22/01/2016 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

22/01/2016

Ciro Gomes volta ao jogo com Dilma na plateia: a fome com a vontade de comer

Por Wanfil em Partidos

22 de Janeiro de 2016

A presidente Dilma Rouseff, que é do PT, prestigiou nesta sexta o encontro nacional do PDT, que na prática confirmou a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República, com apoio da cúpula pedetista.

De certo modo, o evento marca a volta do ex-governador do Ceará ao centro da política nacional. Depois de ter a candidatura barrada em 2010, quando estava no PSB, preterida por Lula em favor de Dilma, e em 20013/2014 por Eduardo Campos, que lançou o próprio nome, Ciro migrou para a legenda de aluguel PROS. A crise atual abriu as portas para sua terceira tentativa de chegar ao Planalto (as duas primeiras foram pelo PPS, em 1998 e 2002), agora pelo PDT (sétimo partido que o abriga). No papel de pré-candidato por um tradicional partido de esquerda, as opiniões de Ciro ganham maior relevância a partir de agora. De carta fora do baralho, ele está temporariamente de volta ao jogo.

Como para bom entendedor meia palavra basta, resta evidente que Dilma, desgastada pela conjunção de recessão, denúncias de corrupção e recorde de impopularidade, enxerga na figura de Ciro um aliado com potencial eleitoral, já que o PT dificilmente terá condições de lançar um nome próprio diante da insatisfação geral e das incertezas advindas da Operação Lava Jato. Por isso, é preciso pensar em nomes alternativos, com os quais o petismo possa conversar e se acertar, de preferência mantendo nacos de poder na estrutura federal, com alguns ministérios, órgãos e estatais.

Ao PDT e a Ciro interessa o apoio da máquina, com seu poder de influência sobre partidos e governos estaduais, fundamentais para costurar uma coligação forte. Aliás, foi dentro dessa estratégia que Cid Gomes sugeriu no início de janeiro, como conselho supostamente desinteressado, que a presidente deixasse o PT e não interferisse nas eleições de 2018. É pressão para que os petistas apoiem um nome de fora e também um modo de dizer que Dilma evite subir no palanque desse que seria seu “plano B”.

Vai funcionar? Ninguém sabe. Afinal, muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte. O próprio Ciro, orador habilidoso, deixa no ar uma expectativa quanto ao seu temperamento, que o ajudou a perder a disputa em 2002. O fato é que, quando aliados com cargos no governo anunciam candidaturas à sucessão faltando ainda três anos para o final do mandato, com direito à presença da própria presidente no evento, é mais um sinal, quase um reconhecimento formal, de que a gestão Dilma perdeu as condições de comandar o país.

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Ciro Gomes volta ao jogo com Dilma na plateia: a fome com a vontade de comer

Por Wanfil em Partidos

22 de Janeiro de 2016

A presidente Dilma Rouseff, que é do PT, prestigiou nesta sexta o encontro nacional do PDT, que na prática confirmou a pré-candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República, com apoio da cúpula pedetista.

De certo modo, o evento marca a volta do ex-governador do Ceará ao centro da política nacional. Depois de ter a candidatura barrada em 2010, quando estava no PSB, preterida por Lula em favor de Dilma, e em 20013/2014 por Eduardo Campos, que lançou o próprio nome, Ciro migrou para a legenda de aluguel PROS. A crise atual abriu as portas para sua terceira tentativa de chegar ao Planalto (as duas primeiras foram pelo PPS, em 1998 e 2002), agora pelo PDT (sétimo partido que o abriga). No papel de pré-candidato por um tradicional partido de esquerda, as opiniões de Ciro ganham maior relevância a partir de agora. De carta fora do baralho, ele está temporariamente de volta ao jogo.

Como para bom entendedor meia palavra basta, resta evidente que Dilma, desgastada pela conjunção de recessão, denúncias de corrupção e recorde de impopularidade, enxerga na figura de Ciro um aliado com potencial eleitoral, já que o PT dificilmente terá condições de lançar um nome próprio diante da insatisfação geral e das incertezas advindas da Operação Lava Jato. Por isso, é preciso pensar em nomes alternativos, com os quais o petismo possa conversar e se acertar, de preferência mantendo nacos de poder na estrutura federal, com alguns ministérios, órgãos e estatais.

Ao PDT e a Ciro interessa o apoio da máquina, com seu poder de influência sobre partidos e governos estaduais, fundamentais para costurar uma coligação forte. Aliás, foi dentro dessa estratégia que Cid Gomes sugeriu no início de janeiro, como conselho supostamente desinteressado, que a presidente deixasse o PT e não interferisse nas eleições de 2018. É pressão para que os petistas apoiem um nome de fora e também um modo de dizer que Dilma evite subir no palanque desse que seria seu “plano B”.

Vai funcionar? Ninguém sabe. Afinal, muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte. O próprio Ciro, orador habilidoso, deixa no ar uma expectativa quanto ao seu temperamento, que o ajudou a perder a disputa em 2002. O fato é que, quando aliados com cargos no governo anunciam candidaturas à sucessão faltando ainda três anos para o final do mandato, com direito à presença da própria presidente no evento, é mais um sinal, quase um reconhecimento formal, de que a gestão Dilma perdeu as condições de comandar o país.