Warning: Use of undefined constant S3_URL - assumed 'S3_URL' (this will throw an Error in a future version of PHP) in /home/tribu/public_html/blogs/wp-content/themes/2016_tribuna_blogs/functions.php on line 11
Março 2020 - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Março 2020

Bolsonaro testa o “homem prudente” de Maquiavel

Por Wanfil em Crônica

31 de Março de 2020

Maquiavel: a prudência de fazer ações obrigatórias e inevitáveis parecerem espontâneas

O que não tem remédio, remediado está, diz o ditado popular. Como todos sabem, o novo coronavírus não tem vacina ou cura cientificamente comprovada. O jeito, portanto, é administrar a situação para reduzir o estrago ou evitar um mal maior. Shimon Peres, ex-presidente de Israel, já falecido, dizia que um problema sem solução é um processo a ser conduzido da mehor forma possível. Referia-se ao conflito com os palestinos. No caso do coronavírus, a diferença é saber que mais cedo ou mais tarde, o ciclo de contaminação acaba. Ou seja, ainda que gravíssimo, não é problema crônico. Agora resta segurar o tranco, como dizem.

Em períodos turbulentos como agora, pressões e cobranças se multiplicam sobre os representantes do poder público. É assim que funciona. Nesse momento, por ser um pandemia sem prcedentes, essa condição se reproduz em todos os continentes. Assim, em todo o mundo, a maioria das lideranças reage como pode e faz o que lhes resta fazer: implantar medidas de isolamento social, enquanto reforçam a retaguarda dos hospitais com leitos de UTI. Quem não conseguiu a tempo, como a Espanh e a Itália, foi surpreendido pela quantidade de mortos.

Muito antes de o coronavirus trucidar a Itália, o florentino Nicolau Maquiavel, no livro em que comenta a obra de Tito Lívio (Discorsi sopra la prima Deca di Tito Livio), dizia no Século 16: “Gli uomini prudenti si fanno grado delle cose sempre e in ogni loro azione, ancora che la necessità gli constringesse a farle in ogni modo”. Traduzindo, é mais ou menos o seguinte: “Os homens prudentes sempre sabem tirar proveito de todas as suas ações, mesmo quando são constrangidos pela necessidade a agir de tal modo”.

Decretar quarentenas e levantar hospitais de campanha é o básico indispensável a se fazer diante da chegada da atual pandemia, com base na experiência de outros países que já vivem o problema há mais tempo. Não há erro nisso. Aliás, estão certos os governantes que assim agem, impelidos pelas circunstâncias e pela falta de alternativas. E há grande mérito na conduta daqueles que perceberam a emergência com mais rapidez. Esses, por agirem – de acordo com Maquiavel – como homens prudentes, conseguiram obter vantagens enquanto autoridades públicas, ao serem vistos como gestores atentos.

Só Jair Bolsonaro faz o contrário, optando pela imprudência, quando contradiz atos do seu próprio governo que poderiam conferir-lhe imenso proveito de imagem. Ensaia agora, com atraso, um recuo no discurso, mas é preciso ver se isso será mantido. Tem a crise econômica, é verdade, mas essa, também mundial, será debitada na conta do vírus. E toda ação de recuperação, inclusive as reformas que ainda precisam ser aprovadas, poderá ser vista, mais adiante, como medida indispensável para a cura da finanças nacionais. É sempre possível obter “vantaggio”, no sentido de prestígio, quando se age, no governo, com a devida cautela. Bem, é o que dizia Maquiavel, posto a teste no Brasil do Século 21.

Publicidade

A rebelião do vírus

Por Wanfil em Crônica

26 de Março de 2020

As discussões sobre os caminhos a se tomar no curso da pandemia de coronavírus nos levam, invariavelmente a um mesmo conjunto de certezas e incertezas:

As certezas: O novo coronavírus é altamente contagioso, de baixa letalidade, mas devido à proporção dos números, os casos graves pode colapsar sistemas de saúde. A forma mais eficaz de evitar esse colapso é o confinamento da população em suas residências. Os idosos estão mais expostos ao risco de morte, o que não garante imunidade total aos mais jovens.

As incertezas: Quanto tempo deve durar o isolamento social? A partir de quando a curva de contágios reduz os índices de propagação da doença? É impossível prever a duração da epidemia? Quando teremos uma vacina? A cloroquina cura ou não cura o Covid-19? O vírus tem comportamentos diferentes a depender do clima ou da região?

Resumindo o quadro geral, acho que isso é mais ou menos o que temos hoje. As questões econômicas são decorrências das própria pandemia e dos choques entre essas certezas e incertezas. Em meio a tanta instabilidade, o mais sensato a ser fazer é adotar o isolamento social, que “tende”, segundo os especialistas, a conter a propagação da doença.

Faço comentários sobre política no Sistema Jangadeiro de Comunicação, em Fortaleza, observando as decisões e os impasses que decorrem de toda essa situação. Agora, confinado em casa, encerrado o trabalho à distância, venho ao blog e tento pensar essas questões sob outros ângulos. E toda essa situação me fez lembrar hoje de Ortega Y Gasset, jornalista e filósofo espanhol, autor de A Rebelião as Massas (foto). Cito uma passagem que me impressiona desde os tempos de faculdade, um alerta contra a ilusão de estabilidade da qual sempre me lembro quando ouço protestos contra reformas na legislação:

A civilização do século XIX é de tal índole que permite ao homem médio instalar-se em um mundo abundante, do qual percebe só a superabundância de meios, mas não as angústias. Encontra-se rodeado de instrumentos prodigiosos, de medicinas benéficas, de Estados previdentes, de direitos cômodos. Ignora, por seu turno, o difícil que é inventar essas medicinas e instrumentos e assegurar para o futuro sua produção; não percebe o instável que é a organização do Estado, e mal sente dentro de si obrigações. Este desequilíbrio o falsifica, vicia-o em sua raiz de ser vivente, fazendo-o perder contacto com a substância mesma da vida, que é absoluto perigo. (…) Não podia comportar-se de outra maneira esse tipo de homem nascido no mundo demasiadamente bem organizado, do qual só percebe as vantagens e não os perigos.”

Gasset escreveu esse texto na segundo década do Século 20. Agora, em 2020, diante do perigo exposto pelo coronavírus, populações inteiras se chocam ao descobrir que um espécime invisível e primitivo pode obrigá-las a trancar-se em casa até que tudo volte a parecer seguro novamente. A humanidade vai superar, evidentemente, e com mais eficiência do que em outras ocasiões, a nova peste. A lição é clara: as adversidades fazem e sempre farão parte da vida, assim como as ideias de segurança, prevenção e autossuficiência sempre estarão sujeitas a falhas e revisões. A vida é luta.

Publicidade

Pronunciamento à nação não é “live” de rede social

Por Wanfil em Política, Sem categoria

25 de Março de 2020

Presidente Jair Bolsonaro em Rede Nacional de Rádio e Televisão / Isac Nóbrega – Agência Brasil

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro em rede nacional de rádio e televisão com críticas às medidas de isolamento social diante dos efeitos da crise na economia, causou grande repercussão e muitas dúvidas, pois na prática, não esclareceu nada nem definiu coisa alguma.

Que a modulação entre as restrições sanitárias impostas no combate ao coronavírus e a sobrevivência de empresas e trabalhadores (formais e informais) seja uma preocupação a ser debatida nos devidos fóruns, tudo bem. É, aliás, algo necessário e urgente, dever dos governantes. Contudo, muito diferente é a autoridade presidencial se colocar assim publicamente contra medidas defendidas pelo Ministério da Saúde, ainda mais quando o próprio governo federal pediu a aprovação do estado de calamidade. As contradições só confundem.

Claro que o debate proposto pode e precisa ser feito, desde que modo construtivo. Um pronunciamento à nação guarda um caráter de solenidade, quando o governo anuncia decisões e posicionamentos oficiais. Não é portanto uma live informal de rede social, dessas em que é normal pessoas desabafarem e opinarem sobre todo e qualquer assunto, como se conversassem com amigos em casa. os tempos são outros, a comunicação mudou um bocado, mas quando se trata de autoridade pública, convém que até as lives sejam feitas com muito cuidado.

Não se trata de ser contra ou a favor de partidos ou ideologias, mas de compreender que a prioridade agora é retardar a velocidade de propagação do coronavírus. Para isso, o isolamento social é o protocolo mais aceito no mundo. A dose a ser ministrada – ou seja, o tempo de manutenção dessas quarentenas – ainda não está bem definida. Ao propor o fim do isolamento sem combinar isso com os próprios técnicos do governo, o presidente acabou se colando num inédito – dentro do seu mandato – isolamento político.

Publicidade

Notas da pandemia: superstições e cloroquina

Por Wanfil em Crônica

24 de Março de 2020

No subsolo, fugindo do coronavírus e da cloroquina,

Um homem morreu nos Estados Unidos após se automedicar com cloroquina, antigo remédio contra a malária que tem sido testado no combate ao novo coronavírus. Em vão, médicos alertam para os efeitos colaterais da droga. No Brasil, os estoques nas farmácias acabou. Quanta fé na química. Parece que a vitória da razão criou, paradoxalmente, um credo contemporâneo: fora dos laboratórios não há salvação.

Ocorre que apesar de todos os avanços e de todas as tecnologias, acabamos escondidos em nossas casas para fugir de um mísero vírus. Oh, ciência, por que nos abandonaste? Sim, agora sabemos como a peste se propaga, de onde ela vem, como se desenvolve, mas cura que é bom…

O imortal (sem ironia) Fiódor Dostoiévisk já desconfiava dessa fé cega na alopatia, como podemos ver logo nas primeiras linhas de Notas do Subsolo:

Sou um homem doente… Sou mau. Não tenho atrativos. Acho que sofro do fígado. Aliás, não entendo bulhufas da minha doença e não sei com certeza o que é que me dói. Não me trato, nunca me tratei, embora respeite os médicos e a medicina. Além de tudo, sou supersticioso ao extremo; bem, o bastante para respeitar a medicina. (Tenho instrução suficiente para não ser supersticioso, mas sou.)”

Respeito a cloroquina e todas as vacinas que existem por aí, mas por via das dúvidas, com as certezas adoecidas e exposto a superstições, acho melhor esperar a quarentena passar aqui no subsolo das minhas redes sociais.

Publicidade

Datafolha: governadores têm aprovação maior que o presidente no combate ao coronavírus

Por Wanfil em Pesquisa

23 de Março de 2020

Bolsonaro e o Ministro da Saúde, Henrique Mandetta, em videoconferência com prefeitos (Agência Brasil): nova realidade imposta pelo coronavírus

O instituto Datafolha informa que 54% dos brasileiros aprovam o desempenho dos governadores na crise do coronavírus, enquanto 35% avaliam positivamente o trabalho do presidente Jair Bolsonaro. Curiosamente, o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi bem avaliado por 55% dos entrevistados.

Por esses números, o presidente estaria com a imagem descolada das ações promovidas por seu próprio governo. Como os governos estaduais não podem ser mais ativos e determinantes que o governo federal nesse momento de calamidade, a diferença de percepções apontada pela pesquisa só pode ser resultado de erros de comunicação e postura do presidente. Talvez excesso de autoconfiança.

Bolsonaro e o bolsonarismo desqualificam o Datafolha, que é ligado ao jornal Folha de São Paulo. E de fato, o instituto já cometeu erros no passado, especialmente nas eleições presidenciais, quando dizia que praticamente todos os candidatos venceriam Bolsonaro no segundo turno. Contudo, é perfeitamente visível que o presidente vem tentando, desde a semana passada, recalibrar as falas e atitudes relacionadas ao coronavírus. Mas parece que ainda não encontrou o ponto ideal. Uma hora ensaia reconhecer que o problema é mesmo colossal, e depois recua, falando em histeria.

Nada é por acaso. Ainda que o Datafolha e a Folha possam carregar nas ênfases contra o governo, o fato é que este já sentiu a necessidade de modular a postura presidencial. Certamente o Palácio do Planalto tem seus próprios números e sabe que há desgaste onde outras autoridades conseguem capitalizar dividendos.

Ceará

O Datafolha não divulgou dados por estados. É possível que o governador Camilo Santana esteja acima dessa média, pela boa aceitação que já tinha na conjuntura local. Além do mais, o governador tem ocupado eficazmente espaços nas redes sociais e nos canais de comunicação para falar exclusivamente sobre o coronavírus, repassando orientações e anunciando medidas pessoalmente. Não inventa a roda, o que é bom, mas tampouco subestima o medo da população ou os alertas das autoridades sanitárias do Ceará, do Brasil e do mundo. Sobretudo, tem o mérito de não politizar temas relacionados à pandemia. E ao contrário do presidente em relação ao ministro Mandetta, o governador cearense ainda ganha pontos com a credibilidade do secretário da saúde, Dr. Cabeto, técnico respeitado e gestor seguro de suas ações.

Bolsonaro foi eleito sem padrinhos políticos, com um estilo próprio, isso é inegável, mas existem crises que testam a capacidade de adaptação dos governantes a situações muito diferentes daquelas que os levaram ao poder (antipetismo, Ferreira Gomes, Lava Jato, desejo de ruptura, cooptação continuísta, voto de protesto, voto de cabresto, lulismo, esquerdismo, direitismo, tudo isso foi momentaneamente suspenso). Essa é uma dessas situações. Em um segundo, tudo pode mudar.

Publicidade

Coronavírus: melhor errar por exagero do que por omissão

Por Wanfil em Brasil

20 de Março de 2020

Coronavírus: o inimigo em comum que une esforços públicos e privados – Photo on VisualHunt.com

Todos os dias medidas de restrição de circulação de pessoas nas cidades e de isolamento social são anunciadas no esforço de conter o avanço do coronavírus. No início, o maior desafio para os governantes foi combinar essas iniciativas com a preservação da atividade econômica. Quem tardou, colheu piores índices, e agora todos procuram se antecipar ao pico da epidemia em seus países.

Como acontece nas tragédias e nas guerras, as pandemias despertam um sentimento de união nacional. Executivos, legislativos e judiciários, se mobilizam nesse sentido por todo o Brasil, com apoio da iniciativa privada. Seus representantes dão entrevistas, vão às redes sociais, pedem serenidade e alertam para a responsabilidade de todos. Fazem o que está sendo feito mundo afora, não há novidade. E é isso o que se espera deles.

Até o presidente Jair Bolsonaro, ponto fora da curva que inacreditavelmente subestimou a crise e menosprezou o medo da população, quando a imensa maioria dos políticos no mundo inteiro procura mostrar sintonia com o sentimento geral de expectativa e apreensão, recuou e passou a endossar publicamente as ações mais duras dos seus ministros.

Críticas são naturais e ajudam a corrigir rumos. Corrigidos os rumos, o importante é seguir com a mobilização contra o inimigo comum. Para governistas e opositores, insistir na politização é erro agora. Como diz um amigo meu, não existe um nível ideal de precaução a ser adotado. Só depois, quando tudo isso passar, é que poderemos avaliar se essas medidas preventivas foram adequadas, exageradas ou insuficientes. E como todos sabem, é melhor errar pelo exagero do que pela omissão.

Publicidade

A diferença entre Lula e Cabo Sabino

Por Wanfil em Política

06 de Março de 2020

Indignação: ao cobrar prisão imediata para o Cabo Sabino, líder do motim ilegal no CE, mas que ainda será julgado, Camilo Santana deve lembrar que Lula, condenado em 2ª instância por corrução, está solto

O governador Camilo Santana foi ao Facebook compartilhar sua indignação com o relaxamento do mandado de prisão contra o ex-deputado federal Cabo Sabino, líder do motim que provocou uma crise na segurança pública do Ceará. Segundo Camilo, é “inaceitável que alguém promova todo tipo de desordem, cometa crimes, desafie a própria Justiça, Ministério Público, Governo e sociedade, e seja mandado para casa, como se nada tivesse ocorrido”. Depois arrematou: “Esse acusado terá que responder pelos seus gravíssimos atos, pelo bem do Estado de Direito”.

Vejam como política é terreno escorregadio. Que o Cabo Sabino deva responder pelos crimes de que é acusado, ninguém discorda. Se for condenado, que cumpra a pena. Imagens e áudios é que não faltam para provar o papel dele no episódio. Mas como o motim acabou, com o próprio Sabino derrotado na votação dos amotinados para encerrar a paralisação, a prisão preventiva foi relaxada. São os ritos da Justiça.

Passada a possibilidade de prisão em flagrante, será preciso aguardar o devido julgamento. E o pior: tem que esperar pelos recursos. Com bons advogados, um processo pode levar anos ou até prescrever. É assim que funciona. Antes, era possível antecipar uma prisão a partir de condenação em segunda instância, mas o STF recentemente mudou esse entendimento. Existe até um projeto no Congresso que tenta mudar isso, mas alguns partidos são contra, para proteger seus membros enrolados com a Justiça.

O caso mais famoso é justamente o do ex-presidente Lula, liderança maior do PT, correligionário do governador cearense. Condenado mais de uma vez pelos crimes corrupção e lavagem de dinheiro, foi “mandado para casa, como se nada tivesse ocorrido”. É ou não é de causar indignação?

Uma das diferenças entre o caso do Cabo Sabino, que atentou contra a lei que proíbe motins, e Lula, de extensa ficha corrida, é que, como disse o próprio governador, Sabino ainda é acusado, e o ex-presidente, todos sabem, já é um condenado. Se condenado, como deve ser, que Sabino pague por seu crime. O mesmo tem que valer para Lula. Qualquer seletividade por causa de questões ideológicas  ou partidárias, é uma contradição tão inadmissível quanto a impunidade.

Acontece que política, como eu disse, é mesmo terreno escorregadio.

Publicidade

O fim do motim no Ceará e suas implicações políticas

Por Wanfil em Política

02 de Março de 2020

Sergio Moro e Camilo Santana no Ceará: moderação política e parceria institucional mostram que falar menos e fazer mais é o melhor caminho – Foto: Alexandre Manfrim – Divulgação MD

O motim de policiais militares liderados pelo ex-deputado federal Cabo Sabino chegou ao fim do mesmo modo como começou: isolado e dividido. Tudo começou quando o grupo rejeitou o acordo de reestruturação salarial celebrado entre o governo estadual e os representantes mais conhecidos da categoria: o deputado federal Capitão Wagner, o deputado estadual Soldado Noélio, e o vereador de Fortaleza Sargento Reginauro. Um bom acordo, diga-se.

Deu no que deu. E depois de todo o desgaste, das imagens de homens encapuzados e armados impedindo a circulação de viaturas, depois de tudo, os amotinados acabaram por aceitar o projeto que já tinha sido apresentando antes da paralisação. Imagens que foram fatais para qualificar o movimento perante a opinião pública local e nacional.

A oposição que tem os movimentos de policiais como base sai, portanto, fragilizada desses eventos, mas ainda é cedo para dimensionar o tamanho do estrago, até porque segurança pública é terreno escorregadio.

O presidente Jair Bolsonaro, que atendeu aos pedidos de ajuda das autoridades cearenses, perdeu a mão quando veio a público fazer cobranças ao governo estadual, pressão desnecessária que gerou apreensão, inclusive, em outros estados.

O senador Cid Gomes, que se recupera bem dos tiros que levou ao avançar com uma retroescavadeira sobre os amotinados, mostrou ao país o que não deve ser feito em situações dessa natureza. Por sorte, o pior não aconteceu. Prevaleceu, felizmente, a postura adotada pelo o governador Camilo Santana e pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que demonstraram equilíbrio, mesmo com todas as pressões do ambiente politicamente polarizado no Brasil, evitando declarações que agravassem a situação, mas agindo sem hesitar dentro dos seus papéis institucionais, apontando a ilegalidade da paralisação.

O fim da paralisação tem implicações políticas – e até eleitorais – que ainda estão em plena formatação, mas tudo isso leva mais um tempo para ser digerido. Agora, nesse primeiro momento após a crise, as atenções se voltam para os processos administrativos e criminais envolvendo os amotinados, que também tem potencial político, conforme sejam conduzido. Nesse caso, quanto mais transparência e serenidade, melhor.

Publicidade

O fim do motim no Ceará e suas implicações políticas

Por Wanfil em Política

02 de Março de 2020

Sergio Moro e Camilo Santana no Ceará: moderação política e parceria institucional mostram que falar menos e fazer mais é o melhor caminho – Foto: Alexandre Manfrim – Divulgação MD

O motim de policiais militares liderados pelo ex-deputado federal Cabo Sabino chegou ao fim do mesmo modo como começou: isolado e dividido. Tudo começou quando o grupo rejeitou o acordo de reestruturação salarial celebrado entre o governo estadual e os representantes mais conhecidos da categoria: o deputado federal Capitão Wagner, o deputado estadual Soldado Noélio, e o vereador de Fortaleza Sargento Reginauro. Um bom acordo, diga-se.

Deu no que deu. E depois de todo o desgaste, das imagens de homens encapuzados e armados impedindo a circulação de viaturas, depois de tudo, os amotinados acabaram por aceitar o projeto que já tinha sido apresentando antes da paralisação. Imagens que foram fatais para qualificar o movimento perante a opinião pública local e nacional.

A oposição que tem os movimentos de policiais como base sai, portanto, fragilizada desses eventos, mas ainda é cedo para dimensionar o tamanho do estrago, até porque segurança pública é terreno escorregadio.

O presidente Jair Bolsonaro, que atendeu aos pedidos de ajuda das autoridades cearenses, perdeu a mão quando veio a público fazer cobranças ao governo estadual, pressão desnecessária que gerou apreensão, inclusive, em outros estados.

O senador Cid Gomes, que se recupera bem dos tiros que levou ao avançar com uma retroescavadeira sobre os amotinados, mostrou ao país o que não deve ser feito em situações dessa natureza. Por sorte, o pior não aconteceu. Prevaleceu, felizmente, a postura adotada pelo o governador Camilo Santana e pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que demonstraram equilíbrio, mesmo com todas as pressões do ambiente politicamente polarizado no Brasil, evitando declarações que agravassem a situação, mas agindo sem hesitar dentro dos seus papéis institucionais, apontando a ilegalidade da paralisação.

O fim da paralisação tem implicações políticas – e até eleitorais – que ainda estão em plena formatação, mas tudo isso leva mais um tempo para ser digerido. Agora, nesse primeiro momento após a crise, as atenções se voltam para os processos administrativos e criminais envolvendo os amotinados, que também tem potencial político, conforme sejam conduzido. Nesse caso, quanto mais transparência e serenidade, melhor.