julho 2019 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

julho 2019

Governadores do Nordeste: pauta administrativa, gestos políticos

Por Wanfil em Política

29 de julho de 2019

Governadores do Nordeste implantam consórcio administrativo – Foto: divulgação

Governadores do Nordeste estiveram reunidos nesta segunda-feira, na Bahia, para a implantação do Consórcio Nordeste, uma parceria administrativa entre os estados da região.

Apesar da pauta técnica, as atenções sempre se voltam para a política. Como todos sabem, os laços que unem o grupo são maiores que a questão regional: há também, ou sobretudo, a sintonia ideológica e a condição de opositores ao governo federal.

Nada contra. Na verdade, é legítimo. Porém, é preciso sempre muita atenção para não confundir os limites entre a militância pessoal e os cargos representativos que ocupam. Não raro, os governadores extrapolam temas de gestão para abordar assuntos controversos e de interesse restrito, como quando criticaram o Judiciário para defender o ex-presidente Lula, julgado e condenado em mais de uma instância, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Camilo Santana em Curitiba: recado aos correligionários cearenses (Divulgação)

Lula Livre
Por falar nisso, o governador Camilo Santana (PT-CE), que se recupera de uma virose e por isso não participou da reunião, esteve em Curitiba na semana passada para visitar Lula na carceragem da Polícia Federal. De megafone na mão, entoou palavras de ordem em solidariedade ao líder petista. Cada um tem o direito de acreditar no que quiser, mas quando se trata de políticos, toda ação pública tem por objetivo passar um ou mais mensagens.

Do ponto de vista jurídico, as opiniões dos governadores nordestinos a respeito do caso não têm efeito prático algum. Eles sabem disso, como sabem que boa parte do eleitorado da região simpatiza com o ex-presidente.

No caso de Camilo, é provável que a performance seja ainda um aceno ao petismo no Ceará, comandado pelos deputados José Guimarães e Luizianne Lins – esta disposta a lançar candidatura à Prefeitura de Fortaleza contra Roberto Cláudio, aliado do governador e nome do PDT, que não defende a inocência do ex-presidente, muito pelo contrário.

É claro que o governador tem a força do cargo, que nunca pode ser desprezada, mas na dinâmica interna do partido, não é voz determinante para definir rumos. O ato público em Curitiba mostra compromisso com a sigla, reforçando a imagem de Camilo junto aos correligionários, muito embora a defesa cega de Lula não passe, para o petismo, de uma obrigação incondicional.

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Moralismo pedetista

Por Wanfil em Partidos

18 de julho de 2019

A direção nacional do PDT suspendeu os oito parlamentares da sigla que votaram a favor a reforma da Previdência. Questão de princípios, afirmam suas lideranças. E de fidelidade.

O PDT é o maior partido do Ceará, desde a chegada de Ciro Gomes e seu grupo, após sucessivas mudanças. Nômades políticos, parecem ter finalmente encontrado uma casa estável. No entanto, o histórico do grupo mostra que seu comando, sempre que precisou escolher entre ser fiel a si mesmo ou às ordens do partido de ocasião, preferiu a primeira opção.

Algumas separações foram rumorosas, como nos casos em que saíram pressionados do PPS de Roberto Freire ou do PSB de Eduardo Campos (que os acusava de promover dissidências); outras mais discretas, como nos casos do PROS. Sempre os culpados, de acordo com os relatos do grupo, foram as cúpulas desses partidos. Agora que são cúpula, a lógica se inverteu.

O PDT não erra em procurar a difícil unidade de ação no Congresso, erra no modo ríspido com que exige obediência cega, em matéria tão complexa.

PS. O jornal O Globo publicou a seguinte matéria nesta semana: “PDT e PSB punem infiéis, mas poupam filiados que são réus na Justiça“. Pois é. O partido alega que ninguém foi condenado ainda, repetindo a postura de outros partidos que critica, como PT, MDB e PSDB. Mas vejam como são as coisas, quem diz que é diferente é o PDT. Carlos Lupi, nada menos que o presidente nacional do partido, além de ser réu por improbidade administrativa, pediu demissão do Ministério do Trabalho, ainda na gestão de Dilma Rousseff, após a Comissão de Ética Pública recomendar às presidente que o demitisse, por uma série de suspeições. É um currículo e tanto para cobrar postura dos outros.

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Bancada do Ceará na Reforma da Previdência: manda quem pode…

Por Wanfil em Política

11 de julho de 2019

Texto-base da nova Previdência é aprovado na Câmara. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

A bancada cearense na Câmara Federal acabou dividida na votação do texto-base da Reforma da Previdência: foram 11 contra e 11 a favor.

Vale lembrar que os governistas retiraram alguns pontos do projeto a pedido dos governadores do Nordeste, na esperança de que esses pudessem influenciar as bancadas dos seus estados.

A premissa é simples: como regra, boa parte dos deputados federais depende da parceria com os governos estaduais para se eleger. Acontece que no Ceará a máquina eleitoral predominante não é controlada pela atual gestão. Para usar um termo muito usado por Ciro Gomes e que remete aos escritos de Antônio Gramsci, é uma questão de “hegemonia”. 

Assim, Camilo Santana defendeu a reforma (após as alterações), mas os três representantes do PT na bancada votaram contra a emenda. E no PDT, seu principal parceiro, os cincos deputados federais também votaram contra a reforma. Resultado: os principais partidos de sustentação de Camilo seguiram as orientações das suas respectivas lideranças, ignorando deliberadamente as sinalizações do governador.

É a velha história: manda quem pode, obedece quem tem juízo.

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Quando a violência aumenta, a culpa é Federal; quando reduz, o mérito é estadual

Por Wanfil em Segurança

05 de julho de 2019

Esqueceram de mencionar o Ministério da Justiça, que prontamente ajudou o Ceará – Foto: divulgação

O site do Governo do Ceará destacou a seguinte notícia, no início da semana: Trabalho das forças de segurança do Ceará resulta na redução de 53,6% nos CVLIs no primeiro semestre de 2019.

Olha só. Na ânsia de enaltecer isoladamente méritos locais, a manchete acaba destoando das falas de ninguém menos que o governador Camilo Santana. Quando os índices de violência explodiram no Ceará, sobretudo em 2017, Camilo responsabilizou a histórica ausência de políticas públicas nacionais para a segurança pública, dizendo ainda, com todas as letras, que os estados, sozinhos, não poderiam virar esse jogo.

Presença Federal no Ceará
O governador passou então a cobrar ações do governo federal. O ex-presidente Michel Temer nomeou Raul Jungmann como ministro extraordinário da Segurança Pública, que por sua vez inaugurou no Ceará o Centro Integrado de Inteligência do Nordeste.

Já em 2019, na gestão de Jair Bolsonaro, Camilo pediu ajuda ao novo ministro Sérgio Moro (ver foto) contra a onda de ataques promovida por facções criminosas. O trabalho em conjunto nas ruas e nos presídios foi bem sucedido.

Omissões
Pois bem, com a abordagem federal, OS ÍNDICES REDUZIRAM EM TODO O PAÍS. Mesmo assim, nada disso é lembrado na comunicação do governo cearense. Na verdade, esses fatos são suprimidos. O objetivo é claro: a redução seria obra das “forças de segurança DO Ceará”. Não é que faltem iniciativas locais, pelo contrário. Aliás, por isso mesmo é que omissões a terceiros são desnecessárias.

Credibilidade
A prática de buscar assumir sozinho o mérito por realizações partilhadas com outros atores e instâncias, termina afetando a credibilidade da gestão, especialmente junto aos parceiros esquecidos. E quando o discurso construído pelos canais institucionais da administração não casam com as falas do governador, tudo fica ainda mais estranho. Parece esperteza.

Reconhecimento natural
O certo mesmo é fazer como o ministro Sérgio Moro, que enfatiza a parceria com os estados, lembrando sempre que a redução de crimes precisa ser consolidada. Ganha desse modo a confiança de governadores e secretários, facilitando novas ações. O autoelogio revela vaidade, desejo de reconhecimento, quando o verdadeiro reconhecimento tem que vir de fora.

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Tasso e Ciro juntos novamente? Calma…

Por Wanfil em Política

03 de julho de 2019

Tasso e Ciro: juntos ou separados, referências da política cearense

A troca de gentilezas e elogios entre Tasso Jereissati (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) na última segunda-feira, durante o anúncio de um pacote de obras da Prefeitura de Fortaleza, mobilizou atenções e deu material para muitas especulações. Vale lembrar que encontros assim já aconteceram em outras oportunidades, sempre gerando muitas expectativas.

É claro que políticos sabem que atos públicos têm esse potencial de espalhar boatos e atiçar medos, ambições e curiosidades. Faz parte. Para não se perder entre espumas, o observador deve manter o foco nos fatos.

Tasso e Ciro (e Cid Gomes também) voltaram a manter contato esporádico, após anos de distância? Sim. E o que mudou nesse meio tempo? Resposta: o governo federal. E com ele, a condição dos Ferreira Gomes de governistas para oposicionistas.

A reaproximação tem muito de estratégia para o governo estadual e a prefeitura da capital conseguirem espaços de interlocução com setores importantes de Brasília. Prova disso são os empréstimos liberados agora para a prefeitura, que contaram com fundamental apoio do tucano para aprovação rápida no Senado. A matéria estava parada quando Eunício Oliveira (MDB) – rompido com o prefeito Roberto Cláudio (PDT) – presidia a Casa.

Para Tasso, participar do evento foi também uma oportunidade de divulgar seu trabalho parlamentar, ressaltando ainda a capacidade de lidar com diferenças partidárias.

Por enquanto, é isso. Os Ferreira Gomes apoiarão Tasso ao Senado? O PSDB vai romper com o próprio discurso e aderir ao projeto do PDT? E o PT, como fica? São muitas as pontas soltas, difíceis de operar. Certo mesmo é que qualquer decisão, mais a frente, deve passar pelo crivo de Ciro e Tasso, que voa tempo, continuam entre os principais (se não os principais) protagonistas da cena política no Ceará.

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Tasso e Ciro juntos novamente? Calma…

Por Wanfil em Política

03 de julho de 2019

Tasso e Ciro: juntos ou separados, referências da política cearense

A troca de gentilezas e elogios entre Tasso Jereissati (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) na última segunda-feira, durante o anúncio de um pacote de obras da Prefeitura de Fortaleza, mobilizou atenções e deu material para muitas especulações. Vale lembrar que encontros assim já aconteceram em outras oportunidades, sempre gerando muitas expectativas.

É claro que políticos sabem que atos públicos têm esse potencial de espalhar boatos e atiçar medos, ambições e curiosidades. Faz parte. Para não se perder entre espumas, o observador deve manter o foco nos fatos.

Tasso e Ciro (e Cid Gomes também) voltaram a manter contato esporádico, após anos de distância? Sim. E o que mudou nesse meio tempo? Resposta: o governo federal. E com ele, a condição dos Ferreira Gomes de governistas para oposicionistas.

A reaproximação tem muito de estratégia para o governo estadual e a prefeitura da capital conseguirem espaços de interlocução com setores importantes de Brasília. Prova disso são os empréstimos liberados agora para a prefeitura, que contaram com fundamental apoio do tucano para aprovação rápida no Senado. A matéria estava parada quando Eunício Oliveira (MDB) – rompido com o prefeito Roberto Cláudio (PDT) – presidia a Casa.

Para Tasso, participar do evento foi também uma oportunidade de divulgar seu trabalho parlamentar, ressaltando ainda a capacidade de lidar com diferenças partidárias.

Por enquanto, é isso. Os Ferreira Gomes apoiarão Tasso ao Senado? O PSDB vai romper com o próprio discurso e aderir ao projeto do PDT? E o PT, como fica? São muitas as pontas soltas, difíceis de operar. Certo mesmo é que qualquer decisão, mais a frente, deve passar pelo crivo de Ciro e Tasso, que voa tempo, continuam entre os principais (se não os principais) protagonistas da cena política no Ceará.