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Blog do Wanfil - 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho


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A estabilidade da instabilidade

Por Wanfil em Crônica

17 de julho de 2020

No Brasil, a ideia de estabilidade se popularizou por séculos com o sonho do emprego público. A meta: conquistar a paz de poder viver sem ter o medo constante de ser demitido, como acontece com os profissionais da iniciativa privada. E para alguns, livres ainda das cobranças de desempenho e qualidade, mas esse é outro assunto. O que eu quero dizer aqui é que a pandemia já contaminou até mesmo a nossa semântica.

A ilusão da estabilidade. Imagem: ~Ania Tatarynowicz~ on Visualhunt.com / CC BY-NC-ND

Se antes estabilidade era sinônimo automático de tranquilidade e solidez, agora concorre outra acepção da palavra que é mais utilizada nos hopitais para expressar, por assim dizer, um alívio assustado. A informação de que “o paciente está estável” geralmente acalenta parentes e amigos de pessoal com enfermidades graves.

Com os governos agora é a mesma coisa. Ainda morre muita gente por causa do coronavírus, mas se os índices não recuam, pelo menos pararam de crescer. É a estabilidade do “platô de casos”. Passados quase 150 dias, conseguir não piorar é comemorado como grande feito. E talvez sesja, não sei. O fato é que há um estado de paralisia. Como diz Pascal Bruckner, é terrível a alternância entre a pergunta “o que há de novo?”, e a resposta “não há nada”.

A retomada da economia, como vai? Estável. As alianças eleitorais, como estão? Estáveis. Isso sigifica que avançaram? Não, sigifica que estão estáveis, ou seja, não vão nem voltam, só ficam onde estão, esperando pela imunidade de rebanho. Tudo depende, é claro, da dinâmica do coronavírus. Se os contágios e as mortes subirem, haverá recuo e a crise se agravará; se diminuírem, será possível algum alívio.

O novo normal da ideia de estabilidade é conviver com a instabilidade.

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PIB em queda, pandemia e as eleições no Ceará

Por Wanfil em Economia

01 de julho de 2020

O IPECE divulgou que o PIB cearense recuou 0,45% no 1º trimestre de 2020. Janeiro e fevereiro até sinalizaram com números positivos, mas em março a pandemia derrubou o índice. O fenomeno se repete por todo o país e o 2º e 3º trimestres devem ser de queda geral acentuada.

Eleições: pandemia e queda no PIB turvam cenários. Foto: TSE/divulgação. Arte: Wanfil

Numa live para a Tribuna do Ceará, ainda no começo de junho, conversei com o Diretor Geral do IPECE, João Mário de França, que apontou para esse cenário no Ceará, acrescentando que se a retomada gradual da economia fosse bem sucedida, seria possível um leve crescimento no 4º trimestre, que por coincidência, é o trimestre das eleições.

O problema é que a duração da pandemia já superou as previsões iniciais, forçando a prorrogação de iniciativas como o auxílio emergencial. Segundo o Ministério da Economia não será possível sustentar esses gastos por muito mais tempo. Governos estaduais e prefeituras então, nem se fala. Com perdas na arredação, estão em situação crítica.

Resumindo: se o dinheiro da ajuda acabar antes que a economia reaja, os efeitos da crise serão bem maiores. Acertar o timing das ações e controlar adequadamente os protocolos de retomada das atividades constituem os maiores desafios para gestores públicos.

Enquanto isso, no Congresso Nacional, tudo indica que as eleições serão adiadas do início de outubro para o meados de novembro. A pandemia armou, portanto, uma armadilha eleitoral: a intensidade da crise econômica no 4º trimestre afetará sensivelmente o eleitor, que poderá se mostrar mais esperançoso, em caso de melhora, ou mais pessimista e irritado, se tudo piorar.

Quem ganha ou quem perde eleitoralmente com isso, é impossível dizer. Vai depender em grande medida do sentimento a prevalecer: se de mudança ou de permanência. Sem esquecer que em tempos de dificuldades os radicalismos tendem a aumentar, abrindo espaço para o populismo, seja de direita ou de esquerda.

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Nos perdoe, São Francisco

Por Wanfil em Política

26 de junho de 2020

São Francisco de Assis, o homem que abdicou das riquezes materias por uma vida de simplicidade, não merecia virar nome de obra pública no Brasil. Especialmente um grande empreendimento de infraestrutura. Basta ver a transposição do Rio São Francisco.

Placa de obra com o nome de São Francisco. Foto: ALCE/divulgação. Arte: Wanfil

Após 12 anos de espera – sete dos quais, de ATRASO – as águas do São Francisco chegam ao Ceará. Foram quatro presidentes da República: Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. Como toda obra demorada, todos procuram ressaltar sua participação no empreendimento, mas ninguém jamais assume responsabilidade (nem pede desculpa) pelos atrasos e pelo brutal encarecimento do projeto, que custou quase R$ 11 bilhões aos brasileiros, mais que o dobro da previsão inicial.

Os governos petistas imaginaram, lá atrás, que teriam tempo de sobra, com seus, digamos, parceiros, para concluir a transposição. Temer correu para aparecer na foto, mas seu mandato foi curto. E como um dia a obra teria que finalmente acabar, coincidiu de ser agora, com Bolsonaro, em meio à pandemia.

Aliás, por falar nisso, o governador Camilo Santana informou, no próprio dia da inauguração, que devido à preocupação com a pandemia não iria ao evento com o presidente, que faz sua primeira visita oficial ao Ceará. É justo, mas Por outro lado, parece que o cerimonial da Presidência contatou oficialmente as autoridades locais – que souberam da inauguração pela imprensa – em cima da hora. Tudo muito estranho.

Não é o clima ideal para o governo estadual e o federal decidirem como os custos de operação e manutenção da obra serão divididos. Parece que nesses longos doze anos, ninguém pensou nisso, embora o Centrão que apoiou Lula, Dilma, Temer e que agora apoia Bolsonaro, seja o mesmo. É que no Brasil, o “pois é dando que se recebe” da linda Oração de São Francisco ganhou um sentido muito particular e invertido, quanto o assunto é obra pública.

Sorte nossa que Francisco é Santo e por isso mesmo não haverá de guardar mágoa.

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Tá cheio de Queiroz por aí

Por Wanfil em Corrupção

24 de junho de 2020

Fabrício Queiroz – Imagem: reprodução SBT / Arte: Wanfil

A prisão de Fabrício Queiroz resgatou notícias sobre um esporte nacional de larga tradição na política nacional: a rachadinha nos gabinetes parlamentares. A prática consiste em combinar um salário com assessores, pagar a mais alto no contracheque – com verba pública, claro – e embolsar a diferença.

Quem acompanha os bastidores mais de perto sabe ou desconfia que esses esquemas se repetem por todo o país, em volume incalculável. A própria investigação que aponta para Queiroz mostrou uma penca de deputados estaduais do Rio de Janeiro, de variadas colorações ideológicas, fazendo a mesmíssima coisa.

Queiroz tem particularidades que justificam sua notoriedade: é próximo a família Bolsonaro; há indícios de conexões com milícias, o que acrescenta um elemento de sordidez ao caso; buscou refúgio numa casa do advogado do presidente da República. Com isso, as atenções recaíram mais sobre o personagem da acusação do que sobre para a facilidade com que a rachadinha se espalha Brasil afora.

Há também uma conveniência esperta. Repare que praticamente ninguém aproveita o caso para peguntar como é que essas contratações permitem assim tantos furos de controle. E para sugerir mecanismos mais eficazes desses gastos. Será que nossos parlamentares precisam mesmo de dezenas de assessores que nem sequer cabem reunidos nos seus gabinetes? Quantos batem ponto? Trabalham mesmo? Quem é que fiscaliza isso? Hoje em dia, o pagador de impostos que precisa correr para provar ao Fisco que não é sonegador, tem que confiar na palavra dos Excelentíssimos.

As listas de servidores das assembleias estaduais e câmaras municipais no Brasil – e o Ceará não é uma exceção – estão abarrotadas de funcionários que ninguém vê ou que devolvem parte do salário. Seja pelo centro, pela direita ou pela esquerda, tá cheio de Queiroz por aí.

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As marchas dos insensatos no Ceará: protestos diferentes, mas iguais

Por Wanfil em Política

08 de junho de 2020

A Parábola dos Cegos, de Pieter Bruegel. Metáfora ideal para os protestos em meio à pandemia

Motivos para protestar, no Brasil e no mundo, não faltam. Aliás, o fenômeno dos protestos após a massificação da internet tem algumas características intrigantes: a descentralização, as causas que se misturam, a eventual violência de grupos radicais e confrontos com tropas de choque, o repúdio aos partidos políticos (que tentam pegar carona de longe – ou sem mostrar as bandeiras, disfarçados – nesses movimentos), a ampla cobertura… Mas isso fica para outro post. Agora o que interessa aqui é observar os mais recentes protestos ocorridos em Fortaleza.

Em plena pandemia do coronavírus, que já causou 4 mil mortes no Ceará, pequenos grupos de militantes políticos na capital promovem manifestações contra ou a favor do governo Jair Bolsonaro em Fortaleza, indiferentes aos cuidados com a saúde pública.

Os dois lados se colocam igualmente no papel de inocentes vítimas da suposta truculência da Polícia Militar, como se a dispersão de tais aglomerações não fosse algo previsível e esperado, uma obrigação mesmo do poder público. Na verdade, esses grupos contam exatamente com isso (e com a prisão de um ou outro participante) para choramingar seus discursos e agitar simpatizantes nas redes sociais.

E assim, bolsonaristas acusam Camilo Santana de ser autoritário, apresentando-se como defensores das liberdades individuais e dos mais pobres (principais vítimas da crise econômica); enquanto esquerdistas acusam o governador de ser conivente com a violência policial (fetiche ideológico útil a ideia de “resistência”), dizendo-se defensores da democracia contra o fascismo.

Naturalmente, a pandemia reduz a adesão a esses protestos. Por outro lado, a exaltação ao radicalismo segue como principal meio de mobilização para esses grupos. Na tentativa de superar isso, lideranças nacionais da oposição, um tanto carentes de credibilidade, vez por outra falam em união contra os preocupantes ataques do presidente bolsonaro às instituições democráticas, mas não conseguem se entender, pois competem eleitoralment entre si. Os apoiadores do presidente apostam nessa divisão entre opostirores e nas constantes crises políticas para dispersar as atenções.

Já o distinto público, a famosa maioria silenciosa, esta continua a esperar – como pode e quando pode – que a situação melhore e a pandemia recue, apesar de tudo isso e de todos esses.

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Precisamos falar de eleições agora?

Por Wanfil em Eleições 2020

05 de junho de 2020

Eleições: com ou sem vírus, o tempo corre. Candidatos a candidato também

Desde que a pandemia do coronavírus chegou ao Brasil, há pouco mais de dois meses, perguntas sobre um eventual adiamento das eleições municipais ou sobre possíveis candidatos eram invariavelmente respontidas por governantes, gestores públicos e lideranças políticas mais ou menos asssim: “Não é hora de falar em eleição”. Agiam, todos, com a responsabilidade que o momento ainda pede, deixando claro que a prioridade absoluta é o combate à propagação da doença. Certíssimo.

Ocorre que o tempo passou e a crise sanitária mostrou ser mais duradoura que o previsto. E aí, as seguidas prorrogações do isolamento, combinadas com a difícil retomada gradual da economia, se chocam hoje com o calendário eleitoral, que obriga secretários municipais e estaduais a deixarem seus cargos quatro meses antes da disputa, caso pensem em se candidatar a cargos majoritários. O prazo terminou ontem (4).

Adivinhem o que aconteceu? Levas de secretários foram exonerados Brasil afora, de olho nas eleições. Não há nada de errado nisso, são movimenações esperadas e legítimas para esses períodos, pelo menos condições razoavelmente normais e previsíveis. Mesmo agora não significa que a pandemia tenha deixado de ser o centro absoluto das preocupações. Os secretários da Sáude, que são os principais nomes nessa frente, parecem preservados de tais implicações políticas e seguem nos seus postos, como todos esperamos. Isso é bom. Quem sai, é porque, certamente, poderá ser substituído por outros nomes bem avaliados, sem prejuízo para a gestão.

Agora, politicamente, se antes não era hora de falar em eleições, o fato é que, com ou sem coronavirus, quando o calendário eleitoral se impõe, forçando os protagonistas desses processos a fazer escolhas e a tomar posicionamentos, bom, podemos perceber as coisas não são bem assim. Estão aí as exonerações. Ninguém abriu mão.

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A política entre sufocos e respiradores

Por Wanfil em Política

26 de Maio de 2020

Respiradores: alívio nos hospitais, sufoco na política. Foto: divulgação/MD

Se todos concordam que o mundo não será mais o mesmo depois do coronavírus, é impossível deixar de concluir que algumas coisas jamais mudarão, como governos usando instiuições públicas com fins políticos, ou governantes acusando instituições de agirem politicamente para prejudicá-los. Resultado: fica realmente difícil saber quando as instituições agem de modo técnico e quando governos falam a verdade.

Foi assim no impeachment de Collor, no mensalão, no petrolão, na Lava Jato, nos casos Celso Daniel e Mariele, e tantos outros. Quem é governista, acredita na inocência do governo e das insituições do estado por eles controladas; quem é oposição, acredita na culpa do governo e dos seus operadores. Como dizia Marcel Proust, os fatos não penetram no mundo das crenças. Acontece que, às vezes, fatos e crenças se misturam de um jeito que o cinza prevalece sobre o preto e o branco.

Por exemplo. Agora em Fortaleza, o prefeito Roberto Cláudio (PDT), acusa o uso político de instituições federais na Operação Dispneia, que investiga a compra de respiradores para o combate à Covid-19, sob suspeita de superfaturamento. E agora? Se a acusação é clássica no repertório das desculpas políticas, por outro lado, Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça e estrela da Lava Jato, acusa o presidente Jair Bolsonaro de aparelhar a Polícia Federal com fins políticos, o que dá verossimilhança as desconfianças levantadas pelo prefeito. Sem esquecer que Roberto Cláudio é aliado de Ciro Gomes, adversário de Bolsonaro. Percebem? Pra complicar, o mesmo acontece em São Paulo, Maranhão e Rio de Janeiro. Fica tudo confuso. Quem tem razão?

Podemos tentar um apelo à lógica. Por que uma gestão já reeleita e que caminha para o final se arrsicaria tanto justo no momento em que suas ações na saúde – divergências ideológicas à parte – estão sob os holofotes da preocupação geral? Não faz sentido. No entanto, o mesmo vale para as instituições. Não apenas a PF, mas também a CGU, o MPF e a própria Justiça Federal, que atuaram juntas na Dispneia. Que um ou outro nome desses órgãos seja sucetível a pressões, tudo bem, mas acreditar que todos os envolvidos, profissionais concursados e bem pagos, seriam ao mesmo tempo assim manipulados, é complicado. Gente demais, deixaria pontas soltas.

Por enquanto, o bom senso sugere cautela. Houve erro? Ou dolo? Corrupção? Abuso de poder? Perseguição? Impossível responder agora. Acontece que o tempo dos inquéritos e de eventuais processos judiciais é diferente do tempo da política, especialmente em ano eleitoral. Por isso, o que temos nas redes sociais é uma batalha de versões. E o barulho de suas respectivas torcidas.

Para quem assiste de fora, é fundamental cobrar que tudo seja tratado com o máximo de responsabilidade e o mínimo de ilações, para que o foco na crise da saúde e na crise econômica não seja afetado.

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Bolsonaro e Lula ignoram mortes por Covid-19 e usam pandemia para atacar adversários

Por Wanfil em Brasil

20 de Maio de 2020

Oportunismo político na pandemia. Diferentes, opostos, adversários, mas parecidos. Às vezes, quase iguais. Foto: Jackson Trizolio/Flickr

O Brasil registrou pela 1ª vez mais de mil óbitos por Covid-19 em 24h. Foram contabilizadas 1.179 mortes somente nesta terça-feira (19). Isso sem esquecer que esse número, infelizmente, deve ser bem maior, por causa da enorme subnotificação de casos no país. Antes do fim da semana passaremos a casa das vinte mil vítimas fatais.

Pois bem, na noite da mesma terça, o presidente Jair Bolsonaro disse, em meio a risadas durante uma entrevista, que “quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma tubaína”.

E para completar esse mesmo dia, o ex-presidente e ex-presidiário Lula da Silva, também em entrevista,afirmou que “ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus”, para mostrar “que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises”.

Bolsonaristas e lulistas se imaginam muito diferentes, mas seus ídolos não perdem a oportunidade de tentar capitalizar politicamente com a tragédia e com a crise, acusando adversários ideológicos. Na verdade, usam chavões de modo rudimentar para disfarçar de ideologia o que é apenas oportunismo politiqueiro. Dizer que essas divergências deveriam ser colocadas de lado, que o foco deveria ser o combate ao vírus, é perda de tempo.

Há quem critique um, mas elogie o outro, e vice-versa. E não apenas os radicais que empestam as redes sociais, mas autoridades como governadores, prefeitos e parlamentares também fazem parte dessas, digamos, torcidas. Pensam também que são muito diferentes uns dos outros, mas assemelham-se igualmente pelas mesmas razões. Não digo que sejam iguais, que não existam diferenças marcantes entre esses personagens, apenas noto que partes essênciais dos seus discursos e métodos são mais parecidos do que podem admitir.

Existem ainda os que criticam os dois, mas que assumem formas parecidas de agir: apostam na polêmica, na intriga, no voluntarismo, na excitação de ressentimentos.

São essas as grandes lideranças nacionais?

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As crises dentro da crise

Por Wanfil em Política

13 de Maio de 2020

Brasil sofre com sequência de crises que lembram matrioscas russas: uma dentro da outra. Foto: Manuel M.V./Flickr

Brigas com governadores, com o Supremo e o com Congresso, racha na base alida e no próprio partido, demissão do minsitro Mandetta, boicote ao isolamento social, apoio a manifestantes radicais, “e daí?”, negociações com o Centrão, rumores sobre o vídeo da reunião ministerial com ameaças de interferência na PF dirigidas ao então ministro Sérgio Moro…

A sucessão de crises políticas alimentadas pelo presidente Jair Bolsonaro e seu entorno durante a crise de saúde causada pela pandemia do coronavírus, pressupõe a existência de alguma intenção, algum objetivo. Não pode ser assim à toa, por mais que poss parece sem sentido. Como disse Polônio a respeito de Hamlet, “embora seja loucura, tem lá o seu método”.

Vejamos algumas possibilidades: 1) o objetivo é manter um estado permanente de polarização, que serve para aglutinar sua base “anti-sistema”; 2) evitar o aprofundamento de uma crise, colocando outra em seu lugar e assim sucessivamente; 3) impedir que a oposição concentre esforços numa pauta única; 4) dispersar as atenções com polêmicas, enquanto trabalha uma agenda sigilosa; 5) banalizar o próprio sentido de crise com intrigas vazias, como antídoto contra crises de verdade.

Como toda ação corresponde a uma reação, a duração prolongada e a intensidade desse, vá lá, método de gestão, com uma crise saindo de dentro da outra incessantemente, como numa gigantesca e metafórica boneca russa, tem causado efeitos que talvez o presidente não tenha imaginado.

A estratégia tem efeitos colaterais. Vamos a alguns: 1) o mercado e parte do eleitorado antipetista passa a ver na figura presidencial um foco de instabilidade que atrapalha a economia tanto quando o coronavírus; 2) transmite a ideia de que o combate a pandemia não é prioridade, ou seja, de indiferença; 3) o excesso de frentes polêmicas é percebido como falta de rumo; 3) a falta de rumo gera desconfiança; 4) a profusão de confusões passa a ser, ela mesma, a pauta central dos adversários do governo, que o acusam de despreparado governante; 5) isola e enfraquece a autoridade do governo para reagir contra crises de verdade.

Existe ainda outra opção: tudo seja obra do acaso, um caos que nasce do improviso e da teimosia cega. Nesse caso, teríamos que admitir que, para não eleger uma quadrilha de assaltantes que ameaçava retornar ao poder, o país elegeu alguém desprovido das qualidades para o exercício da liderança. E agora temos o que temos.

Somente o fato de vivermos semelhante impasse já sinal de que estamos a mercê de uma loucura sem método. Não há sanidade que resista.

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Centrão leva o Dnocs: entre a “velha política” e o “novo normal”

Por Wanfil em Política

07 de Maio de 2020

Dnocs: moeda de troca para apoio político. É o “velho normal” – Foto: Divulgação

Em meio à pandemia do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro trocou o comando do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Seu novo diretor geral foi indicado pelo Centrão, grupo de partidos fisiologicos que até outro dia era acusado pelo presidente de praticar a “velha política”, ou seja, de trocar apoio no Congresso por cargos e verbas. O famoso “toma lá, da cá”.

Bolsonaro até montou um ministério sem loteamento partidário, mas com o tempo, e as confusões, perdeu a própria base parlamentar, a começar pelo racha no PSL, seu ex-partido. Isolado, sem alternativas, faz agora o que Dilma e Temer já fizeram, com maior ou menor grau de sucesso na relação (lá vai!) custo/benefício.

A troca no Dnocs não chamou muita atenção por causa da urgência no combate ao coronavírus, que é o que importa agora. Para nossa sorte, as chuvas foram boas. Porém, a mudança de critérios para nomeações federais é indicativa de que outros órgãos federais estão sujeitos a negociações e mudanças para abrigar os nonvos aliados.

Por enquanto, nada disso deve impactar na correlação de forças políticas no Ceará. É que por aqui, pelas mesmas razões, a maioria desses partidos apoia a gestão estadual. O Centrão não tem, definitivamente, preconceito ideológico.

Muito se fala que depois do coronavírus, nada será como antes, ou que teremos um “novo normal”. Nem tudo, como podemos constatar. Pelo menos na política, algumas práticas não mudam nem por força de uma pandemia como a que vivemos.

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Centrão leva o Dnocs: entre a “velha política” e o “novo normal”

Por Wanfil em Política

07 de Maio de 2020

Dnocs: moeda de troca para apoio político. É o “velho normal” – Foto: Divulgação

Em meio à pandemia do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro trocou o comando do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Seu novo diretor geral foi indicado pelo Centrão, grupo de partidos fisiologicos que até outro dia era acusado pelo presidente de praticar a “velha política”, ou seja, de trocar apoio no Congresso por cargos e verbas. O famoso “toma lá, da cá”.

Bolsonaro até montou um ministério sem loteamento partidário, mas com o tempo, e as confusões, perdeu a própria base parlamentar, a começar pelo racha no PSL, seu ex-partido. Isolado, sem alternativas, faz agora o que Dilma e Temer já fizeram, com maior ou menor grau de sucesso na relação (lá vai!) custo/benefício.

A troca no Dnocs não chamou muita atenção por causa da urgência no combate ao coronavírus, que é o que importa agora. Para nossa sorte, as chuvas foram boas. Porém, a mudança de critérios para nomeações federais é indicativa de que outros órgãos federais estão sujeitos a negociações e mudanças para abrigar os nonvos aliados.

Por enquanto, nada disso deve impactar na correlação de forças políticas no Ceará. É que por aqui, pelas mesmas razões, a maioria desses partidos apoia a gestão estadual. O Centrão não tem, definitivamente, preconceito ideológico.

Muito se fala que depois do coronavírus, nada será como antes, ou que teremos um “novo normal”. Nem tudo, como podemos constatar. Pelo menos na política, algumas práticas não mudam nem por força de uma pandemia como a que vivemos.