Amigos petistas vejam o lado bom do impeachment - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Amigos petistas vejam o lado bom do impeachment

Por Wanfil em Crônica

12 de Maio de 2016

Faça como Pangloss, mentor de Cândido na sátira O Otimismo, de Voltaire (1759)

Faça como Pangloss, mentor de Cândido na sátira O Otimismo, de Voltaire (1759)

Os eventos, mesmo os mais difíceis, sempre podem ser vistos com otimismo, ensinava Pangloss a Cândido, personagens de Voltaire. “Tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis”, repetia diante dos reveses da vida.

Noto que amigos, conhecidos e até desconhecidos que avisto em minhas redes sociais, estão inconsoláveis com o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Alguns por afinidade ideológica, outros por lealdade partidária, uns tantos por necessidade (em geral comissionados e assessores) e vários por simpatia gratuita mesmo. Os motivos variam de acordo com o senso de justiça, ou de urgência, de cada um. Esses também estão, naturalmente, revoltados com Michel Temer, que assume interinamente a Presidência da República.

Comovido com esse sofrimento, aqui estou, solidário, a dizer-lhes: há algo de bom para vocês em tudo isso. Se antes estava difícil pregar contra a corrupção, especialmente após o mensalão e o petrolão, agora já se pode apontar ministros enrolados com a Lava Jato. Se antes o constrangimento de ver uma gestão autoproclamada progressista cortando benefícios como o seguro-desemprego era uma humilhação, agora já é possível acusar de neoliberais (quanta saudade desse xingamento, hein?) os que adotam medidas de restrição para fazer o ajuste que pode colocar a economia de volta nos trilhos. Sem contar o alívio que será cobrar aumento salarial, elevação de gastos sociais e nos investimentos em infraestrutura, tudo isso e muito mais, sem precisar se preocupar em fechar a conta. É o paraíso! É o melhor dos mundos possíveis.

Sem os erros nas últimas eleições, sem a maquiagem nas contas públicas, sem os esquemas turbinados nas estatais e nos fundos de pensão, sem os acordos com as empreiteiras, sem o impeachment, sem Eduardo Cunha e Michel Temer, nada disso seria possível. É bem verdade que, após muito sofrer, Cândido conclui, um tanto cético e pessimista, que “devemos cultivar o nosso jardim”. Mas essa parte, convenhamos, não cabe na narrativa do golpismo.

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Amigos petistas vejam o lado bom do impeachment

Por Wanfil em Crônica

12 de Maio de 2016

Faça como Pangloss, mentor de Cândido na sátira O Otimismo, de Voltaire (1759)

Faça como Pangloss, mentor de Cândido na sátira O Otimismo, de Voltaire (1759)

Os eventos, mesmo os mais difíceis, sempre podem ser vistos com otimismo, ensinava Pangloss a Cândido, personagens de Voltaire. “Tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis”, repetia diante dos reveses da vida.

Noto que amigos, conhecidos e até desconhecidos que avisto em minhas redes sociais, estão inconsoláveis com o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Alguns por afinidade ideológica, outros por lealdade partidária, uns tantos por necessidade (em geral comissionados e assessores) e vários por simpatia gratuita mesmo. Os motivos variam de acordo com o senso de justiça, ou de urgência, de cada um. Esses também estão, naturalmente, revoltados com Michel Temer, que assume interinamente a Presidência da República.

Comovido com esse sofrimento, aqui estou, solidário, a dizer-lhes: há algo de bom para vocês em tudo isso. Se antes estava difícil pregar contra a corrupção, especialmente após o mensalão e o petrolão, agora já se pode apontar ministros enrolados com a Lava Jato. Se antes o constrangimento de ver uma gestão autoproclamada progressista cortando benefícios como o seguro-desemprego era uma humilhação, agora já é possível acusar de neoliberais (quanta saudade desse xingamento, hein?) os que adotam medidas de restrição para fazer o ajuste que pode colocar a economia de volta nos trilhos. Sem contar o alívio que será cobrar aumento salarial, elevação de gastos sociais e nos investimentos em infraestrutura, tudo isso e muito mais, sem precisar se preocupar em fechar a conta. É o paraíso! É o melhor dos mundos possíveis.

Sem os erros nas últimas eleições, sem a maquiagem nas contas públicas, sem os esquemas turbinados nas estatais e nos fundos de pensão, sem os acordos com as empreiteiras, sem o impeachment, sem Eduardo Cunha e Michel Temer, nada disso seria possível. É bem verdade que, após muito sofrer, Cândido conclui, um tanto cético e pessimista, que “devemos cultivar o nosso jardim”. Mas essa parte, convenhamos, não cabe na narrativa do golpismo.