08/04/2020 - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

08/04/2020

O isolamento deu certo ou errado em Fortaleza?

Por Wanfil em Saúde

08 de Abril de 2020

“Se eu estivesse em Fortaleza estaria extremamente preocupado”, disse o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ao anunciar que a capital cearense registra a maior incidência de casos de coronavírus do Brasil: 34,7 por cada grupo de 100 mil pessoas. “Como assim? As medidas de isolamento social não surtiram efeito?” É a pergunta que mais vejo agora nas redes sociais. E com respostas para todos os gostos. O fato, entretanto, é que nada é simples de ser respondido. Em lugar nenhum.

Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta: “Se eu estivesse em Fortaleza…”

Para começar, “registrar” a maior taxa é diferente de “ter” a maior taxa. Por todo o País, os testes são insuficientes e demoram a sair. Pode ser que Fortaleza faça mais testes e tenha uma subnotificação menor do que em outras capitais; mas pode ser que a sua posição seja mais grave, por motivos que ainda serão investigados. O que eu quero dizer é que nada está muito claro nem mesmo nos países ricos, quanto mais onde a dengue é um desafio crônico.

Pode ser – reparem que tudo é especulação – que sem a quarentena, Fortaleza estivesse em níveis italianos ou espanhóis. Quem pode garantir? Os EUA tentaram aplicar medidas brandas e agora compraram o coronavírus com Pearl Harbor e com o 11 de Setembro. E pode ser (essa é a minha aposta pessoal) que a aplicação das medidas de restrição na cidade seja mais complexa do que parece. Por uma série de razões – demográficas, sociais, econômicas e mesmo culturais – boa parcela da população não quer ou simplesmente não pode se isolar, atuando, mesmo que involuntariamente, como vetor de propagação da doença.

Diante dos números atuais, o governo do Ceará, a Secretaria da Saúde e a Prefeitura de Fortaleza reforçam os apelos para que todos tentem seguir as regras de isolamento social, seguindo as orientações dos maiores epidemiologistas e estudiosos de saúde pública do mundo. Quase metade das prefeituras cearenses decretaram estado de calamidade. O Ministério da Saúde afirmam que a epidemia será mais crítica em abril e maio. O fato é que a experiência recente e os principais especialistas do mundo em saúde pública e epimiedologia entendem, pelo menos a maioria, que apesar dos pesares e dos prejuízos, o isolamento é a única medida que retarda a velocidade do contágio, fundamental para evitar o colapso nos hospitais.

Nunca o ditado “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, foi tão preciso para governantes e autoridades em geral como agora.

Publicidade

O isolamento deu certo ou errado em Fortaleza?

Por Wanfil em Saúde

08 de Abril de 2020

“Se eu estivesse em Fortaleza estaria extremamente preocupado”, disse o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ao anunciar que a capital cearense registra a maior incidência de casos de coronavírus do Brasil: 34,7 por cada grupo de 100 mil pessoas. “Como assim? As medidas de isolamento social não surtiram efeito?” É a pergunta que mais vejo agora nas redes sociais. E com respostas para todos os gostos. O fato, entretanto, é que nada é simples de ser respondido. Em lugar nenhum.

Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta: “Se eu estivesse em Fortaleza…”

Para começar, “registrar” a maior taxa é diferente de “ter” a maior taxa. Por todo o País, os testes são insuficientes e demoram a sair. Pode ser que Fortaleza faça mais testes e tenha uma subnotificação menor do que em outras capitais; mas pode ser que a sua posição seja mais grave, por motivos que ainda serão investigados. O que eu quero dizer é que nada está muito claro nem mesmo nos países ricos, quanto mais onde a dengue é um desafio crônico.

Pode ser – reparem que tudo é especulação – que sem a quarentena, Fortaleza estivesse em níveis italianos ou espanhóis. Quem pode garantir? Os EUA tentaram aplicar medidas brandas e agora compraram o coronavírus com Pearl Harbor e com o 11 de Setembro. E pode ser (essa é a minha aposta pessoal) que a aplicação das medidas de restrição na cidade seja mais complexa do que parece. Por uma série de razões – demográficas, sociais, econômicas e mesmo culturais – boa parcela da população não quer ou simplesmente não pode se isolar, atuando, mesmo que involuntariamente, como vetor de propagação da doença.

Diante dos números atuais, o governo do Ceará, a Secretaria da Saúde e a Prefeitura de Fortaleza reforçam os apelos para que todos tentem seguir as regras de isolamento social, seguindo as orientações dos maiores epidemiologistas e estudiosos de saúde pública do mundo. Quase metade das prefeituras cearenses decretaram estado de calamidade. O Ministério da Saúde afirmam que a epidemia será mais crítica em abril e maio. O fato é que a experiência recente e os principais especialistas do mundo em saúde pública e epimiedologia entendem, pelo menos a maioria, que apesar dos pesares e dos prejuízos, o isolamento é a única medida que retarda a velocidade do contágio, fundamental para evitar o colapso nos hospitais.

Nunca o ditado “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, foi tão preciso para governantes e autoridades em geral como agora.