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O lado bom do escândalo na Petrobras: "é necessário que venham escândalos" - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

O lado bom do escândalo na Petrobras: “é necessário que venham escândalos”

Por Wanfil em Corrupção

17 de dezembro de 2014

“Ai do mundo por causa dos escândalos; porque é necessário que venham escândalos; mas ai do homem por quem o escândalo venha”. São Mateus – 18, 1.

Jesus, como sempre em suas passagens, é atemporal. Dois mil anos depois a máxima cabe como uma luva para uma reflexão sobre o escândalo na Petrobras, que revela ao país, em pormenores, como funciona a estrutura de corrupção instalada em serviços e obras públicas. É que o escândalo, apesar dos pesares, revela a natureza do pecado.

Fica comprovada a existência, por assim dizer (e para continuarmos nos exemplos religiosos), um método que pode ser resumido na distorção da Oração de São Francisco: “é dando que se recebe”. Não se trata de desvio acidental, de tentação momentânea, mas de padronização de certas práticas. Em cada obra, nas menores ações, estão embutidas as taxas e os custos da propina, como se fossem coisa normal.

Pelo menos agora está claro para os brasileiros que não existe nada mais mafioso do que as tais indicações políticas nas estatais, feitas para preencher cotas de partidos, que se repete em diversos outros lugares, como em bancos públicos.

No Banco do Nordeste, por exemplo, da presidência às diretorias do órgão, seus dirigentes são apadrinhados por partidos políticos. É a mesmíssima lógica verificada na Petrobras. No BNB, tem deputado mandando mais do que economistas. Pode até ser que por lá impere a lógica de mercado e a ética mais irretocável, mas nesses dias a desconfiança é uma forma de prudência. Principalmente quando vemos que se o padrão de governança na Petrobras, empresa de capital aberto, submetida ao controle de órgãos diversos, é o que é, imagine o resto.

E diante do que o país tem descobrindo, a contragosto de autoridades, dos envolvidos, da própria empresa e do governo federal, as prioridades na agenda política não deveriam ser a regulação da mídia, como querem os autoritários, ou o financiamento público de campanha, que é um modo de dar mais dinheiro nosso para quem não merece confiança. O que precisa ser feito é uma revisão no modelo de contratação de serviços públicos. Hoje, qualquer licitação carece da mínima credibilidade. Tudo é amarrado, combinado, direcionado, superfaturado. É isso o que tem que ser revisto. Também é preciso punir os corruptos de forma mais dura, com penas mais longas e atingindo seus patrimônios. É a parte do “ai do homem por quem o escândalo venha”.

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O lado bom do escândalo na Petrobras: “é necessário que venham escândalos”

Por Wanfil em Corrupção

17 de dezembro de 2014

“Ai do mundo por causa dos escândalos; porque é necessário que venham escândalos; mas ai do homem por quem o escândalo venha”. São Mateus – 18, 1.

Jesus, como sempre em suas passagens, é atemporal. Dois mil anos depois a máxima cabe como uma luva para uma reflexão sobre o escândalo na Petrobras, que revela ao país, em pormenores, como funciona a estrutura de corrupção instalada em serviços e obras públicas. É que o escândalo, apesar dos pesares, revela a natureza do pecado.

Fica comprovada a existência, por assim dizer (e para continuarmos nos exemplos religiosos), um método que pode ser resumido na distorção da Oração de São Francisco: “é dando que se recebe”. Não se trata de desvio acidental, de tentação momentânea, mas de padronização de certas práticas. Em cada obra, nas menores ações, estão embutidas as taxas e os custos da propina, como se fossem coisa normal.

Pelo menos agora está claro para os brasileiros que não existe nada mais mafioso do que as tais indicações políticas nas estatais, feitas para preencher cotas de partidos, que se repete em diversos outros lugares, como em bancos públicos.

No Banco do Nordeste, por exemplo, da presidência às diretorias do órgão, seus dirigentes são apadrinhados por partidos políticos. É a mesmíssima lógica verificada na Petrobras. No BNB, tem deputado mandando mais do que economistas. Pode até ser que por lá impere a lógica de mercado e a ética mais irretocável, mas nesses dias a desconfiança é uma forma de prudência. Principalmente quando vemos que se o padrão de governança na Petrobras, empresa de capital aberto, submetida ao controle de órgãos diversos, é o que é, imagine o resto.

E diante do que o país tem descobrindo, a contragosto de autoridades, dos envolvidos, da própria empresa e do governo federal, as prioridades na agenda política não deveriam ser a regulação da mídia, como querem os autoritários, ou o financiamento público de campanha, que é um modo de dar mais dinheiro nosso para quem não merece confiança. O que precisa ser feito é uma revisão no modelo de contratação de serviços públicos. Hoje, qualquer licitação carece da mínima credibilidade. Tudo é amarrado, combinado, direcionado, superfaturado. É isso o que tem que ser revisto. Também é preciso punir os corruptos de forma mais dura, com penas mais longas e atingindo seus patrimônios. É a parte do “ai do homem por quem o escândalo venha”.