21/08/2015 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

21/08/2015

Manifestação contra o impeachment: a derrota numérica e moral do PT, CUT, MST e UNE

Por Wanfil em Política

21 de agosto de 2015

Que as manifestações contra o impeachment de Dilma seriam muito menores do que aqueles que pedem a saída da presidente, isso todos já sabiam, uma vez que a gestão da petista tem batido seguidos recordes de impopularidade.

Sendo impossível superar os adversários em número, e sem poder abordar, por motivos óbvios, temas como a corrupção, restou ao engajamento chapa-branca organizado pelo Partido dos Trabalhadores e entidades sob o seu comando, notadamente CUT, MST e UNE, rotular de golpe elitista os protestos anti-Dilma.

Militantes profissionais
Mas para que essa estratégia pudesse prosperar seria necessário credibilidade. Entretanto, nesse ponto os organizadores das manifestações de solidariedade à presidente falharam. A começar pela data e hora escolhidas: começo de tarde de uma quinta-feira, ou seja, em pleno horário de expediente, condições que exclui, de cara, o trabalhador comum. A mensagem para o público foi a de que estavam ali, na maioria, militantes “profissionais”, afinal, sábado e domingo é dia de folga até para esses trabalhadores de passeata.

Outro ponto salta aos olhos: de um a profusão de bandeiras vermelhas, enquanto nos atos pelo impeachment prevaleceu o verde-amarelo. De um lado a militância que coloca o partido acima de tudo, do outro, a defesa do país. Qual das duas imagens é capaz de influenciar mais os cidadãos?

Contradição e incoerência
Outro problema foram as contradições entre a defesa do governo e críticas ao ajuste fiscal. Se a administração está errada, por que então mantê-la, mesmo diante de tantos escândalos?

Os que marcharam contra Dilma também expõem contradições internas, no entanto, são unânimes na convicção de que o governo é ruim e mentiroso. No caso dos aliados do petismo, não existe a convicção de que o governo seja minimamente bom em algo, pelo contrário, como se viu, muitos deles também o reprovam. Segundo o Datafolha, na marcha do PT em São Paulo, apenas 54% aprovam Dilma.

Nos embates de guerrilha, a vitória consiste em derrubar o moral do inimigo. Nesse sentido, as manifestações governistas foram duplamente vencidas, já que nem em suas próprias fileiras elas foram eficazes.

Os fatos
Por último, CUT, UNE, MST e PT foram às ruas no mesmo dia em que o IBGE informou aos brasileiros que o desemprego subiu para 7,5%, maior índice desde 2009. Depois, no momento de trabalhar a repercussão dos atos, o Caged apresentou dados sobre a quantidade de vagas de trabalho cortadas no mês de julho passado. Foram 157.905 carteiras que deram baixa, o pior resultado desde 1992.

Moral da história: para ajudar o governo, não bastam palavras de ordem e militantes profissionais. Seria preciso uma boa notícia que fosse para mostrar, um rumo a apontar, uma luz no fim do túnel. Mas isso está em falta, por obra e graça deste governo. Sem isso, não há como escapar do vexame.

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Manifestação contra o impeachment: a derrota numérica e moral do PT, CUT, MST e UNE

Por Wanfil em Política

21 de agosto de 2015

Que as manifestações contra o impeachment de Dilma seriam muito menores do que aqueles que pedem a saída da presidente, isso todos já sabiam, uma vez que a gestão da petista tem batido seguidos recordes de impopularidade.

Sendo impossível superar os adversários em número, e sem poder abordar, por motivos óbvios, temas como a corrupção, restou ao engajamento chapa-branca organizado pelo Partido dos Trabalhadores e entidades sob o seu comando, notadamente CUT, MST e UNE, rotular de golpe elitista os protestos anti-Dilma.

Militantes profissionais
Mas para que essa estratégia pudesse prosperar seria necessário credibilidade. Entretanto, nesse ponto os organizadores das manifestações de solidariedade à presidente falharam. A começar pela data e hora escolhidas: começo de tarde de uma quinta-feira, ou seja, em pleno horário de expediente, condições que exclui, de cara, o trabalhador comum. A mensagem para o público foi a de que estavam ali, na maioria, militantes “profissionais”, afinal, sábado e domingo é dia de folga até para esses trabalhadores de passeata.

Outro ponto salta aos olhos: de um a profusão de bandeiras vermelhas, enquanto nos atos pelo impeachment prevaleceu o verde-amarelo. De um lado a militância que coloca o partido acima de tudo, do outro, a defesa do país. Qual das duas imagens é capaz de influenciar mais os cidadãos?

Contradição e incoerência
Outro problema foram as contradições entre a defesa do governo e críticas ao ajuste fiscal. Se a administração está errada, por que então mantê-la, mesmo diante de tantos escândalos?

Os que marcharam contra Dilma também expõem contradições internas, no entanto, são unânimes na convicção de que o governo é ruim e mentiroso. No caso dos aliados do petismo, não existe a convicção de que o governo seja minimamente bom em algo, pelo contrário, como se viu, muitos deles também o reprovam. Segundo o Datafolha, na marcha do PT em São Paulo, apenas 54% aprovam Dilma.

Nos embates de guerrilha, a vitória consiste em derrubar o moral do inimigo. Nesse sentido, as manifestações governistas foram duplamente vencidas, já que nem em suas próprias fileiras elas foram eficazes.

Os fatos
Por último, CUT, UNE, MST e PT foram às ruas no mesmo dia em que o IBGE informou aos brasileiros que o desemprego subiu para 7,5%, maior índice desde 2009. Depois, no momento de trabalhar a repercussão dos atos, o Caged apresentou dados sobre a quantidade de vagas de trabalho cortadas no mês de julho passado. Foram 157.905 carteiras que deram baixa, o pior resultado desde 1992.

Moral da história: para ajudar o governo, não bastam palavras de ordem e militantes profissionais. Seria preciso uma boa notícia que fosse para mostrar, um rumo a apontar, uma luz no fim do túnel. Mas isso está em falta, por obra e graça deste governo. Sem isso, não há como escapar do vexame.