância.

Por mais que o protagonismo esteja com o introvertido Columbus (Eisenberg sendo o “Zuckerberg” de “A Rede Social”, 2010, como sempre), mais uma vez o ótimo Woody Harrelson rouba a cena como o caipira Tallahassee. Por mais que mantenha o ar ranzinza, aqui o instinto paterno está estabelecido, sempre tentando transmitir suas influências, principalmente Elvis Presley, que tem muitas citações aqui. E parece encontrar a sua alma gêmea na pele da sempre eficiente Rosario Dawson, que apesar do pouco tempo em cena, fica fácil criar empatia por ela.

Mas a novidade do elenco fica por conta de Zoey Deutch (que está no bom seriado “The Politician”, 2019, da Netflix). Ela tem a missão delicada de interpretar propositalmente o estereótipo da “loira gostosa e burra”, que poderia facilmente cair no julgamento negativo, mas ela sabe encarnar o absurdo, respaldada pelo roteiro por passar os últimos 10 anos numa geladeira (?!), como se tal paradigma estivesse lá preso. Essa moça tem talento cômico, beleza e carisma de sobra. Olho nela!

“Zumbilândia – Atire Duas Vezes” não evolui em nada do que foi visto em 2009, não conta mais com o fator novidade, porém, utiliza da fórmula para criar uma nova diversão com um ritmo até mais dinâmico. Garante uns bons risos passageiros, afinal, a última coisa que a produção quer é compromisso.

Obs: há duas cenas pós-créditos. A primeira é hilária!

Nota: 7,0

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Crítica: “Zumbilândia – Atire Duas Vezes” repete a fórmula do anterior…e está ótimo!

Por Thiago Sampaio em Crítica

31 de outubro de 2019

Foto: Divulgação

O primeiro “Zumbilândia” (Zombieland, 2009) veio de maneira descompromissada fazendo uma sátira das centenas de produções sobre zumbis e virou uma espécie de “novo cult“. Muito se falou sobre uma continuação, até mesmo uma série, mas a ideia acabou sendo engavetada diante da dificuldade de coincidir com a agenda dos atores (que depois dali entraram na mira do Oscar por outras produções). Eis que uma década depois, vem “Zumbilândia – Atire Duas Vezes” (Zombieland: Double Tap, 2019), reunindo o elenco e boa parte da equipe técnica do anterior. O resultado é quase uma reprise que novamente funciona dentro da proposta.

Na trama, anos depois de se unirem para atravessar o início da epidemia zumbi, Columbus (Jesse Eisenberg), Tallahassee (Woody Harrelson), Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin) seguem buscando novos lugares para habitação e sobrevivência. Quando decidem ir até a Casa Branca, acabam encontrando outros sobreviventes e percebem que novos rumos podem ser explorados.

Quase todos do longa de 2009 retornaram, como os roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick (que depois participaram dos dois “Deadpool”, 2016, 2018) e o diretor Ruben Fleischer (que fez o péssimo “Venom”, 2018, que apesar dos pesares, fez sucesso nas bilheterias). A novidade foi o duvidoso Dave Callaham (que vai escrever o roteiro de “Mulher-Maravilha 1984”, 2020). Em geral, esta continuação tem o seguinte objetivo: seguir uma trajetória de A até B (a busca dos personagens pela Little Rock) e, no meio do caminho, abrir brechas para piadas aleatórias.

Um dos fatores que fizeram aquele filme de 2009 agradável foi o total descompromisso com a seriedade e aqui tudo se repete. Já abrimos com créditos de novo ao som de “Master of Puppets”, do Metallica, instigando a empolgação e nostalgia. Junto a isso, a narração em off de Jesse Eisenberg que já chega quebrando a “quarta parede” e deixando claro para o espectador que tudo se trata de um filme, agradecendo pela preferência em meio a tantas produções sobre zumbis.

Ruben Fleischer, já familiarizado com aquela estrutura dos letreiros surgindo na tela para “materializar” as conversas internas dos personagens, aqui tem ainda maior liberdade. Há mais tiradas com as “regras de sobrevivência” no apocalipse, brincadeiras com os “tipos” de zumbis (como Homer e T-800) e inserções nonsense como o prêmio de “Morte do Ano”.

Claramente a intenção é criar “esquetes” com pouca intenção de desenvolver personagens ou trazer novos caminhos para a narrativa. Em um caso, eles estão procurando por um novo veículo, enfrentam ali os zumbis, mas acabam voltando para o mesmo carro de antes. Em outro, há uma despedida de um personagem dos demais, mas a direção nem tenta criar algum drama ali, afinal, ele volta poucos minutos depois.

Ainda assim, há momentos interessantes como a ação num plano sequência com os devidos cortes disfarçados pelas colunas da casa, com toques de humor indo na linha do desenho “Tom & Jerry”. Há piadas novas funcionais, principalmente uma envolvendo o Uber, uma zoada com “The Walking Dead”, entre muitas outras referências a produtos da cultura pop. Melhor acontece quando surgem espécies de “espelhos” dos protagonistas, vividos por Luke Wilson e Thomas Middleditch, beirando o hilário.

Daquele quarteto, apenas Little Rock não é a mesma por motivos óbvios, visto que antes era uma criança de 13 anos e agora é uma adulta com a curiosidade natural da nova etapa da vida. Inclusive, o seu contato com o hippie “Berkeley” (Avan Jogia) rende alguns bons risos envolvendo músicas de Bob Dylan e Lynyrd Skynyrd. Porém, nada que exija tanta da atuação dela. Muito menos da irmã dela, Wichita, vivida por uma Emma Stone desgostosa diante de um roteiro que não deu a ela a devida importância.

Por mais que o protagonismo esteja com o introvertido Columbus (Eisenberg sendo o “Zuckerberg” de “A Rede Social”, 2010, como sempre), mais uma vez o ótimo Woody Harrelson rouba a cena como o caipira Tallahassee. Por mais que mantenha o ar ranzinza, aqui o instinto paterno está estabelecido, sempre tentando transmitir suas influências, principalmente Elvis Presley, que tem muitas citações aqui. E parece encontrar a sua alma gêmea na pele da sempre eficiente Rosario Dawson, que apesar do pouco tempo em cena, fica fácil criar empatia por ela.

Mas a novidade do elenco fica por conta de Zoey Deutch (que está no bom seriado “The Politician”, 2019, da Netflix). Ela tem a missão delicada de interpretar propositalmente o estereótipo da “loira gostosa e burra”, que poderia facilmente cair no julgamento negativo, mas ela sabe encarnar o absurdo, respaldada pelo roteiro por passar os últimos 10 anos numa geladeira (?!), como se tal paradigma estivesse lá preso. Essa moça tem talento cômico, beleza e carisma de sobra. Olho nela!

“Zumbilândia – Atire Duas Vezes” não evolui em nada do que foi visto em 2009, não conta mais com o fator novidade, porém, utiliza da fórmula para criar uma nova diversão com um ritmo até mais dinâmico. Garante uns bons risos passageiros, afinal, a última coisa que a produção quer é compromisso.

Obs: há duas cenas pós-créditos. A primeira é hilária!

Nota: 7,0