23/03/2020 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

23/03/2020

Datafolha: governadores têm aprovação maior que o presidente no combate ao coronavírus

Por Wanfil em Pesquisa

23 de Março de 2020

Bolsonaro e o Ministro da Saúde, Henrique Mandetta, em videoconferência com prefeitos (Agência Brasil): nova realidade imposta pelo coronavírus

O instituto Datafolha informa que 54% dos brasileiros aprovam o desempenho dos governadores na crise do coronavírus, enquanto 35% avaliam positivamente o trabalho do presidente Jair Bolsonaro. Curiosamente, o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi bem avaliado por 55% dos entrevistados.

Por esses números, o presidente estaria com a imagem descolada das ações promovidas por seu próprio governo. Como os governos estaduais não podem ser mais ativos e determinantes que o governo federal nesse momento de calamidade, a diferença de percepções apontada pela pesquisa só pode ser resultado de erros de comunicação e postura do presidente. Talvez excesso de autoconfiança.

Bolsonaro e o bolsonarismo desqualificam o Datafolha, que é ligado ao jornal Folha de São Paulo. E de fato, o instituto já cometeu erros no passado, especialmente nas eleições presidenciais, quando dizia que praticamente todos os candidatos venceriam Bolsonaro no segundo turno. Contudo, é perfeitamente visível que o presidente vem tentando, desde a semana passada, recalibrar as falas e atitudes relacionadas ao coronavírus. Mas parece que ainda não encontrou o ponto ideal. Uma hora ensaia reconhecer que o problema é mesmo colossal, e depois recua, falando em histeria.

Nada é por acaso. Ainda que o Datafolha e a Folha possam carregar nas ênfases contra o governo, o fato é que este já sentiu a necessidade de modular a postura presidencial. Certamente o Palácio do Planalto tem seus próprios números e sabe que há desgaste onde outras autoridades conseguem capitalizar dividendos.

Ceará

O Datafolha não divulgou dados por estados. É possível que o governador Camilo Santana esteja acima dessa média, pela boa aceitação que já tinha na conjuntura local. Além do mais, o governador tem ocupado eficazmente espaços nas redes sociais e nos canais de comunicação para falar exclusivamente sobre o coronavírus, repassando orientações e anunciando medidas pessoalmente. Não inventa a roda, o que é bom, mas tampouco subestima o medo da população ou os alertas das autoridades sanitárias do Ceará, do Brasil e do mundo. Sobretudo, tem o mérito de não politizar temas relacionados à pandemia. E ao contrário do presidente em relação ao ministro Mandetta, o governador cearense ainda ganha pontos com a credibilidade do secretário da saúde, Dr. Cabeto, técnico respeitado e gestor seguro de suas ações.

Bolsonaro foi eleito sem padrinhos políticos, com um estilo próprio, isso é inegável, mas existem crises que testam a capacidade de adaptação dos governantes a situações muito diferentes daquelas que os levaram ao poder (antipetismo, Ferreira Gomes, Lava Jato, desejo de ruptura, cooptação continuísta, voto de protesto, voto de cabresto, lulismo, esquerdismo, direitismo, tudo isso foi momentaneamente suspenso). Essa é uma dessas situações. Em um segundo, tudo pode mudar.

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Datafolha: governadores têm aprovação maior que o presidente no combate ao coronavírus

Por Wanfil em Pesquisa

23 de Março de 2020

Bolsonaro e o Ministro da Saúde, Henrique Mandetta, em videoconferência com prefeitos (Agência Brasil): nova realidade imposta pelo coronavírus

O instituto Datafolha informa que 54% dos brasileiros aprovam o desempenho dos governadores na crise do coronavírus, enquanto 35% avaliam positivamente o trabalho do presidente Jair Bolsonaro. Curiosamente, o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi bem avaliado por 55% dos entrevistados.

Por esses números, o presidente estaria com a imagem descolada das ações promovidas por seu próprio governo. Como os governos estaduais não podem ser mais ativos e determinantes que o governo federal nesse momento de calamidade, a diferença de percepções apontada pela pesquisa só pode ser resultado de erros de comunicação e postura do presidente. Talvez excesso de autoconfiança.

Bolsonaro e o bolsonarismo desqualificam o Datafolha, que é ligado ao jornal Folha de São Paulo. E de fato, o instituto já cometeu erros no passado, especialmente nas eleições presidenciais, quando dizia que praticamente todos os candidatos venceriam Bolsonaro no segundo turno. Contudo, é perfeitamente visível que o presidente vem tentando, desde a semana passada, recalibrar as falas e atitudes relacionadas ao coronavírus. Mas parece que ainda não encontrou o ponto ideal. Uma hora ensaia reconhecer que o problema é mesmo colossal, e depois recua, falando em histeria.

Nada é por acaso. Ainda que o Datafolha e a Folha possam carregar nas ênfases contra o governo, o fato é que este já sentiu a necessidade de modular a postura presidencial. Certamente o Palácio do Planalto tem seus próprios números e sabe que há desgaste onde outras autoridades conseguem capitalizar dividendos.

Ceará

O Datafolha não divulgou dados por estados. É possível que o governador Camilo Santana esteja acima dessa média, pela boa aceitação que já tinha na conjuntura local. Além do mais, o governador tem ocupado eficazmente espaços nas redes sociais e nos canais de comunicação para falar exclusivamente sobre o coronavírus, repassando orientações e anunciando medidas pessoalmente. Não inventa a roda, o que é bom, mas tampouco subestima o medo da população ou os alertas das autoridades sanitárias do Ceará, do Brasil e do mundo. Sobretudo, tem o mérito de não politizar temas relacionados à pandemia. E ao contrário do presidente em relação ao ministro Mandetta, o governador cearense ainda ganha pontos com a credibilidade do secretário da saúde, Dr. Cabeto, técnico respeitado e gestor seguro de suas ações.

Bolsonaro foi eleito sem padrinhos políticos, com um estilo próprio, isso é inegável, mas existem crises que testam a capacidade de adaptação dos governantes a situações muito diferentes daquelas que os levaram ao poder (antipetismo, Ferreira Gomes, Lava Jato, desejo de ruptura, cooptação continuísta, voto de protesto, voto de cabresto, lulismo, esquerdismo, direitismo, tudo isso foi momentaneamente suspenso). Essa é uma dessas situações. Em um segundo, tudo pode mudar.