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25/03/2014 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

25/03/2014

Terra sem lei: morticínio no Ceará ultrapassa muito tragédias da Malaysia Airlines e Boate Kiss

Por Wanfil em Segurança

25 de Março de 2014

O Ceará está de joelhos, rendido, humilhado, sem forças, pasmo, frouxo, lerdo, atônito e inerte diante da brutal escalada do crime em seu território. Somente em 2014, já foram registrados algo em torno de 800 assassinatos em Fortaleza e região metropolitana. Isso equivale aproximadamente a 3,3 incêndios da Boate Kiss (242 mortos), que causou comoção e indignação nacional no início de 2013; ou ao mesmo número de acidentes como o do avião da Malaysia Airlines (239 passageiros), que desde o início de março deste ano mobiliza atenções do mundo inteiro.

Outro caso de grande repercussão nacional foi a onda de execuções de detentos que em um ano fez 62 vítimas no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, entre 2013 e 2014. A Procuradoria Geral da República cogitou pedir intervenção federal lá, como já havia feito em Rondônia, em 2008, por violação dos direitos humanos. No entanto, a governadora Roseana Sarney (PMDB), com a proteção política do Planalto, conseguiu contornar a situação ao apresentar um plano emergencial.

O morticínio verificado nas ruas da Grande Fortaleza nos três primeiros meses deste ano corresponde a 12,5 anos de execuções em Pedrinhas. Trata-se, com efeito, de um grave atentado contra os direitos humanos, principalmente por ser ação rotineira e de grande escala.

Tragédias do cotidiano

Existem as tragédias que chocam por quebrarem a rotina e existem as tragédias que estão inseridas na rotina. Esse é o caso da insegurança no Ceará. O desastre no Ceará não causa clamor nacional porque é diluída no dia a dia. Sem barreiras, a violência cresceu de modo que não pode mais ser disfarçada ou negada. Seja qual for a fonte escolhida, boletins da Secretaria de Segurança do Ceará, o Mapa da Violência do Instituto Sangari ou o relatório da ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal (que aponta Fortaleza como a 7ª cidade mais violenta do mundo), a realidade incontornável é que os homicídios cresceram e avançam assustadoramente no Ceará.

Urgência

Já não se trata mais de discutir as causas desse fenômeno ou de procurar culpados. Isso é importante, mas a situação se degradou de tal forma, que a questão agora é saber como debelar essa onda no curto prazo, estancar a sangria. É preciso ser objetivo. Dizer que a gestão Cid Gomes fracassou nessa área, a ponto de ofuscar eventuais méritos em outros setores, não é fazer juízo de valor, é apenas a constatação empírica de uma situação. Nem o governo nega o problema, sob o risco de parecer esquizofrênico. Mais do que isso, na atual administração, seja pelo motivo que for, a coisa desandou de vez.

Do jeito que está, cada dia a mais corresponde a dezenas de vidas perdidas para o crime. Mas, o que fazer? Ainda que Cid renunciasse por conveniências eleitorais, o que prevaleceria é a sua, digamos assim, concepção particular de política pública para a segurança, com investimentos que não geram resultados.

Alternativas

Uma possibilidade é a fazer como no Maranhão: pressão. Muita pressão. Lá, pelo menos, as mortes reduziram de ritmo. Olha a que ponto chegamos. Assim, por que não uma intervenção federal no Ceará? Exagero? Não, senhores, exagero são os índices da criminalidade na Terra do Sol, já chamada por internautas de Terra do Sangue. O Art. 34 do Capítulo VI da Constituição Federal diz:

Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:
III – pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;
VII – assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:
b) direitos da pessoa humana.

A ordem pública não está comprometida? Ir ao banco é operação de risco elevadíssimo. Andar de ônibus também. Viver na periferia é quase uma condenação à morte. E viver em paz, ou com uma sensação mínima de paz, não é direito da pessoa humana?

Especialista

Não sou especialista em segurança. Se eles existem no Ceará, estão calados. Ninguém cobra o governo. Todos falam genericamente do problema, como se fosse um fenômeno meteorológico e não obra dos homens. Arrisco falar, portanto, na condição de refém da violência. Minha família (mulher e duas crianças) já foi atacada por bandidos no bairro Cidade dos Funcionários, na capital. Fugi recentemente de um arrastão na Igreja das Dunas ao sair de uma missa (crianças deitadas no piso do carro). Vou para o trabalho pelo caminho mais longo, pois o outro é ponto de bandidos. Tenho, como todo morador do Ceará, uma penca de amigos e colegas que foram assaltados. Portanto, sou especialista em andar assustado, vendo perigo em cada esquina, em cada evento, todos os dias.

Que chamem o Exército e a Força de Segurança Nacional, que alguém possa intermediar um acordo entre policiais e o comando da segurança, que mobilizem instituições de fora para cobrar soluções (os fiscalizadores locais parecem indispostos com a possibilidade de melindrar o Executivo estadual), que façam seja lá o que for. O que não dá mais é fingir que não estamos em guerra civil aberta, abandonados, enquanto nossas autoridades se ocupam de conchavos políticos pensando nas próximas eleições.

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Terra sem lei: morticínio no Ceará ultrapassa muito tragédias da Malaysia Airlines e Boate Kiss

Por Wanfil em Segurança

25 de Março de 2014

O Ceará está de joelhos, rendido, humilhado, sem forças, pasmo, frouxo, lerdo, atônito e inerte diante da brutal escalada do crime em seu território. Somente em 2014, já foram registrados algo em torno de 800 assassinatos em Fortaleza e região metropolitana. Isso equivale aproximadamente a 3,3 incêndios da Boate Kiss (242 mortos), que causou comoção e indignação nacional no início de 2013; ou ao mesmo número de acidentes como o do avião da Malaysia Airlines (239 passageiros), que desde o início de março deste ano mobiliza atenções do mundo inteiro.

Outro caso de grande repercussão nacional foi a onda de execuções de detentos que em um ano fez 62 vítimas no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, entre 2013 e 2014. A Procuradoria Geral da República cogitou pedir intervenção federal lá, como já havia feito em Rondônia, em 2008, por violação dos direitos humanos. No entanto, a governadora Roseana Sarney (PMDB), com a proteção política do Planalto, conseguiu contornar a situação ao apresentar um plano emergencial.

O morticínio verificado nas ruas da Grande Fortaleza nos três primeiros meses deste ano corresponde a 12,5 anos de execuções em Pedrinhas. Trata-se, com efeito, de um grave atentado contra os direitos humanos, principalmente por ser ação rotineira e de grande escala.

Tragédias do cotidiano

Existem as tragédias que chocam por quebrarem a rotina e existem as tragédias que estão inseridas na rotina. Esse é o caso da insegurança no Ceará. O desastre no Ceará não causa clamor nacional porque é diluída no dia a dia. Sem barreiras, a violência cresceu de modo que não pode mais ser disfarçada ou negada. Seja qual for a fonte escolhida, boletins da Secretaria de Segurança do Ceará, o Mapa da Violência do Instituto Sangari ou o relatório da ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal (que aponta Fortaleza como a 7ª cidade mais violenta do mundo), a realidade incontornável é que os homicídios cresceram e avançam assustadoramente no Ceará.

Urgência

Já não se trata mais de discutir as causas desse fenômeno ou de procurar culpados. Isso é importante, mas a situação se degradou de tal forma, que a questão agora é saber como debelar essa onda no curto prazo, estancar a sangria. É preciso ser objetivo. Dizer que a gestão Cid Gomes fracassou nessa área, a ponto de ofuscar eventuais méritos em outros setores, não é fazer juízo de valor, é apenas a constatação empírica de uma situação. Nem o governo nega o problema, sob o risco de parecer esquizofrênico. Mais do que isso, na atual administração, seja pelo motivo que for, a coisa desandou de vez.

Do jeito que está, cada dia a mais corresponde a dezenas de vidas perdidas para o crime. Mas, o que fazer? Ainda que Cid renunciasse por conveniências eleitorais, o que prevaleceria é a sua, digamos assim, concepção particular de política pública para a segurança, com investimentos que não geram resultados.

Alternativas

Uma possibilidade é a fazer como no Maranhão: pressão. Muita pressão. Lá, pelo menos, as mortes reduziram de ritmo. Olha a que ponto chegamos. Assim, por que não uma intervenção federal no Ceará? Exagero? Não, senhores, exagero são os índices da criminalidade na Terra do Sol, já chamada por internautas de Terra do Sangue. O Art. 34 do Capítulo VI da Constituição Federal diz:

Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:
III – pôr termo a grave comprometimento da ordem pública;
VII – assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:
b) direitos da pessoa humana.

A ordem pública não está comprometida? Ir ao banco é operação de risco elevadíssimo. Andar de ônibus também. Viver na periferia é quase uma condenação à morte. E viver em paz, ou com uma sensação mínima de paz, não é direito da pessoa humana?

Especialista

Não sou especialista em segurança. Se eles existem no Ceará, estão calados. Ninguém cobra o governo. Todos falam genericamente do problema, como se fosse um fenômeno meteorológico e não obra dos homens. Arrisco falar, portanto, na condição de refém da violência. Minha família (mulher e duas crianças) já foi atacada por bandidos no bairro Cidade dos Funcionários, na capital. Fugi recentemente de um arrastão na Igreja das Dunas ao sair de uma missa (crianças deitadas no piso do carro). Vou para o trabalho pelo caminho mais longo, pois o outro é ponto de bandidos. Tenho, como todo morador do Ceará, uma penca de amigos e colegas que foram assaltados. Portanto, sou especialista em andar assustado, vendo perigo em cada esquina, em cada evento, todos os dias.

Que chamem o Exército e a Força de Segurança Nacional, que alguém possa intermediar um acordo entre policiais e o comando da segurança, que mobilizem instituições de fora para cobrar soluções (os fiscalizadores locais parecem indispostos com a possibilidade de melindrar o Executivo estadual), que façam seja lá o que for. O que não dá mais é fingir que não estamos em guerra civil aberta, abandonados, enquanto nossas autoridades se ocupam de conchavos políticos pensando nas próximas eleições.