Artigo Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Artigo

Morre Beni Veras: seu legado é lição contra as crises

Por Wanfil em Artigo

06 de novembro de 2015

O Governo do Estado decretou luto de três dias pela morte do ex-governador, ex-senador e ex-ministro Beni Veras, aos 80 anos. Jornais e site publicam sua trajetória, desconhecida dos mais jovens.

Aqui me limito a ressaltar um fato que, nos dias de hoje, pode até soar estranho: Beni Veras foi empresário,  político e gestor público sobre quem nunca se ouviu falar de escândalos, denúncias, investigações ou mesmo suspeitas. Algo raro, tomando-se as lideranças do Brasil nestes tempos de crise.

Outra característica marcante em Beni foi a disposição de estudar temas com os quais tinha lidar nos cargos que ocupou, como a questão das desigualdades regionais no Brasil, para sugerir soluções, sem no entanto nunca parecer arrogante. Isso é outra coisa incomum: a noção de que a responsabilidade das posições de comando exige preparo e atualização não apenas no setor privado, mas também nas atividades públicas.

Em tempo de descrédito generalizado da política e dos políticos, o legado de Beni Veras é uma oportuna lembrança: pessoas de bem, independente de colorações partidárias ou ideológicas, devem, na medida de suas possibilidades, compartilhar seus conhecimentos a serviço da política e da gestão pública, apesar dos tipos inescrupulosos que estão sempre por aí.

No Ceará, Beni provou que essa é a melhor forma de enfrentar crises. Que descanse em merecida paz.

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Ceará: sucesso como fornecedor e fracasso como empregador de talentos do ITA

Por Wanfil em Artigo, Educação

17 de outubro de 2013

Em 2008 assisti a uma palestra do economista israelense Raphael Bar-El, da Universidade de Bem Gurion (e de várias outras na Europa e EUA), proferida no auditório da Fiec, em Fortaleza. Na ocasião, o professor foi preciso ao afirmar que sem uma educação para formar profissionais de ponta e operários versáteis, o Ceará continuaria a atrair investimentos que demandam somente mão de obra barata e de pouca escolaridade. A saída: educação, educação e educação, como compensação à falta de recursos naturais valiosos. Educação como estratégia de desenvolvimento, não como mera obrigação constitucional e burocrática. Só assim, o Ceará ficaria atraente para os investimentos de alto valor agregado.

Estamos em 2013 e essa avaliação continua atualíssima. Mas há um aspecto que agrava ainda mais esse cenário de falta de visão estratégica para a educação, até mesmo, ou especialmente, em nível superior, como mostra reportagem especial do portal Tribuna do Ceará sobre o sucesso dos alunos cearenses no ITA, referência quando o assunto é engenharia. São jovens que precisam sair do Ceará para buscar um formação melhor e que não conseguem voltar para atuar no mercado local, por falta de vagas para profissionais com essa qualificação. Ou seja, existe matéria-prima de altíssimo nível, estudantes formados em escolas cearenses, a maioria particular, claro, mas prata da casa.

Esse colégios, aliás, bem administrados que são, perceberam a demanda e criaram turmas que reúnem esses alunos mais talentosos para esse tipo de exame. É estratégia. Leia mais

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O ecologista universitário

Por Wanfil em Artigo, Movimentos Sociais

14 de agosto de 2013

Descobri recentemente que assim como há o “forró universitário” e o “sertanejo universitário”, existe o “ecologismo universitário”. A classificação é informal, mas compreende grupos de indivíduos, jovens na maioria, alunos de cursos superiores. Em comum, a capacidade de transformar a fonte original de suas inspirações em produtos medíocres, para consumo fácil.

Entrei em contato com os ecologistas universitários em razão do post Qual a diferença entre a polêmica do Parque do Cocó e uma novela?, pelo qual recebi diversas críticas na fanpage do Tribuna do Ceará no Facebook, feitas por universitários indignados com o que entendem ser, digamos, falta de alinhamento com a causa que simpatizam, no caso, o impedimento da construção de dois viadutos nas imediações do local.

Pelas observações lá anotadas, é lícito supor que a maioria se deixou levar por impressões nascidas da mera leitura do título, sem atinar para o teor do artigo, em que sequer entro no mérito de quem tem ou não razão na polêmica, atendo-me somente a uma análise do comportamento das partes em litígio: defensores versus críticos da obra. Alguns que o leram, na ânsia de aderir ao coro das críticas, e em obediência ao espírito de corpo, endossaram os chavões típicos dos grupos doutrinados.

Não vou discutir questões de estilo (“o estilo é o homem”, dizia o Conde de Buffon): frases truncadas, ofensas, erros gramaticais grosseiros. Segundo me disseram, na Internet o erro é a norma. Escrever corretamente, pois, é puro capricho elitista e esnobe. E eu que imaginava que a norma culta ajudava na organização e transmissão do pensamento.

O que me impressionou nos ecologistas universitários, além do fato de muitos não saberem distinguir artigo de reportagem, é a disposição de atacar quem não reze pela cartilha dos preceitos politicamente corretos que, em suas cabecinhas, se passam por pensamento crítico de muita profundidade. A mera desconfiança de que o sujeito não concorde incondicionalmente com a pauta que julgam ser a correta, já lhes basta para que busquem desqualificá-lo pessoalmente. Não há argumentos em suas críticas, mas impropérios vazios e vulgares.

Não percebem que a beleza e a pujança da democracia residem justamente na contraposição de ideias, no debate honesto que não se deixa ofuscar por rótulos preconceituosos, na capacidade de convencer pela razão. Imaginam que ecologia é bandeira anticapitalista e não de aprimoramento no modo de produção.

A diferença entre os sertanejos, forrozeiros e ecologistas universitários é que os dois primeiros não aspiram representar um tipo de arte superior, enquanto os últimos acreditam ser o suprassumo da consciência humana. A indignação que demonstram não é ânsia de justiça, é afetação contra qualquer possibilidade de dissenso.

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Quem sente falta do PSDB?

Por Wanfil em Artigo, convidado

05 de dezembro de 2012

Artigo do jornalista Bruno Pontes, que não é filiado a partido político, nem simpatizante do PSDB ou do PT.

Tucanos reclamam da agenda roubada pelo petismo. Agora, são os tucanos que imitam o discurso petista. Quem ganha e quem perde?

Em julho de 2010, durante a campanha presidencial, o petista Marco Aurélio Garcia chamou José Serra de “troglodita de direita”, porque o candidato tucano andava proferindo levíssimas críticas à política externa do governo Lula, a qual consistiu em dar um braço protetor a Mahmoud Ahmadinejad, às Farc e outras entidades beneficentes.

Disse Marco Aurélio Garcia: “Fico constrangido de ver uma pessoa que teve um passado de esquerda como o José Serra correr tanto em direção à direita. Daquela direita mais raivosa, mais atrasada. Me parece um final melancólico da sua carreira política, porque eu acho que a sua carreira política terminará no dia 3 de outubro”.

Acusado de apostasia ideológica, Serra devolveu a ofensa repugnante: “Troglodita de direita é quem apóia o Ahmadinejad, um sistema que mata mulheres, uma ditadura que prende jornalistas, enforca opositores”. O mundo foi pego de surpresa com essa declaração. Segundo os critérios de Serra, são direitistas os seguintes elementos: Hugo Chávez, Evo Morales, Vladimir Putin, Kim Jong-il, Robert Mugabe e Lula.

Preocupado em deixar fora de qualquer dúvida que é uma pessoa decente, o tucano reiterou ser esquerdista (como podem duvidar?) e explicou: “Para mim, falar de esquerda é falar de direitos humanos, e falar de políticas efetivamente populares, com políticas que façam bem para as pessoas a médio e longo prazo”.

“FOI PRESIDENTE DA UNE”

Dali em diante Serra continuaria a exalar bom-mocismo esquerdista até perder a eleição. Alguns dias depois, discursando no XI Fórum de Biarritz, na França, Serra informou ao público que o governo Lula vinha negligenciando os investimentos públicos e praticando “populismo cambial”. Portanto, adivinhem a conclusão do tucano! “É um governo populista de direita em matéria econômica”.

Somos ensinados, nos jornais, nas salas de aula, nos filmes dos artistas conscientes, nas conversas inteligentes, que o bem e o bonito são de esquerda e tudo que é ruim e desagradável vem da direita. É a ciência política dos intelectuais orgânicos, e, como demonstram palavras e gestos, é o que prega o esquema mental de Serra, o tucano que adora apanhar de petista (nunca se viu vocação tão incoercível).

Naquela campanha, a exemplo de Dilma Rousseff ou até mais do que ela, Serra gabou-se perante os eleitores de ter prestado serviços à causa esquerdista. Era uma grande preocupação sua. Da primeira à última propaganda eleitoral, lá estava o destaque curricular: “foi presidente da UNE, foi perseguido pela ditadura, teve que se exilar, blábláblá”. Durante os seis meses de sua campanha, Serra não fez menção ao Plano Nacional de Direitos Humanos 3, referendado por Dilma, aquele que, entre outras questões de honra da revolução cultural, defende a liberação total do aborto e a instituição do gayzismo nas escolas. Ele não queria ser confundido com um conservador.

Podem me chamar de tudo, menos disso! Eu fui presidente da UNE! A ditadura me perseguiu!

FHC, OUTRO PROGRESSISTA

Agora, em entrevista à Folha de S. Paulo, o tucano-mor Fernando Henrique Cardoso informa pela enésima vez que é um senhor progressista, que entre PT e PSDB não existem grandes diferenças programáticas e que, apesar de tudo, os brasileiros devem ser gratos a pessoas como José Dirceu e José Genoíno. Leia mais

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Palavras que curam, palavras que adoecem

Por Wanfil em Artigo, convidado

18 de Maio de 2012

Publico abaixo texto do jornalista Wanderley Pereira, da TV Jangadeiro. Vale a reflexão.

Temos que aprender a vestir as ideias com as palavras adequadas. A palavra reflete o estado de espírito. Tudo que se fala está carregado das vibrações dos sentimentos. É como a flor que espalha o perfume agradável, ou como a que espalha o odor excêntrico, irritante, importuno. Assim também é a palavra exteriorizada, ela alcança os ouvidos e a sensibilidade, produzindo reações diversas, negativas ou positivas, nos que a ouvem.

O leitor já deve ter passado certamente pela experiência de ouvir uma boca que conforta, que acalma, que levanta o ânimo, que modifica a mente para melhor, ou a boca inflamada que agride, que inquieta, amarga e põe para baixo quem a ouve. A primeira desperta um sentimento de aceitação, de segurança e bem-estar, e quem a ouve tem interesse de continuar ouvindo-a. No segundo caso, a reação do ouvinte é que o interlocutor se retire logo para que ele não se imponha ao constrangimento de continuar ouvindo-o.

Por isso, é muito importante o falar. Há pessoas capazes de magnetizar as outras com os nutrientes espirituais do seu verbo educado, alegre, sensato. Outras há que exteriorizam um magnetismo contaminado que adoece. Uma conversa atenciosa, alentadora, do médico com o paciente é capaz de produzir resultados mais satisfatórios do que uma receita muda indicando comprimidos e injeções. Um diálogo fraterno, que produz energia pacífica, pode contornar situações que a força e a imposição não conseguem.

Daí a necessidade das pessoas optarem por ouvir a palavra edificante, as mensagens da mente higienizada, sobretudo em se tratando de notícias, comentários, reportagens e entrevistas. Vivemos sob uma carga muito pesada de palavras que transportam agressão, censura, desconfiança, insegurança, medo, desespero. São tóxicos perigosos que estimulam o ódio e a violência. Só a palavra de amor, só o timbre suave da esperança, podem levantar os enfermos das emoções. Não foi à toa que o apóstolo Paulo disse numa carta aos coríntios: “As más conversações corrompem os bons costumes.”

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Palavras que curam, palavras que adoecem

Por Wanfil em Artigo, convidado

18 de Maio de 2012

Publico abaixo texto do jornalista Wanderley Pereira, da TV Jangadeiro. Vale a reflexão.

Temos que aprender a vestir as ideias com as palavras adequadas. A palavra reflete o estado de espírito. Tudo que se fala está carregado das vibrações dos sentimentos. É como a flor que espalha o perfume agradável, ou como a que espalha o odor excêntrico, irritante, importuno. Assim também é a palavra exteriorizada, ela alcança os ouvidos e a sensibilidade, produzindo reações diversas, negativas ou positivas, nos que a ouvem.

O leitor já deve ter passado certamente pela experiência de ouvir uma boca que conforta, que acalma, que levanta o ânimo, que modifica a mente para melhor, ou a boca inflamada que agride, que inquieta, amarga e põe para baixo quem a ouve. A primeira desperta um sentimento de aceitação, de segurança e bem-estar, e quem a ouve tem interesse de continuar ouvindo-a. No segundo caso, a reação do ouvinte é que o interlocutor se retire logo para que ele não se imponha ao constrangimento de continuar ouvindo-o.

Por isso, é muito importante o falar. Há pessoas capazes de magnetizar as outras com os nutrientes espirituais do seu verbo educado, alegre, sensato. Outras há que exteriorizam um magnetismo contaminado que adoece. Uma conversa atenciosa, alentadora, do médico com o paciente é capaz de produzir resultados mais satisfatórios do que uma receita muda indicando comprimidos e injeções. Um diálogo fraterno, que produz energia pacífica, pode contornar situações que a força e a imposição não conseguem.

Daí a necessidade das pessoas optarem por ouvir a palavra edificante, as mensagens da mente higienizada, sobretudo em se tratando de notícias, comentários, reportagens e entrevistas. Vivemos sob uma carga muito pesada de palavras que transportam agressão, censura, desconfiança, insegurança, medo, desespero. São tóxicos perigosos que estimulam o ódio e a violência. Só a palavra de amor, só o timbre suave da esperança, podem levantar os enfermos das emoções. Não foi à toa que o apóstolo Paulo disse numa carta aos coríntios: “As más conversações corrompem os bons costumes.”