02/08/2012 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

02/08/2012

Não adianta tentar desmerecer o julgamento do mensalão

Por Wanfil em Brasil

02 de agosto de 2012

Ninguém fala de outra coisa: o julgamento do mensalão no STF, que começa nesta quinta-feira, é a notícia da hora. Nem as Olimpíadas ofuscam o caso. Como envolve políticos – e também uma forma de se fazer política consagrada pela tolerância com a corrupção, as paixões afloram.

Alguns celebram o acontecimento como uma espéie de redenção, o que é um exagero, outros, defensores dos mensaleiros ( sim, eles existem, inclusive na imprensa) buscam desqualificar o julgamento lançando suspeitas sobre o STF e tentando transformar a aplicação da lei em mero jogo partidário, como se a apuração de desvios identificados pela Procuradoria Geral da República não passasse de politicagem, o que é um despropósito. Aliás, não por acaso, esse é um dos argumentos da defesa dos réus.

Avanço democrático

Não podemos negar que seja inusitado – ou inédito mesmo – ver figuras que participaram ou que ainda participam do governo em vigência, serem julgadas por corrupção. Na verdade, a impunidade viceja de tal forma no País que qualquer julgamento de poderosos ou até de ex-poderosos é coisa rara.

Evidentemente, o fato de mensaleiros na condição de acusados tendo que prestar contas à Justiça não elimina os vícios arraigados na política brasileira. O país não está passado a limpo de uma vez, como querem os mais otimistas. Mas inegavelmente trata-se de um passo a mais na recente tentativa (em termos históricos) de consolidação institucional no Brasil. Corruptos soltos, impunes, atuantes e bem sucedidos constituem ainda a regra, mas a garantia de impunidade absoluta agora corre considerável risco. Daí a importância do caso.

Imprensa livre

Na torcida a favor dos mensaleiros, a ordem unida é atacar a PGR, o STF e a imprensa livre (pois existe a cooptada), disseminando a ideia de que existiria uma sofisticada orquestração contra os réus. Dado que essa conversa não tem efeito prático sobre o aspecto técnico do julgamento, a iniciativa serve mesmo é para antecipar um contra-discurso político junto ao público, embora os ritos formais tenham sido todos cumpridos, com amplo direito de defesa garantido.

De qualquer forma, como tem sido em nossa democracia, caberá à imprensa papel relevante nesse episódio, não como ente de juízo, mas como instrumento de transparência. Os fatos são graves, os indícios fartos, os eventos carregados de simbologia. Isso justifica uma ampla cobertura, ainda que o desenrolar do julgamento seja lento.

Equilíbrio

Evidentemente, a importância do caso e sua consequente exposição no noticiário e na vida política do país geram expectativas por eventuais condenações.Para evitar decepções, é bom lembrar que é intrínseco aos processos judiciais o descontentamento de uma das partes. Quem perde – acusação ou defesa -, mesmo acatando a decisão, costuma a se ver como injustiçado. Isso acontece até em separações litigiosas de casais, quanto mais em temas de interesse geral.

Por isso, é preciso, nesse caminho de afirmação institucional do Brasil, ter maturidade para não confundir condenação com golpe e absolvição com impunidade. Agora, é acompanhar e ver a História acontecer.

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Não adianta tentar desmerecer o julgamento do mensalão

Por Wanfil em Brasil

02 de agosto de 2012

Ninguém fala de outra coisa: o julgamento do mensalão no STF, que começa nesta quinta-feira, é a notícia da hora. Nem as Olimpíadas ofuscam o caso. Como envolve políticos – e também uma forma de se fazer política consagrada pela tolerância com a corrupção, as paixões afloram.

Alguns celebram o acontecimento como uma espéie de redenção, o que é um exagero, outros, defensores dos mensaleiros ( sim, eles existem, inclusive na imprensa) buscam desqualificar o julgamento lançando suspeitas sobre o STF e tentando transformar a aplicação da lei em mero jogo partidário, como se a apuração de desvios identificados pela Procuradoria Geral da República não passasse de politicagem, o que é um despropósito. Aliás, não por acaso, esse é um dos argumentos da defesa dos réus.

Avanço democrático

Não podemos negar que seja inusitado – ou inédito mesmo – ver figuras que participaram ou que ainda participam do governo em vigência, serem julgadas por corrupção. Na verdade, a impunidade viceja de tal forma no País que qualquer julgamento de poderosos ou até de ex-poderosos é coisa rara.

Evidentemente, o fato de mensaleiros na condição de acusados tendo que prestar contas à Justiça não elimina os vícios arraigados na política brasileira. O país não está passado a limpo de uma vez, como querem os mais otimistas. Mas inegavelmente trata-se de um passo a mais na recente tentativa (em termos históricos) de consolidação institucional no Brasil. Corruptos soltos, impunes, atuantes e bem sucedidos constituem ainda a regra, mas a garantia de impunidade absoluta agora corre considerável risco. Daí a importância do caso.

Imprensa livre

Na torcida a favor dos mensaleiros, a ordem unida é atacar a PGR, o STF e a imprensa livre (pois existe a cooptada), disseminando a ideia de que existiria uma sofisticada orquestração contra os réus. Dado que essa conversa não tem efeito prático sobre o aspecto técnico do julgamento, a iniciativa serve mesmo é para antecipar um contra-discurso político junto ao público, embora os ritos formais tenham sido todos cumpridos, com amplo direito de defesa garantido.

De qualquer forma, como tem sido em nossa democracia, caberá à imprensa papel relevante nesse episódio, não como ente de juízo, mas como instrumento de transparência. Os fatos são graves, os indícios fartos, os eventos carregados de simbologia. Isso justifica uma ampla cobertura, ainda que o desenrolar do julgamento seja lento.

Equilíbrio

Evidentemente, a importância do caso e sua consequente exposição no noticiário e na vida política do país geram expectativas por eventuais condenações.Para evitar decepções, é bom lembrar que é intrínseco aos processos judiciais o descontentamento de uma das partes. Quem perde – acusação ou defesa -, mesmo acatando a decisão, costuma a se ver como injustiçado. Isso acontece até em separações litigiosas de casais, quanto mais em temas de interesse geral.

Por isso, é preciso, nesse caminho de afirmação institucional do Brasil, ter maturidade para não confundir condenação com golpe e absolvição com impunidade. Agora, é acompanhar e ver a História acontecer.